SEJA BEM-VINDO AO MARAVILHOSO ESTÚDIO AIC

Não temos a pretensão de esgotar o assunto, porém as informações aqui reunidas nos remetem à diferentes lembranças da infância, adolecência e até atualmente!
Recorde as vozes mais inesquecíveis para você! Leia as entrevistas de alguns dubladores, artigos sobe a AIC e dublagem.
Nossa intenção é resgatar os poucos registros que temos deste estúdio de dublagem e trazer para você: boas recordações, fatos desconhecidos, e, principalmente homenagear a esses mestres do início da dublagem para a televisão na década de 1960!
Bom divertimento!!!!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

WILSON RIBEIRO DEIXA O RANCHO CHAPARRAL

**MANOLITO EM CHAPARRAL / GAZOO EM OS FLINTSTONES**






**ELLIOT NESS EM OS INTOCÁVEIS E O HOMEM DE VIRGÍNIA**







**SCOTT LANCER**




No último dia 04 de fevereiro deste ano, Wilson Ribeiro sofreu um infarto que o levou para junto de tantos outros que deixaram sua presença na AIC. Entre inúmeras participações em filmes, séries de tv e desenhos, Wilson Ribeiro deixou um legado fantástico na dublagem brasileira da década de 1960.






Aqui, transcrevemos o texto de Arquimedes Pires que aborda a partida do amigo:












THE RANCH HIGH CHAPARRAL IS CRYING







"O rancho High Chaparral está chorando; e nós também!






Já não há mais Wilson Ribeiro, a voz e a arte de interpretar, que fizeram do Manolito Montoya (Henry Darrow) que falava brasileiro, mais versátil, mais alegre, mais simpático e mais carismático do que o original americano!






Fará muita falta naquela certeza que tínhamos de que ele estava lá, em algum lugar, embora não pudéssemos vê-lo constantemente.Voltou para a Grande Pátria o nosso Manolito, o amigo alegre e gozador, o amigo de riso fácil, da gargalhada "sui generis"; foi embora o Wilson Ribeiro, companheiro de muitas jornadas, de muitas cenas espremidas diante das estantes dos estúdios da velha e também saudosa A.I.C., onde dava vida a seus personagens, como o fez com Manolito e tantos outros.






Acaba de deixar a "Estação Vida", no trem do destino, o companheiro que numa tarde escaldante dos idos de 1967 - 1968, tomando banho na lagoa do antigo porto de areia, de Osasco, me alcançando um galho seco, achado ao acaso, impediu que eu morresse afogado nas águas fétidas daquele local imundo onde só quando se é muito jovem se é capaz de fazer a tolice de tomar banho,em tarde quente.






Viajou nosso querido Wilson Ribeiro!Mas é preciso reconhecer que o pessoal que viajou antes têm todo o direito de recebê-lo, matar as saudades, celebrar a amizade e a vida, rir dos velhos tempos e confraternizar.






Que os Anjos Bons o acompanhem até o Portal do Infinito, velho amigo velho, onde novas missões já são preparadas com as medidas da tua competência, pra que você as desempenhe em outra oportunidade.Que Deus, o Senhor do Universo e do Tempo o receba com o Coração e os Braços abertos, Manolito!Hiiiiiiiiigh Chaparraaaaaaaaalllllllll!!!!!!!!!!!!!!!!Paz e Luz, amigo!"



***AGRADECEMOS A ARQUIMEDES PIRES PELA COLABORAÇÃO***








**Marco Antônio dos Santos**






quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

DUBLADOR EM FOCO (72): GERVÁSIO MARQUES











Gervásio Marques iniciou sua carreira artística na década de 1950, onde começa a fazer pontas no cinema. Ao mesmo tempo, o teatro também o atraía e assim procura ser percebido, principalmente pelo TBC. Entretanto, sua carreira começa realmente com o filme "Macumba na Alta" de 1958, onde pela primeira vez obtém um personagem com mais destaque.



Naquela época, a dublagem iniciava no Brasil e Gervásio Marques inicia também esta atividade artística no antigo estúdio Gravasom. É ali, que participa de diversos filmes e séries da época, se aprimorando mais. Mesmo com frequência na dublagem, a sua paixão era o teatro e o início da década de 1960, traz a sua grande oportunidade de integrar o Teatro de Arena. Embora, nunca tenha sido o ator principal de uma peça, mas estava integrado ao elenco e à filosofia do Arena.



Durante alguns anos, Gervásio Marques se dividia entre o teatro e a dublagem no estúdio Ibrasom principalmente.



O golpe militar de 1964 traz uma censura fortíssima às peças de teatro, principalmente ao Teatro de Arena, onde a crítica social e política era predominante. Dessa maneira, Gervásio Marques faz como tantos outros e vai para a televisão, onde as novelas ainda precariamente iniciavam, porém uma maneira de se ocultar à perseguição do regime militar e ter trabalho. Paralelamente, continua na dublagem, se dividindo entre os estúdios Ibrasom, Odil Fono Brasil e AIC.



É na AIC que logo surge uma grande oportunidade com um personagem já com enorme sucesso: James, o marido mortal da feiticeira Samantha. Repentinamente, Sérgio Galvão que fizera a 1ª temporada da série necessitou se afastar da dublagem e Gervásio Marques assume o personagem na 2ª temporada.



Assim que termina a dublagem de A Feiticeira, outro personagem de enorme sucesso surge: Batman, onde o dubla nas duas primeiras temporadas em que a série foi dublada pela AIC.



Mas Gervásio Marques também fez personagens convidados em diversas séries da época: Viagem ao Fundo do Mar, Jeannie é um Gênio e Daniel Boone foram as mais frequentes, onde também exercitou dublar vilões.



Suas participações em novelas foram aumentando o que, de certa maneira, não deixou muito mais tempo para a dublagem. Voltaria a ter um outro personagem fixo no início da década de 1970 na série O Homem Invisível, sendo a voz do Dr. Daniel Weston.



Trabalhos na TV:



A Viagem (TV Tupi 1975/1976)
Vidas Marcadas (TV Record, 1973)
A Menina do Veleiro Azul (TV Excelsior, 1969/1970)
As Professorinhas (TV Record, 1968)
O Ébrio (TV Globo, 1965/1966)
Marina (TV Globo, 1965)
Cadeia de Cristal (TV Paulista, 1965)
Tortura d'Alma (TV Paulista, 1964)

Principais trabalhos em dublagem:

Batman (1ª e 2ª temporadas)
James em A Feiticeira (2ª temporada)
Dr. Daniel Weston em O Homem Invisível.
Vários personagens secundários no desenho Pica-pau
e participações dublando atores convidados.


Trabalhos no Cinema:
O Cangaceiro Sanguinário (1969)
Macumba na Alta (1958)
dentre outros.


Após o término da novela A Viagem, em 1976, não encontramos mais nenhum registro de seu trabalho como ator. Há indícios que tenha retornado à dublagem na década de 1980, participando das séries japonesas da época, porém muitos de seus companheiros de trabalho informam que Gervásio Marques faleceu também na mesma década.




***AQUI VAMOS RECORDAR GERVÁSIO MARQUES COMO JAMES EM A FEITICEIRA:






***NESTE VÍDEO COMO BATMAN AO LADO DO DUBLADOR RODNEY GOMES (ROBIN):
***Marco Antônio dos Santos***



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

CONVERSANDO SOBRE JOSÉ SOARES


**O DUBLADOR CARLOS CAMPANILE, GENTILMENTE FALA SOBRE A OBRA DE JOSÉ SOARES E ALGUNS FATOS DESCONHECIDOS DOS FÃS**

**À ESQUERDA, JOSÉ SOARES NA DÉCADA DE 1960**


1 - Onde e como você conheceu José Soares ?



R: Conheci o José Soares na Ibrasom, levado por um colega de elenco de apoio (figuração) da Organização Victor Costa - canal 5. Além dele, conheci outras “feras”: Edgar Garcia, Gervásio Marques, Rolando Boldrin, Ricardo Nóvoa, Adriano Stuart, Otávio Augusto, Marcelo Gastaldi, Sandra Campos, Lucy Meireles... e por aí vai.....







2 - Qual a importância dele para a tua carreira ? Foi um dos teus mestres ?



R: Foi de suprema importância , pois ele estava substituindo o diretor artístico da Ibra que estava de férias (não lembro o nome dele) e foi o Zé, que depois de algumas semanas em que assistí atentamente às dublagens, após um teste me disse que eu levava jeito para a coisa e que eu iria começar a dublar primeiro as pontas e dependendo do meu progresso passaria a papéis cada vez maiores. Fora isso, me ensinou muita coisa naqueles primeiros tempos de meu aprendizado.Foi meu primeiro "padrinho aríistico", digamos assim.







3 - Você dublou ao lado dele na AIC. Quais são os aspectos que você destacaria de José Soares como dublador ?



R: Dublei várias vezes ao lado dele na AIC. Ele, como a maioria dos dubladores da época, procurava com concentração e empenho "viver" o personagem, procurava fazer o melhor possível para que o personagem "falasse em português". Sempre com muita calma e paciência, também quando dirigia dublagem, acredito que a maioria dos trabalhos dele ficou com ótima qualidade.







4 - E o José Soares como diretor de dublagem, como você o descreve ?



R: Acrescento ao que já coloquei na resposta anterior que ele era extremamente competente como diretor, passando sempre as dicas corretas tanto em relação ao sincronismo, quanto à interpretação.







5 - Dentro da AIC, você ressaltaria alguns trabalhos mais marcantes como dublador ou como diretor de dublagem que ele tenha realizado ?



R: Dificil dizer, pois praticamente tudo que ele fazia era de boa qualidade.Destacaria, talvez, o Gordo de "O Gordo e o Magro", e o Mr Magoo (apesar de não lembrar se o Magoo foi dublado ainda na AIC), que eu acho que foram os mais marcantes.







6 - Fora da hora do "gravando", como era o amigo José Soares ?

R: Fora do estúdio dificilmente há vida social entre os dubladores. Mas houve uma época em que o Zé perguntou se eu jogava futebol, porque queria saber se eu gostaria de jogar no time dele (ele tb era o técnico) o Tuiuti, do Tatuapé. E lá fui eu por alguns domingos jogar pelo time dele. A carreira não foi nada longa porque eu não era nada brilhante como jogador de futebol. Muito pelo contrário .Mas sempre que me encontrei com ele fora dos estúdios era alegre, comunicativo, sempre com uma piada na ponta da língua para tirar sarro ou fazer brincadeiras com alguma situação.







7 - Atualmente os dubladores são mais fotografados, fala-se mais em dublagem, qual seria o legado que José Soares deixou para os dubladores atuais ?

R: Acho que deveriam se dar conta dos bons exemplos e das lições deixadas pelo Zé e tantos outros que já se foram.


8 - Você se recorda de algum fato curioso que tenha ocorrido com vocês ou com ele sozinho ?

R: Lembro, sim. Eu tinha apenas alguns meses de dublagem na Ibrasom e um dia, quando fui olhar a escala, estava designado para fazer o papel principal “o Santo”, num filme chamado “O Santo contra o Tigre”. Para mim uma surpresa, porque não achava que estivesse em condições de “estrelar”, ainda. O diretor de dublagem era o Ricardo Nóvoa (excelente profissional tb) e o Zé ainda era o diretor artístico. (Aliás, o foi até o final da Ibrasom, pois o outro nunca voltou das “férias”).
Depois de ter dublado alguns poucos anéis, o Zé pediu permissão ao Ricardo para interromper a dublagem pra falar comigo: perguntou como eu estava me sentindo e eu respondi que estava surpreso e ao mesmo tempo nervoso pela responsabilidade de fazer um papel tão grande.
Aí ele me disse: “Pois é, tudo não passa de uma brincadeira, pois hoje é 1º de abril e tínhamos que pegar alguém e o escolhido foi você”. E todos que estavam ali caíram na gargalhada. Não preciso dizer da minha desilusão e da minha tristeza ao ouvir aquilo, mas tive de dizer que estava tudo bem, que eu aceitava a brincadeira. E então, passadas as risadas ele me disse que realmente estavam brincando, só pra ver a minha reação, mas que o papel era meu e que eu poderia continuar dublando. E foi assim, com 1º de abril e tudo; e contando com a ajuda preciosa do Ricardo Nóvoa na direção, que eu fiz o meu primeiro papel principal na dublagem.





9 - Há vários episódios da série Perdidos no Espaço, onde Borges de Barros dubla vários anéis com o José Soares. Você, passados mais de 40 anos, classificaria como uma dublagem clássica ou não ? Por quê ?

R: Eu não diria clássica, pois acho esse termo mais apropriado à obra original, mas classificaria como exemplar, tanto para quem assiste aos filmes, quanto para os profissionais que desejarem realmente se tornarem bons em seu trabalho, porque hoje em dia está difícil de se ver dublagem com a qualidade de um José Soares e de um Borges de Barros.




10 - Os fãs de José Soares continuam firmes. Qual mensagem você, que o conheceu tão bem, deixa para todos que sentem mais uma grande lacuna na dublagem ?

R: Eu não sou muito bom para mensagens. Não tenho o dom do Arquimedes, por exemplo, que escreve tremendamente bem, mas diria que todos nós que sentimos a perda do José Soares, temos que ter esperança de que os profissionais que estão surgindo de uns tempos para cá se esmerem e se esforcem para poder deixarem para as gerações futuras o mesmo exemplo de trabalho digno e de qualidade que nos foram deixados pelo Soares, pelo Borges, Wolner Camargo , Older e Olney Cazarré, Hélio Porto, Neville George, Líria Marçal, Sandra Campos, Áurea Maria, só para citar alguns; e tantos outros que souberam respeitar e representar condignamente a nossa profissão.






***AGRADECEMOS A GENTILEZA DO DUBLADOR CARLOS CAMPINILE EM NOS OFERECER MAIS INFORMAÇÔES SOBRE O INESQUECÍVEL JOSÉ SOARES***









**COLOABORAÇÃO DA MONTAGEM FOTOGRÁFICA: GERSON N. FERREIRA









**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

DUBLADOR EM FOCO (71): THELMO DE AVELAR




***** Charlie Chan era um detetive que tinha a ajuda de seus 10 filhos, nos casos que investigava. Na verdade, os filhos atrapalhavam mais do que ajudavam o pai, Esse desenho foi criado em 1972 pela Hanna-Barbera, exibido originalmente pela TV Globo entre 1973/74.*****


Telmo Perle Münch, também conhecido como Thelmo de Avelar, é ator, dublador, tradutor e diretor de dublagem. Esteve presente, por um breve período, na AIC em sua fase áurea.


Dublou apenas personagens convidados em 3 séries de grande sucesso: Missão Impossível, O Túnel do Tempo e Perdidos no Espaço.
Aqui relacionamos algumas participações:

**O Túnel do Tempo:
episódio: "Presente de Grego", dubla o personagem Ulisses.

episódio: "Massacre", dubla o general Custer.

episódio: "A Arma Secreta", dubla o ator Michael Ansara, um general soviético.

**Perdidos no Espaço (ambos episódios pertencentes a 2ª temporada):

episódio: "Torneios Mortais de Gama 6", dubla o ator Mike Kellin (organizador dos torneios).
episódio: "A Oeste de Marte", dubla o xerife espacial.


Depois desse breve período foi para o Rio de Janeiro, onde dublou também no estúdio TV Cine Som e foi o responsável pelas dublagens dos Estúdios Disney. Aqui, Themo de Avelar supervisionava todo o trabalho, desde a tradução, escala de dubladores e direção de dublagem dos clássicos Disney lançados no final da década de 1960 e durante a década de 1970.

As dublagens eram realizadas nos estúdios do MAM, no Rio de Janeiro.

Mesmo com toda essa responsabilidade de trabalho, esteve presente em algumas novelas da TV Globo esporadicamente, assim como dublando, eventualmente, no estúdio Herbert Richers.

*Novelas que participou:

*Irmãos Coragem (1970): Fausto Paiva
*Nina (1977/78): José Alípio

*Pai Herói (1979): Sandoval

*República (1989): Capitão Mallet


**Outras dublagens realizadas:
Pateta (primeira voz oficial no Brasil - quando os cartoons eram dublados na Herbert Richers, e em O Conto de Natal do Mickey)
Pancinha - Ursinhos Gummi
Charlie Chan - Charlie Chan
Narrador - Super-amigos
Jamesir Bensonmum (Alec Guinness) - Assassinato por Morte
Louis - A Pequena Sereia
Sr. Olivaras (John Hurt) - Harry Potter
Prof. Ludovico Von Pato - TV Quack
Xerife Sam Brown - Nem que a Vaca Tussa
Padre Gionetti (David Bradley) - Exorcista: o Início
Emil (Stephen Ballantyne) - A Noiva Cadáver




**Traduções realizadas para os clássicos Disney:
Aristogatas
Bambi
Bernardo e Bianca
A Pequena Sereia
Pocahontas

** Direções de dublagem:
A Pequena Sereia
Aristogata
Bambi
Branca de Neve e os Sete Anões (segunda dublagem na década de 1960)
O Pequeno Mestre
Sonic X
Gêmeos em Ação
Caninos Brancos
O Treinador
Os Lobos Não Choram
Fim dos Dias
Troca de Identidade
Dr. Mumford - Inocência ou Culpa?
A Árvore de Natal
A Princesa Loba


Um excelente profissional que atuou não só como dublador, mas também como tradutor e diretor de dublagem e até como ator de novelas.

Ainda no final da década de 1990 e início desta, fez pequenas dublagens na série Lei e Ordem, dublada pela Herbert Richers e exibida pelo canal a cabo USA. Atualmente, após a alteração para Universal Channel, esses mesmos episódios são exibidos legendados.
Thelmo de Avelar, felizmente, deixou também registrada a sua competência como dublador na AIC.

Atualmente, não temos registros de suas atividades artísticas.


**Marco Antônio dos Santos**



terça-feira, 26 de janeiro de 2010

MEMÓRIA AIC (16): MARINE BOY




Marino Boy (ou Marine Boy) foi lançado pela primeira vez no Japão na emissora Melbourne Television e só foi sair do ar em 1968, quando completou o incrível número de 130 episódios (uma raridade para as produções da época).


Dividido em duas séries de duas temporadas cada, a primeira versão teve apenas três capítulos em branco e preto, enquanto a segunda temporada dessa mesma série durou 13.




A versão colorida (mais bem feita e exibida no Brasil) durou 114 episódios (apenas os 78 últimos foram transmitidos aqui). Segundo os fãs dessa série, os primeiros episódios são fracos tanto no roteiro, quanto na premissa. O fato é que Marine Boy fez um grande sucesso e teve até reprise exibida na década de 1990 no canal a cabo Warner, porém redublado.




Usando uma roupa especial (que o fazia tão hábil quanto um peixe), Marine Boy completava as mais diferentes missões no fundo do mar. Ajudado por seu pai, o Dr. Mariner, tanto o herói quanto seus amigos (o golfinho Splasher e a sereia Neptina) passavam por grandes encrencas que envolviam desde problemas ambientais a ataques de outras criaturas. Marine Boy também não agia por acaso. Era membro de uma organização que preservava a paz do oceano.




No Brasil, Marine Boy estreou na extinta TV Excelsior de São Paulo, sendo posteriormente exibido pela TV Bandeirantes e também pela extinta TV Tupi.




A dublagem original do desenho foi realizada pela AIC e os nossos registros mostram apenas as duas dubladoras principais:


Marine Boy: dublado por Maria Inês.


Sereia Neptina: dublada por Joferraz.




Infelizmente, mais uma dublagem da AIC que desapareceu completamente!!





**Marco Antônio dos Santos**

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

CURIOSIDADE AIC (23): AS DUAS FACES DE JORNADA NAS ESTRELAS


Entre as diversas questões que nos são propostas, além de dúvidas a respeito da AIC, certamente cerca de 50% dos questionamentos enfocam a redublagem da série Jornada nas Estrelas. Outras séries da época também tiveram a sua dublagem original desaparecida, entretanto parece que desta série é a que mais incomoda aos fãs da AIC.




A dublagem de Jornada nas Estrelas, com a tradução inicial de Emerson Camargo, conseguiu criar expressões, as quais não haviam na língua portuguesa e, sobretudo, pensar como o dublador poderia sincronizar com os lábios do ator. Um exemplo disso é a expressão "dobra espacial", totalmente válida e com sincronia.




Os motivos do desaparecimento da dublagem sempre vem a baila e, infelizmente, podemos resumir em descaso total com um trabalho realizado por artistas brasileiros. Contra esse fato ocorrido nada podemos fazer. O curioso é que a dublagem de Jornada nas Estrelas parece que desde o início estava com destino traçado a se perder totalmente.




A série teve 78 episódios em suas 3 temporadas (1966 - 1969), porém dois episódios nunca foram exibidos no Brasil ("O Fruto Proibido" da 2ª temporada e "Ciranda do Poder" da 3ª temporada), a não ser na redublagem pela VTI Rio. Alguns especialistas na série dizem que jamais chegaram no Brasil, por isso não foram dublados. Outros já dizem que a censura do período militar talvez tivesse proibido as suas exibições. Seja como for, a série só teve 76 episódios dublados e exibidos.




Jornada nas Estrelas estreou na extinta TV Excelsior de São Paulo e, depois de algum tempo fora do ar, voltaria em 1974/75 pela extinta TV Tupi, porém aqui já há informações de que cerca de 2 episódios já não teriam mais a dublagem, ou seja, em cerca de 5 anos, a distribuidora não conseguiu conservá-los.




O tempo passou e já no início da década de 1980, Jornada nas Estrelas voltaria pela TV Bandeirantes, devido à forte influência do sucesso dos filmes no cinema. Nesse retorno, mais 4 episódios também não foram exibidos, totalizando cerca de 6 episódios já sem a sua dublagem original. Assim, dos 76 dublados, restaram 70 e já alguns com problemas no som. A série foi exibida durante cerca de 2 anos, alterando o seu horário de exibição, chegando até a ocupar o horário nobre com o sucesso do filme "A Ira de Khan".




Depois de 1983, somente retornaria, em 1991, pela extinta TV Manchete já redublada. Aqui, mais uma vez, a série sofreu outro problema: a crise econômica que se instalava na emissora, a qual redublou somente a primeira temporada e não chegando a redublar a segunda na íntegra. Dessa forma, o restante da série só seria redublado anos depois , através do antigo canal a cabo USA. Dessa maneira, houve uma alteração total dos dubladores, com exceção de Márcio Seixas para o sr. Spock.




Outra situação curiosa: a redublagem de Jornada nas Estrelas, no tocante à tradução, vinha com a proposta de corrigir alguns problemas. Na realidade, a tradução foi a mesma e mudou pequenas coisas não significativas. A grande alteração foi feita em títulos dos episódios, onde os tradutores tentaram ser mais fiéis ao roteiro, porém também às vezes, chegando ao exagero da tradução ao "pé da letra", o que linguisticamente é lamentável.




Assim, a trajetória desta série clássica para os americanos, apresenta-se com duas faces para nós: o descaso com a dublagem realizada pela AIC e, praticamente, com duas redublagens pela VTI Rio, onde não foram sequer mantidos os primeiros dubladores.




Uma grande questão: a dublagem realizada no México é a mesma daquela época e, assim, os DVDS vem com a dublagem em espanhol original. No Brasil, temos os DVDS com as duas redublagens e um mercado paralelo com a dublagem da AIC, realizado por colecionadores que cobram valores elevados! Em toda a América Latina, só no Brasil que isso ocorre!
**Marco Antônio dos Santos**







domingo, 24 de janeiro de 2010

MEMÓRIA AIC (15): O FAZENDEIRO DO ASFALTO





Green Acres, que no Brasil é conhecido como O Fazendeiro do Asfalto, foi produzido pela antiga produtora Filmway, Inc. (atualmente MGM Television) e apresentada originalmente pela CBS, de 15 de setembro de 1965 até 7 de setembro de 1971, num total de 170 episódios de 30 minutos cada. Depois do sucesso de The Beverly Hillbillies e Petticoat Junction, a CBS ofereceu ao produtor Paul Henning para ele produzir uma série piloto de meia hora, mas como Paul estava sem muito tempo, ocupado em outros projetos, ele encorajou seu colega Jay Sommers para criar a série.



Para protagonizar a série na televisão foi chamado o ator Eddie Albert como Oliver Wendell Douglas, um rico advogado de Nova Iorque que larga tudo para realizar um antigo sonho seu, ser fazendeiro, e levando consigo a socialite Lisa Douglas (Eva Gabor), a sua glamurosa esposa húngara, que é "arrastada" para lá, deixando os privilégios da cidade, em troca de uma vida bucólica numa fazenda periclitante. Oliver nasceu numa fazenda no centro de Nova Iorque, mas não porque seus pais fossem ricos ou fazendeiros, mas sim porque a sua mãe trabalhava lá, e ele acreditava que o seu futuro seria na agricultura.


Mais tarde Oliver tornou um piloto de combate e foi para a frente de batalha na Segunda Guerra Mundial, quando conheceu Lisa, quando ele pulou de pára-quedas sobre a Hungria (isso é pelo uma das versões da história). Depois da guerra casou com Lisa e Oliver foi para a prestigiosa Universidade de Havard. Depois de formado instalaram-se em Nova Iorque, tornando-se sócio numa empresa de direitos muito respeitável, onde obteve muito sucesso, principalmente financeiro. Mas apesar de todo seu sucesso, Oliver nunca estava satisfeito. Ele ansiava em ser um homem verdadeiro, trabalhar na terra e não ficar morando fechado num apartamento.


Lisa, a esposa de Oliver, adora vestidos novos, é charmosa, encantadora e também uma incompetente na cozinha. Antes de conhecer Oliver, Lisa noivou-se com seis homens diferentes. Ela adora tudo na cidade grande e fica aflita ao saber que seu marido está pensando em ir morar numa fazenda. Quando a oportunidade de comprar umas terras apareceu, Oliver não teve dúvidas, comprou a "fazenda" do caloteiro Sr. Haney em Hooterville, Estados Unidos, um local geograficamente estranho, onde impera leis naturais alucinatórias, habitados por uma população excêntrica, que incluiu Arnold Ziffel, um porco adotado como filho por Fred e Doris Ziffel.


Surpreendentemente Lisa se adapta magnificamente a vida na fazenda. Tão logo que pode, traz todo o seu arsenal fabuloso de roupas e fica contente dando nomes sofisticados aos diversos animais da fazenda, enquanto faz brilhar sua estonteante beleza em Hooterville. Os Ziffels deixava Arnold (o porco) fazer qualquer coisa que ele desejasse e com certeza ele fazia coisas surpreendentes, inclusive tocava piano, bebia, entregava carta do correio, virava os canais de televisão sozinho (ele gostava de assistir os filmes de cowboys e o programa The CBS Evening News com Walter Cronkite), além de fazer previsões metereológicas (o rabo ondulado deles indicava como o tempo deveria ser).


Tratado como qualquer menino, Arnold vai inclusive a escola, onde aprende até a escrever seu próprio nome e também fala uma ordem impressionantes de idiomas como o inglês, francês e um pouco de japonês, com um leve sotaque de porco, é claro! A única pessoa em Hooterville que não consegue entender os grunhidos de Arnold, evidentemente é Oliver. A idade de Arnold nunca foi revelado, mas provavelmente ele está em algum lugar entre a infância perpétua de terceiro grau e a puberdade.


Fred Ziffel é o mais venerado fazendeiro de Hooterville, além de ser considerado um homem muito sábio. Sua semelhança com com Abraham Lincoln reforça a impressão de ser um homem de grande valor. Infelizmente Fred quase nunca sabe nem mesmo o que ele está falando, vive "trabalhando" em sua fazenda e não importa o quanto Oliver fique bravo, ele nunca perde a paciência.

A série é praticamente o contrário de outra série chamada de The Beverly Hillibillies (A Família Buscapé). Nesta série uma família muito pobre sai do interior e vai para a luxuosa Beverly Hills, isto é faz o caminho inverso de Green Acres. Desde os primeiros capítulos Green Acres deixava de ser apenas uma comédia rural comum e passou a desenvolver um mundo totalmente absurdo de si próprio. Embora houvessem muitas comédias de costumes na década de 60, Green Acres era notável pelos aspectos surrealistas que freqüentemente faziam parte da sátira.

A SÉRIE NO BRASIL:


Embora tenha durado 6 temporadas nos Estados Unidos, aqui no Brasil a série passou despercebida e, provavelmente, apenas a 1ª temporada tenha sido dublada e exibida. Talvez, o estilo surrealista e o tipo de humor mais voltado para a região do campo americana, não despertaram interesse no público brasileiro.




Os registros sobre a estréia de O Fazendeiro no Asfalto, no Brasil, nos sinalizam que teria sido em 1968, pela extinta TV Excelsior, quando a emissora lançou também a 3ª temporada de A Feiticeira e a 2ª temporada de Jeannie é um Gênio numa faixa de horário antes da novela das 18h.

A série, posteriormente teria uma exibição rápida pela TV Bandeirantes, por volta de 1969/70.

Somente na década de 1990, O Fazendeiro do Asfalto retornaria através do canal a cabo MGM, porém legendado.


A dublagem, embora sendo de apenas uma temporada, foi realizada pela AIC e teve como dubladores principais:


Eddie Albert: dublado por Wolner Camargo e Eva Gabor dublada por Gessy Fonseca.


Evidentemente, a dublagem desta série certamente não deve existir mais.



Para aqueles que queiram recordar ou conhecer, seguem dois links:



**A ABERTURA DA SÉRIE O FAZENDEIRO DO ASFALTO:






**UMA ATUAÇÃO DE ARNOLD (O PORQUINHO TRATADO COMO FILHO):










**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

ENTREVISTA COM FRANCISCO JOSÉ


1 - Quais as outras profissões que você exerceu antes de ser ator/dublador ?



R: Tive outras profissões sabendo que seriam passageiras. Quando aparecesse a oportunidade de ser ator as profissões seriam abandonadas. Assim, fui aeroviário, comprador da Cosipa, jornalista (antes da regulamentação da profissão), assistente de vendas de uma indústria alimentícia. Em todas elas fui relativamente bem pago, mas o vírus já tinha me contaminado. Nos meus tempos de ginásio eu já era um tremendo agitador de teatro.



2 - Como foi percebendo que havia uma vocação artística dentro de você ?


R: Eu era estudante e já vivia metido com rádio. Onde eu morei, Poços de Caldas, também me meti a locutor de rádio, e dizem que eu não era tão ruim... A TV não tinha chegado lá ainda, mas eu ainda não tinha sido mordido pela mosca do teatro. Isso aconteceu quando fui transferido de cidade. Fui para um município do sul de Minas, que não tinha rádio, não tinha nada, Itanhandu,na época 5.000 habitantes mais ou menos. Então a agitação cultural da cidade
era feita por nós, estudantes. Participei da fundação de um jornalzinho da cidade, me encarreguei do teatro do colégio, eu estava em todas.



3 - Quando e como você iniciou a sua carreira artística ?


R: Em 1958, terminado o ginásio, tive que voltar a São Paulo para iniciar minha vida adulta. Foi quando tive uma variedade de profissões. O artista ficou hibernando até 1965. Apareceu minha primeira oportunidade de trabalhar como ator. Após 2 meses de ensaio, a montagem da qual participaria foi proibida pela censura. Mas aí eu resolvi encarar a profissão.
Fiz muitas radio-novelas para o interior, TV (saudosa TV Tupi). Participei da fundação de um grupo de teatro popular que existe até hoje em São Paulo, o TUOV.
Em 1968, filmei um episódio de um seriado para a TV. A produção era de Ary Fernandes, o mesmo de O Vigilante Rodoviário. Só que era sobre a FAB. O seriado era Águias de Fogo e não teve o mesmo sucesso do Vigilante. Durante a filmagem eu soube que seria dublado. Insisti em me dublar. Foi um fiasco. Após não sei quantas tentativas, o Garcia Neto disse para mim:
"- Meu filho, faça um favor para todos nós; fique fazendo só teatro; dublagem você não consegue..."
Isso foi na Odil Fono Brasil. Então comecei a procurar um meio de poder ser aceito na AIC, para aprender a nova técnica. Fui recebido por Older Cazarré, que me guiou nos primeiros passos. E tantos outros. Vou tentar não cometer nenhuma injustiça omitindo nome de alguém. Também me deram dicas preciosas: Flávio Galvão, Ézio Ramos, Wilson Ribeiro, Ary de Toledo, Olney Cazarré, Aldo César, Dráusio de Oliveira, Líbero Miguel, José Soares, Sergio Galvão, Batista Linardi...
Muitos ainda por aqui, outros já foram para o andar de cima...



4 - Como você imaginaria, com a atual tecnologia, a dublagem dos dubladores da AIC ?


R: Se naquela época houvesse a tecnologia atual, a dublagem seria imbatível. Qualquer profissional só poderia ser assim, considerado se tivesse passado pela AIC.



5 - O que melhorou atualmente na dublagem ?


R: Na dublagem atual, aparentemente, melhorou a rapidez. Só. Interpretação nula. Emoção zero. Se você assistir a um filme dublado, já viu todos. As interpretações são mecânicas, sem alma. Qualidade? O que é isso?
Hoje o investimento para se montar uma dubladora é bem menor. Mas tem-se que entrar na disputa de mercado e aí vira uma guerra, com todos querendo tirar vantagem... e todos perdendo.



6 - O chefe Sharkey, da série Viagem ao Fundo do Mar, foi o seu primeiro personagem fixo ? Como você foi indicado ?


R: Eu fiz vários convidados e o chefe Sharkey não foi meu primeiro fixo. Meu primeiro fixo foi num seriado, que também não aconteceu, "Cidade das Ilusões". O chefe Sharkey me foi dado pelo Dráusio de Oliveira. É que o Garcia Neto estava sendo reintegrado na AIC, por ordem judicial. E o reencontro com o Garcia foi muito engraçado, porque eu já tinha mudado de
cara e já fazia tempo do episódio de Águias de Fogo. Garcia Neto foi um dos grandes amigos que fiz na vida; a amizade só foi interrompida porque ele teve que passar para o andar de cima. Muita saudade...




7 - E a sua carreira na Herbert Richers ?


R: É um engano pensar que eu fiz carreira na Herbert Richers. Ainda em São Paulo, passei pela Álamo, Odil Fono Brasil e uma tentativa que houve de erguimento da profissão na COM-ART. Esta tentativa não foi bem sucedida porque na época em nossa ingenuidade quisemos fazer tudo às claras demais. Enquanto as poucas casas de São Paulo se recusavam a fazer o pagamento-hora, a COM-ART implantou-o, apesar da campanha violenta de descrédito, principalmente pelos dirigentes da Álamo e de alguns membros da categoria que diziam que o "pagamento-hora iria quebrar as empresas".
Com a quebra da COM-ART, por motivos outros, não havia mais trabalho para mim em São Paulo. Foi então comunicado a outro grande amigo que eu tinha feito no meio, Marcos Miranda, a minha situação. Herbert Richers foi cientificado e disse que, desde que eu não viesse ao Rio apenas por um tempo, eu teria emprego garantido em sua empresa.
Eu vim para o Rio e em menos de 6 meses tinha conseguido trazer toda minha familia, esposa e três filhos.
A relação que tive com Herbert Richers foi pautada pelo maior respeito e lealdade. Fiz bons trabalhos lá. Como dublador destacaria:
"Uma Cilada para Roger Rabbitt", "Contratempos", "Thundercats", "Ursinhos Gummi", "Silverhawks", e várias miniséries.
Como diretor de dublagem também fiz muitas miniséries e alguns longa metragens. Destacaria: todos os episódios de "Loucademia de Polícia", "Cuidado com as Gêmeas", "Uma Linda Mulher", "Aventureiros do Bairro Proibido", "Colors, as Cores da Violência", "Henrique V". Quando estava para completar 10 anos de casa, é claro que tive que ser demitido.
Fui então convidado para ser diretor exclusivo da VTI. Como a relação não era de respeito como a que eu tinha na Herbert Richers, eu me demiti, após 7 meses, onde não trabalhei, apenas "cumpri pena". Mesmo assim, posso me orgulhar pela direção de dublagem, inclusive escalação de elenco fixo, do primeiro ano de "Arquivo X". E nesse tempo em que "cumpri pena" ainda dirigi mais dois seriados, "Deep Space Nine" (uma continuação de Jornada nas Estrelas) e "Os Novos Intocáveis", série que foi reprisada "n" vezes no Universal Channel.
Quando me demiti da VTI, fui chamado de novo à Herbert Richers. Aceitei, desde que fosse apenas para dublar. Mas nao tardaria convite para dirigir em outra empresa do Rio, a Cinevideo. Eu trabalhava como diretor de dublagem em uma empresa e como dublador na outra. Mas o meu tempo maior era absorvido pela direção. Aí dirigi um seriado que foi acompanhado pelo representante da Warner, "Histeria". Recebi elogios da Warner e da direção da Cinevideo.
Quando a saúde de Herbert Richers começou a decair, fui desligado de sua empresa por comum acordo. Isso em 2003.
Em 2005 foi a vez da minha saúde reclamar. Tive problemas circulatórios que por pouco apressam minha ida para o andar de cima.
Requeri minha aposentadoria e ficaria dublando agora mais por hobby. Mas veio a forte pressão para cessão de direitos de intérprete.
Como me recusei a ceder, minha entrada foi proibida nos estúdios.


8 - Quais são as tuas atividades profissionais atualmente ?


R: Aposentado e com a saúde parcialmente recuperada, fui convidado a entrar em novo ramo: o livro falado. É o que estou fazendo atualmente. Dirigi várias gravações de audio-livros para a Bienal do Livro, aqui no Rio de Janeiro. Felizmente foi um sucesso total.
Agora estou tentando viabilizar a gravação de um texto de autor paulista, muito amigo meu, desde 1965. Vai dar certo? Não sei... ainda.


9 - Que aprendizado você teve, após tantos anos da tua carreira ?


R: Se você acreditar, se a causa for justa, se o trabalho for honesto, o sucesso virá.
Eu me orgulho muito dos amigos que fiz em toda minha caminhada. Se pude ajudar iniciantes, o fiz sempre com o coração aberto.
Valeu a pena? É claro que valeu. Faria de novo? Faria tudo. Exatamente como fiz.


10 - Há pouquíssimos registros sobre a dublagem no Brasil, você vivenciou várias etapas, nunca pensou em escrever um livro de memórias ?


R: Há pessoas que também viveram os fatos narrados e estão vivas por aí para testemunhar.
Eu mantive um blog durante algum tempo e pretendia contar fatos, alguns engraçados, outros tristes, dos quais participei.
Quando meu amigo Francisco Borges foi para o andar de cima, eu decretei a morte do meu blog.
Certamente, tenho algumas histórias do meu tempo de AIC. De vez em quando, pretendo ocupar sua paciência contando-as.
Afinal, o projeto de vida já existia há tempos, mas foi lá que foi pavimentada a estrada para a trajetória.

Abraços,

Francisco José.

(para os amigos como você Chico José)


***Agradecemos ao dublador e amigo Francisco José Correa por este pequeno depoimento***




**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O TREM DA VIDA


Há algum tempo atrás li num livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma leitura extremamente interessante, quando bem interpretada.

Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, agradáveis surpresas em muitos embarques e grandes tristezas em alguns desembarques.

Quando nascemos, entramos nesse magnífico trem e nos deparamos com algumas pessoas, que julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco, nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade, em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos do seu carinho, amizade e companhia insubstituível. Isso, porém, não nos impedirá que durante o percurso, pessoas que se tornarão muito especiais para nós, embarquem. Chegam nossos irmãos, amigos, filhos e amores inesquecíveis.

Muitas pessoas embarcarão nesse trem apenas a passeio, outras encontrarão no seu trajeto somente tristezas e ainda outras circularão por ele prontos a ajudar a quem precise.

Vários desses viajantes quando desembarcam deixam saudades eternas, outros tantos quando desocupam o assento, ninguém percebe.

Curioso é constatar que alguns passageiros que se tornam tão caros para nós, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos. Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas.

Muitos dubladores da AIC já desembarcaram em alguma estação, mas sempre participaram conosco da viagem de trem, produzindo nossos sonhos, fantasias, etc.

Nos últimos anos, houve alguns desembarques que nos deixaram saudades. Em 2007, desembarcaram Eleu Salvador, Helena Samara e Borges de Barros. Em 2008, Dante Ruy, Chico Borges e Carlos Alberto Vaccari. Em 2009, Lucy Guimarães, José Soares e Muíbo César Cury.

Passageiros que nos acompanhavam de longa data, mas que fizeram o seu percurso valer a pena, pois nos deixaram boas recordações para aqueles que prosseguem a viagem de trem.

Um novo ano se inicia, a viagem de trem continua para todos e devemos fazer com que ela seja mais valiosa para nós, para todos que nos cercam.

Feliz 2010!!


**Marco Antônio dos Santos**

domingo, 20 de dezembro de 2009

2ª ENTREVISTA COM BORGES DE BARROS

**ESTA ENTREVISTA FOI CONCEDIDA A LEANDRO PEREIRA LESSA E FAZ PARTE DA SUA MONOGRAFIA "A DUBLAGEM NO BRASIL", APRESENTADA À BANCA EXAMINADORA DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE FEDRAL DE JUIZ DE FORA/MG, EM 13/01/2003.

Borges de Barros é um comediante com quase 60 anos de carreira. Saiu com a família de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, para passar a juventude em Mato Grosso. Depois foi para São Paulo, onde começou a trabalhar em rádio e, mais tarde, com dublagem de cinema nacional. Daí, adquiriu experiência para dar as vozes aos personagens das produções estrangeiras. Ele é mais conhecido pela dublagem do Dr. Zachary Smith, em Perdidos no Espaço, e do Moe, de Os Três Patetas. Ele também fez o Mendigo Milionário no programa A Praça da Alegria e em sua reedição A Praça é Nossa. A entrevista foi realizada por telefone no começo da tarde do dia 13 de janeiro de 2003.

P – Como estava a situação artística no seu início de carreira?
R – Com o processo criativo do rádio e do disco, o teatro estava perdendo um pouco do seu espaço. O rádio era inovador naquela época. Adquirimos qualidade de interpretação utilizando apenas um único instrumento: a voz, ou seja, a nossa garganta. Quase todo bom dublador saía do rádio, pois estes sabiam que o som vem da boca, e não do alto-falante.

P – Como foi o início no rádio?
R – Comecei no rádio em 1943, depois de me formar em Ciências e Letras, em 1942, que durava cinco anos e era uma espécie de científico antes do vestibular para ser professor secundário. Eu fiz parte de uma elite privilegiada, que participou da era de ouro do rádio. Fazíamos tudo na voz, e o resto da história o povo imaginava. Aprendíamos tudo lá, coisas como interpretação, a inflexão. Outro grande dublador que veio do rádio foi Lima Duarte. Há grandes dubladores que vieram do teatro, mas muitos que eram dos palcos não conseguiam dublar. Ainda há remanescentes desta época, rádioatores que, em vez de ir para o teatro ou para a televisão, entravam para a dublagem.

P – Qual foi seu primeiro trabalho em dublagem?
R – Foi em 1949, 1950, para o filme O Cangaceiro, dos Estúdios Vera Cruz, em que eu fiz o som também. Eu fui contra-regra, mas não sonoplasta. A Vera Cruz foi a primeira indústria cinematográfica de peso, a dar impulso nesta área no Brasil. Antes, eram aqueles filmes da Atlântida, com Grande Otelo e Oscarito. A gente chegou a dublar alguns filmes da Atlântida, mas a maioria era dublada lá. O que sobrava vinha para São Paulo. Todos esses filmes das empresas cinematográficas eram dublados na Companhia Maristela de Filmes. Essa prática foi fundamental para a dublagem de filmes estrangeiros no futuro. Fiz a dublagem também em Tico-Tico no Fubá e Terra Sempre Terra, além de todos os filmes do Anselmo Duarte, do Nelson Pereira dos Santos. Ele me contou que cinema não pagava bem.

P – Você chegou a atuar no cinema?
R – Atuei em dois filmes. Em Simão, o Caolho, fiz uma participação pequena como um pai-de-santo. Também trabalhei em Se o Meu Dólar Falasse, com Dercy Gonçalves e Grande Otelo. O meu nome era o terceiro que aparecia nos créditos, mas o filme era centrado no personagem da Dercy. Mas fazia muito mesmo dublagem de outros atores. Para perceber o valor desse trabalho, há uma história que aconteceu em O Pagador de Promessas, filme com o Leonardo Villar, Glória Menezes e Norma Bengell na década de 1960. Foi filmado na Bahia, na frente da Igreja de São Francisco. O Anselmo Duarte levou a equipe para filmar lá num intervalo entre as novelas. Quem não viu este filme, ainda não nasceu. Existia um homem em São Paulo chamado Zé Coió, que tocava viola. Era um comediante de circo que fazia apresentação em boates boca-do-lixo do Largo do Paisandu. Quando o descobriu, o Anselmo Duarte percebeu que o tipo casava bem com um personagem para o filme, um vendedor de folhetim com poesias, que era conhecido na região como “Cuíca de Santo Amaro”. Não me pergunte que eu não sei porquê. O nome dele era Roberto Ferreira, era um baianinho, magrinho, baixinho. Como eu tinha facilidade para imitar “nortista”, pegaram-me para dublá-lo. E eu fiz muito bem. Acho que acertei mais por felicidade do que por perfeição. Ele assistiu ao filme já com a minha voz e disse que eu havia feito melhor do que ele. Levou uns cinco a dez dias para fazer. Ele acabou ganhando um prêmio como ator revelação do cinema nacional. E esse prêmio não é igual àqueles prêmios de hoje, antigamente examinavam até a cueca do cara para analisar o papel. Esta é a importância da dublagem, Antigamente não se trazia publicações, isso não era importante, mas agora já faz parte.

P – E no caso de dublagem de produções estrangeiras?
R – Algumas vezes, a dublagem fica melhor do que o original. Sou assinante da Net e, em alguns canais, só há filmes em inglês com legendas, mas eu e minha esposa identificávamos quem faziam as vozes aqui. Percebíamos que, em alguns filmes, a voz do cara não correspondia com seu tipo físico, por exemplo, um grandalhão falando fino. Eu sou conhecido pela dublagem do Dr. Smith, em Perdidos no Espaço, que é considerada um padrão. O seriado ganhou por cinco vezes o Prêmio Roquette Pinto, que apontava os melhores do rádio e da TV. Depois veio o Troféu Imprensa, mas não é a mesma coisa, era um conselho de autoridades no assunto que faziam a escolha. Acho que a série ganhou o prêmio em quase todos os anos em que estava no ar no Brasil. Para fazer aquela voz do Dr. Smith, eu tive que pegar todas as características. Ficou tão bom, que confundiu a voz minha com a do personagem. Tanto que, quando o Jonathan Harris morreu ano passado, eu recebi condolências. Muitos pensaram que eu havia morrido! Também recebi muitas homenagens, muitas reportagens lembraram do nosso encontro aqui no Brasil.

P – Como é que foi o seu encontro com o Jonathan Harris?
R – Na verdade, ele quis encontrar comigo. Estava acontecendo o Festival de Cinema do Rio, e grandes atores eram chamados para participar do evento. E a dublagem se destacou tanto que muitos dubladores foram convidados pelo destaque. O Dr. Smith já era um personagem carismático, para mim foi como um pênalti no último minuto de jogo. Saiu uma matéria no Estadão que retrata a verdade. O meu sindicato me prestou uma homenagem. Eu devo ser um dos únicos dubladores com fã-clube, o “Perdidos no Espaço”. É formado por um pessoal que possui todos os episódios gravados, mesmo aqueles em preto e branco. Eles sempre me pedem para fazer palestra, há um debate tremendo, falam sobre o que mais gostam no seriado. O principal episódio é um que tem a mulher de verde que fica no ar. Outro preferido é o que o Dr. Smith possui uma espécie de clone, colocaram-no num sarcófago e saíram dois. E eles conversavam entre si. Ele me deu um quadro com a sua fotografia, que vem escrita em inglês “Para o meu melhor dublador no mundo”, algo assim. Isso ele já tinha falado pessoalmente comigo.

P – Lá mesmo no programa da Hebe Camargo?
R – É. O programa da Hebe se chamava O Mundo É das Mulheres, quase igual ao que ela faz hoje no SBT, levando convidados. Então, descobriram que o Jonathan Harris queria conhecer o dublador do Dr. Smith no Brasil. Eu estava na AIC, um estúdio que ficava na Lapa, um tanto longe de onde ficava a Record. Mandaram buscar-me de lá, tivemos que parar a dublagem que eu estava fazendo. Seguraram o programa no ar até eu chegar na emissora. Quando eu apareci, foi uma festa. Realmente, não sei se foi talento ou se foi sorte minha fazer a voz do Dr. Smith. Foi um casamento feliz. Eu não entendo inglês, aprendi alguma coisa durante as dublagens, então o intermediário da conversa foi o Jô Soares, em começo de carreira. Depois a série parou de passar no Brasil. Aos domingos, às seis horas da tarde, era uma audiência enorme.

P – Você disse que o Jô Soares foi o intermediário da conversa sua com o Jonathan Harris. Mas dizem que ele não gosta de dublagem.
R – Ele não é fã de dublagem. Mas eu sou meio suspeito para falar. Acho que ele não é um grande espectador, uma pessoa que chega em casa, janta mais cedo para ver um filme na televisão.

P – Nesta época, várias pessoas tentaram ingressar na dublagem?
R – Foram feitos vários testes. Muitos atores de fama passaram pela dublagem e não conseguiram fazer. Acho que o único que deu certo na área foi o Lima Duarte, mas ele tinha experiência em rádio. O Paulo Goulart tentou. Falam também do Tarcísio Meira, mas este eu não tenho certeza. O Sérgio Cardoso, ator conhecido de teatro, com nome em teatros no Rio e em São Paulo, achava-se que tinha a mesma fama do Paulo Autran. Ele foi dublar um filme do meu lado, na Odil Fono Brasil, que era da Carla Civelli, com o capital do Ademar de Barros, depois foi passado para o filho dele. Ela gostava de teatro, trouxe vários filmes para cá. Então, nós dois fomos escalados para fazer as vozes em O Pepino de Filipo. Eu dublava o Totó, o comediante italiano famoso na época. Ele tinha uma voz rouca, e acharam que a voz dele batia com a minha. Mas o Sérgio tentou umas 10, 20 vezes e não conseguiu.
Precisa ter muito respeito com a função de dublador. Quantas profissões novas já foram inventadas? Mas quem não consegue, começa a dizer que dublagem não presta. Igual a se dizer que dinheiro não é tudo na vida. Fala isso porque não tem. Eu, por exemplo, tenho 1,69m de altura, e posso dizer que “o que vale é ser homem”. Mas é mentira, é inveja, eu queria ser alto, olhos verdes, cabelos louros, porém sempre sendo eu mesmo, com meus dotes.

P – Qual foi sua estréia em rádio?
R – Eu gravava para a Rádio Tupi As Aventuras de Tarzan a As Aventuras do Vingador, que passavam a partir das 17h30. Na época, gravava-se em disco e passavam o programa depois. Eu escrevi tudo. Havia experiências de gravação em fio de aço, pois este possibilitava gravar em cima do erro, o que não era possível no disco, já que eram sulcos. Mas a gente usou primeiro disco, depois passou para o fio. Eu fazia o bandido ou o índio selvagem no Tarzan. No Vingador, eu era o bandido chefe. Lembro que um tinha o nome de Três Tiros, outro era o Mão Pequena, aqueles vilões que atiravam primeiro e perguntavam depois.
Depois fui para Rádio Cultura. Passei para a Rádio América, onde fazia novela de manhã e programa humorístico à noite. Comecei lá em 5 de junho de 1945, foi a primeira rádio que eu trabalhei como contratado realmente. Após isso, trabalhei na Cruzeiro do Sul, Eldorado, Excelsior e Nacional de São Paulo. A Rádio Nacional do Rio aproveitou os elementos da Rádio Excelsior daqui para formar a Nacional de São Paulo. A produção de texto vinha toda do Rio. Havia programas como PRF 8 ou 80, e a emissora aqui nem era a mesma prefixação. Outro era Nada Além de Dois Minutos. O principal era o Balança Mas Não Cai, que foi de grande valia. O Paulo Gracindo e o Brandão Filho faziam o Primo Rico e o Primo Pobre no Rio, e Manoel de Nóbrega e eu fazíamos o quadro em São Paulo. Ele tinha a voz debochada como a do Gracindo, então o Manoel foi o Primo Rico. O Pobre calhou para mim. Foram seis, sete anos assim.

P – Esta experiência em rádio e TV que você teve está faltando aos dubladores de hoje?
R – Isso faz falta, como diriam, uma formação acadêmica, uma escolaridade interpretativa. Se houvesse novelas de rádio nos dias de hoje, talvez fosse melhor. Aqueles que não tiveram este tipo de formação fazem as coisas “em cima dos pregos e da brasa”. Mas pode ser até o filho do dono que esteja fazendo.

P – Você se lembra de sua primeira dublagem?
R – Isso é igual ao primeiro sutiã, nunca se esquece. Foi através do Cristóvão de Alencar, narrador dos cinemas na década de 1940 que o Zé Vasconcellos gostava de imitar na rádio. Ele trouxe uns filmes, como a série do Roy Rogers, e contratou um pessoal das novelas de rádio para dublá-los nos estúdios da Ibrasom, com sua direção. A Ibrasom veio antes mesmo da Gravasom, do Mário Audrá. Aí, escolheu o pessoal das novelas de sucesso, que passavam todos os dias na rádio, selecionou um grupo em que eu estava no meio. Meu primeiro trabalho foi um ator que eu dublei de novo esses dias. Quando vi no “espelho”, com o nome dos atores e seus respectivos dubladores, vi que era ele, Ned Patte. Está vivo até hoje, um velhinho saudável. As séries eram para a TV, mas vinham em película ainda. Só muito tempo depois que surgiu o videotape. A primeira foi a Excelsior, em 1963/64.

P – Vocês não tinham ainda, nesta época, o som guia com o original para acompanhar. Como vocês faziam para dublar?
R – Só tinha a boca, quer dizer, a imagem, o cinema. Era tudo prática. A gente marcava com um risquinho onde virava. Quando via o risco, dublava. Eu sou péssimo para decorar as falas, então tinha que olhar o roteiro, contar os segundos e falar. Esse método é mais difícil, mas, como a dublagem é dividida em anéis, fica menos complicado. Fazia isso nos filmes nacionais.

P – Os Três Patetas foi seu primeiro trabalho com dublagem na AIC?
R – Não, já tinha feito algumas outras coisas. Eram os tempos que ficaram conhecidos como a “época de ouro da dublagem”. Eram várias séries dubladas na AIC: Terra de Gigantes, Perdidos no Espaço, Túnel do Tempo, Viagem ao Fundo do Mar, Chaparral, O Homem de Virginia. Gravávamos um episódio dos Três Patetas de manhã e outro à tarde. Hoje, isso não acontece tanto. Era uma coisa fora de série. Era uma coisa amorosa, de muita dedicação. Hoje existe isso também, pero no mucho. Éramos o dono da voz, daquele tipo. Atualmente, nem isso é respeitado. Mas eram apenas duas ou três casas de dublagem, a gente tinha maior controle sobre isso. Eu fazia participações nos episódios das séries que tinham atores convidados.

P – Eu lembro de outras participações suas, como convidado especial em diversas séries.
R – É, eu lembro também de ter feito um japonês, em O Túnel do Tempo. Era um grupo pequeno de dubladores naquele tempo, mas todos eram ótimos.

P – Conseguia se sustentar só com a dublagem?
R – Não. No começo de carreira, eu não tinha um gosto seletivo, queria trabalhar. Mas a dublagem era muito barata. Fazia rádio e depois ingressei na TV. Estou na ativa até hoje. Gravava novelas de rádio em disco para o interior do estado, mas isto é muito de vez em quando. Como aqueles comediantes de Las Vegas, fazia shows em boates, mas eram apenas umas quatro ou cinco casas. Fazia temporada. E aos sábados e domingos, ia para o circo interpretar o Primo Rico e o Primo Pobre com um amigo. Havia uma apresentação antes, nosso número era a segunda parte do espetáculo.

P – Quais foram os seus trabalhos em dublagem que mais agradaram?
R – Gostei de tudo. Geralmente vou pelo que me deu mais dinheiro. Cobro aquele preço e, se eles aceitam, está bom. Mas cada um teve seu valor em si, como uma obra num todo. Não destaco nada. Um filme que eu tenho lembranças é O Corcunda de Notre Dame, com o Charles Laughton. Às vezes, é sorte. A técnica é importante, mas tem horas que o timbre cai em cima. Fiz o Burl Ives, em Algemas de Cristal, que ele é um juiz e tem uma mulher viciada. Só vi uma vez. Nunca vi esse filme em locadora. Acho que falta isso também, um lugar, como uma videoteca em cada cidade, para filmes dublados. Uma “dublateca”, por assim dizer. Podia até vender. Isto contribui para a nossa cultura, é uma boa idéia.

P – Você sente falta do público na hora de dublar?
R – É uma defasagem, um vazio. A gente sente muito. Um abandono. Eu considero o rádio o mais difícil de se fazer. Televisão é fácil, teatro mais ainda, mas dublagem é complicado. Você fica num estúdio sozinho, como se dubla hoje, só com o diretor numa outra sala, com um vidro no meio. Você precisa pensar, imaginar. Aparece um índio, e você precisa pensar que ele tem uma cultura própria, que ele deve ser assim. Mas a voz original, geralmente, não bate bem com a fisionomia do personagem, 80% dos filmes não servem de guia.

P – Você já pegou algum filme que veio sem o som original?
R – Era muito raro.

P – O que você pensa dos trabalhos num estúdio de dublagem hoje?
R – Eu acho que é para fazer tudo mais depressa, já que na dublagem paga por hora. É tecnicamente e artisticamente errado.

P – Muitos dentro da dublagem concordam com isso, porque daria mais tempo para fazer mais trabalhos em outras casas.
R – É, o cara vai lá e faz tudo em meia hora, pega um táxi para ir ao outro estúdio. Numa casa ele faz um elefante, na outra faz o pai da mocinha, muda de concepção muito rapidamente. O que conta é o lado comercial, a casa quer que o dublador faça o trabalho na sua casa primeiro.

P – O que acha de se fazer a dublagem sozinho no estúdio?
R – Há casos em que se precisa fazer todos juntos. Hoje são quatro pistas: de som, de música, de efeitos e de voz. Quando tem muitas vozes juntas é obrigado a fazer assim, para gravar na trilha de voz. Mas a maioria das vezes é sozinho mesmo. Acho que trabalhar deste jeito é pior. Quando estamos juntos, sentimos a troca, o calor humano. Às vezes, nós queremos melhorar nossa parte, então pedimos para ouvir o que o cara fez antes para saber como colocar a emoção. E muitas vezes não dá para seguir pelo original, por causa da diferença de entonação de cada língua. No inglês, a expressão “Morreu minha mãe” talvez não teria ênfase como se fosse falado em italiano. Este faria um escândalo para dizer isso.

P – Por falar em línguas diferentes, vocês tentavam “abrasileirar” algumas coisas.
R – Nomes, não. Este recurso era pouco usado. Por exemplo, das tribos indígenas americanas, nós só deixávamos sioux, que era a mais conhecida. Havia piadas do humor americano que, contadas aqui, não teriam a menor graça, muito difícil bater com o nosso costume. Ninguém vai rir no Brasil se tiver uma piada em que um cara fala com outro que estava doente, então pergunta qual era a doença, o primeiro responde: “Febre amarela”. E o outro diz: “Puxa, que cor horrível!”.

P – Vocês mudavam as falas no estúdio mesmo?
R - Dentro do estúdio, falando com a pessoa certa, nós podíamos mudar alguma coisa. Muitas frases parecem que foram escritas a quatro mãos, mas algumas vezes é feita por uma só. Quem fazia a versão dos filmes naquela época era o Hélio Porto, um excelente tradutor e diretor de dublagem por questões econômicas. Ele foi muito importante em grande parte deste processo. Foi idéia minha o Moe chamar os outros de “cabeça de pudim”, no original era cabeça de outra coisa. Chamar o robô de “lata de sardinha enferrujada” em Perdidos no Espaço, fui eu que criei isso também. Eu mudei o texto, e o Hélio disse “Pode fazer!”. Era quase que uma molecagem. Eu fico até com medo, porque pode parecer esnobe demais, só porque fez sucesso.

P – O Gilberto Baroli, que é seu amigo, também fazia tradução. Fica mais fácil para um dublador fazer a adaptação dos produtos a serem dublados?
R – O Baroli e o Hélio são os melhores adaptadores em São Paulo. Deve haver outros no Rio, mas aqui são os dois. Se o trabalho caísse na mão de um ou de outro, ficávamos tranqüilos. Baroli tinha conhecimento e talento.

P – Havia representantes das distribuidoras para fiscalizar as dublagens?
R – Eles tinham medo no início. Sempre tinha uma espécie de inspetor, um representante da importadora nos dois ou três primeiros capítulos. Alguns nem falavam português direito, comunicavam-se com a ajuda de um intérprete. Eles queriam que ficasse igual ou até melhor que o original. O importante era agradá-lo, assim o dono da casa estava recebendo da distribuidora e nos pagando.

P – Por causa disso, no começo, muitas coisas ficavam como o pessoal do Casseta e Planeta gosta de brincar no “Fucker and Sucker”?
R – É, acontecia porque nós estávamos engatinhando, aprendendo a andar. Não fizemos faculdade, somos como o Brasil, “gigantes pela própria natureza”. A impostação de voz foi ficando meio esquecida.

P – E havia muitas dublagens em que se percebiam o sotaque paulista ou carioca.
R – No começo. Isso foi colocado erroneamente, depois foram corrigindo espertamente, percebendo que aqueles filmes iriam para todo o Brasil. Agora isso acontece menos. Mas, às vezes, colocam uma dublagem de um bandidão, um malandro com sotaque carioca (faz o bandido com sotaque carioca).

P – Nos anos 70, com a Herbert Richers pegando a maioria dos trabalhos, atrapalhou a renovação da dublagem em São Paulo?
R – Atrapalhou sim. O Herbert Richers formou uma empresa, com uma organização muito boa, fez grande dinheiro, depois passou o negócio para a mão dos parentes, mas já está rico. Hoje, a Herbert possui muitas rivais, mas antigamente era só ela. Em 1975, aproximadamente 95% dos trabalhos foram para lá. Isso por culpa da negligência dos donos das empresas de São Paulo. Foi muita picaretagem, ficaram com parte do dinheiro. O Herbert cuidou e descobriu a seiva da longa vida. Ele levou a sério. Não fizemos isso aqui, por causa desses “marreteiros”, que entraram nessa só para ganhar dinheiro.

P – Gilberto Baroli considera a maioria da dublagem atual no Brasil mal feita. Você considera o mesmo?
R – A maioria não, parte dela. Não sou tão radical quanto o Baroli, mas respeito sua opinião. Muita coisa é feita somente pelo lado comercial. Como não tem policiamento, como um departamento de cultura para fiscalizar as empresas, alguns picaretas faziam o que fosse preciso para ganhar dinheiro. Eu não cito nomes, mas se perguntar para os dubladores, eles vão saber certinho.

P – Como você vê as críticas em relação à dublagem?
R – São sempre coisas direcionais. São coisas de críticos que não têm nada para fazer! Estão ali para fazer matéria, então buscam alguma coisa ruim para meter o pau porque precisam fazer matéria. Depois de 50 anos que eu trabalho com dublagem, eu só vi uma crítica positiva. Foi na revista Veja, um comentário sobre um filme que iria passar na Globo, Férias de Amor, com William Holden. O crítico cumprimenta o roteirista que, no caso, é o tradutor da dublagem, pela versão estar à altura do filme. Enfiar o pau é fácil, é fazer igual estes programas na televisão: junta-se um bando de pessoas para falar sobre traição ou sobre pedofilia, e elas ficam a semana inteira só falando sobre isso. É começar e pronto. É uma tremenda falta de talento, de cultura.

P – Como está o mercado da dublagem hoje em São Paulo?
R – Parado, quase em falência. As portas vão se fechando, vão se vendendo negócios. Uma das grandes razões é a econômica, porque a legendagem é bem mais barata. É só ir lá no aeroporto de Cumbica que já pega o filme praticamente pronto, é mais fácil. A parte econômica está comendo a dublagem e estraçalhando toda a parte artística, de todas as áreas. Hoje, vem esse pessoal de fora com grandes espetáculos prontos, trazem A Bela e a Fera para cá e depois vão embora para buscar outro.

P – Mas a televisão aberta continua passando filmes dublados.
R – Mas, justamente pelo efeito econômico, não há como colocar filmes dublados durante 24 horas. Existem emissoras hoje que ficam direto no ar, ou 22, 20 horas. Então, enchem com programas de culinária e de fofoca, que são mais para vender produtos, para cobrir. Com isso, é um filme dublado que não vai ao ar. Só se a dublagem fosse mais respeitada, mas nem a lei que existe para a classe é seguida, jogaram pela janela. Talvez um político que queira fazer nome pode tentar voltar. A dublagem ficou em segundo plano. As distribuidoras põem o original ou vêem pela tabela quanto fica a dublagem. O americano resolve colocar o que quer no país do outro. A profissão está acabando, ou está limitada. Antigamente, era um trabalho integral, agora é apenas uma ou duas vezes por mês.

P – Quais os dubladores que você destaca?
R – Todos do Rio e de São Paulo, não faço destaque para ninguém. Existem um ou dois ruins, 40 bons e 10 excelentes, mas não mais do que isso.

P – Muitas pessoas reclamam que as vozes são sempre as mesmas nos filmes.
R - Ainda é a questão da economia, fazer melhor e mais depressa. Os clientes são exigentes. Quando vem da Globo, eles já indicam o dublador que querem, há pessoas lá responsáveis por estudar nosso trabalho. A emissora quer os melhores filmes, os melhores programas, o resto vai para as outras. Quando as casas marcam um determinado horário na escala, a gente já sabe, é a pressa. Não devia ser assim. Deveria ser feita uma seleção, um trabalho melhor.

P – O que você acha dos artistas famosos que fazem dublagem em alguns desenhos animados ou filmes?
R – Nem sei se você pode escrever isso, mas eu acho horrível! Não retratam aquilo que é o nosso trabalho. Trabalham só porque tem uma carinha bonita. Não há sentido nisso. Eles não plantaram aquela rosa, eles vão cortando em qualquer lugar. É uma insensibilidade, uma infiltração no meu negócio. Pode ser até despeito, raiva minha, mas eu sei que faço melhor, e dou melhor rendimento. Uma dubladora excepcional como a Isaura Gomes pode ser substituída por uma Hebe Camargo, que acho que até aquela risadinha vai colocar na dublagem. Assim, não fica valendo a parte artística, a função não vai se aperfeiçoando, fica relegada ao segundo plano. Eu faço tudo com carinho, senão a remuneração depois não vai servir para me satisfazer, só para me alimentar.

P – A classe de dubladores é unida?
R – Não, completamente desunida. Um não ama o outro, às vezes nem respeita. São como fosse um grupo de saltimbancos, cada um chega na cidade e vai para um canto diferente. Dizem que nós entramos no Sated, mas foi o Sated que se apoderou de nós.
**Borges de Barros faleceu em 07 de dezembro de 2007, mas nesta pequena entrevista, ele nos mostra que, muito mais do que um extraordinário artista, foi sempre um profissional íntegro e com um brilhante censo crítico do que foi a dublagem e a sua decadência atualmente.
Parabéns ao nosso eterno "caro colega".
**Marco Antônio dos Santos**

sábado, 19 de dezembro de 2009

O "BONECO" NA DUBLAGEM !







A escalação de elenco define os atores que vão emprestar suas vozes para a produção audiovisual estrangeira. Enquanto a tradução e a adaptação do roteiro estão sendo feitas, o diretor de dublagem seleciona os atores que farão parte de determinada gravação de um filme, seriado ou qualquer outra produção estrangeira. Mas a escolha depende de uma série de fatores.
Em certas ocasiões, alguns clientes, como a Rede Globo, já definem as vozes que pretendem ser utilizadas para dublar um ator ou personagem específico. Se ele não estiver disponível ou ocorrer algum outro problema que o impeça de exercer a função pré-determinada, a empresa de dublagem pode nomear um outro profissional, mas este deve ser aprovado pelo cliente, podendo haver testes para se definir o substituto.




Por falar nisso, há a possibilidade também de testes para se escolher o dublador, tanto por exigência do cliente como por iniciativa do diretor, mas o primeiro caso é bem mais freqüente. Assim, um novo talento pode ser descoberto, como aconteceu com Mariângela Cantú, que começou logo sua carreira no ramo com uma personagem principal de uma novela mexicana, Marielena.
Outra procura possível é por uma caracterização parecida com a voz antiga de um personagem para inseri-la em novos episódios ou numa redublagem. Neste caso, Élcio Sodré teve uma experiência única, quando foi selecionado para dar voz ao urso Zé Colméia em um remake da série homônima produzida em 1988, desenho inesquecível com a interpretação de Older Cazarré.




Os personagens ou pessoas a serem dublados podem ter um respectivo dublador que faz sua voz freqüentemente nas versões nacionais, o que é chamado de “boneco”. A interpretação vocal dada pode se encaixar tão bem em um artista ou personagem, que este pode virar “exclusividade” do dublador felizardo.
Isto lhe dará uma garantia quase certa que ele será convocado, caso um “boneco” seu apareça em uma produção qualquer. As casas de dublagem mantêm um arquivo com as informações sobre os dubladores e seus respectivos “bonecos”. Os clientes, na maioria das vezes, também exigem que a padronização seja respeitada.
Porém, há produtos dublados no Rio de Janeiro e em São Paulo. Um ator estrangeiro pode ser “boneco” de um dublador tanto em uma cidade como na outra. Isto explica, em certos casos, porque um artista possui duas vozes diferentes algumas vezes nas versões brasileiras.




Então, para que a interpretação de Bruce Willis que era realizada sempre pelo falecido Newton da Matta, as distribuidoras de seus filmes, que nem sempre são as mesmas, precisavam mandá-los para ser dublados em estúdios cariocas, ou gravá-lo quase todo em São Paulo para depois Newton fazer sua parte no Rio. Certamente, a primeira opção é a mais economicamente viável.
No entanto, a questão do “boneco” não vem sendo respeitada. Antigamente, por causa do número reduzido de casas de dublagem e de dubladores, havia mais condições de se padronizar as vozes. Mesmo assim, alguns personagens tiveram suas vozes alteradas no decorrer da mesma série.




Na primeira série de Os Flinstones, Barney Rubble ganhou as vozes de Rogério Márcico, Waldir Guedes e Neville George. No clássico seriado Jornada nas Estrelas, o Capitão Kirk teve três dubladores diferentes. Tudo dependia da disponibilidade do ator que dava a voz. Se ele estivesse doente ou trabalhando em alguma novela, outro era designado.
Atualmente, essa falta de padronização acontece, entre outros motivos, porque o dublador não é bem visto por uma determinada casa de dublagem, ou vice-versa. Este fato está sendo bastante observado no Rio.
Um exemplo é o que aconteceu na dublagem do filme de Steven Spielberg, O Resgate do Soldado Ryan, cuja voz é diferente da voz de Tom Hanks em À Espera de Um Milagre, mesmo as duas tendo sido feitas no Rio, e não sendo de épocas tão distantes. Tudo bem que o dublador pudesse não estar disponível, mas a falta de uma continuidade com os “bonecos” prejudica a sua intenção principal, que é dar uma identidade vocal brasileira ao artista ou personagem.




Depois das prévias situações impostas, o diretor pode definir o seu elenco preferido, dentro do possível, para a dublagem do produto audiovisual. O profissional responsável por dirigir as vozes no estúdio é uma pessoa com experiência, embora já existam jovens diretores, e capacidade de armazenar uma quantidade enorme de vozes em sua mente para depois escolher a mais indicada para determinado papel. Geralmente, o diretor escolhe aqueles já acostumados com o serviço, pois isto representa, como já dissemos, economia e, quase certo, garantia de qualidade. Ele também pode levar em consideração a afinidade e a relação com a pessoa no estúdio.






A questão do "boneco" já existia na dublagem da década de 1960, porém como a tecnologia apenas permitia que todos os dubladores estivessem juntos em cada cena, muitas vezes, por exemplo, poderia o ator Rex Harrison, sempre dublado por Aldo César na AIC, ter outra voz devido à produção ter sido enviada para outro estúdio do Rio de Janeiro. Dessa forma, não havia como o dublador do "boneco" realizar o seu trabalho sozinho.
Um exemplo bem claro da situação do "boneco", naquele período, é em relação ao ator Jonathan Harris. Depois da brilhante dublagem de Borges de Barros na série Perdidos no Espaço, o ator foi dublado novamente por ele em outras séries, onde era convidado especial em um episódio. Assim, Jonathan Harris também foi dublado por Borges de Barros em episódios das séries A Feiticeira, Terra de Gigantes e Lancer.
Aqui, devemos ressaltar que estas séries já estavam sendo dubladas pela AIC. Porém, Jonathan Harris ainda participou de um episódio da série Nós e o Fantasma, dublada pela Cine Castro e um outro episódio da série Galeria do Terror dublada pela Peri Filmes, no Rio de Janeiro.
Em ambas ocasiões foram outros dubladores, pois não havia tecnologia que permitisse a dublagem isoladamente. O correto seria levar Borges de Barros para o Rio de Janeiro para dublá-lo, mas isto seria encarecer demais o produto dublado.
**Marco Antônio dos Santos**













sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

OS ESTÚDIOS DE DUBLAGEM NA DÉCADA DE 1960


JOSÉ SOARES ORIENTANDO DUBLADORES/IBRASOM




Com a chegada das produções estrangeiras destinadas à “telinha”, havia a necessidade de adaptá-las para a audiência nacional. Porém, os filmes passavam na TV com legendas e, devido à qualidade de imagem e dos aparelhos da época, as letras eram difíceis de serem lidas. Então, no início da década de 1960, o presidente Jânio Quadros resolveu decretar compulsória a dublagem para a televisão de produtos audiovisuais vindos do exterior.
Assim, surgiram os primeiros estúdios de dublagem no Brasil, mais precisamente no eixo Rio-São Paulo, para transformar os produtos cine-televisivos acessíveis a um público maior, até porque os aparelhos de TV começavam a se espalhar para as classes sociais menos abastadas.




A pioneira foi a Ibrasom, no final da década de 1940 e início da década de 50 do século XX. O narrador de cinemas Cristóvão de Alencar trouxe filmes em película, como a série de Roy Rogers, para serem dublados por rádio-atores que o próprio Cristóvão escolhera.
Em 1958, veio a Gravasom, também em São Paulo, aproveitando os equipamentos da Companhia Maristela de Filmes, que trabalhava com sonorização e dublagem de filmes nacionais. O dono continuava o mesmo, Mário Audrá Júnior.


Em 1960, a Herbert Richers entrou no mercado, com a ajuda de Walt Disney, deixando de lado os jornais cinematográficos e a produção de longas-metragens. Com isso, os filmes animados da empresa americana já possuíam um lugar para colocar vozes nacionais nas suas produções: os estúdios da Herbert, ainda na Cinelândia.




Já em 1962, a Arte Industrial Cinematográfica, ou “AIC-São Paulo”, que foi fundada a partir da Gravasom é responsável pela dublagem de diversos desenhos e várias séries de sucesso dos anos 60.
A AIC também foi o local de onde sairam as melhores dublagens da época para a televisão. Ali, aliada a forte interpretação e qualidade de seus dubladores foram deixadas dublagens inesquecíveis, que hoje ainda possuem o seu público fiel.



Na década de 1960, praticamente a AIC detinha 90% do mercado para a dublagem de filmes, séries e desenhos. Seus trabalhos quase que se transformaram em 24 horas por dia para atender ao grande mercado. O restante ficava dividido com a Odil Fono Brasil, em São Paulo, e as pequenos estúdios do Rio de Janeiro: Rio Som, Dublasom Guanabara, TV Cine Som, os quais tiveram vida curta sendo todos absorvidos, de certa maneira, pela Herbert Richers.






Caso curioso é do estúdio Ibrasom, em São Paulo. Apesar de mais antigo do que a Gravasom, era muito pequeno, e não conseguiu concorrer com a AIC, embora todos os dubladores de São Paulo participavam tanto da AIC, quanto da Odil Fono Brail e Ibrasom.



A Ibrasom tinha uma característica peculiar: quando surgiram as primeiras séries para a televisão, o nome do episódio era escrito em português, numa espécie de "slide" inserido após a sua abertura. É caso da série Laramie. por exemplo. Muitos dubladores que iniciaram nesse estúdio, posteriormente ganharam grande projeção na AIC.



Nessas condições limitadas a AIC adquire a Ibrasom e mantém o pequeno estúdio para finalização técnica de algumas dublagens, e o estúdio é rebatizado com o nome Ibis. Sua sede era à rua Pirineus, próximo à praça Marechal Deodoro na cidade de São Paulo.




Durante esta época, artistas hoje reconhecidos, alguns já famosos naquele tempo, se iniciaram em dublagem, como Osmar Prado, Cláudio Cavalcanti, Daniel Filho, Denis Carvalho, Tony Ramos, Cláudio Marzo, Roberto Pirilo, Elaine Cristina, Laura Cardoso, Henrique Martins, entre vários outros. O “sertanista” Rolando Boldrim, por exemplo, foi o responsável por dublar alguns filmes de Humphrey Bogart. Lima Duarte, por sua vez, fazia a voz do Manda Chuva e do Wally Gator, nos desenhos da Hanna Barbera.
Mas, ainda assim, havia alguma improvisação. Léo Batista contou, em um programa especial do Sem Censura, apresentado pela TVE, em homenagem aos 50 anos da televisão, que era constantemente chamado para fazer alguma voz de bandido em filmes de faroeste, enquanto não estava apresentando o telejornal. Mas logo surgiram os profissionais que se estabeleceriam neste nicho, alguns até para seguir carreira quase exclusiva no ramo.




Algumas outras empresas de dublagem surgiram, como a Dublasom Guanabara, a Cine Castro. Outras Casas foram: a Rio Som, Cinelab, Pery Filmes, TV Cine Som, mas é a Herbert Richers que começa a concentrar a maioria das produções estrangeiras. Por causa da qualidade apresentada e de sua localização no Rio de Janeiro, ela consegue dublar a maior parte das séries, desenhos e filmes da Rede Globo, o canal líder de audiência no país desde a década de 1970.
Em São Paulo, a partir de 1976, a AIC é vendida e se transforma na BKS, Bodan Kostiw Som, dos sócios Bodan Kostiw e Pierângela Piquet. Havia também também a Odil Fono Brasil, de propriedade da família do governador Ademar de Barros,que logo desapareceu no mercado.






Ainda na década de 1960, o próprio Herbert Richers chegou a vir pessoalmente visitar a AIC, a fim de conhecer como eram realizadas tantas dublagens com tão alta qualidade, fazendo com que as emissoras de tv, só quisessem a dublagem da AIC, em detrimento do pequeno mercado que o Rio de Janeiro possuía.



Infelizmente, a AIC desmoronou juntamente com as crise da televisão em São Paulo. Os incêndios da TV Record e Bandeirantes, a falência da TV Excelsior e a crise econômica da TV Tupi, a afetaram também, e entrou numa enorme crise financeira, decretando praticamente a sua extinção.



Além desses fatores, a televisão brasileira passou o cenário artístico para a TV Globo, a partir de 1970, o que beneficiou profundamente o estúdio Herbert Richers.



Após o encerramento da AIC, a dublagem em São Paulo só viria a se recuperar plenamente na década de 1980, com a chegada de diversas séries japonesas e animes.



Atualmente, temos diversos estúdios de dublagem no eixo Rio-São Paulo. Os dubladores tem mais oportunidades de serem escalados, porém até hoje ainda nos fascina quando ouvimos a abertura de um filme ou série de tv e a voz de Carlos Alberto Vaccari narra: "Versão Brasileira AIC São Paulo".






**Marco Antônio dos Santos**

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O COMPOSITOR BRAGUINHA E A DUBLAGEM

AS PRIMEIRAS DUBLAGENS E BRAGUINHA



***ESTA ENTREVISTA COM MARIA CECÍLIA BRAGA, FILHA DE BRAGUINHA, FAZ PARTE DA MONOGRAFIA, NA ÁREA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, DE LEANDRO PEREIRA LESSA COM O TÍTULO: "A DUBLAGEM NO BRASIL", APRESENTADA À BANCA EXAMINADORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA/MG***


Autor de mais de 400 canções, teve como um de seus grandes sucessos Carinhoso, que fez ao lado do maestro Pixinguinha. Trabalhou como diretor artístico da Columbia e da Continental. Em 1945, ele e o amigo Wallace Downey fundam a Todamérica Música Ltda., uma editora responsável por direitos autorais de composições brasileiras.



Em 1960, lança a série Disquinho, com várias histórias infantis consagradas mundialmente e algumas criadas por ele, relançada em CD em 2001.
A entrevista com Maria Cecília Braga, sua filha e detentora dos direitos artísticos de seu pai, foi concedida na Todamérica Música Ltda., na rua Santa Luzia, 799, sala 304, no Centro do Rio de Janeiro, na tarde do dia 19 de setembro de 2002.

P – Como começou o vínculo de Braguinha com a dublagem?
R – Bem, eu acredito que foi assim, pelo que meu pai me contou. Em 1928, chegou ao Brasil um americano chamado Wallace Downey, que veio dirigir a gravadora Columbia. Alguns anos depois, ele viu que estavam começando a ser feitos os filmes sonoros. Então, ele fundou aqui um estúdio de filmagem para fazer musicais, mas não deu muito certo. Aí, ele se juntou a Ademar Gonzaga, o dono da Cinédia, que estava começando a fazer filmes. Os dois fundaram a Waldow-Cinédia. Mas como Downey não conhecia ninguém no Rio de Janeiro, pois estava mais em São Paulo, e na época, em 1934, o meu pai estava começando a fazer sucesso, Wallace convidou-o e o Alberto Ribeiro, que foi o maior parceiro musical de papai, para ajudarem na escolha de elenco. O meu pai já estava no meio musical, com Carmen e Aurora Miranda, Carlos Galhardo, Dircinha Batista. Assim, eles fizeram Alô, Alô Brasil e Alô, Alô Carnaval.
Em 1938, Downey se separou do Ademar Gonzaga, e fundou a Sonofilmes ao lado de Alberto Byington Jr., e o papai continuou junto ao Downey. Foi justamente nesta época que o Walt Disney produziu o primeiro desenho animado de longa-metragem sonoro, Branca de Neve e os Sete Anões, uma adaptação da história dos Irmãos Grimm. Uma vez eu perguntei ao meu pai “Como é que você foi chamado para fazer a dublagem do Disney?”, e ele respondeu: “Ora, mas eu já não era da Cinédia?”. Então, meu pai já tinha experiência com cinema, e naquela época não havia muita gente neste ramo. Ele fez as letras das músicas, orientou toda a dublagem e escolheu todo o elenco. Um americano que estava aqui ficava impressionado com o fato de se conseguir fazer isso no Brasil com o equipamento sonoro que nós tínhamos. E aqui era tudo muito empírico ainda, até mesmo na gravação de discos. Diziam que, para fazer eco, tinham que cantar do banheiro. E Branca de Neve... foi um sucesso.




P – Já relançaram Branca de Neve... em vídeo com uma nova dublagem. Talvez porque a dublagem tenha se perdido com o tempo.
R – E o som daquela época não é o mesmo de atualmente. Mas, em 1940, meu pai teve a idéia de lançar o disco com as mesmas músicas e os mesmos artistas do filme. Ele também fez a dublagem de outros desenhos da Disney, como Bambi, Pinóquio, Dumbo, Alice no País das Maravilhas, e aí eu já havia nascido. Eu me lembro do meu pai falando: “Eu preciso de uma menina de dez anos para fazer a voz da Alice”. Mas eu era muito acanhada, então foi escolhida a filha da Mara Rúbia, Terezinha. E tinha de ser uma criança um pouco desafinada.




P – Ele teve que viajar para os Estados Unidos alguma vez por causa dos filmes?
R – Não, ele nunca foi lá. Aliás, foi o Walt Disney que quis conhecer o meu pai quando esteve no Brasil. Trouxe um relógio de ouro assinado de presente e um isqueiro. Quando o meu filho nasceu, ele mandou um quadro dos 101 Dálmatas com dedicatória. Disney ficou muito agradecido ao meu pai. Uma conhecida disse pra mim que, no vídeo de Cinderela, aparece o nome de papai. A Simone de Morais, que fez a dublagem do papel-título do filme e também participou de várias gravações das dublagens e dos discos, reclamou que Braguinha fez a dublagem para o cinema, e não para o vídeo, e o nome dele está lá. Ela entrou na justiça e ganhou, mas o meu pai pediu para deixar isso de lado. Também aparece nos vídeos da coleção Cante com Disney as dublagens feitas pelo meu pai (canta um pedaço de uma das canções de Alice no País das Maravilhas).




P – Ele chegou a fazer a dublagem do Peter Pan da Disney?
R – Eu não sabia disso, mas recentemente achei umas cartas nos guardados do meu pai, dizendo que o filme seria lançado em seis meses, para ele ir se preparando. Devia ser de um americano que sabia pouco português, porque a escrita tinha muita coisa errada. Aí guardei para lembrar que papai também fez Peter Pan.




P – Quando Braguinha teve a idéia de fazer os discos com as histórias infantis?
R – Quando ele fez a dublagem da Branca de Neve..., teve a idéia de transformar a história em disco, e ninguém havia tido esta idéia ainda. Mais tarde, ele fez a do Chapeuzinho Vermelho. Todos pensam até que a música Pela estrada afora é de domínio público, mas foi composta pelo meu pai. Aí, ele foi adaptando todas as histórias. Mas cada um as conta a sua maneira. Elas viraram parte do folclore mundial.




P – Braguinha sabia inglês?
R – Não, ele sabia poucas coisas, talvez o Downey traduzisse as coisas para ele. Mas ele fez versões de muitas músicas estrangeiras. E Luzes da Ribalta, do filme do Chaplin, que era instrumental, ganhou letras em português pelo meu pai. Eu acho que o importante de uma dublagem é saber o que a música está querendo dizer, porque existem umas versões que não têm nada a ver e acabam não ficando boas.




P – Braguinha costumava dizer que “fazia” música, mas não “sabia” música?
R - O papai nunca estudou teoria musical. Ele tinha um colega que tocava violão muito bem. Ele já gostava de fazer uns versos, isso com uns 14, 15 anos. Então, começou a aprender violão e fez um grupo com alunos do colégio batista onde estudou. Aí, ele percebeu que podia fazer música e letra.




P – Braguinha ganhou algum prêmio pelas suas dublagens?
R – Por dublagem, não. Eu acho que esta parte da história do meu pai é muito esquecida ou pouco estudada.




P – Braguinha faz alguma comparação das dublagens que ele fazia com as atuais?
R – Não, porque quando essas novas dublagens saíram, ele já estava bem senhor. Mas o meu pai tinha um espírito muito crítico. Quando ele não gostava de alguma coisa, dizia que era uma porcaria.









***Braguinha foi o grande responsável pelas canções dubladas dos primeiros clássicos Disney, além de compositor de marchas carnavalescas e músicas de sucesso como "Carinhoso".



Um trabalho extraordinário que, infelizmente, foi totalmente esquecido em prol de uma nova tecnologia. O Brasil ainda não consegue viver o presente sem apagar a sua História !!!



As milhares crianças que ouviram a série Disquinho e suas canções nos clássicos Disney te agradecem!!!






**Marco Antônio dos Santos**

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

MEMÓRIA AIC (14): VOCÊ SE LEMBRA DA SÉRIE HAZEL ?

RACHEL MARTINS


Hazel foi uma série norte-americana e apresentada originalmente pela rede de televisão NBC, nos Estados Unidos, de 28 de setembro de 1961 a julho de 1962. Depois ela passou a ser apresentada pela rede CBS de 13 de setembro de 1962 até 5 de julho de 1966. Ao todo a série teve 154 episódios, sendo 34 em preto e branco e o restante 120, a cores.


A história do seriado girava em torno de Hazel Burke (Shirley Booth), uma empregada doméstica que trabalhava na casa da família do advogado George Baxter (Don DeFore), de sua esposa Dorothy (Whitney Blake) e seu filho Harold (Bobby Buntrock), além do inseparável cachorro. George Baxter era um chefe de família, sempre no controle de tudo e quase nunca descansava, até que encontrou Hazel Burke que transformou a residência dos Baxters em um lugar bem mais organizado. Também faziam parte do elenco os vizinhos Herbert e Harriet, além da família Johnson.


Na quinta e última temporada ocorreram várias mudanças. Hazel Burke passou a trabalhar na casa do irmão George Baxter, pois a antiga família para quem trabalhava, mudou-se para o Oriente Médio, por causa da transferência no emprego de George para lá.








No Brasil, esta série foi apresentada pela TV Record e depois em 1976 passou a ser apresentada quando a emissora TVS iniciou suas transmissões. Como ainda não tinha uma grade de programação formada, a emissora exibia séries "enlatadas" ao longo do dia, até que pudesse entrar com uma grade completa do canal de Silvio Santos. Nessa época, Hazel, passou a ser um dos carros-chefes da emissora e ia ao ar no horário das 18 horas até as 19h30, em quatro sessões do seriado.








No Brasil, quando a série estreou na TV Record, já por volta de 1967/68, logo se transformou num grande sucesso e, mais uma vez, a dublagem da AIC contribuiu muito. A voz e a interpretação da atriz e dubladora Rachel Martins foi perfeita para a personagem, o que levou a dubladora a praticamente se dedicar somente a essa série, uma vez que também participava de novelas simultaneamente.








Infelizmente, não temos nenhum registro sonoro da dublagem desta série, visto que desde o final da década de 1970, nunca mais foi exibida. Os produtores e o estúdio foram os mesmos de séries consagradas como A Feiticeira e Jeannie é um Gênio, utilizando até a mesma cidade cenográfica para as filmagens de cenas externas.








Se a dublagem ainda existe ou não, é algo impossível de sabermos, a menos que a série retornasse, porém como a 1ª temporada foi produzida em preto e branco, somente sendo colorizada voltaria à tv, mesmo assim não acreditamos que esta série se insira no tipo de programação atual.








Através da gravação de um episódio da série, em fita cassete, conseguimos identificar os dubladores, porém como o episódio não é da última temporada, seus novos patrões, essas vozes não temos conhecimento.








***Os dubladores da série:




**Hazel (Shirley Booth) : dublada por Rachel Martins nas 5 temporadas.




**Sr. Baxter (Don De Fore): dublado por Garcia Neto.




**Sra. Baxter (Withney Blake): dublada por Helena Samara.




**Harold (Boby Buntrock): dublado por Zezinho Cútolo.












***Aqui, para reelembrarmos a série, encontramos um trecho, em inglês, com a abertura:















**Para aqueles que não se lembram da voz de Rachel Martins, indicamos esta homenagem que Vídeo Thiago Moraes realizou, onde encontramos cenas da novela "A Pequena Órfã" da extinta TV Excelsior, além de Rachel Martins dublando a sogra de Samantha na série A Feiticeira:




**Aqui, outro vídeo da série A Feiticeira, onde Rachel Martins dubla Phillis, a mãe de James, quando esta vem a conhecer a sua nora:
**Colaboração: Thiago Moraes.
**Marco Antônio dos Santos**


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A DUBLAGEM DO FILME AGONIA E ÊXTASE











Início de 1508 (período do Renascimento) o artista Michelangelo Buonarroti é chamado ao Vaticano (Roma) pelo papa Julio II para pintar o teto da capela Sistina.
Michelangelo que se considera um artista escultor e não se acha familiarizado com afrescos tenta fugir da encomenda e idéia do papa Julio II: pintar os doze apóstolos complementados com elementos decorativos.


O famoso e admirado arquiteto do período do Renascimento, Donato Bramante, por inveja e desejo de arruinar a carreira de Michelangelo induz o papa que pressiona ainda mais o artista que contrariado inicia a pintura do afresco no teto da capela.
Insatisfeito com seus primeiros esboços, Michelangelo os destrói, desaparece de Roma e vai para Carrara refletir. Sua atitude deixa furioso o papa Julio II que ordena que o artista seja caçado em toda a Itália.



A cena clássica e marcante do filme - a visão das nuvens, em Carrara – mostra a inspiração de Michelangelo que vislumbra nas nuvens várias imagens que o estimulam a realizar o trabalho do afresco no teto da capela Sistina.
Após contemplar a visão que o faz idealizar outra composição artística para o afresco, Michelangelo vai para o campo de batalha em busca do papa que está em mais uma missão de conquista de novos territórios para Roma. O pontíficie apesar de ser contra a modificação de sua idéia para o afresco, se rende a proposta de Michelangelo depois de muita insistência do artista.


O trabalho da pintura do afresco se inicia, porém avança lentamente, o que provoca a impaciência do papa Julio II. As constantes perturbações do pontíficie com a demora da finalização da obra e com a arte – figuras humanas desnudas - de Michelangelo no afresco provocam discussões entre eles.
Após trabalhar noite e dia na obra e ficar sem comer durante uma semana, Michelangelo cai doente, que apesar de receber cuidados de uma amiga, continua sem condições físicas para trabalhar. Entretanto, ele reassume a pintura quando descobre que o papa quer passá-la a outro artista.





Depois de quatro anos a pintura finalmente é concluída. E o papa Julio II encomenda a Michelangelo a idéia de uma pintura da cena do Juízo Final na parede que fica por trás do altar da capela Sistina.
Baseado no livro de Irving Stone é um excelente filme sobre uma das maiores obras de arte da história humana: a pintura do teto da capela Sistina. Representa o período do século XVI um dos mais fascinantes da história universal.





Agonia e Êxtase mostra a relação de conflito e amizade de dois homens – Michelangelo que vive para a arte e o papa para Deus – em torno de uma magnífica e inesquecível obra de arte. Contemplando a obra de arte finalizada, o próprio papa reconhece em Michelangelo um verdadeiro sacerdote de Deus e da arte.





Fascinante e comovente, o filme é interessante para estudantes de arte e curiosos, é uma visão romântica sobre a realização de uma das maiores obras de arte da história da humanidade. Ele mostra belas imagens de Florença, com suas torres, catedrais e estátuas, assim como o desenrolar do conflito entre dois homens faz nascer a monumental obra de arte; no filme é mostrada uma das cartacterísticas marcantes da igreja católica: acúmulo e usufruto de diversas posses materiais – representadas nas cenas de guerra e a postura do papa que luta à frente de batalha para conquistar mais territórios para Roma e a igreja.





Os destaques do filme são as atuações do grandioso ator Rex Harrison, como papa Julio II, e de Charlton Heston, como Michelangelo.
O filme recebeu indicações para o Globo de Ouro pelo roteiro e para o Oscar por fotografia, som, figurino, direção de arte e trilha musical.





Este filme é uma verdadeira aula: de História da Arte, da História da Igreja, de duas personalidades históricas marcantes, de uma produção cinematográfica excelente, da atuação dos dois atores e, também uma aula de dublagem que a AIC nos deixou.




Charlton Heston dublado por Arquimedes Pires e Rex Harrison dublado por Aldo César, realmente tornam o filme esplêndido. Suas interpretações, tons e níveis da voz, são perfeitas para cada personagem. Não há um pormenor da dublagem que faça decair o filme, muito pelo contrário, ele se torna vigoroso, magnífico!!




Uma das cenas mais emocionantes do filme é a inspiração de Michelangelo para a pintura da Capela Sistina. Aqui, Arquimedes Pires também recebe uma inspiração "divina" para dublar essa cena.



Há outros dubladores excelentes que paticipam: Líria Marçal, Garcia Neto, Mário Jorge Montini e outros, porém o roteiro é concentrado nos dois atores principais, o que leva Arquimedes Pires e Aldo César a serem os grandes astros também do filme. Uma curiosidade é o narrador da abertura: Muíbo César Cury.



Para aqueles que gostam de História da Arte, o filme traz um pequeno documentário, legendado, sobre as esculturas de Michelangelo, uma vez que o filme tem por objetivo mostrar a agonia e a inspiração divina do artista. Felizmente, o DVD traz a dublagem preservada da AIC, o que torna um prazer revisitar a Renascença !



Parabéns Arquimedes Pires, que demonstrou que sua arte em dublar fui muito além do querido personagem Daniel Boone !!



Parabéns Aldo César, por ter nos deixado uma dublagem brilhante !!


Este era o trabalho desenvolvido pela AIC ! Com arte e excelência !!





**Marco Antônio dos Santos**

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

ENTREVISTA COM NELSON MACHADO

FILHO DA ATRIZ E DUBLADORA, DULCEMAR VIEIRA, NELSON MACHADO, DESDE A SUA ADOLESCÊNCIA, JÁ ESTAVA DENTRO DE UM ESTÚDIO DE DUBLAGEM.
AQUI, ELE TRAÇA UM "OLHAR" PARA AS DUBLAGENS A QUE ASSISTIA NA AIC E COMO TUDO ISSO RESULTOU NA SUA CARREIRA COMO DUBLADOR TAMBÉM, ALÉM DA SUA OPINIÃO ATUALMENTE SOBRE O UNIVERSO DA DUBLAGEM !!


1 - O que significa dublagem para você, não no sentido técnico, mas como algo que você se apaixonou na tua vida ?

R: As coisas já não me encantam tanto, filosófica, política e economicamente. Mas artisticamente não posso negar que continua sendo um trabalho fascinante. E, com o passar do tempo, com a idade, vim percebendo que também há as questões social e cultural. Social e culturalmente, a dublagem dá uma grande contribuição ao povo de língua portuguesa ao facilitar o acesso de obras de arte, diversão, informação e emoções de outros povos e outras culturas.

2 - Que sentimentos geraram dentro do Nelson Machado (adolescente) ao assistir às dublagens na AIC ?

R: A mesma fascinação que hoje sentem os garotos quando encontram o sujeito que tem a voz do Seiya, do Bob Esponja ou do seu Madruga.

3 - Como adulto e profissional da voz, como você analisa o trabalho daqueles pioneiros, sem os recursos atuais ?

R: Para nós, da distância em que nos encontramos, parece um ato heróico e uma luta brutal contra a falta de recursos e de tecnologia. Vão dizer a mesma coisa de nós, daqui a 50 anos. Para eles era um trabalho novo, uma coisa nova a ser implantada, baseada no que havia de mais moderno em tecnologia na época. Era mais um meio de ganhar a vida, uma boa saída, visto que o rádio-teatro estava morrendo. Eles não se sentiam pioneiros de nada. Ninguém se sente pioneiro enquanto está sendo pioneiro. Pioneiros só se tornam isso 30 ou 40 anos depois que morrem. Aí deixam de ser pessoas comuns batalhando pela vida, passam a ser personagens históricos, suas qualidades ou seus defeitos são enormemente amplificados e, se foram os primeiros a fazer alguma coisa que ainda estejamos fazendo, são chamados de pioneiros. Mas é como os garotos que hoje fazem animação em flash. Daqui a cem anos, seus nomes estarão gravados a fogo (ou a bytes) nas paredes da História. Mas no momento, eles só estão se divertindo e cavando um jeito de ganhar a vida com o que sabem fazer.

4 - Sua mãe, a atriz e dubladora Dulcemar Vieira, te estimulou a seguir a carreira de dublador, qual foi a opinião dela quando isso ocorreu ?

R: Minha mãe me estimulou em tudo o que tentei fazer na vida. Quanto a opiniões, não sei dizer com segurança. Acho que, como qualquer mãe, ela preferia que eu tivesse seguido uma carreira que me deixasse muito rico. Mas eu nunca fui bom de bola e não me daria bem na política. Então, já que não era pra ficar rico, que pelo menos a vida fosse agradável e divertida. E nada melhor do que ser artista pra conseguir isso.

5 - Excluindo a sua mãe, quais dubladores te encantavam mais quando você assistia dublando ?

R: Segui quatro modelos, talvez por serem os mais jovens e mais próximos da minha idade: Ézio Ramos, Nelson Baptista, Olney Cazarré e Marcelo Gastaldi. Mas nunca vi um talento para dublagem e para a utilização da voz como o de Waldyr Guedes.

6 - Há algum fato curioso que tenha ocorrido naquela época ?

R: Há muitos fatos curiosos, brincadeiras entre o pessoal, molecagens, mas o que se espera, coisas do tipo “video-show” ou “erros-de-gravação” que viraram moda nos finais de filmes, não havia. Afinal, nosso trabalho é gravado. O erro faz parte do dia-a-dia, acontece a toda hora e não tem esse caráter engraçado de “Chi, fui pego”. Ninguém vê o erro, ninguém fica sabendo, ele não vai pro ar, não fica guardado em uma fita pra ser usado depois e acaba não ficando na memória.

7 - E a tua dublagem num filme com John Wayne, como você conseguiu isso ? Você se lembra quem era o diretor de dublagem do filme ?

R: Eu não “consegui”. Só aconteceu. Como conto no livro, eu ia com minha mãe para a A.I.C. Todos os dias. Um dia, o José Soares perguntou se, em vez de só olhar, eu não queria participar. Eu quis. No dia seguinte eu estava dizendo a palavra BEISEBOL no filme A Batalha de Bataã.

8 - Em seu livro "Versão Brasileira", você menciona que naquela época o diretor de dublagem "era mesmo um diretor de dublagem, ele mandava, alterava e supervisionava até o final do produto dublado". Cite alguns diretores de dublagem, que se encaixam nesse perfil. Atualmente, esse perfil foi alterado por que motivo ?

R: Hoje? Que se encaixe nesse perfil, hoje? Ninguém. Existem vários diretores em atividade hoje que se encaixariam se pudessem. Alguns tentam mas é impossível. O sistema de trabalho de hoje não permite. Na verdade, o sistema de remuneração não permite. Mas há, em São Paulo, muitos diretores que, se lhes fosse dada a oportunidade ou se fosse exigido deles por alguém ou se fossem publicamente expostos por seu trabalho, teriam toda condição, conhecimento, talento e experiência para realizar o trabalho. Eu falo de São Paulo porque é o universo que conheço bem. Não sei o que dizer dos profissionais do Rio de Janeiro.

9 - Também em teu livro fica claro a importância de Líbero Miguel na tua vida profissional. Conte-nos como era a sua personalidade ?

R: Difícil dizer isso. Ele era um homem de 50 anos e eu um garoto de vinte e poucos. Eu não fazia análises. Recebi feliz tudo o que veio dele, ajuda, ensinamentos, amizade, um acolhimento quase familiar, quase de pai. Não me preocupava em analisar nada. Mas 20 anos depois da morte, quando Líbero Miguel já deixou de ser uma pessoa e virou História, vejo que ao menos dá pra se dizer que era um homem de extremos. Porque ninguém fala dele com meios termos; ou detestam ou idolatram. Sou dos que idolatram.

10 - O extinto estúdio MAGA, você considera como um reencontro de amigos da AIC ? Uma herança de excelentes profissionais ?

R: De forma nenhuma. Nenhum estúdio é exatamente herança de outro. Até porque nunca existiu um ESTÚDIO MAGA. Os trabalhos assinados por Maga e Elenco eram, na verdade, realizações da própria TVS. As empresas Maga e Elenco eram apenas razões sociais pertencentes ao Felipe di Nardo e ao Marcelo Gastaldi que a TVS usava para não criar vínculo empregatício com os dubladores. Mas tirando as vozes e os diretores, o resto era da TVS. Os profissionais usados pela Maga e pela Elenco eram os mesmos usados pela BKS, pela Álamo, pela Odil. E também havia muita gente lá que nunca esteve na A.I.C., como Carlos Seidl, Sandra Mara, Wendell Bezerra.

11 - Deixe uma mensagem para os fãs da AIC e para os teus também, que acompanham sempre o teu trabalho na dublagem.

R: A cada dia que passa, o Brasil se torna mais importante aos olhos do mundo. Alguns países ainda dominantes, percebendo a inevitável queda de seu domínio, se desesperam e insistem em manter o chamado “terceiro mundo” em terceiro lugar. Mas há muito tempo que não somos mais terceiros. Falta a nós tomarmos consciência disso e nos cabe, com urgência, tomar duas atitudes para ajudar a agilizar o processo:
1. Temos que parar de dizer que somos menores e que bom mesmo é o que vem de fora. Os dominantes começaram seu domínio convencendo a si mesmos de que nada era melhor do que o que era deles, mesmo que fosse péssimo, como a cerveja.
2. Ter orgulho de exigir que nosso idioma seja usado, em lugar de ter vergonha. Parar de achar que só se fica importante falando o idioma dos outros. Eles que aprendam o nosso se quiserem ficar bem com uma das próximas (muito próximas) potências mundiais. E coisas transpostas pro nosso idioma, como livros traduzidos, manuais em português ou filmes dublados, não são coisas menores para pessoas sem cultura. São um direito de cidadãos e deve se tornar, cada vez mais, uma exigência de brasileiros.





Nelson Machado








**O nosso agradecimento a Nelson Machado por este depoimento tão valioso! Nós, os fãs da boa dublagem só temos a agradecer!!!





**Marco Antônio dos Santos**

domingo, 6 de dezembro de 2009

MEMÓRIA AIC (13): A FAMÍLIA DÓ-RÉ-MI




A série foi criada em 1970 e teve 4 temporadas de muito sucesso nos EUA e em outros países.



Um dos membros da família tinha uma atenção especial das fãs. Era Keith Partridge (David Cassidy) que se tornou símbolo sexual e viu sua carreira de cantor subir aos primeiros lugares no shows bizz americano. Cassidy começou a fazer shows com sua banda, ao mesmo tempo em que gravava os episódios da série e seus discos, o que se tornou um grande problema, para ele e para o elenco. Na terceira temporada, Cassidy já não suportava a maratona de shows e gravações e o desgaste no relacionamento do elenco foi se agravando.





Shirley Jones, a atriz que vivia o papel da mãe da família, era madrasta de Cassidy e tentava encorajá-lo e aconselhá-lo nos momentos de crise. Isso segurou o elenco por um bom tempo. Havia também uma tensão sexual entre Cassidy e Susan Dey, a Laurie. Susan era apaixonada por Cassidy, mas ele naquela momento não tinha tempo para mais nada além das turnês e gravações.








As coisas tornaram-se muito difíceis na quarta e última temporada da série, em 1973. Danny Bonaduce havia experimentado drogas e começou a ser mais um problema dentro do elenco da série. O garoto brincalhão e ególatra tornará-se um chato, mal humorado, e isso estava contribuindo para o desgaste final do grupo. A série foi encerrada no início de 1974 e individualmente, nenhum dos atores conseguiu o mesmo destaque.








A relação dos dubladores desta série não foi possível encontrarmos na íntegra:




**Davdy Cassidy: dublado por Orlando Viggiani.




**Shirley Jones: dublada por Isaura Gomes.




**Danny Bonaduce: dublado por Zezinho Cútolo.




**Susan Dey: dublada por Ivete Jayme.






**Um fato curioso é que foi uma das séries preferidas por Orlando Viggiani em tê-la dublado.




A série foi exibida pela TV Globo, no início da década de 1970, nos finais das tardes para os adolescentes.




Na década de 1990, a série voltou a ser exibida pelo canal a cabo Multishow, porém com legendas.




Neste período da dublagem da série, a AIC já inicia seus problemas financeiros e muitos dubladores dos anos anteriores, já haviam se retirado. Mesmo assim, a série foi muito bem dublada pelo principal trio que a estrelava.







Aqui, para recordarmos um pequeno trecho de A Família Dó-Ré-Mi, dublado e com abertura narrada por Chico Borges:


















**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (70): NOELY MENDES


TIA CLARA / 3ª TEMPORADA


Noely Mendes é mais uma profissional da voz totalmente esquecida pela mídia. Tentamos, por diversas formas encontrar uma fotografia sua, porém infelizmente é praticamente impossível.






Assim, nos baseamos nos registros sonoros que deixou nas dublagens realizadas e encontramos alguns poucos dados sobre o início da sua carreira. Esses dados foram encontrados, por acaso, no Museu da Imagem e do Som, da cidade de Santos, num arquivo de curiosidades sobre a história do rádio em São Paulo.






Noely Mendes é citada como uma das primeiras "garotas propaganda" dos anúncios dos patrocinadores de programas produzidos pelo rádio. As datas não são precisas, mas é dado o período de 1948 a 1952.






Devido à sua voz suave e clara, logo foi convidada para atuar também em rádio-novelas. O curioso é que , já no rádio, a sua voz caía bem para as mamães, vovós e tias, mesmo ainda sendo jovem. Durante muitos anos seguiu a sua carreira no rádio e, segundo consta, veio para São Paulo para participar de teatro.






Não temos informações como foi convidada a participar da AIC. Pelo registro das dublagens, acreditamos que tenha, inicialmente, entrado em 1967 e tenha ficado até fins de 1968.



Nesse período dublou filmes e, principalmente, séries de tv, as quais marcaram toda a geração da década de 1960.






**Dublou os seguintes personagens em séries:



**Tia Clara, na 3ª temporada da série A Feiticeira (um de seus melhores trabalhos, onde conseguiu captar toda a personalidade da tia atrapalhada com seus feitiços).






**Irmã Jacqueline, na série A Noviça Voadora.






**Tia Harriet, a tia de Bruce Wayne, na série Batman e Robin.






Paralelamente, fez algumas participações especiais em alguns episódios de séries de tv. Uma de suas mais famosas atuações foi no episódio "Colisão de Planetas" na 3ª temporada da série Perdidos no Espaço, onde junto com Drausio de Oliveira, formaram o casal hippie alienígena.



Temos a sua presença ainda no último episódio da série O Túnel do Tempo, "Cidade do Terror", onde dubla a atriz Mabel Albertson, dona do hotel da cidade.






Após esse período, Noely Mendes se retira da AIC. A razão não sabemos, mas provavelmente outros projetos surgiram, como o teatro talvez.






Em 1973, a voz de Noely Mendes retorna aos estúdios da AIC e encontramos duas dublagens realizadas:



*a primeira no desenho Jeannie, produzido por Hanna Barbera, onde dubla a sra. Anders.



* a segunda na série Kolchak, os Demônios da Noite, onde dubla a personagem Emilly Cowles (interpretada pela veterana atriz Ruth McDevitt), onde participava da redação do jornal, sempre intrigada com as atitudes estranhas de Kolchak. A dublagem dessa série teria sido realizada por volta de 1975.






Segundo informações, Noely Mendes faleceu em meados da década de 1990, entre 1994 e 1996. Não conseguimos identificar com precisão: local, causa e a data correta.






Uma dublagem que nos faz lembrar das nossas tias, das nossas vovós, uma intimidade expecional na interpretação com a voz.



A nós, fãs da dublagem da AIC, só nos resta dizer o nosso Muito Obrigado!!!






Aqui, temos uma das cenas mais fantásticas dublada por Noely Mendes, no episódio da série A Feiticeira: "Benjamin Franklin: o eletricista", revejam a qualidade de seu trabalho ao lado de Rita Cleós e João Ângelo:





http://www.youtube.com/watch?v=skKNRHpbHv4





**Colaboração: Thiago Moraes





**Marco Antônio dos Santos**






domingo, 29 de novembro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (69): MÁRIO VILELA

"Seu Barriga" no seriado Chaves


Mário Ribeiro Villela nasceu no dia 12 de agosto de 1923 e foi um excelente dublador, porém só foi descoberto muitos anos depois que iniciou a sua carreira na dublagem, na década de 1980, dublando o personagem "Seu Barriga" no seriado Chaves.




Mas, também iniciou Mário Vilela na AIC, e dublava algumas vezes na Odil Fono Brasil, os únicos estúdios existentes em São Paulo, na época.


Curiosamente, Mário Vilela praticamente nunca se fixou em nenhum personagem.. Alguns dubladores nos relataram que ele era conhecido como o dublador "do momento", "da hora", pois mesmo não estando escalado para uma dublagem específica, algumas vezes ficava no estúdio e, quase sempre surgia um personagem de "última hora" para dublar ou substituir um colega e, com grande categoria.




Na AIC, assim dublou diversos personagens, que estão por aí, espalhados em diversos DVDS. Mas foi com o desenho O Pica-Pau, que Mário Vilela começou um ganhar um destaque maior, dublando já alguns personagens fixos. Mesmo quando o desenho foi dublado pelo estúdio BKS, Mário Vilela participou de alguns episódios.




Sua grande oportunidade viria com o estúdio MAGA, de Marcelo Gastaldi, que o convidou para dublar os personagens "Seu Barriga" e o "Nhonho". Aqui, realmente demonstrou toda a sua arte na dublagem. O seriado Chaves é exibido há quase 30 anos e ainda ficamos observando uma dublagem realizada por todos, como uma das melhores, uma herança da AIC.





*** Lista de trabalhos:



** Seu Barriga e Nhonho em Chaves (Substituído por César Leitão em Clube do Chaves, e Fadhu Costa e Gilberto Baroli nos DVDs lançados pela Amazonas Filmes).
** Botina, Garrafa, Detetive Cannon e outros personagens interpretados por Edgar Vivar em Chapolin.
** Em Ota Spectreman.
** Em Jacaré cantor Todos os Cães Merecem o Céu dublagem (primeira de 1990)
** Geral não curta do Chico Bento "O Monstro do Lago", incluído no filme As Novas Aventuras da Turma da Mônica de 1986.
** Pirata Espacial Buba e Gyodai em Changeman.
pontas em Jaspion, Jiraya, Cybercops, Disney's Doug, Winspector, Fly, o Pequeno Guerreiro, Solbrain e Samurai X.
** Spika e alguns soldados do Mestre Ares em Cavaleiros do Zodíaco (1 ª dublagem, Gota Mágica).
** Barão Ricks em Zillion.
** Ed Cabeção em A Vida Moderna de Rocko.
** Rato de Boné em Bananas de Pijamas.
** O javali Lenny no desenho Kissyfur.
** Senhor Jenkins em Caillou.
** Baleia Dopey Dick e diversos outros personagens secundários em Pica-Pau.
** Em Dave Arthur (Desenho).
** Em Senhor verde "Hey Arnold!".




Mário Vilela faleceu no dia 1 de dezembro de 2005, vítima de falência cardíaca, em decorrência de um quadro que apresentava diabetes.




** Mais um dublador que fez a alegria de diversas gerações com os personagens que dublou, desde os primórdios na AIC.


Só nos resta dizer: Valeu Mário Vilela, companheiro de desenhos e seriados, onde quer você esteja!!!




** Marco Antônio dos Santos **

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (68): HUGO DE AQUINO

O ALIENÍGENA EM PERDIDOS NO ESPAÇO******RUFUS, O RUIVO EM A FEITICEIRA


***Há mais de 15 anos estamos tentando encontrar uma fotografia deste excelente dublador, porém todas as nossas tentativas foram em vão. Na internet, nem sequer é mencionado. Assim, o dublador Arquimedes Estázulas Pires, gentilmente, nos enviou um texto sobre o amigo de bancada, do qual nada sabemos desde a década de 1970.

"Vivíamos na cidade de São Paulo onde, mesmo nos anos de 1960/1970, pretender conhecer um pouco mais da vida, dos usos e costumes de alguém que se conhecia, ainda que trabalhássemos juntos, era coisa proibida; absolutamente proibida!
Saber onde moravam as pessoas com quem dividíamos alguns compromissos do dia-a-dia, então, nem pensar!
Durante as dublagem de Macunaíma, na Odil Fono Brasil, Grande Otelo comentou: “Pôxa! Já estou aqui em São Paulo há mais de vinte dias e ninguém ainda me convidou pra tomar “uma” em casa, pô; no Rio isso teria acontecido no primeiro dia de dublagem!”
Eram os primeiros ensaios para essa hiperproteção necessária para quem vive em cidades tão grandes quanto a nossa belíssima Metrópole desvairada; lembro-me ainda de um tempo em que morei em um prédio de apartamentos na Av. Moreira Guimarães, no Aeroporto, próximo à velha TV Record; dois apartamentos por andar. Dois apartamentos!
Em oito anos tive o prazer de cumprimentar e ser cumprimentado pelo meu único vizinho, não mais do que quatro ou cinco vezes; puro instinto de conservação! Dele e meu, claro! Um sentimento recíproco, ainda que a vontade fosse de apertar os laços, fazer-se amigos, confraternizar! Mas, para viver seguro, em São Paulo era preciso ser previdente.
Era a vida na mais querida cidade do mundo, há quarenta ou cinquenta anos; e não havia outra!
Os amigos moravam sempre muito longe; uma distância prudente, digamos assim.
Os meus amigos mais próximos, literalmente mais próximos, moravam à coisa de um quilômetro ou um quilômetro e meio; era o caso de Flávio Galvão,que morava em Indianópolis.
Pela ordem vinham Rita Cleós, Lucy Guimarães, Ézio Ramos e Gilmara Sanchez, que moravam no Bixiga, distantes mais ou menos 14 quilômetros de onde eu morava; a A.I.C. era na Lapa, do outro lado da cidade.
Nunca fiquei sabendo onde morava o meu querido amigo Hugo de Aquino, o homem da voz de veludo, que dublou inúmeros galãs, vilões e depois mudou de ramo, como eu mesmo, indo trabalhar em uma multinacional de petróleo. Também nunca mais nos vimos ou soubemos notícias, um do outro.
Seu João Valério, o nosso bom “seu João”, costumava atravessar a rua Tibério e andar mais uns vinte metros, carregando sob um dos braços o Hugo de Aquino e sob o outro braço, eu. E olha que o Hugo era um cara de mais ou menos 1,75 m de altura e uns 70 quilos de peso, imagino; eu, um pouco mais baixo, mas ainda assim pesando em torno de 65 quilos! Seu João Valério já estava na casa dos 80 anos de idade, nessa época!
Hugo de Aquino dublou muitos atores convidados, na Série Daniel Boone e sempre foi um dos mais escalados nos velhos RKOs, os longa metragens tão apreciados pelo telespectador brasileiros, naqueles tempos do cinema de qualidade, enredo e roteiro. Mas também fez muitos “Lancer”, “Chaparral”, "O Túnel do Tempo", "Perdidos no Espaço", "Terra de Gigantes", "A Feiticeira", "Os 3 Patetas"........
Muito amigo de Olney Cazarré e Carlos Alberto Vacari, Hugo de Aquino estava sempre presente nas rodas de piada, cafezinho e brincadeiras. Com suas camisas de “banlon”, pra ressaltar o físico jovem, Hugo sempre estampava no rosto um sorriso ingênuo, de quase guri, ao conversar ou se dirigir a uma companheira de trabalho; jamais houve qualquer comentário sobre deslizes comportamentais do meu amigo!
Minha amiga Zaide, de quem também nunca mais tive notícias, chamava o Hugo de “Bebê Johnson”; a Zaide era a moça das escalas de elenco.
Em 1970, Hugo de Aquino foi um dos primeiros a abandonar a dublagem por pura necessidade de sobrevivência, quando a crise econômica se consolidou na A.I.C.; aquela crise comentada pela Dalete, de períodos de seis meses só na base do vale e sem perspectivas de melhora.
O Hugo de Aquino foi para uma multinacional distribuidora de petróleo e nunca mais soubemos dele! Torço para que tenha sido feliz e continuo torcendo pra isso."



Arquimedes Estrázulas Pires








**Aqui relacionamos algumas participações em séries de tv:




- foi um dos vilões mais escalados para os episódios de Os 3 Patetas-




- em Viagem ao Fundo do Mar também ganhou vários vilões: um dos mais célebres foi a dublagem do "Homem de muitas Caras" na 4ª temporada-




-em Terra de Gigantes, Lancer e Daniel Boone fez diversos personagens mais truculentos-




-em Perdidos no Espaço foi esplêndido ao dublar o alienígena no episódio "Destino:Terra" da 3ª temporada-




-também participou de comédias em Agente 86, Jeannie é um Gênio e A Feiticeira-




-dublou diversos filmes e alguns desenhos-
***Segundo informações fornecidas pelo dublador Carlos Campanile, Hugo de Aquino após sair da AIC, por volta de 1970, ingressou no IPEM (Instituto de Pesos e Medidas), onde fez carreira chegando ao cargo de Diretor. Atualmente, está aposentado.








***Um exemplo da sua dublagem em desenho, onde faz o cão guardador de ovelhas , com o inesquecível Older Cazarré, "Loop de Lebau":















***Também temos uma das suas melhores interpretações no episódio "A Ninfa Constante"da série A Feiticeira, onde Hugo de Aquino dubla o ator Michael Ansara (Rufus, o Ruivo):








http://www.youtube.com/watch?v=nRVeq5eop_I





**Colaboração: Thiago Moraes**



**Marco Antônio dos Santos**















quarta-feira, 25 de novembro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (67): MUÍBO CÉSAR CURY


Muíbo César Cury, ou simplesmente Muíbo Cury, é um dos profissionais mais talentosos do radiojornalismo brasileiro e, certamente, o mais versátil: “Faço estágio, estou terminando meu período de experiência”, brinca Muíbo, um paulista nascido na cidade de Duartina, interior de São Paulo, em janeiro de 1929, e que há “apenas” 37 anos empresta sua voz forte e emblemática à rádio Bandeirantes.




Locutor de auto-falante, auxiliar de escritório e contínuo de banco na sua cidade natal, em 1946 foi para São Paulo, onde iniciou sua carreira, em 1947, na rádio América. Muíbo, que hoje é locutor do “Jornal em Três Tempos”, ao lado do âncora Luciano Dorim, ingressou na rádio Bandeirantes como apresentador de programas de música sertaneja e como rádio-ator.
Foi disk-jóquei na década de 1960.



Alguns anos depois, compondo e cantando música regional, tornou-se o Barroso, da dupla “Barreto e Barroso”, que fez muito sucesso. A consagrada “João de Barro”, com cerca de 60 re-gravações é de autoria de Muibo Cury e Teddy Vieira.




Além do trabalho na rádio Bandeirantes, Muíbo apresenta há cinco anos o programa “Raízes do Brasil”, na rádio Cultura AM, programa que substituiu o célebre “Estrela da Manhã”, apresentado por Inezita Barroso.




Com todo esse currículo, a sua ida para a AIC foi um caminho natural em sua carreira. Com uma voz bem nítida e forte, participou também do período áureo do estúdio. Devido às suas outras atividades, Muíbo César Cury fez diversos personagens convidados em séries de tv e integrou também a dublagem de filmes.


Não encontramos registros sonoros de nenhum personagem fixo que tenha dublado na AIC. Encontramos diversas séries de tv, nas quais dubla atores convidados: Viagem ao Fundo do Mar, Daniel Boone, Jeannie é um Gênio, Missão Impossível, Jornada nas Estrelas, etc.


Aqui relacionamos dois convidados que dublou, os quais o seu trabalho demonstra a sua experiência também com a arte de dublar:

**Na série Viagem ao Fundo do Mar: episódio "O Gigante Submarino" da 2ª temporada.

**Na série Jornada nas Estrelas: episódio "A Cortina" da 3ª temporada.


Na década de 1980, Muíbo César Cury retornou aos estúdios de dublagem, especialmente para as seguintes participações:


** Kaura em Flashman**

**Chang Kung Fu em Jiraiya**

**1ª voz do Mantor do Diabo em Lion Man**


Um grande artista da voz desconhecido do público!! Muíbo César Cury faleceu em 26 de dezembro de 2009, aos 80 anos, devido a problemas cardíacos.


**Marco Antônio dos Santos**


terça-feira, 24 de novembro de 2009

O FILME NAKED CITY: INSPIRAÇÃO PARA A SÉRIE CIDADE NUA !!!




Em Nova York, durante a madrugada, uma bela modelo de 26 anos, Jean Dexter, é brutalmente morta em seu apartamento e logo após um dos assassinos mata o cúmplice. No dia seguinte, uma viúva de 42 anos, Martha Swenson, que faz serviços domésticos para Jean, acha horrorizada o corpo de sua patroa.




Investigam o caso o veterano detetive Dan Muldoon (Barry Fitzgerald) e Jimmy Halloran (Don Taylor), seu dedicado mas inexperiente auxiliar. Frank Niles (Howard Duff) é chamado para depor e diz várias mentiras, mas tem álibi que o inocenta. Fica claro que ele está envolvido em algum golpe e sabia quem seriam os possíveis assassinos de Jean. Na caça ao criminoso pessoas são seguidas e espantosas verdades são reveladas, levando a polícia a fazer um obstinada investigação.




Um filme"noir" por excelência, produzido em 1948, mostrando a cidade de Nova York sem maquiagens, os seus verdadeiros habitantes e suas imperfeições e seus relacionamentos. A fotografia do filme tem a tendência em exibir a cidade durante à noite, onde tudo se modifica.




Este filme inspirou a criação da série de tv Cidade Nua (1958 - 1963), onde retiraram diversos aspectos que marcaram a série, como a célebre frase no final de cada episódio: "há oito milhões de histórias na cidade nua, esta foi apenas uma delas". Também , assim como no filme, a presença do narrador é marcante sempre nos relatando e introduzindo-nos na trama.




A dublagem realizada pela AIC, na série, é bem anterior ao filme. Verifica-se isso, pelos dubladores que participaram da dublagem do filme. Mais um trabalho perfeito que a AIC realizou. Aqui destacamos a atuação de Eleu Salvador que dublou Barry Fitzgerald, o tenente que cuida do caso, utilizando um tom de voz que lembra muito a do ator.




Os principais dubladores são:


**Barry Fitzgerald (tenente Dan Muldonn): dublado por Eleu Salvador.


**Don Taylor (Jimmy Halloran): dublado por Nelson Baptista.


**Frank Niles (Howard Duff): dublado por Garcia Neto.


**Martha Swenson: dublada por Sandra Campos.




Como se trata de uma investigação policial, os detetives investigam e conversam com diversas pessoas, portanto o filme traz inúmeros dubladores, não os repetindo em outros personagens. Temos assim, mais uma vez, com clareza a diversidade de vozes que a AIC possuía em seu elenco, dublando apenas um "anel".




**Outros dubladores que participam: José Soares, Elaine Cristina, Sílvio Navas, João Ângelo, Francisco José, Noely Mendes, Olney Cazarré, Carlos Campanile e muitos outros...




Para os amantes dos filmes "noir" é um ótimo filme e com o sabor da AIC, que ainda traz Chico Borges como o narrador da história. Este filme está disponível em DVD em duas versões diferentes e, apenas uma, traz a dublagem em português.




Mais um trabalho primoroso deixado pelo elenco que passou pela AIC!




**Marco Antônio dos Santos**

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A DUBLAGEM DE "A UM PASSO DA ETERNIDADE"




Produzido em 1953, em preto e branco, neste filme paixão e tragédia colidem numa base militar em um fatídico dia de dezembro de 1941. O recruta Prewitt (Montgomery Clift) é um soldado e ex-boxeador sendo manipulado pelos seus colegas e superiores.




Seu amigo Maggio (Frank Sinatra) tenta ajudá-lo mas já tem seus próprios problemas. O sargento Warden (Burt Lancaster) e Karen Holmes (Deborah Kerr) trilham o perigoso caminho de amantes ilícitos. Cada uma das vidas será mudada quando suas histórias culminarem com o ataque japonês a Pearl Harbor.




O filme foi ganhador de 8 Oscar, além de diversas indicações:
Filme, Direção, Roteiro, Ator (Montgomery Clift), Ator (Burt Lancaster), Atriz (Deborah Kerr), Ator Coadjuvante (Frank Sinatra), Atriz Coadjuvante (Donna Reed), Fotografia em Preto e Branco (Burnett Guffey), Figurino em Preto e Branco (Jean Louis), Som (John P. Livadary), Edição (Willian A. Lyon), Música (Morris Stoloff e George Duning)
Cannes: Grande Prêmio, Prêmio Especial
Globo de Ouro: Direção, Ator Coadjuvante (Frank Sinatra)




A dublagem realizada pela AIC é mais uma obra-prima do estúdio. Realizada em seu pleno apogeu, os dubladores tornam o filme muito mais marcante, a interpretação transforma-o mais emocionante em todos os seus aspectos.




O interessante é que, devido às características do roteiro, há diversos personagens e não se encontra um mesmo dublador que faça dois pequenos personagens (fato comum atualmente).


A direção de dublagem, realizada por Sérgio Galvão, foi impecável e os dubladores nos deixaram suas vozes para a "eternidade".




Aqui, relacionamos os dubladores principais:


**Burt Lancaster: dublado por Aldo César.(interpretação extraordinária)


**Frank Sinatra: dublado por Carlos Campanile (um trabalho extraordinário, talvez um de seus melhores).


**Montgomery Clift: dublado por Sérgio Galvão (um tom intismista, perfeito).


**Deborah Kerr: dublada por Líria Marçal (dispensa comentários: atuação talentosa).


**Donna Reed: dublada por Isaura Gomes (a voz adequada e talento).


**Ernest Borginne: dublado por João Ângelo (sempre valorizando o ator).




*** Há ainda as presenças de: Astrogildo Filho, Arquimedes Pires, Sandra Campos, Silvio Matos, Hugo de Aquino, Helena Samara e muitos outros.


***Felizmente a dublagem foi preservada e está disponível em DVD para os admiradores do cinema de Hollywood, da década de 1950, e sem dúvida, para os fãs da Arte Industrial Cinematográfica São Paulo.


***O filme ainda traz uma curiosidade: o narrador da abertura é Muíbo César Cury.




**Marco Antônio dos Santos**

domingo, 22 de novembro de 2009

ENTREVISTA COM GILBERTO BAROLI


**ESTA ENTREVISTA FOI CONCEDIDA A LEANDRO PEREIRA LESSA E FAZ PARTE DA SUA MONOGRAFIA "A DUBLAGEM NO BRASIL", APRESENTADA À BANCA EXAMINADORA DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE FEDRAL DE JUIZ DE FORA/MG, EM 2003**



Gilberto Baroli é ator desde 1967. Trabalhou com teatro, TV e dublagem, mas a partir de 1976, passou atuar apenas como dublador. Ele também dá palestras, contando sobre a história da dublagem e as curiosidades da profissão. Reside em São Paulo, onde também faz serviços de tradução e adaptação de roteiros estrangeiros para serem dublados. A entrevista foi concedida por telefone na noite do dia 8 de janeiro de 2003.


P – Como começou a dublagem?
R – Em 1928, aconteceu a transição do cinema mudo para o falado. Antes disso, os filmes chegavam a ter narração ao vivo nas salas de exibição. Quando começou o cinema falado, aí foi necessária a gravação de duas pistas, uma delas para a trilha sonora. Os Estados Unidos, para não perderem terreno no mercado, gravavam seus filmes com artistas estrangeiros em idiomas diferentes, nos estúdios americanos ou em outras locações. Na França, um filme chegou a ser rodado 60 vezes, sempre em uma língua diferente.


P – Eu me recordo que o filme O Anjo Azul, com a Marlene Dietrich, foi rodado em alemão e em inglês. Mas este processo era muito dispendioso.
R – Exato. Então, surgiu a dublagem. Um dos trabalhos de dublagem era em filmes de países de língua não-inglesa para o inglês nos próprios locais onde foram produzidos para que chegassem ao mercado americano. E isto existe até hoje. Nós podemos perceber bem a dublagem no filme Cantando na Chuva, a atriz de voz fanha finge cantar, mas depois a cortina se levanta e percebemos que era a Debbie Reynolds a responsável pela bela voz.


P – E em relação à dublagem de um produto audiovisual de uma outra língua?
R – Nos Estados Unidos, não havia problema, pois a grande maioria dos filmes era produzida lá mesmo. Mas em países da Europa que não falavam inglês, produções nesta língua poderiam se tornar um empecilho. Na Alemanha nazista e na Itália fascista, não se admitia a entrada de produções em um idioma que não fosse o deles. Então, começou a se colocar atores para dublar as produções estrangeiras. Na Itália, as dublagens eram feitas nos estúdios da Cinecitá. Além da dublagem, havia a censura, que mudava a trama de acordo com os interesses do governo. Aqui no Brasil, na época da ditadura, uma produção que falava sobre tráfico de drogas teve que ser trocada, na dublagem, para contrabando de pedras preciosas, por causa dos censores. Essa censura também parte, às vezes, das próprias distribuidoras. Quando eu traduzi O Belo Antônio, não queriam que eu usasse o termo “impotente” para designar o personagem principal, ordenando que fosse trocado por “incapaz”. E essa era a trama principal do filme.


P – E a dublagem no Brasil?
R – Iniciou com os filmes da Disney na década de 1940. Há duas crônicas de Guilherme de Almeida, no jornal Estado de São Paulo, que tratam do assunto. A partir dos anos 50, começou a dublagem para a televisão porque não havia uma boa tecnologia para colocar legendas nos filmes para a TV, elas eram difíceis de serem lidas. Esta parte da dublagem surgiu em São Paulo. A Cinematográfica Maristela, por volta de 1954, foi extinta. Então se aproveitaram os equipamentos de som para fundar a Gravasom, o estúdio pioneiro que daria origem a AIC, num imóvel que depois passou para a BKS.


P – AIC é a sigla de Arte Industrial Cinematográfica. O que quer dizer BKS?
R – Depois da falência da AIC, que ficou devendo a todo mundo, inclusive ao “idiota que vos fala”, Pierângela Piquet e Bodan Kostiw entraram como sócios em 1976 para um serviço de som onde ficavam os estúdios, então das iniciais de Bodan surgiu o BKS.


P – Quando você começou como dublador?
R – Foi em 1967. Eu tinha acabado de começar no teatro, quando a Helena Samara me levou para fazer dublagem. Na época, a AIC contava com uns 50, 60 dubladores. Mas, naquela época, era uma loucura conseguir espaço no meio de tantas feras, como Flávio Galvão, Dênis Carvalho e Ary Fernandes, que é o criador do Vigilante Rodoviário. Havia também o Older e Olney Cazarré, que eram irmãos, mas todos pensavam que Older era pai de Olney. Os dois eram irmãos. Older era mais velho e, como tinha um porte magrinho e careca, só fazia papel de velhinho. Ele morreu atingido por uma bala perdida, quando dormia em seu apartamento no Rio de Janeiro, que ficava próximo a uma favela. O Olney foi o corinthiano da Escolhinha do Professor Raimundo.


P – Como era a relação entre os dubladores naquele tempo?
R – Eles eram muito bacanas. Por exemplo, o Borges de Barros, que fez a voz do Dr. Smith em Perdidos no Espaço, é meu amigo até hoje. Eles me chamavam no estúdio, “Vem cá e faz isso”, e estou até hoje fazendo isso.


P – Qual foi seu primeiro trabalho como dublador?
R – Eu já fiz muita coisa, mas a primeira não há como esquecer. Fui um piloto que só tinha duas falas num desenho do Maguila, o Gorila.


P – Você fez o robô do Perdidos no Espaço?
R – Eu fiz a quarta voz. Substitui o Amaury Costa, mas ele teve que ir para o Rio, então fiz um teste e fiquei no lugar dele.


P – Como era a gravação?
R – Só havia duas pistas de som, na época: uma de música e efeitos, conhecida como “M.E.”, e outra de voz. Algumas vezes, não vinha a M.E., então as músicas e os efeitos eram recriados em estúdio.


P – Há alguns desenhos animados que, quando entravam as falas, existia uma mesma música de fundo, diferente da original.
R – É, isso acontecia quando mandavam o desenho só com a pista com tudo junto. Então, se reaproveitava alguma parte sem fala para servir de fundo, para encobrir a parte falada em inglês.


P – Quantos microfones eram utilizados no estúdio?
R – Um só, e todos ficavam em volta. Como só havia uma pista de voz, não havia como fazer fala uma em cima da outra. Para fazer fala em primeiro plano e vozerio, colocava-se o dublador em frente ao microfone e os outros ficavam juntos, um pouco afastados.


P – O que você pensa da dublagem de hoje, em que cada ator vai individualmente ao estúdio para gravar?
R – Eu chamo isso de “poleiro”. Colocam o cara lá no estúdio, “encarrapitado” num banquinho, para fazer todas as falas. Eu, quando dublo, peço para ouvir o que já foi dublado para saber a entonação necessária para se dar uma resposta, por exemplo.


P – Na década de 1960, com a Herbert Richers e a AIC como as principais casas de dublagem do país, havia rivalidade entre Rio e São Paulo?
R – Houve uma época de rivalidade por causa de cláusulas de acordo de trabalho, devido à pressão de empresários. No Rio e São Paulo, os dubladores ganham praticamente o mesmo valor, mas há algumas coisas diferentes. Em São Paulo, se você faz 15 ou 20 anéis, você pode dobrar, o que não é permitido no Rio. Neste último acordo, os setores tiveram que lutar em separado. Mas no acordo de 1997, houve uma união da categoria, com uma paralisação que durou 45 dias. Vários trabalhos estavam atrasados, mas os empresários não admitiam ceder. Eu mesmo fui bastante prejudicado. Mesmo depois de cinco meses após o final da greve, eu fiquei sem dublar. Por ter sido um dos líderes do movimento, colocaram-me na “geladeira”

.
P – O motivo da maioria das dublagens passarem para o Rio foi por causa da Rede Globo?
R – Principalmente por causa disso. Aliás, essa relação já vem de longa data, já que algumas novelas da Globo eram rodadas nos estúdios da Herbert. Durante algum tempo, a emissora exigia que as produções estrangeiras só poderiam ser dubladas lá. Nesta época, na década de 1970 , a AIC acabou, a Odil Fono Brasil, que fez dublagem um tempo, mas fez pouca coisa conhecida. A empresa era do Ademar de Barros Filho, que a usava para “lavar” o imposto de renda. Nos anos 60, eu cheguei a largar o trabalho de ator para vender enciclopédia de porta em porta. Muitos saíram para fazer televisão, como Flávio Galvão, que estava indo para a TV Tupi, Dênis Carvalho e Osmar Prado, se preparando para ir para a Globo.


P – Na década de 1980, surgiu a Maga.
R – A Maga começou com a TVS, que se tornou o SBT. A emissora queria empresas responsáveis em escalar e pagar os atores para as produções estrangeiras, pois não queria ter vínculo empregatício com os dubladores. Elas eram uma espécie de “intermediárias”. As dublagens eram feitas nos estúdios da TVS. Então, veio a Elenco, a Maga e algumas outras. A Maga era do Marcelo Gastaldi, que as duas primeiras letras de seu nome e sobrenome formavam o nome da empresa. Ele era a voz do Chaves, do seriado mexicano.


P – Por falar nisso, as dublagens das novelas mexicanas eram muito criticadas.
R – Porque eram feitas às pressas. A má qualidade não era culpa de Sílvio Santos, mas das pessoas que ele determinava para os departamentos que ficavam responsáveis por esta parte, pois elas queriam fazer tudo de qualquer jeito para botar “unzinho” no bolso. Quando o SBT acabou com o estúdio de dublagem, a Elenco praticamente fechou. A Maga “sub-existiu”, passando a trabalhar nos estúdios da Marsh Mallow, que alugava um de seus dois estúdios. Depois do falecimento do Marcelo Gastaldi, a Maga acabou. Mas as reclamações que eu ouço agora é que a dublagem das novelas mexicanas no Rio é que é muito ruim.


P – Quando você começou a ser diretor de dublagem? Você teve muitos problemas em aceitar este tipo de esquema de dublagem, individual?
R – A partir de 1972. Não, a gente apenas acompanha as coisas que vão acontecendo. Como a gravação começou a ser em várias pistas, acharam melhor que todos fizessem separadamente sua gravação.
P – O que você tem a falar sobre o “boneco”?
R – Isso é muito desrespeitado no Rio. Toda hora mudam a voz de um ator porque o filme é dublado numa casa onde o dublador não é bem visto, então eles chamam outro.


P – E a distribuidora aceita?
R – Bem, também há o caso de que, se o filme for dublado noutra casa, o dublador pede mais pelo serviço. Então, a empresa comunica à distribuidora que ele está querendo mais pelo serviço.


P – Desde quando trabalha com tradução? Os dubladores levam vantagem sobre os tradutores na hora de adaptar um trabalho audiovisual estrangeiro?
R – Desde 1972. Acho que o dublador possui a noção de ritmo. Muitas vezes, já dentro do estúdio, precisávamos mudar coisas no roteiro porque vinham frases muito longas. Outro problema foi uma vez que ficou um cara de uma distribuidora dentro do estúdio, do meu lado, vendo a dublagem do desenho japonês Cavaleiros do Zodíaco. Ele vinha para nós com falas em espanhol, e roteiro em inglês, e nem sempre os dois batiam, e o desenho vinha em lotes, o que não permitia que a gente conhecesse toda a história. Então, num determinado momento, apareceu o personagem “Unicórnio”, mas o cara da distribuidora mandou mudar para “Capricórnio”, porque só havia boneco para vender nas lojas deste último. Mas era “Unicórnio”, e depois os fãs do desenho, que eram muitos, ligavam para reclamar com a gente. Mas isso era bom, porque muitos nos ajudavam.


P – Você comentou sobre Cavaleiros do Zodíaco. O seu filho, Hermes Baroli, fez o Seiya, um dos personagens principais do desenho. Há vários casos de filhos de dubladores que acabam seguindo pelo mesmo caminho do pai?
R – É porque eles crescem dentro do estúdio com a gente. Mas desde pequeno, o Hermes tinha aptidão para artes cênicas. Quando ele ainda era criança e estava fazendo uma dublagem, eu o estava dirigindo na Álamo. Ele não conseguia fazer algumas reações como riso, e eu ficava atrás dele fazendo cócegas. As crianças, geralmente, possuem dificuldades com essas reações que vêm do peito.


P – Como você desempenha a função de tradutor?
R – Eu uso TV e vídeo. Coloco o filme, traduzo e vejo as falas. O meu processo dura 3 a 4 vezes mais tempo que os tradutores convencionais. Eles não adaptam as falas para a dublagem, e nem fariam isso, porque seria economicamente inviável. A profissão de tradutor é muito mal remunerada. Eu já fiquei bastante tempo sem traduzir por causa disso.


P – O que você acha da situação da dublagem atual em São Paulo?
R – Está melhorando, mas ainda não é o ideal. Pior foi nos últimos quatro meses de 2001, com várias casas com poucos ou nenhum estúdio com trabalho.


P – Quantos estúdios há em São Paulo?
R – São vários. Atualmente, a BKS aluga dois de seus quatro estúdios para a Mastersound. Até o fim do ano passado, gravavam nos antigos estúdios Zankowski, que eram muito usados para o cinema nacional, na época da pornochanchada. A Álamo possui oito, mas apenas três ou quatro funcionando. Há a Sigma, que fez muita coisa da Disney. A Megasom e a Gota Mágica fecharam. O Estúdio Gábia ainda existe, é de propriedade de Ronaldo Gábia. Também existe a Parisi Vídeo, do ex-dublador José Parisi, a Dublavídeo, a Clone, que também faz legenda para filmes. A Centauro, no momento, tem pegado pouquíssimo trabalho, mas eles dublaram o infantil Barney e Seus Amigos.


P – O que é necessário para ser tradutor de produtos audiovisuais estrangeiros? Pelo menos, saber uma outra língua, não é?
R – Na verdade, eu acho que o importante é saber português. Você quer ver uma coisa? Foi algo inusitado e que muita gente não sabe. Havia um anime chamado A Princesa e o Cavaleiro, e aconteceu uma coisa rara com ele. Ele possuía 34 episódios, metade ia ser dublada na Cinecastro, no Rio, e metade em São Paulo, na AIC. Só que o desenho não tinha a pista sonora, nem o roteiro, só a imagem. Aí, perguntaram para mim se eu poderia criar as histórias. Naquela época, eu não podia desperdiçar trabalho algum, então aceitei, mas pedi antes para assistir os 34 capítulos para conhecer os personagens, pegar o fio condutor da história. Isso não é tão difícil. Com 12, 15 anos, queria ser escritor. Lia Machado de Assis e José de Alencar e desejava escrever igual a eles. Se você conhece um autor, você consegue terminar uma obra dele. Por isso, vi todos os episódios do desenho.


P – Ainda existe a dubladora DPN Santos? Ela fazia muita coisa para o Discovery Channel.
R – Sim. A DPN possuía estúdio em Santos, atualmente dois estúdios em São Paulo, no bairro Paraíso. Ela continua fazendo coisas para o Discovery, e está com a nova fase do desenho Dragonball, que passa atualmente na TV por assinatura. O pessoal da empresa dava uma compensação para os dubladores que iam para Santos, mas depois eles viram que isso era inviável e montaram os estúdios em São Paulo. Para quem quer ser dublador, as casas estão no eixo Rio-São Paulo.


P – Como vão as palestras?
R – Há uma conversa para que, no início de fevereiro, eu dê duas palestras sobre dublagem em Belo Horizonte, com atores locais. A Sated/BH me ligou, mas ainda não há confirmação. Quando aparece algum convite, eu faço. O assunto específico a ser abordado varia de acordo com cada lugar, mas eu sempre abro espaço para perguntas depois da palestra. Eu não tenho material escrito, falo tudo de cabeça. E não posso me queixar da recepção. Muitos fãs aparecem, querem saber curiosidades sobre a dublagem, sobre quem fez determinada voz, fazem críticas.


P – O que pensa das críticas em relação à dublagem?
R – Eu acho que isso envolve vários pontos. O primeiro é que existe uma turma interessada em economizar e fala que os filmes devem ser legendados. Outro ponto é que nós precisamos criar uma espécie de ISO, um instituto de qualidade para este tipo de trabalho, para analisar o que está sendo feito. Isso seria importante para que as casas, o distribuidor e a TV tivessem um bom serviço. O meu sonho é que, um dia, os estúdios sejam escolhidos pela qualidade, e não pelo preço baixo. Há umas casas de dublagem que fazem economia nos atores e acabam realizando grandes porcarias. No geral, 50% da dublagem atual são muito mal feitas, 40% poderiam ser muito melhores, e algumas coisas são muito boas, umas até por acaso. Eu vi o DVD de A Fraternidade é Vermelha, cuja versão é feita pela Dublavídeo, que já fez grandes porcarias, mas esta, em particular, saiu boa. Talvez porque o filme só tenha dois atores importantes mesmo. Então, eles devem ter pegado dois bons dubladores, o que não fica tão caro.


P – Você acredita que precisa ter uma experiência em outras áreas de atuação para ser dublador, ou a dublagem seria o caminho inicial para os novos atores?
R – A dublagem é muito diferente, é um trabalho tão específico que alguns atores famosos não conseguem dublar. Não acho que sejam necessárias outras formações artísticas.


P – No início, muitos rádio-atores foram para a dublagem.
R – Na época, havia um boom de novelas radiofônicas. A Rádio São Paulo era o que hoje é a Globo. Mas hoje não há mais rádio-atores, só locutores de rádio com um vozeirão. Na dublagem, não são necessárias grandes vozes, e sim grandes atores.


P – O que acha de artistas famosos fazendo dublagem no Brasil de filmes e desenhos?
R – Acho perfeitamente possível se são grandes atores. Eles ganham o mesmo que um dublador normalmente ganha. Mas para colocar o seu nome é que custa mais. Mas, se os artistas famosos ganhassem um cachê muito alto para dublar, criaria um mal estar muito grande na categoria. Por exemplo, no filme brasileiro feito inteiramente em computação gráfica Cassiopéia, queriam um grande nome para a dublagem. Pensaram, inicialmente, em Jô Soares, mas ele detesta dublagem, fala muito mal dela. Isso é porque ele não consegue dublar. Então, eu sugeri Osmar Prado, que é uma pessoa excelente. Ele aceitou e foi muito bom.


P – Já ouvi outros dubladores falando mal do Jô.
R – Ele possui uma grande capacidade intelectual, mas lhe falta humildade. Nas entrevistas, ele quer ser a estrela. Se o entrevistado está tomando conta do programa, ele corta. Está fazendo o programa errado.


P – Quais são os papéis em que você mais se destacou na dublagem?
R – Bem, qualquer trabalho a gente tenta fazer bem. Sobre os mais conhecidos, eu fui a quarta voz do robô em Perdidos no Espaço. Também fiz a voz do Marshall no seriado O Elo Perdido. Eu encontro com pessoas nas ruas, algumas até telefonam para mim, e pedem para fazer a voz do Saga, do Cavaleiros do Zodíaco.


P – Qual a diferença entre se dublar filme e seriado?
R – Bem, o filme é uma coisa rápida, você termina de dublar em três, quatro dias. Nas séries, por durar mais, é possível ter uma certa continuidade no trabalho. Mas eu fiz muito desenho também.


P – Quais são os dubladores que você considera excelentes?
R – Quando eu entrei no ramo, havia o Waldir Guedes, um grande ator e dublador, o melhor do Brasil na época. Ele fez a voz do segundo Barney no desenho Os Flinstones. Outro excepcional é o Borges de Barros. Ele é muito conhecido pelo Dr. Smith e pelo Moe, mas a dublagem que ele fez do Charles Laughton no filme O Corcunda de Notre Dame, a versão em preto e branco, é realmente fantástica.



**Marco Antônio dos Santos**

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CURIOSIDADE: A PRIMEIRA CRIANÇA NA DUBLAGEM !!!

**MARIA ANTONIETA NA ÉPOCA E ATUALMENTE**


























***Maria Antonieta Matos Aromatis é filha de José Luiz Aromatis e da talentosa dubladora Aliomar de Matos. Embora Antonieta Matos não tenha dublado no estúdio AIC, trazemos este pequeno depoimento que mostra o seu trabalho em dublagem a partir dos 8 anos de idade até os 18. Na época, as vozes de crianças eram realizadas por dubladoras, portanto Antonieta Matos foi a primeira criança a dublar (o que atualmente é comum!).


Suas dublagens foram realizadas no Rio de Janeiro, no estúdio do MAM (encarregado na época das dublagens dos desenhos Disney) e, principalmente, no estúdio TV Cine Castro no qual realizou diversas dublagens, sendo uma das mais queridas até hoje: Piu-Piu.




Conheça um pouco como era, nas décadas de 1960/70, uma criança dublando conjuntamente com nomes consagrados da dublagem***




1 - Como você descobriu, e com que idade, você começou no universo da dublagem ?


R: Minha mãe já era uma dubladora consagrada (Aliomar de Matos) e me levou p/fazer um teste, na Peri Filmes p/o filme 'A hora e a vez de Augusto Matraga". Eu estava com 8 anos.

2 - Quais dubladores você considera que foram os teus mestres ?


R: Sei que vou esquecer de mencionar alguém mas aí vão alguns nomes:
Domicio Costa, Ênio Santos, Orlando Drumond, Magalhães Graça, Ida Gomes, Selma Lopes, Sonia Moraes, Isaac Bardavid ,Carlos Marques, Norka Smith, Juraciara Diacovo, André Flho, Cleonir dos Santos, Lauro Fabiano, Nilton Valério, Rodney Gomes, Thelmo de Avelar, José Miziara, Ary de Toledo, Ângela Bonatti, Mírian Teresa, Tânia Alves, Waldir Santana, Mara di Carlo, Nair Amorim, Roberto Maya, Paulo Cesar Pereio, Carlos Leão, Luiz Manoel, Pietro Mario, Francisco Millani, Milton Rangel, Jomery Pozzoli, Gloria Ladany, Gualter de Fança, Nely Valverde, Helio Porto, Diana Morel, Carmen Sheila, NatáliaTimberg, Teresa Mayo, Aracy Cardoso, Maria Fernanda, Neuza Tavares, Neide Pavani e tantos outros.

3 - Do que você sente mais saudades daquela época ?





R: Eu era a única criança a dublar e sempe fui tratada com muito carinho, era como se eu fosse a mascote da turma. Todos me acompanharam na transfomação de criança para adolescente. Sinto falta de conviver com tantas pessoas inteligentes, que contribuiram para minha formação pessoal e profissional.

4 - Entre tantas dublagens que você realizou, você foi muito conhecida dublando a Princesa Safire de A Princesa e o Cavaleiro e o Michael Jackson em Jackson Five, na época você tinha noção do sucesso que esses desenhos faziam?





R: Não tinha essa consciência. Eu sabia que fazia sucesso entre meus colegas. Todos achavam o máximo conhecer alguém que fazia algo tão diferente e interessante. Às vezes eu levava algum colega comigo e isso era considerado uma aventura incrível. Até hoje quando comento que fui dubladora, que fiz a voz do Piu-Piu, os amigos pedem que eu diga a famosa frase: "Eu acho que vi um gatinho, vi sim, ora se vi."

5 - Na dublagem de A Princesa e o Cavaleiro, você se lembra dos companheiros que dividiam espaço com você? Como era dublar ao lado desses grandes profissionais?





R: Domicio Costa, Carlos Leão, Paulo Pereira, Mírian Teresa, Sônia Moraes, etc.
Ter ao meu lado pessoas tão talentosas foi um privilégio, nunca esqucerei dessa época.

6 - Quais outros trabalhos em dublagem que você guarda com carinho?





R: Michael Jackson (série Jackson 5), Piu-Piu, Tambor (Bambi), Touluse (Aristogatas), Tom Sawyer (As aventuras de Tom Sawyer) são os que mais marcaram, tenho um carinho especial por esses trabalhos.

7- Em Josie e As Gatinhas e Josie e As Gatinhas no Espaço você dublou a Valéria, como foi dublar essa personagem?





R: Gostei muito, a turma era animada e as histórias eram engraçadas. No início da série quem fazia a Josie era a Tânia Alves, que estava começando a dublar, ela era cantora lírica. Interessante, né?

8 - Na dublagem de Jackson Five, quais eram as pessoas que dublavam com você os irmãos de Michael, Diana Ross, e outros?, Nessa altura você já era adolescente não é?, Até a sua saída da dublagem, com 18 anos, a sua voz ainda era adequada para crianças?





R: A Diana eu não lembro , só ouvindo um dos episódios, assim eu poderia reconhecer a voz. Mas os irmãos eram dublados por Domicio Costa, Carlos Marques, Henrique Ogalla, Paulo Pinheiro.
Minha voz sempre foi fina , por isso dublei personagens infantis mesmo já sendo adolescente e meu tom sempre se encaixava melhor para personagens masculinos.
Tive pouquíssimos personagens femininos, só no seriado da Josie ,Caverna do Dragão e a Princesa e o Cavaleiro .

9 - Qual profissão você desempenhou depois da saída da dublagem?





R: Fiz faculdade de Comunicação e Biblioteconomia, mas nunca exerci. Em função de ter um excelente inglês e espanhol, sempre trabalhei cmo Secretária Executiva Bilingue em grandes empresas.

10 - Deixe uma mensagem para os teus fãs que admiram o teu trabalho até hoje, e que estão felizes por descobrí-la.





R: Quero dizer que tenho orgulho de ter participado dessa época inicial da dublagem, quando ainda se dublava com vários atores na bancada, quando a profissão ainda não era reconhecida. Era uma época onde tudo era feito com muito amor.
O ambiente de trabalho era muito bom, muitas brincadeiras e muita amizade.
Obrigada a todos que reconhecem meu trabalho, sempre fiz com muito carinho e verdade.
Um forte abraço a todos!


***Agradecemos a Antonieta Matos por este depoimento! Muito Obrigado!!**

**Reelembre um episódio do desenho Jackson Five:







**Colaboração: Gerson N. Ferreira



**Marco Antônio dos Santos**

















sexta-feira, 30 de outubro de 2009

MEMÓRIA AIC (12): OS MONKEES

OLNEY CAZARRÉ e MARCELO GASTALDI











ÉZIO RAMOS e ORLANDO VIGGIANI











The Monkees era uma série de TV no formato de uma sitcom criada aproveitando o momento histórico e o sucesso que a banda inglesa “The Beatles”, que estourava nos Estados Unidos e fazia sucesso no mundo inteiro. Em vista disso, alguns produtores resolveram produzir um seriado para a televisão que pudesse ao mesmo tempo dar entretenimento e difundir as músicas de uma banda, ainda a ser formada.



Finalmente, chegaram a quatro perfis diferentes compostos por Mike Nesmith, que além de músico era um ótimo compositor, Peter Tork que conseguia tocar vários instrumentos, Davy Jones que já fazia parte do elenco de atores do estúdio e Micky Dolenz, que possui um bom timbre para vocal, além de já ter sido ator quando criança, estrelando a série “O Menino do Circo” e filho de um famoso ator.


Aos poucos, a série foi ganhando respeito e os resultados começaram a aparecer. Suas músicas começaram a ser aclamadas pelo público, assim como os episódios da série que passaram a agradar a todos, devido a sua ingenuidade, juntamente com as suas maluquices, bem ao estilo dos anos 70, com um humor leve e gostoso. O grupo fazia várias turnês e concertos a cada lançamento de um novo disco, angariando ainda mais o número de fãs.


Com o passar do tempo, Mike e Peter resolveram deixar a banda e seguir seus próprios caminhos e foram substituídos pela dupla Boyce & Hart. Pouco tempo depois Peter retornou, mas Mike seguiu seu caminho solo e obteve um grande sucesso dentro da música country. O espetáculo foi apresentado originalmente nos Estados Unidos, pela rede NBC, entre 12 de setembro de 1965 a 19 de agosto de 1968, num total de 58 episódios. Oficialmente a banda acabou em 1971.


A série estreou pela extinta TV Excelsior de São Paulo.

A dublagem de Os Monkees foi realizada pela AIC, e foram escolhidos quatro jovens dubladores:


Davy (Davy Jones): Ézio Ramos

Micky (Micky Dolenz): Olney Cazarré

Mike (Michael Nesmith): Orlando Viggiani

Peter (Peter Tork): Marcelo Gastaldi


Mesmo sendo jovens dubladores, deram o tom certo de comédia e do estilo dos jovens daquela época. Infelizmente, todos já faleceram, com exceção de Orlando Viggiani.


Aqui, temos um trecho dos Monkees dublado e que conta com a participação da dubladora Maria Inês:




**Marco Antônio dos Santos**

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (66): JOÃO ÂNGELO











João Ângelo foi mais um extraordinário dublador que pisou nos estúdios da AIC.




Infelizmente, há anos procuramos a sua biografia antes de iniciar na dublagem, mas não encontramos absolutamente nada!




Pelos registros sonoros, João Ângelo ingressou na AIC por volta de 1967, ano de muitas alterações de dubladores, conforme já comentamos neste blog.




A sua voz e interpretação nos deixam muitas saudades das séries de tv que assistíamos. Ele conseguia ser um terrível mal-feitor, um fora da lei, impiedoso. Em outra séries a comédia era o seu forte como em A Feiticeira e Jeannie é um Gênio.




Há dois trabalhos realizados pelos quais é muito lembrado: a 2ª voz do Dr. Macoy em Jornada nas Estrelas (2ª e 3ª temporadas) e o co-piloto Dan da série Terra de Gigantes.




Muito curioso, que em todos os seus trabalhos a voz era a mesma, mas parecia outro dublador, tamanha integração com o personagem. Sem dúvida, as saudades são bem grandes pela dublagem que realizou em Jornada nas Estrelas, dando um tratamento diferenciado, irônico, algumas vezes em suas discussões com o sr.Spock. Repitimos aqui, o absurdo imperdoável da perda dessa dublagem.




Depois, com o declínio da AIC, ainda verificamos João Ângelo em programas educativos pela TV Cultura de São Paulo e citam uma novela (embora a revista não cite o título) que teria feito um pequeno personagem na extinta TV Tupi no início da década de 1970.








Relacionamos aqui seus personagens fixos em séries de tv, mas lembrando que também participou de dezenas de filmes.




Personagens fixos em séries de tv:




*Dr. Macoy em Jornada nas Estrelas (2ª e 3ª temporadas)**




*Murdoch Lancer (2ª voz), substituindo Carlos Alberto Vaccari**




*Dr. Bombay na série A Feiticeira*




*General Schaeffar na série Jeannie é um Gênio**




*Co-piloto Dan na série Terra de Gigantes**








Como convidados em séries: Daniel Boone, Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço, etc








Há um período, década de 1970, da qual não conseguimos apurar nada! Mas João Ângelo retornou para a dublagem com as séries japonesas e animes, já em meados da década de 1980.




Dublou:




*Hennya em Samurai X**




*Dominantes em SpectremanCicrano na "Parada"


Atualmente, segundo consta, participa como diretor de dublagem no estúdio Dubla Vídeo.





Infelizmente não conseguimos encontrar nehum áudio das séries que dublou na AIC no YTB.




João Ângelo, um nome que deveria constar na categoria de excelente artista brasileiro, porém aqueles que conhecem o seu trabalho, reconhecem o mérito.








**Marco Antônio dos Santos**




domingo, 25 de outubro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (65): DRAUSIO DE OLIVEIRA




capitão Burton








Drausio de Oliveira é mais um nome marcante da AIC e, atualmente, na dublagem.





Segundo informações, fornecidas por ele próprio, seu início foi logo que a AIC efetivamente ganhou o mercado da dublagem.










Em nossos arquivos sonoros, encontramos pontas nos desenhos Os Flintstones, Os Jetsons e Jonny Quest. Entre 1962 e 1965, praticamente só dublava muitas pontas nas séries de tv, filmes e desenhos. Entretanto, fez participações muito marcantes como na série Jornada nas Estrelas.










Mas surge a série Jeannie é Gênio e Drausio ganha o personagem Major Healey. Uma fantástica interpretação para comédia ao lado de um elenco excelente: Líria Marçal, Flávio Galvão, Xandó Batista, etc.










Aqui temos uma declaração de Drausio de Oliveira sobre o personagem Major Healey:










"Olha, foi muito interessante. Era divertido, existia muita afinidade entre eu e o restante do elenco. Dessa forma, a interpretação tinha um ganho - às vezes uma piada que era traduzida ao pé da letra e ficava ruim era adaptada ali na hora. Então, um improvisava a piada e outro a resposta. E tinha que ser desse jeito, pois era uma comédia. Esse trabalho me marcou muito." Fonte: Henshin










Em 1968/69 surge um outro personagem fixo que fez enorme sucesso, aqui já no gênero ficção científica: capitão Burton da série Terra de Gigantes. Nessa época também já exercia a direção de dublagem em algumas ocasiões.










Mas, os seus personagens como convidados especiais em séries de tv sempre foram inesquecíceis, até pelo tom assustador, quando necessário, ou pela interpretação realizada.





Relacionamos:





*alienígena no episódio "Invasores da 5ª dimensão" na 1ª temporada de Perdidos no Espaço.**





*alienígena no episódio "O Homem Sombra" na 3ª temporada de Viagem ao Fundo do Mar.**





*um japonês desequilibrado no episódio "A Morte é um jogo" na série O Túnel do Tempo.**





*participou de dois episódios da 1ª temporada de Jornada nas Estrelas: "As Selvagens", onde dubla o capitão Pike e no episódio "O Senhor de Gothos".










Participou das séries Super Vicki e The Nanny e, atualmente, é diretor do estúdio Centauro em São Paulo.










**Aqui, encontramos as suas duas participações em Jornadas nas Estrelas, dublagem infelizmente desaparecida:



***AS SELVAGENS/PARTE 2:

http://www.youtube.com/watch?v=ojn_zUa8olw



***O SENHOR DE GOTHOS:


**Marco Antônio dos Santos**




sexta-feira, 23 de outubro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (64): FRANCISCO JOSÉ







Francisco José Correa nasceu em agosto de 1940. Ainda bem jovem a carreira artística estava florecendo e procurou diversos caminhos para ser ator. Sua chance maior para a televisão viria com o seriado Águias de Fogo, uma produção de Ary Fernandes, o mesmo produtor de O Vigilante Rodoviário. Apesar de não obter o mesmo sucesso que o seriado anterior, o jovem ator começava a se dar conta da sua correta escolha para a carreira.






Águias de Fogo necessitava ter um acabamento sonoro na AIC. Ainda precariamente, eram quase impossíveis de realizar externas com o som direto. Assim, os atores eram chamados para dublarem seus próprios personagens. Na época, segundo consta, Garcia Neto era o responsável, como diretor para a dublagem, e ocorre um fato curioso: apesar do empenho de Francisco José, ele foi aconselhado pelo diretor a que nunca tentasse a carreira de dublador, pois ele tinha vontade, mas não conseguiria transpor as suas dificuldades.






O tempo passou e Garcia Neto se afastou por um período da AIC. Nessa mesma época, a AIC estava procurando novas vozes e Francisco José inicia dublando pequenas pontas e depois personagens convidados em séries e em filmes. Há diversas participações nas séries Daniel Boone, Terra de Gigantes, etc.






Um dia, houve a necessidade de escolher uma outra voz fixa para o personagem Chefe Sharkey da série Viagem ao Fundo do Mar na 4ª temporada. Assim, reencontra Garcia Neto que foi o diretor de dublagem de diversos episódios dessa temporada. Desta feita, Francisco José fora escolhido e teve seu primeiro personagem fixo. O próprio Garcia Neto se divirtia muito com o fato, pois viu que a persistência do jovem dublador demonstrava que ele teria carreira.






E assim a carreira de Francisco José foi se desenrolando. Uma vez com as atividades encerradas da AIC, se transfere para o Rio de Janeiro e dubla durante quase 30 anos no estúdio Herbert Richers. Ali, dublou milhares de convidados em séries, filmes e desenhos. Um de seus personagens mais conhecidos foi Pantro em Thundercats. Mas houve All, a imagem virtual que auxiliava o Dr. Becket na série Contratempos. Já, tendo sido exibida penas pela tv a cabo, dublou o chefe de polícia da série Lei e Ordem. Um de seus últimos trabalhos foi dublar o mesmo chefe de polícia, cujo personagem foi transferido para a série Lei e Ordem: Unidade de Vítimas Especias.






Entretanto, atualmente não estamos ouvindo a sua dublagem, visto que por defender os seus direitos como dublador, não somente os seus , mas também os da classe, foi afastado da dublagem e segue com outro tipo de atividade artística.






Francisco José foi mais um dublador que deu os primeiros passos na AIC e fez uma excelente carreira. Infelizmente, a história de um profissional não é mais levada em conta, somente outros interesses mais escusos!






**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

SINDICATO DE LADRÕES

BORGES DE BARROS ********** ÉZIO RAMOS








Premiado com Oscars de melhor filme, roteiro, direção, fotografia, direção de arte, ator (Brando) e atriz coadjuvante (Eva Marie). Foi indicado a música, coadjuvantes (Lee JCobb, Karl Malden e Rod Steiger).O dramaturgo Arthur Miller se recusou a continuar participando do roteiro, porque brigou com o diretor Kazan quando este delatou seus ex-colegas de Partido Comunista perante a comissão de Inquérito do Congresso Schulberg. O roteirista também foi um dos que delatou os amigos. Por isso, o filme é considerado uma justificativa da delação e, a principio o próprio Brando não quis fazer o papel (e só aceitou porque Kazan foi seu descobridor e já tinham feito duas fitas juntos).








A maior parte dos personagens foi inspirada em pessoas reais: Brando em Anthony Di Vicenzo, Malden no padre John M Corrigan e Lee J Cobb no gangster Albert Anastasia. Muitos estivadores de verdade trabalharam como figurantes. Foi a estréia de Eva Marie e Balsam, além de ter sido a primeira trilha musical composta para o cinema do maestro Leonard Bernstein.








Por mais que se admire o diretor Kazan, não há como negar que aqui ele faz uma justificativa ou apologia da delação. Sua inegável importância é mais devido ao fato de que ele teve grande influência no estilo de representar de toda uma geração, influenciada pelo chamado o "Método" de representação do Actor´s Studio. Foi um filme pesquisado, baseado numa série de reportagens e o autor fez um roteiro exemplar, ficando num meio termo entre documentário e romance. É um filme de denúncia onde certas cenas são admiráveis, assim como a fotografia de Kauffman , em especial na fuga noturna.






A dublagem realizada pela AIC é extraordinária, todos os dubladores participam no mesmo nível
de interpretação, dando ao filme uma característica mais contundente. Borges de Barros foi perfeito para dublar Lee J. Cobb. Mais uma dublagem digna de méritos, assim como Ézio Ramos!






O elenco de dubladores:






Marlon Brando (Terry Malloy): Ézio Ramos



Lee J. Cobb (Johnny Friendly): Borges de Barros



Rod Steiger (Charley Malloy): Francisco José



Eva Marie Saint (Edie Doyle): Lucy Guimarães



Pat Henning (Timothy J ‘Nocaute’ Dugan): Gilberto Baroli



Tami Mauriello (Tullio): José Soares



Outras Vozes: Garcia Neto, Marcos Miranda, Carlos Campanile, João Paulo Ramalho, Sandra Campos.






**Este filme já está disponível em DVD, porém, infelizmente, não traz a dublagem da AIC.






**Marco Antônio dos Santos**

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

JONNY QUEST: UMA DUBLAGEM IMPECÁVEL

SAMUEL LOBO***

***RAFAEL CORTÊZ











É um tanto comum encontrarmos substituições de dubladores, por diferentes razões: séries ou desenhos com muitas temporadas, dubladores que obtiveram um convite para participar em teatro, tv ou cinema.









Jonny Quest, produção de Hanna Barbera (1964-1965), teve apenas 26 episódios, os quais foram dublados no final do ano de 1965 e início de 1966. A escalação do elenco ficou com Amaury Costa, um diretor que primou com este trabalho.









Na realidade, Jonny Quest revolucionava a televisão na época. Um desenho repleto de aventuras para crianças e pré-adolescentes. Seus produtores se inspiraram nos quadrinhos de gibis. A produção do desenho ficou caríssima, pois cada episódio, todos os desenhos que funcionavam como cenários, necessitavam ser totalmente alterados. Os aviões, carros, pessoas tinham sombras. Muito diferente das produções anteriores de Hanna Barbera como Os Flintstones, Os Jetsons e Manda-Chuva, onde o personagem corria e o cenário de fundo era sempre o mesmo. Os mesmos cenários poderiam ser utilizados em diversos episódios. Em Jonny Quest isso era impossível e, apesar do enorme sucesso, o custo da produção não permitiu, na época, mais uma temporada.









A dublagem brasileira da AIC foi uma das mais bem cuidadas para um novo estilo de desenho.




Amaury Costa escalou:




Rafael Cortez Neto para Jonny Quest, Olney Cazarré para Hadji, Dênis Carvalho para Roger Banon e o Dr. Quest ficou com o próprio Amaury Costa. A narração de abertura com Ibrahim Barchini.









O mais curioso da dublagem é que ela trouxe praticamente os mesmos dubladores, dublando os convidados, mas houve o cuidado de em um episódio ser o vilão e, em outro, ser um cientista, um policial, etc. O que gerou a impressão de que houve diversos dubladores participando.









Analisando os episódios, relacionamos os dubladores que atuaram nesse desenho, ora do lado do Mal, ora do Bem. São eles: Waldir Guedes, Luís Orioni, Luís Pini, Older Cazarré, Batista Linardi, Magda Medeiros, Magno Marino, Drausio de Oliveira e, principalmente, Samuel Lobo.









Samuel Lobo era tradutor, porém ficou conhecidíssimo ao dublar Curly em Os 3 Patetas. Aparentemente só teria feito algumas pontas em filmes, mas em Jonny Quest participa de quase todos os episódios, dublando vilões terríveis, serviçais apavorados, chefes de polícia, etc.




Neste desenho, Samuel Lobo demonstra uma capacidade fantástica para a elaboração de diferentes vozes. Este blog já abordou o seu trabalho em "Dublador em Foco (11): Samuel Lobo", no dia 11/09/2008, aqueles que quiserem maiores informações poderão pesquisar.







Assim, Jonny Quest é uma obra-prima em animação, pois muitos americanos cartunistas foram influenciados pelo desenho, e também pela dublagem uniforme, comedida, adequada para um desenho de aventuras, um produto totalmente diverso dos demais desenhos, o qual foi esplendidamente dublado pela AIC e, nos registra as diversas facetas que Samuel Lobo produzia.


"Valeu Samuca"




**Marco Antônio dos Santos**

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O PRIMEIRO DUBLADOR DE PEPE LEGAL













David Neto se chamava David Garófalo Neto. Nasceu em 1929.


Sempre quis ser ator e em 1952 fez o filme: "João Gangorra". Mas queria trabalhar em televisão e apareceu na Televisão TUPI, em 1953. Ali ficou muitos anos. Era diretor de estúdio, função muito importante, quando a televisão era toda feita ao vivo e diretor de estúdio é que tinha o "Script" e a direção na mão. Mas David Neto era também ator.










E fez: "Sangue na Terra"; "As Aventuras de Red Ringo"; "O Falcão Negro"; "Encruzilhada"; "Miguel Strogof"; "O Conde de Monte Cristo". Ao mesmo tempo participou de vários filmes. Atuou em: "O Circo chegou à Cidade"; "O Sobrado"; "Uma História de Ballet". Mas fazia seu trabalho na TV TUPI, como diretor de estúdio e ator.










Fez vários "TVs de Comédia" e "TVs de Vanguarda". Ao mesmo tempo fez os filmes: "Chão Bruto"; "Rei Pelé"; "O Vendedor de Lingüiças".










Bem no início da AIC, David Neto foi o primeiro dublador do personagem Pepe Legal, convidado por Older Cazarré, mas apesar da sua extraordinária caracterização do personagem, David Neto preferiu ir para as novelas que iniciavam com força total por volta de 1963/64 Assim, ele é substituído por Amaury Costa.










Esta informação foi somente revelada nos últimos meses numa entrevista de Roberto Barreiros num programa de rádio, onde afirmou ter dublado Babalu, em diversos episódios do desenho, ao lado de David Neto. Esta informação esclarece categóricamente um equívoco. Em diversos sites, sempre fora atribuída à 1ª voz de Pepe Legal ao ator Lima Duarte, porém nunca concordamos, uma vez que não há nenhum timbre sonoro de sua voz em Pepe Legal.










David Neto fez algumas novelas na TV Excelsior: "A Outra Face de Anita"; "Indomável"; "Ninguém Crê em Mim"; "As Minas de Prata". Nesse tempo fez os filmes: "O Santo Milagroso"; "Cangaceiros de Lampião"; "O Anjo Assassino"; "Vidas Estranhas". Foi então para a TV Record, onde fez: "A Última Testemunha"; "Algemas de Ouro"; "As Púpilas do Senhor Reitor"; "Quarenta Anos Depois"; "Os Deuses estão Mortos"; "O Tempo não Apaga".










Na TV TUPI em: "O Julgamento"; Um Sol Maior". Aí vieram os filmes: "Noites em Chamas"; "A Noite dos Duros"; "Jeca e seu Filho Preto"; "O Outro Lado do Crime". E, por último: "Dama da Zona." Era o ano de 1979. David Neto, com 50 anos, veio a falecer de repente. Em 10 de outubro de 1979.










Apesar de ter dublado somente este personagem, David Neto encantou milhares de crianças durante muitos anos e, atualmente, os adultos.










O nosso Muito Obrigado!!!










Aqui um vídeo do desenho Pepe Legal dublado por David Neto e Roberto Barreiros (Babalu), além da narração de Rogério Márcico:




















**Marco Antônio dos Santos***




quinta-feira, 15 de outubro de 2009

MEMÓRIA AIC (11): QUEM SE LEMBRA DE DENNIS, O PIMENTINHA ?



























Conta-se que o personagem O Pimentinha nasceu num belo dia, quando o desenhista Hank Ketcham escutou a sua mulher gritar para ele "o teu filho é uma ameaça" diante da bagunça que havia provocado no seu quarto, o que inspirou ele a criar em 1951 uma tira denominada Dennis the Menace, que acabou se transformando provavelmente nos últimos 50 anos, numa das melhores tiras cômicas da história que melhor conseguiu captar o "American Way of Life" e imortalizar a época dourada dos anos cinqüenta.


Um ano depois do acontecido em 1952, Dennis the Menace já era apresentado ao público em 16 jornais. Sua popularidade cresceu de forma desmesurada nos anos que se seguiram, sendo adaptada até para a televisão e apresentado originalmente pela CBS entre 1959 até 1963. No Brasil, esta série foi apresentada pela extinta TV Tupi e, posteriormente, pela TV Record com o título de O Pimentinha, tendo sido a sua última exibição no Brasil no dia 31 de março de 1971. Também nessa mesma época circulavam gibis do travesso garoto, admirado por pessoas de diversas idades. A série sempre foi líder de audiência, porém tinha o "grande pecado" de ter sido totalmente produzida em preto e branco e a nossa tv partiu para somente produções coloridas na década de 1970.


A série da televisão mostrava as peripécias de Dennis Michel, filho único de Alice Michel e Henry Michel, uma típica família de classe média dos anos 50 e 60. Dennis era um garotinho agitado, gostava de andar sempre com o estilingue no bolso de trás da calça, mas não era um garoto ruim. Ele adorava de ser prestativo e fazer coisas para os outros, mesmo que não solicitadas, sempre na melhor das intenções. O único problema é que tudo que ele fazia, na maioria das vezes acabava gerando uma série de confusões, principalmente para o irritadiço Sr. Wilson, ou melhor George Wilson.


Sr. Wilson era casado com Marta, uma mulher doce e amável que sempre enxergava as boas intenções do garoto, por isso nunca o recriminava e tentava explicar ao marido para que ele pudesse ficar um pouco mais calmo, depois que Dennis aprontava alguma para cima dele. Eles eram um casal já de bastante idade. A única coisa que George Wilson queria a essa altura da vida era ter uma vida sossegada, cuidar do seu jardim e ler o seu jornal matinal tranqüilamente.


Mas o que geralmente acontecia era sempre o contrário, não tinha um dia sequer que o pimentinha do Dennis não arrumava uma para cima dele, o deixava ele furioso. Ele não via a hora de agarrar aquele garoto e dar umas boas palmadas e ao que Dennis sempre respondia: "Eu só queria brincar!". A série girava praticamente em torno das peripécias de Dennis, que de alguma forma acabavam estourando no colo do Sr. Wilson, que virava uma fera. Em casa, Dennis era considerado um santinho pelo seu pai, que tinha uma paciência danada com ele e compreendia tudo que Dennis fazia, afinal ele só ficava com o filho somente a noite e nos finais de semana quando o garoto estava mais tranqüilo. Henry Mitchel era um engenheiro da aeronáutica e praticamente ficava no trabalho, quase o tempo todo em que o filho aprontava das suas.


A mãe de Dennis, bem que tentava colocar um pouco de juízo na cabeça de seu filho, falando com ele com muita energia, mas mãe é mãe e por mais que o filho fosse um "pestinha" ela tentava compreender e dar carinho ao filho. Quem tinha mesmo paciência com Dennis era a Dona Marta, mulher de George, que sempre tratava o garoto com muito carinho. Talvez enxergasse em Dennis, o neto que ela nunca tivera.


Dennis também contava com sua turminha para fazer as suas brincadeiras. A galera era composta por Joey, Tommy, Margaret e o cachorro Ruff companheiro de todas as horas. Essa turminha sempre participavam do espetáculo, eram o elenco de apoio que dava sustentação as traquinagens de Dennis. Durante a última temporada George e Marta Wilson deixaram o bairro, mas o irmão de George chamado John Wilson (Gale Gordon) veio morar na casa deixada pelo irmão e se tornou a nova vítima de Dennis.



Conta-se que isto aconteceu porque o ator Joseph Kearns (que interpretava George Wilson) não estava bem de saúde e teve de ser afastado, vindo a falecer em 17 de Fevereiro de 1962 de derrame cerebral, o que também pode ter contribuído para o encerramento prematuro da série, pouco tempo depois. Uma outra causa pode ser porque Jay North (Dennis), que já estava com 11 anos de idade, estava começando a crescer demasiadamente e não parecia tanto um garotinho travesso.


A dublagem da série na AIC:





Esta série, apesar de ter terminado em 1963, chega ao Brasil em meados de 1967, sendo exibida pelas emissoras citadas até 1971.





A dublagem deu um brilho especial aos personagens:





Dennis foi espetacularmente dublado por Maria Inês, a qual sempre o cita com carinho.





O pai de Dennis: Wilson Ribeiro.





A vovó Mitchel dublada por Judy Teixeira.





Quanto ao sr George Wilson foi dublado primeiramente por José de Freitas, sendo substituído por Wilson Kiss.










Aqui, temos uma cena desta série dublada pela AIC, para recordarmos:
























**Marco Antônio dos Santos**

AS FASES DA AIC



Uma das tarefas mais complexas é traçarmos as fases bem distintas que a AIC teve em seus quase 14 anos de existência. Praticamente não há documentos que comprovem o seu início, a sua fundação e a data exata da extinção.

No transcorrer desses anos, a AIC foi palco de inúmeros dubladores que por lá passaram, alguns brevemente, esporadicamente. Outros permaneceram na empresa por anos: são aquelas famosas vozes tão conhecidas e lembradas até os dias de hoje.

Baseando-nos, apenas nos arquivos sonoros, e pelas datas das produções dubladas e , principalmente, pelos dubladores que participaram, esboçamos as fases possíveis que a AIC passou. É bom frisar que este esboço é um resultado de pesquisas realizadas no transcorrer do tempo. Evidentemente, o seu resultado não representa 100% das fases da AIC, mas se aproxima o máximo possível. Lembrando que não há documentos sobre o período.

O estúdio Gravasom foi criado em 1958, ainda com pouca produção, consegue dublar desenhos, mas é a partir de 1961 (com a obrigatoriedade da lei da dublagem na tv), que se inicia um processo imenso de filmes e séries de tv para dublagem. Dessa forma, nota-se, sobretudo pela qualidade sonora, que a AIC tenha iniciado o seu trabalho em 1962. Não encontramos a precisão da data, porém já se encontra produções dubladas pela AIC nesse ano. Podemos citar os desenhos Manda-Chuva, Os Jetsons e Os Flintstones.

AS FASES BEM DISTINTAS DA AIC:

1ª FASE - (1962 - 1967): Esta fase é marcada por ser muito radiofônica. Há aqui, claramente, a influência da rádionovela. A maioria de seus dubladores são oriundos do rádio, principalmente a rádio São Paulo, de onde Wolner Camargo convidou diversos. Nesta fase, surgem também dubladores que seguiririam a carreira de ator, alguns se transferem para o Rio de Janeiro com o início da TV Globo.

O ano de 1967 é marcado, notóriamente, pela alteração de dubladores. Há a saída de diversos para a televisão e para outros estúdios de dublagem que iniciavam no Rio de Janeiro. Neste ano há algumas alterações de vozes em diversas séries. Há a saída de Wolner Camargo, porém Older Cazarré assume a direção artística e traz uma nova safra de dubladores, não exclusivamente do rádio, mas de atores que iniciavam nas novelas da época. Assim, são revelados novos nomes e a dublagem perde a influência do rádio.

2ª FASE - (1967 - 1972): Nesse período, a AIC se consolida como o estúdio que mais dublagens realiza para a televisão. O estúdio que já vinha da 1ª fase com grande qualidade e excesso de dublagens, praticamente trabalha quase que 24 horas por dia, sem perder a qualidade. Aqui, como a nossa televisão estava mais popular, o número de filmes e séries de tv aumenta.

3ª FASE - (1972 - 1976): Esta fase já mostra o estúdio em declínio, principalmente a partir de 1974. Aqui, a AIC não consegue competir mais com o estúdio Álamo, recém-inaugurado, e, principalmente com a Herbert Richers, uma vez que houve o declínio financeiro da TV Record e Tupi, a falência da TV Excelsior e a ascenção da TV Globo no Rio de Janeiro. Há uma perda de mercado, muitos dubladores se transferem para o Rio de Janeiro, outros dublam na Álamo. A AIC não consegue sanar as suas enormes dívidas, principalmente com o antigo INPS, e até com dubladores. Assim, ela já era uma massa falida quando um outro grupo a adquire.

Surge assim um novo estúdio, a BKS, no mesmo endereço, porém nunca conseguiu ter a continuação do brilho que o estúdio anterior teve.

Na vida há momentos mágicos, os quais jamais consiguimos repetir, a AIC foi um !!!!!

**Marco Antônio dos Santos**

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (63): JOSÉ MIZIARA



























O ator e diretor José Miziara nasceu em Barretos, SP, em 1935.

José Miziara começou no teatro, como ator, em 1954, ingressando logo após no Circo Piolim.

Na televisão, trabalhou como ator, criador de programas humorísticos, diretor de shows, séries, teleteatros e telenovelas.


Foi diretor artístico nas companhias de dublagem AIC (São Paulo) e Cine-Castro (Rio de Janeiro). Na AIC, teve seu grande desempenho dublando O Besouro Verde ao lado de Ézio Ramos que dublou Bruce Lee. Infelizmente, a série só teve uma temporada com 26 episódios.



Dos cerca de 900 filmes de longa-metragem produzidos no Brasil na década de 1970, aproximadamente 2/3 (ou algo em torno de 600 títulos) eram pornochanchadas. Foi na Boca do Lixo --(região em São Paulo no bairro da Luz -- que a pornochanchada se desenvolveu, dando origem a diversos sub-gêneros, como a própria comédia erótica – à qual o termo é mais comumente associado –, o pornodrama, o porno-horror, o pornopolicial, o pornowestern e mesmo o porno-experimental (de Reichenbach).

José Miziara dirigiu diversos títulos da pornochanchada, em diversos subgêneros, sendo o título mais conhecido hoje "O bem dotado, o homem de Itu" (1977). Ele dirigiu o último episódio - "O Furo", com Jece Valadão e Nádia Lippi - dentro do "Ninguém Segura Essas Mulheres", único filme dos Estúdios Silvio Santos.


Silvio ficou entusiasmado com a direção de José Miziara e o convidou para dirigir sua primeira produção de dramaturgia para TV, a novela "O Espantalho" da autora Ivani Ribeiro. Como diretor de cinema dirigiu dezenas de filmes durante as décadas de 1980/90.

Eventualmente, participa do programa A Praça é Nossa pelo SBT.


José Miziara um artista que demonstrou seu talento em novelas, direção de cinema e também na dublagem, com uma voz sonora, enriqueceu a interpretação de Van Williams na série O Besouro Verde. Mais um artista que fez uma diversificada carreira, e que passou pela AIC.
A série O Besouro Verde pertence ao estúdio Fox, o qual não permite divulgação de imagens de seus arquivos. Assim, encontramos um trecho da novela produzida pela TV Globo Fogo Sobre Terra, de 1974, na qual José Miziara participou. Neste trecho, poderemos recordar as atuações de Dina Sfat e Jardel Filho, além da presença da pequena Rosana Garcia (futura Narizinho).
**Marco Antônio dos Santos**

DUBLADOR EM FOCO (62): GILBERTO BAROLI



























Gilberto Baroli é outro grande exemplo de um artista que seguiu uma extensa carreira na dublagem em São Paulo. Mais um nome que começou na AIC.

Segundo algumas informações, Gilberto Baroli ingressa na AIC como tradutor de italiano e inglês, mas também com uma enorme vontade de tentar a dublagem.

Dessa forma, surgem pequenas pontas em desenhos, porém a sua grande oportunidade viria com a saída de Amaury Costa da AIC.


Ainda durante o rítmo acelerado da dublagem da série Perdidos no Espaço, Baroli é escalado para continuar dublando o robô. Sendo a 4ª voz, ele inicia no episódio nº 74 "Robinson nº 2" indo até o nº 83 "A Enorme Sucata do Espaço", o último da série. Em uma entrevista para fãs, Baroli confessou que "quando estava pegando e gostando da coisa, a série terminou", pois trabalhou pouco tempo ao lado de Borges de Barros, Helena Samara etc.

Também, ainda começando em dublagem afirmou "fui muito feliz em sincronizar a fala com as luzes do robô, mais fáceis do que as bocas dos atores".


Daí em diante, Baroli passou a ser um dublador convidado para diversas séries de tv, filmes. Participou de muitos episódios de Daniel Boone, Batman e Robin, Terra de Gigantes, Jeannie é um Gênio, etc.

E logo chegou à direção de dublagem.


Com o encerramento das atividades da AIC, Baroli continuou na dublagem, participando dos estúdios que começaram a surgir, sobretudo a Álamo, onde desenvolveu diversos trabalhos:



Como dublador:


Satã - A Princesa e o Cavaleiro
Henry - Punky - A Levada da Breca (Desenho)
Sargento Ibuki - Changeman
Aigaman, Zamurai, Silk e Gassami Nº1 - Jaspion
Dokusai (2ª voz)[1] - Jiraya
Chefe Sugata - Maskman
Fantasman (Youki no original) - Spielvan
Alfa Tascan e Beta Dogla - Metalder
Dócrates, Phiton (20 a 22 primeira dublagem) Mouses de Baleia, Babel de Centauro, Capela de Auriga, Algol de Perseu (episódio 36, primeira dublagem), Aiolos de Sagitário (episódio 41, primeira dublagem) Saga de Gêmeos[2], Aioria de Leão (episódio 63), e Kanon de Dragão Marinho/Gêmeos - Os Cavaleiros do Zodíaco
Diavolo (Rajura no original;1ª voz) e Scorpio (Arago no original) - Samurai Warriors
Dunga - Branca de Neve e os sete anões
Narrador e Hudler (2ª voz, substituíndo João Paulo) - Fly: O Pequeno Guerreiro
Dodória - Dragon Ball Z
Doutor Myuu - Dragon Ball GT
Seu Barriga e outros personagens de Edgar Vivar - Chaves (DVDs)
Kilokhan ou Kah Degifu em (Super Human Samurai Syber Squad, Gridman)
Avô em Vandread
Senador Ron Davis em Resident Evil: Degeneration
Participações em Esquadrão Classe A



Direção de Dublagem: Filmes


Ano
Título
1984
Os Caça-Fantasmas


Seriados:
Ano
Título
1988
Samurai Warriors
1988
Jaspion
Referências:
A partir do episódio 17, substituindo Líbero Miguel, devido ao falecimento deste.
Na primeira dublagem a partir do episódio 52, substituindo Walter Breda) e na segunda dublagem em todos os episódios.
Aqui, um exemplo da arte de Gilberto Baroli, em um desenho, demonstrando a grande escola que foi a AIC.
**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (61): JORGEH RAMOS


















































Jorgeh Ramos possui uma extensa carreira na dublagem. Muito conhecido, nos últimos anos, por narrar a propaganda de um filme para o cinema, esteve também, por um período curto, no estúdio da AIC.







Segundo nossos arquivos sonoros, sua passagem pela AIC data de 1966/67, onde sempre foi muito requisitado para dublar vilões, cientistas obsecados, etc. É dessa época as suas participações em séries como : Missão Impossível, Big Valley e, principalmente, a 2ª temporada de Viagem ao Fundo do Mar onde esteve presente quase em 50% dos episódios. Em todas as suas participações o vilão era dado para ele.







Ao ser lançada no Brasil em dezembro de 1966, a série Perdidos no Espaço trouxe um personagem muito diferente: um robô. Uma das maiores sensações da série para a garotada, Jorgeh Ramos é escalado para dublá-lo a partir do episódio nº 4 (Terra de Gigantes) indo até o episódio nº 19 (O Fantasma do Espaço), sendo a partir daí substituído por Amaury Costa. O curioso é que nessa fase de Perdidos no Espaço, o robô também era meio vilão, uma vez que seguia as ordens do Dr. Smith.







Jorgeh Ramos saiu de Perdidos no Espaço, porque saira também da AIC, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde participa ativamente como dublador e diretor de dublagem no estúdio TV Cine Som. A série Os Invasores reúne, talvez, o maior número de participações, uma vez que o estúdio estava iniciando e possuía um número ainda pequeno de dubladores.







Com o encerramento da TV Cine e Som, Jorgeh Ramos emigra para a Herbert Richers, onde também foi diretor de dublagem e dublou personagens importantes, todos no início da década de 1970. São desse período a dublagem de Lee Majoors na série "O Homem de Seis Milhões de Dólares" (1ª voz), assim como a de Ralph White (John Walton) também a 1ª voz e diversas participações em filmes e outras séries como, por exemplo, Columbo.




Os desenhos não ficaram de fora, assim Jorgeh Ramos dubla Dom Pixote em "A Turma de Zé Colméia", "Carangos e Motocas", "Grande Polegar, detetive particular", etc.




A partir do final da década de 1970, é convidado a ser o narrador para os traillers dos filmes que seriam exibidos no cinema. Trabalho que ainda realiza.




A dublagem volta a pedir vilões para os desenhos Disney. Assim, desde a década de 1990 fez diversos, tais como : Jafar no desenho Aladim, e um dos mais inesquecíveis trabalhos, o leão Scar, em O Rei Leão. Dessa forma, surgiram outros vilões em desenhos para o cinema, como Rasputin em Anastácia.







Aqui, temos uma dublagem realizada na AIC. O seriado realizado para o cinema "Marte invade a Terra", traz Jorgeh Ramos dublando o ator que está de chapéu com a arma e conversa com um invasor marciano. Curiosamente, parece não ser o vilão.










http://www.youtube.com/watch?v=PeiLxTVUkhg



Aqui, encontramos traillers de filmes narrados por Jorgeh Ramos, numa entrevista dada à extinta TV Manchete, em 1993.



http://www.youtube.com/watch?v=zKFORS5_Iyc




**Marco Antônio dos Santos**

sábado, 3 de outubro de 2009

REVENDO A DUBLAGEM DE OS FLINTSTONES

A dublagem do desenho Os Flintstones é muito curiosa e procuramos analisá-la episódio por episódio e encontramos situações, no mínimo, que contradizem muitos sites especializados.



1ª Temporada: Aqui temos a abertura de Fred guiando seu carro com pressa para chegar em casa e ligar a sua tv. Os dubladores são Marthus Mathias (Fred), Rogério Márcico (Barney), Helena Samara(Wilma). Quanto à personagem Bety, Nícia Soares a dubla nos 8 primeiros episódios e, em seguida, é substituída por Laura Cardoso até o final da temporada.



2ª Temporada: Nesta temporada continua a mesma abertura e os mesmos dubladores para Fred, Barney, Wilma e Bety. A curiosidade aqui são as participações de Nícia Soares dublando, eventualmente, alguns personagens que surgem em poucos episódios.



3ª Temporada: Inicialmente com a mesma abertura nos dois primeiros episódios. A partir daí vem a abertura de Fred saindo do seu trabalho e levando Wilma e Dino para o cinema. No final da temporada, após o nascimento de Pedrita, ela é incluída na abertura.

A dublagem aqui se apresenta: Marthus Mathias (Fred), Helena Samara (Wilma), Rogério Márcico (nos dois primeiros episódios), sendo substituído por Waldir Guedes, Laura Cardoso coontinua com Bety e Nícia Soares faz personagens , como uma enfermeira do hospital, no dia de nascimento de Pedrita, mas retorna a dublar Bety no finalzinho da temporada, saindo Laura Cardoso definitivamente.

OBS. Na 2ª e 3ª temporadas o personagem Arnoldo é frequentemente dublado por Garcia Neto, já o sr. Pedregulho temos Waldyr de Oliveira o mais frequente, mas há episódios até dublados por Waldir Guedes na 2ª temporada e Raimundo Duprat.



4ª Temporada: A abertura continua a mesma, porém são incluídos Barney, Bety e Bam-Bam, a partir da sua adoção. Nesta 4ª temporada, temos a impressão de que houve um espaço de tempo maior entre esta e a 3ª temporada para realizar a dublagem, pois há uma grande modificação de dubladores do desenho e daqueles que participam. Aqui já surgem Drausio de Oliveira, Bruno Neto, Carlos Campanile, Older e Olney Cazarré, enquanto nas anteriores temos Luis Orione, Lutero Luis, Rachel Martins e, principalmente, Raimundo Duprat que faz diversas vozes com tons muito diferentes.

Já os dubladores fixos temos a presença de Marthus Mathias apenas nos seis primeiros episódios, sendo substituído por Alceu Silveira, o qual segue nas próximas temporadas. Helena Samara continua dublando Wilma, Bety é dublada inicialmente por Nícia Soares, porém logo é substituída por Aliomar de Matos praticamente no mesmo período em que o dublador de Fred é substituído também. Pedrita fica com Cristina Camargo e Bam-Bam com Older Cazarré.

O fato mais curioso desta temporada é surgir um episódio onde Barney não é dublado por Waldir Guedes e, sim, por Neville George.



**As últimas temporadas: Seguimos com Alceu Silveira (Fred), Helena Samara (Wilma), Aliomar de Matos (Bety e Pedrita), Bam-Bam (Maria Inês), Gazoo (Wilson Ribeiro) e Barney (Neville George).



***Aqui há algo que não sabemos o motivo pelo qual ocorreu a inclusão do nome de Chiquinho Ferrão como sendo a 3ª voz de Barney. Sempre achamos que a voz pertencia a Neville George e perguntamos a 3 dubladores da AIC: Carlos Campanile, Silvio Matos e, principalmente, Aliomar de Matos que teria dublado no mesmo período com Chiquinho Ferrão.

Segundo o dublador Carlos Campanile, ele assistiu ao teste de Neville George para Barney, o qual escolheu como base na dublagem de Rogério Márcico, além de lembrar-se dele também dublando Barney. Nunca conheceu Chiquinho Ferrão.



***Enviamos a nossa dúvida a Aliomar de Matos, pois a sua resposta nos daria a solução do mistério. Silvio Matos, dublador e técnico na AIC, enviou-nos o seguinte e-mail:



"Olá Marco Antonio, a Aliomar e nem eu conhecemos o Chiquinho Ferrão pessoalmente, realmente nessa época quem dublava o Barney era o Neville, e a referencia da voz para ele, Neville, era a do Rogério Marcico, ok?"



Acreditamos que houve um equívoco quanto à inclusão do nome de Chiquinho Ferrão, radialista da Jovem Pan, e não sabemos a origem, porém a palavra de Aliomar de Matos que dublou Bety juntamente com Neville George é categórica e esclarecedora!!!



****Aqui um trecho do episódio "A Máquina do Tempo" de Os Flintstones, onde Barney é dublado por Neville George, ouçam e verifiquem como ele tenta se aproximar de Rogério Márcico.
Além dos dubladores fixos encontramos: Flávio Galvão (cientista), Eleu Salvador (Cristovão Colombo) e Marcelo Gastaldi (marinheiro no tonel e valete no castelo):


http://www.youtube.com/watch?v=0T15_OlwMP0


***AGRADECEMOS A COLABORAÇÂO DOS DUBLADORES: CARLOS CAMPANILE, SILVIO MATOS E, PRINCIPALMENTE, A ALIOMAR DE MATOS***

**MUITO OBRIGADO**

**Marco Antônio dos Santos**

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

IMAGENS FUGIDIAS QUE RETORNAM!!





FOTO DE RITA CLEÓS NO FILME "MACUMBA NA ALTA", AO LADO DA ATRIZ QUE DUBLOU DURANTE TANTO TEMPO: ELIZABETH MONTGOMERY.



Às vezes penso que, com o passar do tempo, vamos perdendo muitas coisas, entre elas, a presença de pessoas queridas que conviveram conosco. Ao mesmo tempo, sinto que presenciei fatos, vi coisas, as quais foram próprias de uma época, de um período de minha vida!


Ao assistir Rita Cleós atuando no filme "Macumba na Alta" de 1958, voltaram em minha mente, como as imagens de um episódio, de forma nítida as suas atuações em novelas a que assisti durante a infância.


A estrela retornou com grande domínio em meu arquivo de artistas, aqueles que nos dão prazer em sempre revê-los. Imediatamente veio a novela O Cara Suja, onde atuava ao lado de Sérgio Cardoso na extinta TV Tupi e, retornaram as suas cenas fazendo-me como que, por um segundo, revê-la à minha frente.


Nossas mentes são incontroláveis e, de repente, também a vi ao lado de Francisco Cuoco na famosa novela Redenção, em Legião dos Esquecidos, Sangue do meu Sangue e fortemente interpretando D. Maria I, a rainha de Portugal, na novela Dez Vidas. Todas na extinta TV Excelsior, palco de artistas de enorme talento que seguiram diversos caminhos.


Talento: essa é a palavra para definirmos a atriz Rita Cleós. Além de iniciar no cinema, fez diferentes personagens em novelas e se demonstrou de forma gigantesca na dublagem.


Já ouvi a atriz Elizabeth Montgomery, a querida Samantha, com sua voz original e sinto que naquele universo de ficção está faltando alguém. Na festa que é assistirmos a série A Feiticeira, Rita Cleós não pode faltar!!!


O curioso é que, ao olhar para o passado percebi que o maior registro que temos é a dublagem de A Feiticeira, pois das novelas citadas nada restou. Agora, surge uma pérola perdida e esquecida no tempo: "Macumba na Alta".


Ao olharmos este filme de 1958, não podemos traçar os mesmos padrões do cinema atual, isso seria irracional, mas convido a todos a observar a leveza, a forma de se posicionar diante de cada ator e das câmeras, sua interpretação com a voz!


Aí veremos a estrela ainda engatinhando, porém tendo pleno domínio de uma atriz com experiência!!


Outo dia, disseram-me que a vida foi injusta com a Rita Cleós, pois a atriz ficou esquecida.


Não! Ela jamais foi esquecida. Ela entrou em milhares de lares com sua voz, sendo a nossa alma brasileira de Samantha, desde o final da década de 1960. Hoje, compramos DVDS para ouví-la! Ela nunca esteve tão próxima de todos nós!


A sua biografia já foi abordada neste blog em 11/09/2008 com o título "Dublador em Foco (04): Rita Cleós". Aqueles que quiserem poderão conhecer maiores detalhes.

**Aqui, através deste link vocês poderão assistir trechos do filme "Macumba na Alta" , onde há a presença de outros atores como: Fábio Cardoso, Jaime Costa, Felipe Carone, etc.

http://www.youtube.com/watch?v=2zbtAvUUhBY

***COLABORAÇÃO: THIAGO MORAES

**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

CURIOSIDADE AIC (22): TRAVESSURAS DE DUBLADORES







Pois, é....essa coisa de ascender as lamparinas da memória pra contar fatos tão passados é um grande exercício,rsrsss



Como estou um pouco sem assunto ( preguiça mesmo) vou contar pra quem não sabe que existe um amigo nosso, especialmente amigo dos dubladores, de todos, que é o Marco Antonio dos Santos, um apaixonado pela história da dublagem.



E hoje eu entrei no blog dele ( http://aiccinematografica.blogspot.com/) e fiquei então olhando a foto da AIC e me perdi no tempo...






Gente, são quarenta anos! É muito tempo!!! É como abrir uma tela onde as imagens vêm em cascatas de flashs aos milhões descarregando memória a baixo.






Tem uma cena sensacional onde eu fui a vítima da brincadeira : eu estava entrando naquele corredor térreo e na outra ponta do corredor, em minha direção, vinha Olney Cazarré, Marcelo Gastaldi, Hugo de Aquino ( que fim deu?) e mais alguém, não me lembro quem. Era uma algazarra só!



Eles vinham falando em um aparelho telefõnico ( aqueles de disco) e quando me viram estenderam o telefone pra mim dizendo que tinha uma ligação pra mim. E, a burra mentecápta aqui, atendeu!!!!






Naquele tempo, nem os fios dos aparelhos eram longos, daí a total impossibilidade do aparelho estar funcionando, claro!Foi tanta gargalhada que acho que fiquei traumatizada. Nunquinha vou me esquecer daquela gozação escandalosa.






Foi muito engraçado mesmo...E eu também ria de mim mesma e não conseguia parar. Entrei no estúdio pra gravar e não parava de rir.Foi o melhor vexame da minha vida, rsrsrsrss






**TEXTO EXTRAÍDO DO BLOG DE JOFERRAZ: http: joferrazfacetoface.blogspot.com






**Marco Antônio dos Santos**

CONVERSANDO COM JOFERRAZ


Sou locutora comercial, sócia fundadora do Clube da Voz. Mas também sou atriz,dubladora,radialista, escultora e artesã. Iniciei carreira profissional em meados de 1967/68 e nunca mais deixei de exercer minha profissão.Mas o exercício da profissão não me bastava...minha criatividade pedia mais, muito mais! Então, paralelamente me dediquei a outras atividades artisticas!



Marco Antonio é um apaixonado pela magia das vozes em dublagem.Então, resolvi entrevistá-lo pra todos vocês ficarem conhecendo mais de perto quem é este homem curioso e fiel depositário de segredos impublicáveis da história tão pouco conhecida da dublagem em São Paulo, desde sua criação.Aí vão alguns trechos de nossa conversa:


- Marco, mas como foi que você se percebeu apaixonado pelas vozes que dublavam?!""Olha, parece incrível , mas tudo começou qdo eu tinha uns 6 anos de idade. Naquela época, a programação de nossa tv era feita só dos famosos "enlatados" e eu assistia tudo. Mas tudo começou mesmo qdo eu assistia o desenho Manda Chuva e Os Flintstones. No Manda-Chuva eu percebia que dois dubladores estavam fazendo tons diferentes de vozes para os personagens...."


"-Poxa, que percepção auditiva incrível!! A gente faz um esforço danado pra modificar a voz quando é necessário fazer uma dobra, rsrsssss ..."


"Eu ficava me perguntando como seriam essas pessoas? Como era feito o processo da dublagem? Assim comecei a me apaixonar por essa arte e dali em diante fui procurando toda informação possível."


"-Imagino que sua família achava, no mínimo estranha essa sua paixão pelas vozes."


"Meu saudoso pai dizia que eu estava ficando maluco com tão pouca idade e procurando dubladores em revistas (na época Intervalo e Revista do Rádio e qdo surgia algum no Almoço com as Estrelas, como o Roberto Barreiros), para mim sempre foi um mundo que me fascinava.Essa curiosidade foi crescendo cada vez mais....


Naquela época, as coisas eram mais complicadas para quem não morava em São Paulo.De uma maneira geral, sinto muito que a internet não existisse há 20 anos atrás, pois poderia talvez ter sido mais útil e ter feito amizade com tanta gente da qual só tinha a voz gravada na mente, durante anos!"


"-Mas como foi que vc chegou tão perto da dublagem a ponto de conhecer todo mundo e até tomar conhecimento de fatos , digamos...hummm, de bastidores, e alguns bastante pessoais, rsrs?"


"Em 1989, eu pertencia a um fã clube de séries de TV em São Paulo, mas na realidade a série principal era Perdidos no Espaço. Decidimos convidar a Helena Samara e o Borges de Barros juntos para um bate-papo, num apartamento. Eles foram e ficamos quase oito horas conversando com eles. Foi uma das maiores emoções para mim: conhecer, conversar com o dublador do Dr. Smith, da Endora...Vi os seres humanos que estavam por trás daquelas vozes que ouvíamos. Ainda tive um novo encontro com a Helena Samara, uma pessoa encantadora!"


"-Era mesmo,,, uma doçura de olhos azuis sempre atenta e prestativa...E, aí?"


"Depois, acabei conhecendo o Emerson Camargo, o Barolli, e fiquei emocionado ao encontrar com o Aldo César, uma pessoa gentil e um grande profissional.E aí vieram outros, como o Marcelo Gastaldi, o Amaury Costa..."


"-Mas eu estou aqui pensando com meus botões e muito curiosa ainda pra saber como foi que tanta informação caiu no seu colo...rsrsss "


"Um dia, vi no jornal local daqui de Santos um anúncio sobre curso de dublagem. claro que liguei e me matriculei. E fiz o curso com mais um profissional de alta qualidade : Silvio Navas. Aprendi tudo com ele, e é lógico mais perguntas sobre a AIC, Cine Castro , Herbert Richers, etc."


"-Haããã...agora entendi, rsrsrsss. Vc não perdia tempo. E como foi que vc teve a idéia de divulgar pelo orkut um pouco da história da AIC?"


"O Silvio Navas dizia que minha voz se encaixava mais para jovens de 25 a 30 anos, mas gostei muito de dublar a velhinha de Os Incríveis. Gostava mais de fazer vozes diferentes, falsetes...Após o curso de dublagem surgiu a ideia de levar a AIC para o Orkut. Jamais poderia pensar que fosse encontrar amigos dubladores da AIC na rede."


"-E o curso, me fala da sua emoção o curso, de se sentir no lugar daquelas vozes que vc sempre admirou""Quando eu fazia a dublagem (hj com mais facilidades técnicas )ficava pensando como os dubladores faziam em 1962/63 ...Era um trabalho maravilhoso, com uma tecnologia precária! Então eu pensava - 'isso não pode ficar no anonimato, esquecido! 'O Silvio Navas dizia que eu sabia mais dos trabalhos de dubladores dos que os próprios."


"-Mas eu soube que vc foi muito incentivado pra pra levar essa idéia a diante e publicar um pouco do nosso trabalho por um dublador muito querido por todos , né?"


"Sem dúvida., Foi o Campanile o primeiro. ele tem uma conduta extraordinária com os fãs, e com todos que o procuram. Depois acabou vindo o querido Arquimedes, o Silvio Matos e a Aliomar, a simpatia do Ronaldo Baptista, o Francisco José, a Dalete, e vc!!!!"


**JOFERRAZ PARTICIPOU TAMBÉM DE UM PERÍODO DA AIC: fez a 2ª voz do computador da Enterprise de Jornada nas Estrelas**


** ESTA CONVERSA FOI PUBLICADA NO BLOG: http: joferrazfacetoface.blogspot.com


**Marco Antônio dos Santos**

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

CURIOSIDADE AIC (21): FOTOS DE ASTROGILDO FILHO


Desde que iniciamos a pesquisa sobre os dubladores da AIC, sempre nos deparamos com a falta de material fotográfico.

Os fãs sempre nos pedem fotos de diversos dubladores, o que talvez chegamos a 50% dos dubladores que deixaram sua contribuição artística na AIC.

Uma das fotografias mais solicitadas, ao lado de algumas outras, foi a do dublador Astrogildo Filho, cuja biografia já foi abordada por este blog no dia 11/09/2008 com o título "Dublador em Foco (03): Astrogildo Filho."

Aqui, recebemos a colaboração de um simpatizante de nosso trabalho, que nos enviou duas fotografias do dublador em momentos diferentes como ator: na série Vigilante Rodoviário e num filme de Mazzaropi de 1963.

Agradecemos a sua colaboração, a qual demonstra que todos são bem-vindos para remontarmos a história da Arte Industrial Cinematográfica.


COLABORAÇÃO: ANTÔNIO CARLOS DIAS MUZELL


**Marco Antônio dos Santos**

domingo, 20 de setembro de 2009

CURIOSIDADE AIC (20): A MOÇA DO TEMPO!!


Aqui, temos algo bem interessante: a dubladora Áurea Maria como "A moça do tempo".

Logo que a TV Cultura de São Paulo iniciou as suas atividades em meados de 1969, era comum a apresentação específica da previsão do tempo.


Ainda bem longe da tecnologia de computadores, a moça do tempo exibia as previsões apenas narrando ou apresentando os desenhos de nuvens, sol, chuvas, etc.


Áurea Maria, nessa época, ainda estava em plena dublagem na AIC, pois dublou Rebecca Boone até a série Daniel Boone findar em 1970.

Esta foto é a mais clara e nítida que consiguimos encontrar desta dubladora que, segundo informações, faleceu ainda jovem.


COLABORAÇÃO: THIAGO MORAES


**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

AGENTE 86 OU BRUNO NETO ?







Tudo começou com o sucesso dos filmes de James Bond na década de 60. Os produtores Leonard Stern e David Susskind, associados a Mel Brooks e Buck Henry, idealizaram uma série de TV
cômica com os mesmos temas: espionagem e Guerra Fria.Don


Adams foi escolhido graças à sua atuação no The Bill Dana Show, no qual fazia um atrapalhado detetive de hotel. Ele se engajou tanto no papel que chegou a sofrer acidentes devido às cenas de ação. Em compensação, ganhou muitos prêmios como ator de comédia. Adams nasceu em 13 de abril de 1923 e faleceu em 25 de setembro de 2005.

Apesar de já contar com todos esses ingredientes cômicos que se tornariam famosos, os executivos de produção da Rede ABC recusaram-se a comprar a série pois, na trama apresentada, a intenção dos vilões era explodir a Estátua da Liberdade.


Os criadores de Smart não se deram por vencidos e foram bater na porta da Rede NBC, que aprovou o projeto e concedeu autorização para iniciar a produção da série, agora totalmente a cores.


A melhor temporada do seriado é provavelmente a primeira, entre 1965 e 1966. Em 1969, a audiência caiu um pouco e a Rede CBS assumiu o programa, encontrando como solução casar os protagonistas, de cuja união nasceram gêmeos. Mas a audiência não se recuperou e, como conseqüência, a série foi cancelada em 1970.


Agente 86 durou cinco temporadas, de 1965 a 1970, ganhando sete prêmios Emmy, dois para seriado cômico e três para Don Adams. Foram produzidos 138 episódios de vinte e quatro minutos. No Brasil, foi exibido primeiro pela TV Record e depois, em reprise, pela TV Bandeirantes.




A dublagem das primeiras temporadas foi realizada pela AIC e o dublador Bruno Neto parecia que tinha uma voz"sósia" de Don Adams, além da sua interpretação do personagem, perfeita.





Personagens Principais/ Dublagem AIC:








AGENTE 86 - Bruno Neto / AGENTE 99 - Aliomar de Matos / CHEFE - Mário Jorge Montini /








Na última temporada, a série foi dublada pelo estúdio Cine Castro, mas contou com Bruno Neto no personagem, uma vez que já havia se afastado da AIC. Mais uma vez, com a vinda da série em DVD e pelo canal a cabo TCM, houve a redublagem, como sempre a resposta é "dublagem perdida". Talvez, não saibamos mais, atualmente, se a palavra é "perdida" ou "ignorada". Esta redublagem contou com Mário Tupinambá Filho, que se esforçou muito para conseguir o tom de Don Adams.

O talento de Don Adams (1923-2005) simplesmente impagável no papel de Maxwell Smart, e não foi por acaso que ele levou o Prêmio EMMYpor 3 anos seguidos como melhor ator principal de série cômica.Este talento todo ainda tornaria mais difícil a tarefa para o dublador no Brasil mas, o falecido Bruno Neto, conseguiu o quase impossível, ser tão bom em português quanto Adams era em inglês.Um terrível e imperdoável desleixo fez com que a dublagem de Bruno se perdesse (só restam uma dúzia de episódios da 1ª temporada e todos da 5ª e última temporada).








Bruno Neto é mais um dublador totalmente esquecido pela mídia. Há anos tentamos encontrar informações, porém nada, somente a fotografia acima.




Talvez seus fãs tenham a impressão de que ele só tenha dublado Agente 86, mas fizemos uma pesquisa sonora de séries da mesma época e encontramos quatro registros:




1 - No episódio da 2ª temporada de Perdidos no Espaço "A Maldição do Primo Smith", onde Bruno Neto juntamente com Borges de Barros dublam os primos trapalhões e ambiciosos. Dublagem felizmente preservada!




2 - No episódio da 1ª temporada de Terra de Gigantes "Lavagem Cerebral", onde dubla um cientista nada bonzinho, demonstrando o seu lado não cômico na dublagem. Curiosamente, neste episódio, junto com Bruno Neto está Mário Jorge Montini.












3 - Na série O Túnel do Tempo em dois episódios: "Presente de Grego", onde dubla Paris, o raptor de Helena de Tróia e no episódio "Armadilha Fatal", onde dubla Jeremias obsecado em assassinar o presidente Lincoln. Em ambos episódios, também dubla personagens que fogem totalmente da comédia.




Encontramos no YTB uma cena de Agente 86, exibida pelo canal a cabo TCM, mas caseiramente foi colocada a antiga dublagem da AIC. Vale a pena reelembrar:











**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

SANTA DUBLAGEM BATMAN !!!!


Esta série teve uma dublagem curiosa, o que após muitos anos nos deixou com muitas dificuldades para identificar seus dubladores, pois alguns que estavam na AIC, acabaram dublando-a na sua 3ª temporada no estúdio TV Cine e Som no Rio de Janeiro.


Segundo o site da Central Retro Tv, talvez esta série tenha sido a primeira redublagem realizada ainda no final da década de 1960.

Conforme o site, a 1ª temporada foi dublada pelo estúdio Odil Fono Brasil em São Paulo, no qual também participavam alguns dubladores da AIC, porém ninguém sabe com exatidão o motivo que levou a redublagem dessa temporada pela AIC.

Há hipóteses da Fox não ter gostado da tradução ou até desta ter se perdido em algum incêndio de uma emissora (fato também curioso, uma vez que a Fox sempre primou em cuidar do som de suas produções!)


O fato é que, oficialmente, Batman ficou com a 1ª e 2ª temporadas dubladas pela AIC, as quais foram sempre exibidas pelas inúmeras emissoras em que a série esteve.

Outro fato intrigante é a 3ª temporada da série! Ora, se houve a redublagem da 1ªemporada e a dublagem da 2ª temporada pelo mesmo estúdio, o que teria levado a 3ª temporada para o estúdio TV Cine Som/RJ ?

Um estúdio ainda que engatinhava e que, apesar de excelentes dubladores, apresentava um problema técnico sério: o som era mais baixo, abafado, às vezes dava até eco nas vozes, além de não haver uma preocupação com a permanência de um dublador no personagem. Este fato é claramente demonstrado, pois só nessa temporada há personagens que acabaram tendo 2 ou mais vozes!!!

Como nessa temporada o episódio é dividido em partes, há o caso mais conhecido de Robin ter uma voz na 1ª parte, outra na 2ª e depois retorna o primeiro dublador na 3ª.


Problemas à parte, ainda temos a oportunidade de ouvir a tantos dubladores que deram o melhor de si para o público e que estiveram bem distantes dos que decidem sobre os destinos da dublagem de uma série.


Com o auxílio do amigo Gerson, verificamos o máximo possível a lista de dubladores de ambos estúdios, o que não significa uma precisão absoluta.


A dublagem da AIC está colocada entre parênteses ao lado do nome do dublador, a seguir foram as que se sucederam na 3ª temporada pelo estúdio TV Cine e Som.



Adam West (Bruce Wayne / Batman): Gervásio Marques (AIC)/ Nilton Malta (2a. voz) */ Celso Vasconcellos (3a. voz) /Mário Monjardim (4a. voz)

Burt Ward (Richard "Dick" Grayson / Robin): Rodney Gomes (AIC)/ Henrique Ogalla (2a. voz)/ Luís Manoel (3a. voz)

Alan Napier (Alfred Pennyworth): José Vieira (AIC)/ Luiz Carlos de Moraes (2a. voz)/, Waldir Fiori (3ª voz)

Neil Hamilton (Commissário James Gordon): José Carlos Guerra (AIC)/ Ribeiro Santos (2a. voz) / Jorgeh Ramos (3a. voz)

Stafford Repp (Chefe O'Hara): Carlos Leão (AIC) */ Roberto Mendes (2a. voz)

Madge Blake (Tia Harriet Cooper): Noely Mendes (AIC)/ Henriqueta Brieba (2a. voz)

Yvonne Craig (Barbara Gordon / Batgirl): Ilka Pinheiro (este personagem só surge na 3ª temporada)

William Dozier (Narrador): Francisco Borges (AIC)/ Amaury Costa (2a. voz)


VILÕESBurgess Meredith (Pinguim): Borges de Barros (AIC) / Magalhães Graça (2a. voz) / Ary de Toledo (3a. voz)

Cesar Romero (Coringa): Turíbio Ruiz (AIC) / Marcos Miranda (2a. voz)

Julie Newmar (Mulher-Gato): Gessy Fonseca (AIC)/ Sônia de Moraes (2a. voz)/ Ângela Bonatti (3a. voz) *Ertha Kitt (Mulher-Gato): Sônia de Moraes

Frank Gorshin (Charada): Luiz Pini (AIC)

Vincent Price (Cabeça de Ovo): José Soares (AIC)/ Neville Jorge (2a. voz)

Victor Buono (Rei Tut): Eleu Salvador (AIC)

Malachi Throne (Face Falsa): Marcos Miranda


COLABORAÇÃO: Gerson N. Ferreira

**Marco Antônio dos Santos**

terça-feira, 8 de setembro de 2009

MEMÓRIA AIC (10): JAMBO E RUIVÃO









Jambo e Ruivão pode ser considerado como o primeiro desenho animado de televisão produzido pela recém-formada Hanna-Barbera. Foi apresentado originalmente nos Estados Unidos, pela rede NBC, a partir do dia 14 de dezembro de 1957, como um segmento dentro do programa "The Ruff & Reddy Show", dividindo com um outros segmentos, inclusive uma parte em "live-action" com o ator Jimmy Blaine e outras marionetes em comédias teatrais.


Jambo e Ruivão eram uma dupla formada por dois inimigos naturais, um cão e um gato, mas que dentro do desenho se davam muito bem. O gato se chamava Jambo, era muito inteligente e tinha como seu melhor amigo um cão chamado Ruivão, que não era muito esperto, mas sua lealdade e amizade faziam toda a diferença. Em geral suas aventuras de curta duração terminavam com um "cliffhanger" e onde se escutava o narrador dizer: "Conseguirá Jambo escapar das garras do terrível bandido?", pouco tempo depois passava a segunda parte do desenho, onde naturalmente Jambo conseguia escapar, na maioria das vezes graças ao seu amigo Ruivão. Muitas gags ficaram famosas nessa época como "...socorro! Ruivão! socorro!!" ou "já estou indo meu amigo, Jambo".


Eles lutavam contra vários vilões diferentes que iam desde os irmãos cowboys Matador e Maatador; um terrível caçador; um maldoso comandante e outras figuras esquisitas, normalmente para solucionarem algum mistério ou combater forças maléficas. Via de regra eles eram ajudados por um inventor e cientista baixinho, que adorava vestir de fraque e cartola, que viviam inventando coisas malucas.


O desenho foi inicialmente feito em preto e branco e foi apresentado assim até 1959, depois passou a ser produzido a cores e ficou no ar até outubro de 1960. Dois anos depois, retornou novamente em outubro de 1962, com um novo anfitrião e novas atrações e permaneceu até setembro de 1964, quando a NBC decidiu encerrar o espetáculo.

No Brasil, consta que a dublagem deste desenho teria tido um pequeno início ainda no estúdio Gravasom e, praticamente o restante dos episódios pela AIC.




Este desenho é mais uma vítima do descaso absoluto com a dublagem brasileira, pois segundo informações do canal Boomerang, não havia mais a dublagem original, o que teria obrigado a Turner a redublá-lo ainda no final da década de 1990.



A redublagem foi um total desastre, onde os fãs preferiam não assistir a ouvir uma descaracterização total para um desenho com características ainda da década de 1950.




Além disso, notou-se claramente a falta de dubladores que conseguissem compreender o que é um desenho daquela época e seus personagens. Faltou a grande presença de Older Cazarré e Roberto Barreiros, uma dupla imbatível em dublagem dos desenhos de Hanna Barbera no início da década de 1960.








Segue a relação dos dubladores:




JAMBO: Roberto Barreiros(1ª voz) e Gastão Renné (2ª voz)




RUIVÃO: Roberto Barreiros (1ª voz) e Gastão Renné (2ª voz).




PROF. GIZMO: Older Cazarré (1ª voz) e Waldyr de Oliveira (2ª voz).




NARRADOR: Roberto Barreiros.








Estes dubladores foram e serão sempre os que deram a alma brasileira a Jambo e Ruivão!!








***Assista um trecho com a dublagem AIC, encontrada no YTB. Neste trecho temos: Gastão Renné dublando Jambo e Ruivão, Roberto Barreiros como o narrador e voz da nave e Garcia Neto (voz do locutor de rádio):







**Marco Antônio dos Santos**

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (60): EMERSON CAMARGO







Talvez não tivesse existido a AIC sem a direção adequada de Wolner Camargo, pai de Emerson Camargo. Da mesma maneira, podemos dizer que não haveria uma tradução inicial tão boa para Jornada nas Estrelas, onde termos foram adaptados ou até mesmo criados, numa série de ficção científica.






Emerson Camargo, assim como sua irmã Cristina Camargo, também foram para a AIC. Lá tiveram oportunidades de demonstrar todo o seu potencial artístico. Cristina Camargo foi a primeira dubladora de Penny na série Perdidos no Espaço.






Já Emerson Camargo dublou convidados em séries como Cidade Nua, Rota 66 e logo ganhou um personagem: o capitão da série de animação inglesa Fireball XL-5. Em seguida, veio o inesquecível Major Nelson na série Jeannie é um Gênio, onde fez somente a 1ª temporada. Ao mesmo tempo, dublou o marujo Patterson em Viagem ao Fundo do do Mar nas 1ª e 2ª temporadas da série e Kuriaken em Agente da Uncle.






Mas, paralelamente, já era tradutor e admirador de ficção científica, principalmente da obra de Isaac Asimov. Quando a extinta TV Excelsior de São Paulo trouxe Jornada nas Estrelas, ninguém tão interessado como ele em traduzir uma série de ficção científica que abordava temas avançados para a época.






Não podemos esquecer que Emerson Camargo emprestou a voz a um dos heróis mais cultuados até hoje: Nacional Kid. Essa série japonesa fez a alegria da garotada da época. A dublagem da série se perdeu, segundo consta num incêndio da TV Globo, porém na redublagem novamente veio o convite a quem de direito. Uma atitude decente da distribuidora.






Porém, sua paixão era Jornada nas Estrelas, traduziu inicialmente os episódios e escalou um elenco de vozes brilhante: Para o capitão Kirk, ele próprio assumiu o personagem, Neville George como Dr. Macoy, Carlos Campanile como Scott, Helena Samara como Uhura. Revelou um novato que surgia para dublar o sr. Sulu: Eleu Salvador, o qual fez posteriormente uma carreira excelente em dublagem.



Seu maior problema era escalar o dublador para o sr. Spock, o alienígena sem emoções. Assim, pensou num dublador que conseguisse ter a voz mais "retilínea", quase sem demonstrar nada, e a escolha foi perfeita com Rebello Neto.






Entretanto, a história nunca é como gostaríamos que fosse! Emerson Camargo, sua irmã e seu pai se retiram da AIC, antes mesmo que ele terminasse a 1ª temporada da série, sendo substituído por Denis Carvalho.



A história também nos mostra um fato lamentável: a perda da dublagem da série!






Em 1991, a extinta TV Manchete resolveu trazer a série, pois já estava quase 10 anos fora de nossa tv, porém houve a necessidade da redublagem. Aqui, ao contrário de Nacional Kid, esqueram completamente dos pioneiros da AIC. Emerson Camargo deveria ter tido a oportunidade de escolher se gostaria ou não de dublar o capitão Kirk, assim como os demais.






Depois de sua saída da AIC, Emerson Camargo dublou , por um breve período no estúdio TV Cine Som e gerenciou a Cine Castro em São Paulo.






Atualmente, segundo informações, tem a sua própria empresa de dublagem.






Encontramos no YTB, um trecho do episódio "Inimigo Desconhecido", onde o roteiro é claramente inspirado em O Médico e o Monstro. Aqui, o lado do Mal se defronta com o lado do Bem do capitão Kirk, que por um problema técnico no teletransportador, reproduz o segundo capitão.



Uma das mais perfeitas dublagens de Emerson Camargo, inesquecível sob todos os aspectos.



Infelizmente, a dublagem desta série realizada pela AIC, foi uma obra de arte que o descaso privou as gerações atuais de assistirem.






Firme no leme!















**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (59): GARCIA NETO








Manoel Garcia Neto nasceu na cidade de Santos, em 1931, litoral de São Paulo, e realizou a dublagem de atores como Charles Bronson, Burt Lancaster, Clark Gable e Gregory Peck. Começou bem no início da AIC, já por volta de 1962 podemos ouví-lo em participações em desenhos como Os Jetsons e , principalmente, Os Flintstones, onde algumas vezes fez a voz do garoto Arnoldo, o qual atormentava Fred, é bom frisar que esse personagem foi bem esporádico.








Logo também, além de participar da dublagem em filmes e como convidado em séries de tv, Garcia Neto também era diretor de dublagem. Consta que muitos episódios da série Vigilante Rodoviário foram dirigidos na dublagem por ele.




Por questões trabalhistas se afastou da AIC por um breve período, porém sendo reconduzido pela Justiça do Trabalho, retorna e assume praticamente a direção de dublagem da série Viagem ao Fundo do Mar em sua 3ª e 4ª temporadas.








Paralelamente dublava filmes e fez alguns personagens fixos:
1 - Ben Cartwright na série Bonanza (fase dublada pela AIC)
2 - o garoto jornaleiro Arnoldo na 2ª e 3ª temporadas de Os Flintstones.


3 - dublou o personagem sr. Baxter (patrão de Hazel na série homônima).


4- Walter Carisson na série O Homem Invisível de 1974/75.
5 - foi por um período o narrador das aventuras no desenho O Pica-Pau (estúdio BKS).



Em 1980 se transfere para o Rio de Janeiro, indo para o estúdio Herbert Richers, onde ficou cerca de 16 anos, dublando e dirigindo. Um de seus trabalhos mais lembrados foi dublar o sr. Spock nos filmes da década de 1980.




Era pai do também dublador Garcia Júnior, o qual é sempre lembrado por ter dublado He-Man e Magyver.




Garcia Neto faleceu em 27 de dezembro de 1996, de câncer, aos 65 anos de idade. Os seus últimos trabalhos foram a direção de dublagem de Toy Story e Corcunda de Notre Dame. Como dublador, ainda participa um pouco da 1ª temporada da série Lei e Ordem.

Lista de trabalhos
Narrador e personagens secundários do Pica-Pau
Spock em (Star Trek)- Filmes
Jaga em Thundercats;
Homem-Fera em He-Man;
Max Ray em Os Centurions;
Sr. Miyagi no desenho animado Karatê Kid e no filme Karatê Kid
Rei de Chifres em O Caldeirão Mágico
Chefe Apache e Samurai em Superamigos;
Os atores Burt Lancaster, Charles Bronson, Pat Morita e Gregory Peck;
Stargazer em Silverhawks;
Arnoldo (entregador de jornal) em Os Flintstones;
Falcama em Visionários - Os Guerreiros da Luz Mágica;
Sr. Crisp (James Coburn) em Mudança de Hábito 2
Vovô Mori Tanaka (Victor Wong) em 3 Ninjas
Professor Hart(1ª voz) em VR Troopers
Willie o Gigante, no papel de Fantasma do Natal Presente, em O conto de Natal do Mickey.
Ratchet,Ômega supremo e Unicron em Transformers.
Xerife Rosco P Coltraine Os Gatões
Várias pontas no seriado Chips (BKS).
Diretor de dublagem de Viagem ao fundo do mar. (3ª e 4ª temporadas)








Para aqueles que não se recordam da voz de Garcia Neto, encontramos um episódio do desenho O Pica-Pau narrado por ele no YTB.






**Marco Antônio dos Santos**

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

DUBLADOR EM FOCO (58): ZEZINHO CÚTOLO




As Aventuras de Rin Tin Tin era uma série sobre um cão que acompanhava uma unidade da cavalaria dos EUA. O melhor amigo de Rin Tin Tin era o Cabo Rusty, um garoto que perdeu os pais em um ataque dos índios e foi adotado pela corporação, se tornando uma espécie de mascote. Sempre que havia algum problema e Rusty necessitava da ajuda de seu amigo canino ele griitava ("Yo ho Rinty!"). Todos viviam em um forte apache, no Arizona.




O canal de TV ABC estreou em 1959 a série com o personagem que ficou no ar até 1961 e outro canal, a CBS, retonou com a mesma série em 1962, mantendo-a no ar até setembro de 1964. O veterano ator James L. Brown (não confundir com o cantor de soul) foi convocado em 1976 para fazer as aberturas da série em que havia participado nos anos 50. A série voltou ao ar mais uma vez com sucesso de público.




Nas décadas de 1980 e 1990 uma grande quantidades de filmes foram feitos, todos inspirados no primeiro grande cão ator da TV americana, Rin Tin Tin. Surgiram os filmes da série K9 (Canine) e K9 Cop entre outros.






No Brasil, a dublagem do cabo Rusty ficou a cargo de Zezinho Cútolo, que o fez magnificamente, com interpretações difíceis em momentos de muita emoção com o seu Rin -Tin-Tin.



A série também contou com Ronaldo Baptista dublando o tenente Rip Masters.






Após o término da série, Zezinho Cútolo continuou na AIC e ficava com os pré-adolescentes e adolescentes. Dessa forma, substituiu Maria Inês na dublagem de Israel Boone nas duas últimas temporadas da série Daniel Boone.



Aliás, aqueles que quiserem assistir Zezinho Cútolo e Maria Inês dublando juntos, procurem o episódio da 1ªtemporada da série Terra de Gigantes "A Noite de Thrombeldimbar", onde ambos dublam dois órfãos. Aqueles que assistirem verão um espetáculo de dois gênios na dublagem para crianças e adolescentes.






Zezinho Cútolo continuou dublando após o encerramento da AIC e sendo escalado para os adolescentes, assim na década de 1980 dubla o menino indiano Hadji na segunda versão de Jonny Quest, pelo estúdio BKS.






Um dos nomes mais queridos entre os seus colegas de profissão, o qual deveria atualmente ser convidado com frequência para as dublagens atuais!






Aqui, um trecho de As Aventuras de Rin-Tin-Tin com Zezinho Cútolo, Ronaldo Baptista e Arakén Saldanha dublando o médico:












***Marco Antônio dos Santos***

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

SERIADOS DE CINEMA DUBLADOS PELA AIC



O mocinho luta com o bandido perto de um precipício. Os dois acabam caindo e mergulhando rumo à morte. A tela escurece e aparece a mensagem anunciando o episódio seguinte, na próxima semana, “neste mesmo cinema”.
Esse era o formato dos famosos seriados que fizeram sucesso durante as décadas de 1930 e 1940. Embora para as audiências modernas seriado ou série sejam sinônimos de TV, esse tipo de filme apareceu primeiro no cinema e só na na década de 1950 foi para a televisão.



Com uma média de 15 episódios, com tempo variando entre 15 e 20 minutos, boa parte dos seriados se inspiravam em heróis de histórias em quadrinhos, como Flash Gordon, Mandrake e Dick Tracy. Em geral, traziam um enredo para a temporada, focado no conflito do herói com o vilão ou alguma organização criminosa.



Não se deve confundir esses seriados, que possuíam um cronograma de argumento pré-estabelecido, com produções como Tarzan, Sherlock Holmes e Charlie Chan, em que vários filmes independentes foram realizados ao longo dos anos.



Para dar suspense, prender a atenção do público e fazer com que as pessoas voltassem ao cinema na próxima semana, perto do fim do capítulo, o herói era colocado em alguma situação de perigo, com desfecho anunciado para o episódio seguinte. No início do próximo filme, letreiros resumiam o capítulo anterior e eram exibidas fotos dos personagens para relembrar o ocorrido ou informar quem estivesse assistindo pela primeira vez (as séries Perdidos no Espaço e O Túnel do Tempo adotaram esse sistema também).



A exemplo do Tarzan Johnny Weissmuller, o norte-americano Buster Crabbe também se destacou nos esportes como medalhista olímpico de natação e protagonizou o Rei das Selvas. No entanto, foi como Flash Gordon que Crabbe se imortalizou no cinema, encarnando o herói futurista criado por Alex Raymond em 1934.
Buster interpretou Flash pela primeira vez em 1936, na série Flash Gordon no Planeta Mongo, em que se confronta com seu arquiinimigo Ming, o Impiedoso. O loiro ainda viveu Gordon em dois seriados, um em 1938 e outro em 1940. Sete décadas depois, essas películas viraram Cult pela mistura de elementos da ficção científica com visuais medievais e do Império Romano.
Para muitos pode parecer ridículo ver naves espaciais soltando fogo e pistolas de raios ou monstros toscos. Porém, essa estética influenciou por décadas a ficção científica no cinema e na TV.




Em 1937, surge um estrondoso sucesso "Império Submarino" estrelado por Ray Corrigan. Uma ficção científica caríssima para a época. Assim, durante duas décadas dezenas de seriados foram produzidos para o cinema.




Na década de 1960, a nossa televisão necessitava preencher muito o seu horário vespertino, pois a produção de seus próprios programas era ainda muito precária. Dessa forma, por volta de 1968, a extinta Tv Excelsior de São Paulo adquiriu um lote imenso desses seriados, quase que totalmente dublados pela AIC e exibidos durante às tardes.




Infelizmente, esses seriados com o decorrer do tempo foram totalmente esquecidos, até pelas tv a cabo e, praticamente só Flash Gordon foi exibido pelo canal Multishow, com legendas.


O paradeiro desses seriados é confuso, não se sabe ao certo, mas muitos colecionadores ainda possuem cópias dubladas pela AIC da época.




Aqui, encontramos no YTB um pequeno trecho de Império Submarino com a sua dublagem original da AIC. A narração de abertura foi realizada por Ibrahim Barchini:
***Marco Antônio dos Santos***

terça-feira, 18 de agosto de 2009

CURIOSIDADE AIC (19): HELENA SAMARA DUBLANDO SRA. KRAVITZ




A nossa saudosa Helena Samara ficou para sempre como a voz oficial de Endora na série A Feiticeira. Entretanto, conforme já foi dito aqui, ela assumiu o personagem a partir da 3ª temporada.






Nas duas primeiras temporadas, Helena Samara dublava diversos convidados.



Há um fato curioso sobre a dublagem da sra. Kravitz, a fofoqueira implacável. Na 1ª temporada ela é dublada por Isaura Gomes, porém na 2ª temporada Isaura Gomes foi substituída por Helena Samara.



Isaura Gomes retornaria dublando magistralmente a sra. Kavitz a partir da 3ª temporada até o final da série.






O que teria ocorrido para haver essa alteração ?






Segundo palavras da própria Helena Samara, ela se recorda que Isaura Gomes necessitou se afastar da dublagem por um breve período, não sabendo o motivo exato.



Assim, temos mais uma faceta dessa extraordinária dubladora, interpretando a excêntrica fofoqueira somente na 2ª temporada de A Feiticeira.






Para recordarmos, temos um trecho , no qual estão presentes: Helena Samara, Rita Cleós, Gervásio Marques, Xandó Batista e o primo da sra. Kravitz dublado por Older Cazarré.

***UM GRANDE MOMENTO DA AIC***

***COLABORAÇÃO: THIAGO MORAES***


**MARCO ANTÔNIO DOS SANTOS**

terça-feira, 11 de agosto de 2009

ENTREVISTA COM ALDO CÉSAR


**ESTE PEQUENO DEPOIMENTO DE ALDO CÉSAR NOS FOI PROPORCIONADO DE MANEIRA INFORMAL, EM 15/03/1993 , NAS DEPENDÊNCIAS DO EXTINTO ESTÚDIO MEGASOM NA CIDADE DE SÃO PAULO.**

**PROCURAMOS, NA MEDIDA DO POSSÍVEL, RETIRAR A ORALIDADE DO TEXTO**



1 - Aldo, como você descobriu que ser dublador e ator seria o teu caminho ?

R: Isso já faz muito tempo, rs,rs,rs. Eu nem tinha completado eu acho os meus 18 anos e já estava bebislhotando algumas rádios, porque eu queria muito ser alguma coisa no rádio, ainda estava sem saber bem o quê. Na rádio Mayrinck Veiga já me conheciam e um dia pediram para eu tentar narrar os nomes dos atores de uma rádionovela. Gostaram da minha voz e fiquei. Fui ficando tendo mais espaço. Aí , posteriormente passei por outras rádios também como locutor e, algumas vezes, até como rádio-ator.


2 - E a televisão veio junto com a dublagem ?

R: De certa forma sim. Eu fui participar de uns capítulos da novela Redenção na extinta TV Excelsior, acho que em 1966, e lá havia muitos atores que participavam da dublagem e diversos colegas diziam que devia tentar devido à minha voz e interpretação.


3 - Você se lembra qual foi o seu primeiro trabalho em dublagem na AIC ?

R: Olha, eu me lembro porque foi curioso. Eu fui até à AIC, como sugeriram os colegas. Lá eu procurei o saudoso amigo Older Cazarré e ele olhou bem para mim e disse: "Você leva jeito para fazer vilão, vejo isso pela sua fisionomia". Ele então me explicou como era o processo da dublagem e me deu um soldado nazista em um filme. Eram pouquíssimas falas, mas ele era muito terrível. Quando terminei, ele disse para mim: "Pronto já está gravado, ficou ótimo". O que era um teste ficou dublado oficialmente, fiz uuns diálogos com o querido amigo que já partiu Astrogildo Filho.


4 - Você foi um dos dubladores da AIC mais escalados para os vilões ?

R: Um pouco devido ao soldado nazista. Aí quando tinha aqueles bandidões nos filmes, sempre se lembravam de mim.


5 - Ao mesmo tempo, sua voz também sempre caía muito bem para os homens refinados, muito educados. O que você preferia ?

R: Ambos, porque eram exercícios diferentes de interpretação com a voz e isso é ótimo para um dublador.


6 - Você praticamente não teve personagens fixos em séries de tv, com exceção do Jason Bolt na série E as Noivas Chegaram, por quê ?

R: Na realidade, eu acho que a dublagem que eu fazia era mais adequada para diferentes personagens, foi o que realmente ocorreu. Para mim, isso era muito bom, porque, além de você ser sempre escalado, rs,rs,rs, eu sempre tinha um desafio. Puxa! Não me lembrava mais que tinha dublado nessa série!


7 - Os fãs das dublagens da AIC, sempre disseram que a sua voz era perfeita para o ator Rex Harisson. Você concorda ?

R: Não sei se era a mais adequada, mas eu tenho como os meus melhores momentos dublar esse grande ator. Adequar a interpretação dele, seu tom de voz, foi algo muito gratificante, porque acabei sempre o dublando, mesmo fora da AIC.


8 - Do que você sente mais saudades daquela época na AIC ?

R: Rs,rs,rs, dos amigos. Das reuniões de lazer que fazíamos, daqueles que tinham paciência comigo quando tropeçava na dublagem de um anel e tínhamos que retornar a fazer. Lá, eu só fiz amigos....


9 - E a sua carreira na televisão, quais foram para você o seu grande momento até agora ?

R: Bem, depois de Redenção, eu me dediquei mais à dublagem e só retornei no início dos anos 70 na Tupi. Lá fiz diversos trabalhos, mas a novela O Profeta da Ivani Ribeiro, foi maravilhosa. Agora, com um personagem totalmente oposto, fiquei muito honrado com o convite do Paulo José para participar da minisérie O Tempo e o Vento. Um clássico extraordinário da nossa literatura! Foi inesquecível esse trabalho!


10 - Deixe uma mensagem para os inúmeros fãs que acompanham o teu trabalho, inclusive os jovens, devido às dublagens de produções japonesas.

R: Primeiramente, agradeço muito e creio que não mereço tanto, porque foi um trabalho que sempre fiz com muita dedicação. Digo a todos que, seja qual for a profissão que exerçam, que sempre tenham ética. Essa palavrinha esta, infelizmente, um pouco esquecida no Brasil. A você Marco Antônio que me procurou com tanta ênfase, eu agradeço esta oportunidade de contar um pouco da carreira de ator e dublador. Muito Obrigado!


**Aldo César faleceu em 05 de janeiro de 2001**


**Agradecemos a esse artista que nos acolheu com tamanha paciência e simpatia. Certamente, seu trabalho é inesquecível para todos os fãs da boa dublagem**


**Marco Antônio dos Santos**

domingo, 9 de agosto de 2009

MEMÓRIA AIC (9): CARLOS CAMPANILE EM CHAPARRAL























Chaparral foi criado em 1967, tendo 4 temporadas, com um total de 98 episódios.





O enredo gira em torno de uma família vivendo em um rancho chamado High Chaparral. O líder dessa fabulosa família era John Cannon (Big John), junto com sua esposa Victoria, o irmão Buck, o filho Bleau e de um mexicano muito engraçado chamado Manolito. Victória Montóia era a segunda esposa de John Cannon e filha do dono do rancho Montóia, vizinho do rancho High Caparral. Manolito Montóia era irmão de Victória e cunhado de John.






No Brasil, a série obteve grande sucesso, sendo exibida pela TV Excelsior e TV Record. Sua última exibição, em canal aberto, também foi na TV Record em 1986/87. Infelizmente, esta série também foi mais uma redublada pela VTI Rio, tendo sido exibida pelo canal a cabo TCM.






Aqui temos a abertura de Chaparral na voz de Carlos Campanile, o episódio inclusive traz a sua participação. Esta série não teve a abertura narrada por Carlos Alberto Vaccari.






A título de reelembrarmos, segue a lista dos dubladores de Chaparral na AIC:






John Cannon dublado por Astrogildo Filho (já falecido).



Blue dublado por Marcelo Gastaldi (já falecido).



Buck dublado por Flávio Galvão.



Victoria dublada por Líria Marçal (já falecida).



Manolo(Manuelito) dublado por Wilson Ribeiro.



Veja a abertura de Chaparral na voz Carlos Campanile:
MARCO ANTÔNIO DOS SANTOS

sábado, 8 de agosto de 2009

DUBLADOR EM FOCO (57): HÉLIO PORTO







Por incrível que pareça, não encontramos quase dados sobre Hélio Porto, um dos nomes mais importantes para o sucesso de muitas séries de tv dubladas pela AIC na década de 1960. A própria internet não oferece praticamente nada, sequer uma fotografia sua não é encontrada.



O que abordaremos aqui é fruto de observação e, principalmente, das informações fornecidas a nós, em 1989, pelo saudoso Borges de Barros que teve um contato bem estreito com Hélio Porto na dublagem.






Pelo que consta, Hélio Porto chegou à AIC por volta de 1964, onde iniciou o seu trabalho como tradutor de filmes e séries, logo indo para a direção de dublagem também. É a ele que devemos as traduções de diversas séries clássicas da época: Os 3 Patetas, Perdidos no Espaço, A Feiticeira, Viagem ao Fundo do Mar, tiveram o seu direcionamento inicial.






Como dublador participou pouco, mas fez personagens inesquecíveis, como Larry de Os 3 Patetas, onde faz uma voz absolutamente adequada ao personagem (algumas vezes, por algum motivo foi substituído por Flávio Galvão, afinal foram 190 episódios dublados!). Em Viagem ao Fundo do Mar, além da tradução inicial, dublou o capitão Lee Crane na 1ª e 2ª temporadas, sendo substituído por Osmiro Campos nas temporadas seguintes.






Às vezes, fazia pontas em episódios de alguma série e ficou sendo o dublador "oficial" do ator James Stewart em diversos filmes. Aqui, é bom lembrar que ele apenas dublou os filmes que chegaram na AIC, porém ainda dublou o grande ator no estúdio BKS.






Em fins de 1967, quando sai da AIC, se transfere para o Rio de Janeiro, onde diversifica suas atuações, produzindo inclusive alguns filmes e participando dos estúdios TV Cine e Som e Cine Castro. No final da década de 1970, volta a dublar um personagem fixo na série Esquadrão Classe A, porém por pouco tempo. Fez ainda diversas participações em outros estúdios de São Paulo. Consta, para nós, que a sua última atuação em dublagem seria no filme Festim Diabólico, onde mais uma vez, dublou James Stewart no final da década de 1990, vindo a falecer por volta de 2000/2001.






Como curiosidade há o fato de ter sido casado com a dubladora Gessy Fonseca e também ser primo do dublador Rebello Neto.






Veja o que Borges de Barros declarou-nos sobre Hélio Porto:






"Eu tenho quase certeza que se não tivesse havido a mão do Hélio Porto em Perdidos no Espaço, a série teria perdido muita coisa. Era um extraordinário tradutor, não vejo atualmente, ninguém assim. Quando chegavam os filmes, os episódios das séries, ele sentava em frente à máquina de escrever, com um fone nos ouvidos, e assim que ouvia já datilografava para o português, porém pensando na sincronia de determinadas palavras para se dublar. Todas as minhas improvisações tiveram a sua autorização. Quando dublei o Moe, o texto dizia "seu cabeça de marmelo", isso foi o que o Hélio criou, porque não havia o correspondente para a nossa língua, mas aí na hora, mudei para "seu cabeça de pudim", achei que seria mais engraçado. No final daquele dia ele me disse: "esse cabeça de pudim fica perfeito para o Moe, será o jargão dele". Em Perdidos no Espaço houve a mesma coisa com "lata de sardinha" e aí fui alterando às vezes para "lata enferrujada", "lata velha", para não ser sempre a mesma, porque o Dr. Smith xingava o robô sempre. Todas as alterações foram autorizadas e dirigidas por ele no início dessas duas séries."






(Declaração de Borges de Barros dada a nós em 1989)









Infelizmente, poderíamos oferecer muito mais informações sobre Hélio Porto, porém está completamente esquecido pela mídia, esse grande profissional que impulsionou a AIC.






MARCO ANTÔNIO DOS SANTOS

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

DUBLADOR EM FOCO (56): ÁUREA MARIA



Falar sobre seres humanos é muito difícil; falar sobre anjos...!!!









Os estúdios da A.I.C., palco de indescritíveis espetáculos da sétima arte - nas telas da TV e fora delas - presenciaram e aplaudiram uma das mais brilhantes estrelas que por ali passaram: Áurea Maria.






Expressão máxima do carinho, da simpatia, do amor ao próximo, da capacidade de sentir e do brilho na interpretação dos personagens que encarnava frente à tela de dublagem, essa moça deu verdadeiros shows de interpretação, de humanidade, de coleguismo e de amizade!



Uma das mais belas vozes femininas do maior cast de dublagem do Brasil, mesmo em comparação com os dias atuais, ao lado de Líria Marçal, Sandra Campos e Elaine Cristina, era ela quem dava o tom do sensualismo doce, meigo e respeitoso, quando o tema era romance.




Áurea Maria tinha o dom de emocionar, dentro e fora dos estúdios; era única!




Mas não foi só no velho Templo de Dublagens que o brilho mágico da voz de Áurea Maria acariciou os tímpanos do grande público; na Odil Fono Brasil, na Rádio Mulher, em estúdios de rádio-teatro e em inúmeros estúdios de agências publicitárias onde eram gravados comerciais importantes, para a televisão, Áurea era presença obrigatória no cadastro de profissionais preferenciais.




Rebeca - mulher de Daniel Boone - foi um dos grandes trabalhos da atriz que, com seu virtuosismo agigantou o trabalho originalmente singelo desempenhado pela atriz Patrícia Blair; mas foram tantos os momentos importantes de Áurea Maria emprestando voz e talento a atrizes famosas de todo o mundo, que seria impossível enumerá-los todos.



No entanto, quem curtiu há de lembrar muito bem das suas brilhantes participações em Daniel Boone, Chaparral, I Love Lucy, Perdidos no Espaço, As Noivas Chegaram, Terra de Gigantes, Lancer, Jornada nas Estrelas, Big Valley e... um sem número de atrizes convidadas, em grandes produções do cinema.




Na vida pessoal, longe dos microfones e das telas, Áurea Maria mantinha – naturalmente – o mesmo perfil, o mesmo bom humor, a boa índole e o hábito de dar, sempre, ótimos exemplos; arrimo de família, fazia dessa missão um preito de amor incondicional à sua mãe e à sua irmã e quem a conheceu jamais a viu reclamar ou desistir da luta; talvez por esse motivo e por essa determinação de entrega total à missão recebida do Alto, jamais tenha se casado.




Áurea Maria deve figurar com destaque na galeria das grandes personalidades da arte de interpretar dublando.




Por mais que algumas das grandes distribuidoras insistam nesse anonimato maroto que têm imposto aos atores de dublagem no Brasil, Áurea Maria não cabe no espaço pequeno, insalubre e mesquinho que elas têm procurado designar a quem tem dado alma aos seus grandes lucros na mídia.


A bênção, Áurea Maria!






***Texto de Arquimedes Pires Estrázulas**** Muito Obrigado pela colaboração!






*****ALGUNS ESCLARECIMENTOS:



**Áurea Maria dublou Lucy no estúdio Cine Castro.



**Na AIC, além das inúmeras participações citadas, teve como personagens fixos:



Rebecca Boone / Judy Robinson (2ª voz) a partir do final da 2ª temporada de Perdidos no Espaço / Na série Big Valley dublou a personagem de Linda Evans (2ª voz) /Foi sempre escalada para dublar os convidados de diversas séries da época e filmes.



**Não encontramos registros da data de seu falecimento.






***MARCO ANTÔNIO DOS SANTOS***

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

DUBLADOR EM FOCO (55): ARY DE TOLEDO










Assim como a maioria dos dubladores da década de 1960, Ary de Toledo também veio do rádio, onde fora locutor. Assim, sua ida para a AIC foi uma consequência natural daqueles que tinham já um desempenho grande com a voz. Seu nome, até hoje, é confundido com o humorista Ari Toledo, onde às vezes, há informações nas quais se confundem ambos.






Ary de Toledo ficou eternizado na dublagem do Major West da série Perdidos no Espaço. Também, durante a série, já dirigia alguns episódios, alternando com Hélio Porto e outros.




Além desse personagem, foi o dublador de Greg Morris (Barney) nas três primeiras temporadas da série Missão Impossível e personificou maravilhosamente o gato Bacamarte, o qual perseguia o rato Chumbinho (dublado por Older Cazarré). Como Bacamarte ele fez uma voz muito adequada ao personagem que vivia numa fazenda. Outro personagem fixo foi o chefe Sharkey de Viagem ao Fundo do Mar, entretanto, não ficou até o término da série.



Um de seus últimos trabalhos na AIC, por volta de 1968, é no episódio "Destino: Terra" da série Terra de Gigantes, onde dubla um cientista. Nessa época, Ary de Toledo se transfere para o Rio de Janeiro, onde faz algumas participações nas dublagens da TV Cine e Som.



Nesse estúdio participou pouco tempo, pois na Cine Castro surge um amplo trabalho na dublagem e como diretor também. Assim, eis que surgem: Pernalonga e Kung Fu.


No Brasil, o Pernalonga inicialmente teve cerca de dois dubladores (conhecidos) nas dublagens da Cine Castro feita nos anos 60 e no início dos anos 70, foram eles: Ary de Toledo (1ª voz) e Cauê Filho (2ª voz). Já Mário Monjardim (3ª voz) que se tornou mais conhecido por dublar Pernalonga durante mais tempo, e por ter sido o dublador oficial do personagem por mais de 20 anos, dublando no estúdio Herbert Richers.





Em 1973, na série Kung Fu, Ary de Toledo dirigia alguns episódios, porém , infelizmente, durante a dublagem veio a falecer, segundo consta em 1974, vítima de complicações de uma cirurgia de hérnia.


Um grande artista da voz, da interpretação que marcou uma geração nos estúdios de dublagem que integrou.




Para reelembrarmos um de seus melhores trabalhos na AIC, temos um episódio do desenho de Hanna Barbera: Bacamarte e Chumbinho.




http://www.youtube.com/watch?v=spQ9Ln6yGtM






**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 16 de julho de 2009

MEMÓRIA AIC (8): A NOVIÇA VOADORA


Marcelo Gastaldi e Aliomar de Matos









A irmã Bertrille era a noviça mais aprontona, e sempre dava um jeito de atrapalhar as iniciativas amorosas do galã Carlos Ramiro, dono do cassino em Porto Rico, muitos imaginavam sempre, que no episódio seguinte ela desistiria de viver no convento de Santaco e seria a esposa do Carlos!!! Mas não acontecia...












Aqui, vamos recordar dois grandes nomes da AIC: Aliomar de Matos dublando Irmã Betrille e Marcelo Gastaldi dublando Carlos Ramirez.





Segundo a própria Aliomar de Matos, um de seus melhores trabalhos na AIC.


Quem se lembra ???







***COLABORAÇÃO DO VÍDEO: THIAGO MORAES***



***Marco Antônio dos Santos***

DUBLADOR EM FOCO (54): MÁRIO JORGE MONTINI




Com um vozeirão perfeito para vilões, Mário Jorge Montini fez alguns e também senhores ainda nas antigas rádio-novelas. A dublagem veio naturalmente , devido ao seu talento.



Assim, já a partir da Gravasom ele começa a integrar o elenco do estúdio que iniciava uma nova arte: dublagem. Já na AIC, suas escalações para filmes e séries de tv, sempre tendiam para os homens mais fortes, bandidos em westerns.



Mas, eis que surge a série Agente 86, e foi escolhido para dublar o Chefe de Max. Nesta série, Mário Jorge Montini também demonstrou a arte do humor com o vozeirão. Infelizmente, as temporadas dubladas pela AIC estão desaparecidas ou "perdidas", pois a série foi totalmente redublada.


Participou de diversos filmes e fez vários convidados especiais em Terra de Gigantes, Daniel Boone, A Feiticeira, onde eventualmente dublava o pai de James.



Um de seus melhores trabalhos é no desenho João Grandão, ao lado do saudoso Nelson Baptista, como o cãozinho Espirro, fizeram a alegria da garotada no início da década de 1970.


Após o encerramento das atividades da AIC, Mário Jorge Montini continuou em outros estúdios e, atualmente, está aposentado, com cerca de 82 anos de idade e quase 50 dedicados à dublagem.


Segue uma pequena lista de seus trabalhos na dublagem

João Grandão em João Grandão (Dublagem AIC)
Chefe (Edward Platt) em Agente 86 (Dublagem AIC)
Arthur Bicudo (George Gaynes) em Punky - A Levada da Breca
vendedor de tortas de maça azeda em Ursinhos Carinhosos
Feodor Chaliapin Jr. (Jorge de Burgos) em O Nome da Rosa
Shima (do episodio 1 ao 16) e varios monstros em Changeman
Fluffi em Os Seis Biônicos
Fuher em Cybercops
Chefe em Inspetor Bugiganga
Tartaruga do Mestre Kame em Dragon Ball (Gota Mágica) e Dragon Ball (Álamo)
Muri o novo patriarca de Namekusei em Dragon Ball Z - O Retorno de Coola (Filme)
Brutus em Popeye (Anos 80 - Álamo)
Grande Sábio(Wiseman) em Sailor Moon R
Quimera com marreta subordinado do Ganância em Fullmetal Alchemist
Avô de Junior em O Pestinha


Vamos recordar Mário Jorge Montini ao lado de Nelson Baptista no desenho João Grandão:






***Marco Antônio dos Santos***

DUBLADOR EM FOCO (53): OSMAR PRADO




Osmar Prado nasceu na capital paulista, em 18 de agosto de 1947. Seu nome verdadeiro é Osmar do Amaral Barbosa. Aparentava sempre menos idade.Estava com 10 anos quando começou como ator mirim na TV Paulista, segunda emissora a ser inaugurada em São Paulo. Na época a emissora pertencia a Organização Victor Costa. E Osmar Prado atuou nos principais teleteatros e novelas do Canal 5, que era a Paulista. Estrelou teleteatro infantil, com adaptações das histórias de Charles Dickens, com produção e direção de Líbero Miguel. O menino fazia sucesso.


Quando a emissora foi adquirida pela TV Globo, o garoto permaneceu lá. Participou então de:"As Grandes Esperanças", na TV Globo. E em várias outras novelas, como: "Mateus Falcone"; "A Herdeira de Ferleac"; "A Loja das Antigüidades";"Tortura DÄlma"; "Ilusões Perdidas".


Foi quando Osmar Prado transferiu-se para a TV Excelsior. Estava já com 20 anos e percebia a importância da nova emissora de São Paulo. Ali participou de novelas de muito sucesso. Fez::" A Muralha"; "Os 'Estranhos"; "Dez Vidas".

Justamente nesse período em que esteve na extinta TV Excelsior, Osmar Prado participou da AIC em diversos trabalhos. Dublou alguns convidados especiais em séries: Jornada nas Estrelas , Perdidos no Espaço e, principalmente, O Túnel do Tempo.




Mas foi na 2ª temporada de Viagem ao Fundo do Mar que Osmar Prado ganhou um personagem fixo: o marujo Rilley, que ficou apenas nessa temporada, pois foi se alistar para combater na guerra do Vietnã.




Voz bem clara, demonstrando uma interpretação muito consistente, o seu ideal em ser ator, começa quando recebe um convite da TV Globo para integrar a novela "Assim na Terra Como no Céu", deixando São Paulo e também a dublagem na AIC.



Fez uma longa carreira em novelas na TV Globo, mas passou também por outras emissoras. No início da década de 1970, ainda participa um pouco da dublagem no estúdio Herbert Richers, embora eventualmente.



Osmar Prado é hoje um nome conhecido nacionalmente , que também deu seus primeiros passos na AIC.

Pela proibição da distribuidora Fox, não podemos ilustrar sua dublagem como Rilley em Viagem ao Fundo do Mar, tampouco como o garoto que está dentro do espelho na 1ª temporada de `Perdidos no Espaço, assim encontramos uma cena do episódio "A Galáxia", onde ele dubla o oficial com a camiseta amarela ao lado de Rebello Neto e Carlos Alberto Vaccari.











***Marco Antônio dos Santos***

sexta-feira, 10 de julho de 2009

MEMÓRIA AIC (7): ROBERTO BARREIROS DUBLANDO BABALU








O fiel companheiro de Pepel Legal sempre estava com ele e também passava pelas suas enrrascadas, o porquinho mexicano Babalu.




Coube a Roberto Barreiros fazer a sua dublagem e o fez dando um sotaque espanhol, que era mais um "portinhol" para que as crianças da época o compreendessem muito bem.




Babalu sempre era uma espécie de consciência de Pepe Legal, muito afoito em ser o herói. Um desenho do início da década de 1960, magistralmente dublado por Roberto Barreiros. Se a dublagem fosse realizada atualmente, Babalu falaria: "Calma aí meu, porque cê tá assim ô Pepe ?"




Se acreditam que estamos exagerando é só dar uma olhadinha na redublagem de Chaparral!!!!



Neste desenho, ainda do início da AIC, temos como o narrador Rogério Márcico e Lima Duarte fazendo a 1ª voz de Pepe Legal, que juntamente com Roberto Barreiros dão todo um tom diferente ao desenho.



Apesar de Roberto Barreiros ter se afastado da dublagem, magoado com os direitos autorais, o nosso muito obrigado por um Babalu maravilhosamente dublado!


Revejam:









***Marco Antônio dos Santos***

quinta-feira, 9 de julho de 2009

DUBLADOR EM FOCO (52): OSMIRO CAMPOS







Por suas entrevistas pela mídia, sabemos que Osmiro Campos começou a dublar filmes nacionais por volta de 1951. Naquela época, a captação do som para a realização de um filme apresentava enormes problemas e, os nossos técnicos recorriam à dublagem para melhorar a qualidade sonora.










Com a obrigatoriedade da dublagem para filmes que fossem exibidos em nossa tv, Osmiro Campos encontrou um enorme campo no estúdio Gravasom. Ali, já demonstrou o excelente dublador em episódios da série Além da Imaginação. Há um, especificamente, onde praticamente ele está sozinho: "O Homem Nervoso", onde o personagem conversa com o seu outro ego através de um espelho. Um é fraco, tímido e inseguro, enquanto que o outro é dominador, tirano e até assassino. Uma belíssima aula de dublagem, onde ele mantém o diálogo dos personagens.










Com a extinção da Gravasom e a chegada da AIC, Osmiro Campos teve sempre personagens diversos para dublar: do drama à comédia, do herói ao vilão, sempre conseguiu dublar com extrema perfeição. Foi um dos dubladores sempre escalados nas séries Rota 66 e Cidade Nua, ainda no inicio da AIC.










Devido ao seu timbre de voz, observamos que sempre foi mais lembrado para os vilões, mas também personagens leves conseguia fazê-los muito bem.










Um dado curioso é que Osmiro Campos participou de duas séries de Irwin Allen onde numa foi o herói, noutra um vilão sem alma:





***Capitão Crane de Viagem ao Fundo do Mar na 3ª e 4ª temporadas, substituindo Hélio Porto.





***Inspetor Kobick em Terra de Gigantes fazendo um personagem muito mais temido por todos.










Paralelamente sempre foi convidado nas séries Daniel Boone, Jeannie é um Gênio e A Feiticeira. Aqui, nesta última série ele já participa de episódios e demonstra o seu lado de humor como no episódio "Verdadeira Palhaçada", onde faz um palhaço que acaba sendo enfeitiçado para adorar Tábata.





Assim, quando houve a necessidade da troca de Dick York, por motivos de doença, para Dicy Sargent, Osmiro Campos passa a dublar o marido de Samantha.










Seguindo na carreira sempre, chegamos ao início da década de 1980 e Osmiro Campos ganha o personagem Professor Girafales do seriado Chaves. Aqui, segundo suas declarações, o personagem inicialmente era realizado por Potiguara Lopes, mas como também traduzia a série, preferiu ficar só com a tradução e Osmiro assumiu maravilhosamente o Professor , um pouco galanteador.










Aqui vamos registrar alguns momentos de Osmiro Campos para todos se lembrarem:










***No filme, José e seus irmãos, produção de 1965, onde participa na cena o dublador Mário Jorge Montini***


















***Na série Cidade Nua dublando o ator convidado Dick York.








http://www.youtube.com/watch?v=aeqmIx-DlI4










***Apesar da dublagem não ter sido realizada na AIC, quase todos os profissionais participaram da AIC e isso trouxe muita qualidade ao seriado Chaves, pela experiência dos dubladores. Aqui uma cena de Osmiro Campos dublando o Professor Girafales, acompanhado de Carlos Seidl e Marcelo Gastaldi.







http://www.youtube.com/watch?v=fwAKNINy1Bk









***Marco Antônio dos Santos***




segunda-feira, 6 de julho de 2009

DUBLADOR EM FOCO (51): WILSON RIBEIRO







Durante toda a década de 1960, Wilson Ribeiro foi um dublador praticamente presente em quase todas as séries de TV, desenhos ou filmes. Sua performace era tão extraordinária que obteve personagens fixos em diversas séries, além de ser um dos dubladores mais convocados para dublar os convidados especiais.










Infelizmente, por mais que tenhamos tentado não conseguimos descobrir a sua biografia antes de chegar à AIC. Sabemos, apenas, que o seu nome verdadeiro é Josias Nep Ribeiro. Entretanto, pouco importa, pois foi justamente neste estúdio que ele demonstrou toda a sua qualidade de trabalho. Heróis ou terríveis vilões se transformavam completamente com sua voz e interpretação.










Para que possam ter idéia de quantos personagens Wilson Ribeiro deu a alma, fizemos uma relação, porém talvez possamos ter esquecido algum. Relacionamos aqui os seus personagens fixos, mas também algumas participações especiais dublando um ator convidado.










***PERSONAGENS FIXOS:





** Robert Stack em Os Intocáveis**





** James Drury em O Homem de Virgínia**





** Detetive Adam em Cidade Nua""





** Ratinho Faro Fino no desenho Olho Vivo e Faro Fino**




**Steven Hill na 1ª temporada de Missão Impossível**




**A voz no gravador de Missão Impossível na 3ª e 4ª temporada**




**Napoleon Solo em O Agente da UNCLE**



** Sr. Morton em Viagem ao Fundo do Mar**



** Scott Lancer na série Lancer**





** Manuelito (Manolo) em Chaparral**





Em todos esses personagens, Wilson Ribeiro foi fantástico na interpretação, mas aqui devemos destacar o personagem Manuelito em Chaparral, onde com um sotaque espanhol deu uma característica toda especial ao personagem sem o tornar caricato. Um trabalho primoroso , o qual infelizmente desapareceu.


Mas também, como convidado especial, parecia que fazia parte do elenco fixo da série. Vamos listar alguns, pois foram inúmeros:





**Adônis no episódio "Lamento por Adônis" de Jornada nas Estrelas"





**O alienígena no episódio "A Voz do Espírito" em Perdidos no Espaço, uma de suas melhores atuações***





** Vários convidados na série O Túnel do Tempo, como Robin Hood e mais uma dezena de participações**





** Em Terra de Gigantes nos episódios "Terror" e "Sabotagem"**







Enfim, sua colaboração para a boa dublagem da AIC foi enorme. Infelizmente, a Fox não permite exemplos de vídeo, assim postamos três momentos de Wilson Ribeiro, os quais pudemos encontrar:





O ratinho Faro Fino no desenho Olho Vivo e Faro Fino. Aqui, o gato Olho Vivo é realizado por outro mestre da voz: Waldir Guedes.









Como o detetive Adam na série Cidade Nua.

















Como o cientista que faz uma cópia do capitão Kirk no episódio "As Meninas" de Jornada nas Estrelas, aqui ao lado de Emerson Camargo.












Wilson Ribeiro abandonou a carreira artística para se dedicar a outro tipo de atividade. Apesar de estar afastado há muitos anos da dublagem, um dublador dessa qualidade faz muita falta atualmente! Infelizmente, faleceu no dia 04 de fevereiro de 2010, vítima de um infarto fulminante.






**Marco Antônio dos Santos**

sexta-feira, 3 de julho de 2009

MEMÓRIA AIC (6): WALDYR DE OLIVEIRA DUBLANDO CHOPPER















Poucas vezes vimos o dublador Waldyr de Oliveira dublando outros personagens. Ficou muito conhecido sendo o sr.Spacelly de Os Jetsons, nas duas versões da série, além de participar ativamente em boa parte de Os Flintstones como sr. Pedregulho e também na direção de dublagem.






São raras as participações que ainda temos em séries de tv como convidado especial.





Para mostrarmos todo o seu potencial de dublador, encontramos um personagem (não muito famoso como sr. Spacelly), que Waldyr de

Oliveira dublou com características tão diferentes que nem parece o mesmo profissional: o cão Chopper no desenho O Patinho Duke , produção de Hanna Barbera do início da década de 1960.



Para aqueles que nunca assistiram a esse desenho: Chopper é um grande cão, muito amigo e protetor do patinho Duke (dublado por Gastão Renné , já falecido). O curioso, neste pequeno exemplo, é que o proprietário de Chopper quer levá-lo para uma caçada aos patos e Chopper tem que dar um jeito para não machucar o seu amiguinho.




Uma raridade com a voz de Waldyr de Oliveira, visto que, infelizmente, este desenho teve alguns episódios redublados na década de 1990.

Acessem o URL do YTB e percebam a qualidade da dublagem de Gastão Renné e, principalmente, de Waldyr de Oliveira.

**Atualmente, segundo informações, consta que Waldyr de Oliveira está afastado das dublagens. Seus últimos trabalhos foram no estúdio Mashemelow**







**Marco Antônio dos Santos***

terça-feira, 30 de junho de 2009

MEMÓRIA AIC (5): NACIONAL KID




National Kid se escondia atrás da pessoa do professor Massao Hata, que originalmente tinha o nome de Riusako Hata, mas foi mudado, pois na língua portuguesa podiam determinar estranhas interpretações . Eles foram protagonizados por dois diferentes atores.


Na primeira e segunda aventura o professor e National Kid foram interpretados por Ichiro Kojima e por motivo de saúde, o restante das outras aventuras passaram a ser interpretados por Tatsume Shiutaro.


Depois da aventura com os "Incas Venusianos", o super-herói National Kid enfrentou "Os Seres Abissais", um povo vindo das profundezas do Reino Abissal, governados pelo terrível Nelkon, que navegava os sete mares a bordo de um imenso submarino com formato de um Celacanto ou Guilton.


Depois vieram outras aventuras como "O Império Subterrâneo", "Os Zarrocos do Espaço" e finalmente "O Mistério do Garoto Espacial", onde após todas essas aventuras, o professor revela ao mundo sua identidade secreta e retorna para Andrômeda, deixando uma mensagem de paz e fraternidade para todos os humanos.


Infelizmente, apesar do grande sucesso no Brasil, muitas poucas informações são obtidas a respeito deste seriado. Dados técnicos como o nome do elenco completo, nomes dos episódios e o elenco de cada um deles, fotos de boa qualidade, som e vídeo, são bastante escassas e, na maioria das vezes, repetitivas, nas diversas páginas da Internet.

Letra da música.


Será nuvem, tempestade ou raio?...Lutando pela paz do mundo...Levantando alto as duas mãos...Voando pelo cosmo o nosso herói...Oh! O seu nome é Kid!!!Hey! National Kid!Ele é o nosso herói, Kid!!!National Kid


National Kid teve duas dublagens no Brasil. A primeira, realizada pela AIC/SP e a segunda, do início dos anos 90, pelo estúdio de Emerson Camargo, dublador de Massao Hata (protagonista da série). Estavam sendo preparadas as fitas VHS a serem lançadas pela Sato Company no Brasil e a dublagem original havia se perdido em um incêndio na Rede Globo, infelizmente.

Abaixo, estão relacionados os nomes da maioria dos responsáveis pela dublagem original da série, fornecidas pelo próprio Emerson Camargo.

National Kid foi o seu primeiro trabalho como dublador do titular.
Elenco de vozes da dublagem original:

Massao Hata: Emerson Camargo
Thiako: Cristina Camargo
Goro: Maria Inês
Kurazo: Magaly Sanches
Tomohiro: Rafael Marques

Yukio: Sônia Regina
Dr. Mizuno: Osmano Cardoso (já falecido)
Direção de dublagem: Amaury Costa (já falecido)


***FONTES BIBLIOGRÁFICAS: CENTRAL RETRÔ TV***

***PARA AQUELES QUE QUISEREM RECORDAR, ENCONTRAMOS NO YTB, A ABERTURA ORIGINAL DA SÉRIE, NARRADA POR WOLNER CAMARGO (pai de Emerson Camargo)***

http://www.youtube.com/watch?v=7GPjITJz3F0

***Marco Antônio dos Santos***

domingo, 28 de junho de 2009

DEPOIMENTO DE LUCIANO LOBO












SAMUEL LOBO


Meu pai faleceu em 1972 e minha mãe no ano passado. Eles ficariam contentes em saber da homenagem.Os dois eram fluentes em inglês, e aprenderam sozinhos, tipo autodidata e eu sempre me impressionei com isso.








Eu me lembro muito bem pois meu pai me explicou como funcionava o esquema da tradução e dublagem naquela época.Os filmes chegavam em rolos e num equipamento chamado moviola ele era cortado em pedaços para facilitar a dublagem. Cada pedaço ficava enroladinho lembrando um grande anel, e era desta forma que os profissionais se referiam aos filmes: filmes de longa metragem podiam chegar a ter 300, 400 anéis ou até mais.








Os tradutores recebiam o script em inglês contendo as falas dos personagens, entretanto meu pai e minha mãe assistiam o filme, pois muitos termos e expressões só podiam ser entendidas no contexto do filme. Além disso levavam um gravador da marca “Geloso” italiano e me lembro muito bem pois nas horas vagas eu brincava de gravações com o equipamento. Este gravador facilitava o entendimento juntamente com a trilha sonora em frases de difícil compreensão no script.






Minha mãe escutava cada trecho, lia no texto em inglês e depois datilografava, em sua Olivetti Lettera 22 (que está comigo)com cópia carbonada num papel amarelo as frases em português que depois era compartilhado com os dubladores.O processo de dublagem era mais ou menos o seguinte: dentro do estúdio, a prova de som o técnico passava um dos anéis que mencionei que normalmente tinha duração de 1 ou 2 minutos com o filme em inglês para os dubladores terem tempo de fixar o “timing” da fala. Depois passavam uma segunda vez para falarem em português em cima da fala em inglês para ver se encaixava. Depois, silêncio total, acendia a luz vermelha indicando que ninguém podia sair/entrar do estúdio e aí a dublagem começava. Imagine um filme com 280 anéis quanto tempo tomava dos dubladores.







Além deles ficava também dentro do estúdio o diretor técnico da dublagem que coordenava todo o trabalho e dava o ok para cada anel dublado. Era esse cara que indicava quem ia dublar o que antes do início do filme.Ao final da dublagem os anéis eram religados e os técnicos da moviola preparavam o filme para ser entregue as emissoras de TV.Era mais ou menos assim






Luciano Lobo ***filho do tradutor Samuel Lobo e dublador de Curly em Os 3 Patetas***





***Agradecemos ao Luciano Lobo pelas suas palavras a respeito do trabalho grandioso de seus pais****





***COLABORAÇÃO: Muito obrigado a Rawlinson Furtado por ter nos enviado este depoimento****











***Marco Antônio dos Santos***

quinta-feira, 25 de junho de 2009

2ª ENTREVISTA COM HELENA SAMARA (FINAL)


**ESTA ENTREVISTA FOI UMA CONVERSA INFORMAL, REALIZADA NA CIDADE DE SÃO PAULO, NO DIA 28/10/1991.PROCURAMOS, NA MEDIDA DO POSSÍVEL RETIRAR A ORALIDADE DO TEXTO***




**PARA EFEITO DE TEMAS, DECIDIMOS DIVIDIR EM DOIS BLOCOS O DEPOIMENTO DE HELENA SAMARA> AQUI ESTÁ O BLOCO FINAL.**




1 - Helena, você também dublou a tenente Uhura na série Jornada nas Estrelas, o que você pensa da redublagem dessa série ?


R; Eu não coloco nenhum desmérito ao trabalho dos colegas mais novos. O que eu penso é que houve dois descasos conosco que fizemos a 1ª dublagem. O primeiro creio que vem , não sei, se do país ou de quem responsável pelo desaparecimento da dublagem, acho isso um verdadeiro crime contra o trabalho de diversos profissionais que não dispunhamos das mesmas condições de trabalho, isso deveria ter se perpetuado. O segundo descaso veio, também não sei dizer de quem, de nenhum dublador da 1ª dublagem ter sido convidado para participar de pelo menos um episódio sequer. Eu sei que hoje eu não poderia , com esta voz, dublar a Uhura, mas uma outra personagem convidada talvez. Esse fato creio que deixou a nós que participamos de Jornada nas Estrelas, muito entristecidos com o meio da dublagem. Eu , fiquei muito magoada e imagino como ficou o Emerson Camargo que iniciou a tradução da série.




2 - Houve algum personagem em filme ou como convidada em série que te deixou uma boa recordação, ou seja, você sentiu que fez um ótimo trabalho ?


R: Olha, Marco Antônio, esta pergunta quase nunca existiu, devido aos personagens marcantes que fiz. Mas , certa vez eu fui escalada para dublar uma convidada numa série de faroeste (não me lembro o nome, sei que era um pai e dois filhos).


M.A.: Se chama Lancer essa série!


H: Nossa, que memória, rs, rs, rs, é essa mesmo. Então, eu fui dublar uma mulher madura, mas ela era chefe de uma quadrilha e ninguém fazia nada sem o comando dela. Mas o interessante da personagem é que ela tinha uma filha que voltaria para morar com ela, então ela desfaz a quadrilha. Aí que achei interessante, porque ela arrumou uma casa, a filha chegou e eu tive que alterar totalmente a interpretação na voz. Mas a quadrilha não desistia dela, até que não me lembro ela é assassinada por acaso. Eu gostei muito dessa personagem, pois nesse episódio eu me coloquei no lugar daquela mulher, e creio que foi uma das minhas melhores dublagens.


OBS> O epis