quarta-feira, 25 de novembro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (67): MUÍBO CÉSAR CURY


Muíbo César Cury, ou simplesmente Muíbo Cury, é um dos profissionais mais talentosos do radiojornalismo brasileiro e, certamente, o mais versátil: “Faço estágio, estou terminando meu período de experiência”, brinca Muíbo, um paulista nascido na cidade de Duartina, interior de São Paulo, em janeiro de 1929, e que há “apenas” 37 anos empresta sua voz forte e emblemática à rádio Bandeirantes.




Locutor de auto-falante, auxiliar de escritório e contínuo de banco na sua cidade natal, em 1946 foi para São Paulo, onde iniciou sua carreira, em 1947, na rádio América. Muíbo, que hoje é locutor do “Jornal em Três Tempos”, ao lado do âncora Luciano Dorim, ingressou na rádio Bandeirantes como apresentador de programas de música sertaneja e como rádio-ator.
Foi disk-jóquei na década de 1960.



Alguns anos depois, compondo e cantando música regional, tornou-se o Barroso, da dupla “Barreto e Barroso”, que fez muito sucesso. A consagrada “João de Barro”, com cerca de 60 re-gravações é de autoria de Muibo Cury e Teddy Vieira.




Além do trabalho na rádio Bandeirantes, Muíbo apresenta há cinco anos o programa “Raízes do Brasil”, na rádio Cultura AM, programa que substituiu o célebre “Estrela da Manhã”, apresentado por Inezita Barroso.




Com todo esse currículo, a sua ida para a AIC foi um caminho natural em sua carreira. Com uma voz bem nítida e forte, participou também do período áureo do estúdio. Devido às suas outras atividades, Muíbo César Cury fez diversos personagens convidados em séries de tv e integrou também a dublagem de filmes.


Não encontramos registros sonoros de nenhum personagem fixo que tenha dublado na AIC. Encontramos diversas séries de tv, nas quais dubla atores convidados: Viagem ao Fundo do Mar, Daniel Boone, Jeannie é um Gênio, Missão Impossível, Jornada nas Estrelas, etc.


Aqui relacionamos dois convidados que dublou, os quais o seu trabalho demonstra a sua experiência também com a arte de dublar:

**Na série Viagem ao Fundo do Mar: episódio "O Gigante Submarino" da 2ª temporada.

**Na série Jornada nas Estrelas: episódio "A Cortina" da 3ª temporada.


Na década de 1980, Muíbo César Cury retornou aos estúdios de dublagem, especialmente para as seguintes participações:


** Kaura em Flashman**

**Chang Kung Fu em Jiraiya**

**1ª voz do Mantor do Diabo em Lion Man**


Atualmente continua participando somente de seu programa de rádio. Um grande artista da voz desconhecido do público!!


**Marco Antônio dos Santos**


terça-feira, 24 de novembro de 2009

O FILME NAKED CITY: INSPIRAÇÃO PARA A SÉRIE CIDADE NUA !!!




Em Nova York, durante a madrugada, uma bela modelo de 26 anos, Jean Dexter, é brutalmente morta em seu apartamento e logo após um dos assassinos mata o cúmplice. No dia seguinte, uma viúva de 42 anos, Martha Swenson, que faz serviços domésticos para Jean, acha horrorizada o corpo de sua patroa.




Investigam o caso o veterano detetive Dan Muldoon (Barry Fitzgerald) e Jimmy Halloran (Don Taylor), seu dedicado mas inexperiente auxiliar. Frank Niles (Howard Duff) é chamado para depor e diz várias mentiras, mas tem álibi que o inocenta. Fica claro que ele está envolvido em algum golpe e sabia quem seriam os possíveis assassinos de Jean. Na caça ao criminoso pessoas são seguidas e espantosas verdades são reveladas, levando a polícia a fazer um obstinada investigação.




Um filme"noir" por excelência, produzido em 1948, mostrando a cidade de Nova York sem maquiagens, os seus verdadeiros habitantes e suas imperfeições e seus relacionamentos. A fotografia do filme tem a tendência em exibir a cidade durante à noite, onde tudo se modifica.




Este filme inspirou a criação da série de tv Cidade Nua (1958 - 1963), onde retiraram diversos aspectos que marcaram a série, como a célebre frase no final de cada episódio: "há oito milhões de histórias na cidade nua, esta foi apenas uma delas". Também , assim como no filme, a presença do narrador é marcante sempre nos relatando e introduzindo-nos na trama.




A dublagem realizada pela AIC, na série, é bem anterior ao filme. Verifica-se isso, pelos dubladores que participaram da dublagem do filme. Mais um trabalho perfeito que a AIC realizou. Aqui destacamos a atuação de Eleu Salvador que dublou Barry Fitzgerald, o tenente que cuida do caso, utilizando um tom de voz que lembra muito a do ator.




Os principais dubladores são:


**Barry Fitzgerald (tenente Dan Muldonn): dublado por Eleu Salvador.


**Don Taylor (Jimmy Halloran): dublado por Nelson Batista.


**Frank Niles (Howard Duff): dublado por Garcia Neto.


**Martha Swenson: dublada por Sandra Campos.




Como se trata de uma investigação policial, os detetives investigam e conversam com diversas pessoas, portanto o filme traz inúmeros dubladores, não os repetindo em outros personagens. Temos assim, mais uma vez, com clareza a diversidade de vozes que a AIC possuía em seu elenco, dublando apenas um "anel".




**Outros dubladores que participam: José Soares, Elaine Cristina, Sílvio Navas, João Ângelo, Francisco José, Olney Cazarré, Carlos Campanile e muitos outros...




Para os amantes dos filmes "noir" é um ótimo filme e com o sabor da AIC, que ainda traz Chico Borges como o narrador da história. Este filme está disponível em DVD em duas versões diferentes e, apenas uma, traz a dublagem em português.




Mais um trabalho primoroso deixado pelo elenco que passou pela AIC!




**Marco Antônio dos Santos**

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A DUBLAGEM DE "A UM PASSO DA ETERNIDADE"




Produzido em 1953, em preto e branco, neste filme paixão e tragédia colidem numa base militar em um fatídico dia de dezembro de 1941. O recruta Prewitt (Montgomery Clift) é um soldado e ex-boxeador sendo manipulado pelos seus colegas e superiores.




Seu amigo Maggio (Frank Sinatra) tenta ajudá-lo mas já tem seus próprios problemas. O sargento Warden (Burt Lancaster) e Karen Holmes (Deborah Kerr) trilham o perigoso caminho de amantes ilícitos. Cada uma das vidas será mudada quando suas histórias culminarem com o ataque japonês a Pearl Harbor.




O filme foi ganhador de 8 Oscar, além de diversas indicações:
Filme, Direção, Roteiro, Ator (Montgomery Clift), Ator (Burt Lancaster), Atriz (Deborah Kerr), Ator Coadjuvante (Frank Sinatra), Atriz Coadjuvante (Donna Reed), Fotografia em Preto e Branco (Burnett Guffey), Figurino em Preto e Branco (Jean Louis), Som (John P. Livadary), Edição (Willian A. Lyon), Música (Morris Stoloff e George Duning)
Cannes: Grande Prêmio, Prêmio Especial
Globo de Ouro: Direção, Ator Coadjuvante (Frank Sinatra)




A dublagem realizada pela AIC é mais uma obra-prima do estúdio. Realizada em seu pleno apogeu, os dubladores tornam o filme muito mais marcante, a interpretação transforma-o mais emocionante em todos os seus aspectos.




O interessante é que, devido às características do roteiro, há diversos personagens e não se encontra um mesmo dublador que faça dois pequenos personagens (fato comum atualmente).


A direção de dublagem, realizada por Sérgio Galvão, foi impecável e os dubladores nos deixaram suas vozes para a "eternidade".




Aqui, relacionamos os dubladores principais:


**Burt Lancaster: dublado por Aldo César.(interpretação extraordinária)


**Frank Sinatra: dublado por Carlos Campanile (um trabalho extraordinário, talvez um de seus melhores).


**Montgomery Clift: dublado por Sérgio Galvão (um tom intismista, perfeito).


**Deborah Kerr: dublada por Líria Marçal (dispensa comentários: atuação talentosa).


**Donna Reed: dublada por Isaura Gomes (a voz adequada e talento).


**Ernest Borginne: dublado por João Ângelo (sempre valorizando o ator).




*** Há ainda as presenças de: Astrogildo Filho, Arquimedes Pires, Sandra Campos, Silvio Matos, Hugo de Aquino, Helena Samara e muitos outros.


***Felizmente a dublagem foi preservada e está disponível em DVD para os admiradores do cinema de Hollywood, da década de 1950, e sem dúvida, para os fãs da Arte Industrial Cinematográfica São Paulo.


***O filme ainda traz uma curiosidade: o narrador da abertura é Muíbo César Cury.




**Marco Antônio dos Santos**

domingo, 22 de novembro de 2009

ENTREVISTA COM GILBERTO BAROLI


**ESTA ENTREVISTA FOI CONCEDIDA A LEANDRO PEREIRA LESSA E FAZ PARTE DA SUA MONOGRAFIA "A DUBLAGEM NO BRASIL", APRESENTADA À BANCA EXAMINADORA DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE FEDRAL DE JUIZ DE FORA/MG, EM 2003**



Gilberto Baroli é ator desde 1967. Trabalhou com teatro, TV e dublagem, mas a partir de 1976, passou atuar apenas como dublador. Ele também dá palestras, contando sobre a história da dublagem e as curiosidades da profissão. Reside em São Paulo, onde também faz serviços de tradução e adaptação de roteiros estrangeiros para serem dublados. A entrevista foi concedida por telefone na noite do dia 8 de janeiro de 2003.


P – Como começou a dublagem?
R – Em 1928, aconteceu a transição do cinema mudo para o falado. Antes disso, os filmes chegavam a ter narração ao vivo nas salas de exibição. Quando começou o cinema falado, aí foi necessária a gravação de duas pistas, uma delas para a trilha sonora. Os Estados Unidos, para não perderem terreno no mercado, gravavam seus filmes com artistas estrangeiros em idiomas diferentes, nos estúdios americanos ou em outras locações. Na França, um filme chegou a ser rodado 60 vezes, sempre em uma língua diferente.


P – Eu me recordo que o filme O Anjo Azul, com a Marlene Dietrich, foi rodado em alemão e em inglês. Mas este processo era muito dispendioso.
R – Exato. Então, surgiu a dublagem. Um dos trabalhos de dublagem era em filmes de países de língua não-inglesa para o inglês nos próprios locais onde foram produzidos para que chegassem ao mercado americano. E isto existe até hoje. Nós podemos perceber bem a dublagem no filme Cantando na Chuva, a atriz de voz fanha finge cantar, mas depois a cortina se levanta e percebemos que era a Debbie Reynolds a responsável pela bela voz.


P – E em relação à dublagem de um produto audiovisual de uma outra língua?
R – Nos Estados Unidos, não havia problema, pois a grande maioria dos filmes era produzida lá mesmo. Mas em países da Europa que não falavam inglês, produções nesta língua poderiam se tornar um empecilho. Na Alemanha nazista e na Itália fascista, não se admitia a entrada de produções em um idioma que não fosse o deles. Então, começou a se colocar atores para dublar as produções estrangeiras. Na Itália, as dublagens eram feitas nos estúdios da Cinecitá. Além da dublagem, havia a censura, que mudava a trama de acordo com os interesses do governo. Aqui no Brasil, na época da ditadura, uma produção que falava sobre tráfico de drogas teve que ser trocada, na dublagem, para contrabando de pedras preciosas, por causa dos censores. Essa censura também parte, às vezes, das próprias distribuidoras. Quando eu traduzi O Belo Antônio, não queriam que eu usasse o termo “impotente” para designar o personagem principal, ordenando que fosse trocado por “incapaz”. E essa era a trama principal do filme.


P – E a dublagem no Brasil?
R – Iniciou com os filmes da Disney na década de 1940. Há duas crônicas de Guilherme de Almeida, no jornal Estado de São Paulo, que tratam do assunto. A partir dos anos 50, começou a dublagem para a televisão porque não havia uma boa tecnologia para colocar legendas nos filmes para a TV, elas eram difíceis de serem lidas. Esta parte da dublagem surgiu em São Paulo. A Cinematográfica Maristela, por volta de 1954, foi extinta. Então se aproveitaram os equipamentos de som para fundar a Gravasom, o estúdio pioneiro que daria origem a AIC, num imóvel que depois passou para a BKS.


P – AIC é a sigla de Arte Industrial Cinematográfica. O que quer dizer BKS?
R – Depois da falência da AIC, que ficou devendo a todo mundo, inclusive ao “idiota que vos fala”, Pierângela Piquet e Bodan Kostiw entraram como sócios em 1976 para um serviço de som onde ficavam os estúdios, então das iniciais de Bodan surgiu o BKS.


P – Quando você começou como dublador?
R – Foi em 1967. Eu tinha acabado de começar no teatro, quando a Helena Samara me levou para fazer dublagem. Na época, a AIC contava com uns 50, 60 dubladores. Mas, naquela época, era uma loucura conseguir espaço no meio de tantas feras, como Flávio Galvão, Dênis Carvalho e Ary Fernandes, que é o criador do Vigilante Rodoviário. Havia também o Older e Olney Cazarré, que eram irmãos, mas todos pensavam que Older era pai de Olney. Os dois eram irmãos. Older era mais velho e, como tinha um porte magrinho e careca, só fazia papel de velhinho. Ele morreu atingido por uma bala perdida, quando dormia em seu apartamento no Rio de Janeiro, que ficava próximo a uma favela. O Olney foi o corinthiano da Escolhinha do Professor Raimundo.


P – Como era a relação entre os dubladores naquele tempo?
R – Eles eram muito bacanas. Por exemplo, o Borges de Barros, que fez a voz do Dr. Smith em Perdidos no Espaço, é meu amigo até hoje. Eles me chamavam no estúdio, “Vem cá e faz isso”, e estou até hoje fazendo isso.


P – Qual foi seu primeiro trabalho como dublador?
R – Eu já fiz muita coisa, mas a primeira não há como esquecer. Fui um piloto que só tinha duas falas num desenho do Maguila, o Gorila.


P – Você fez o robô do Perdidos no Espaço?
R – Eu fiz a quarta voz. Substitui o Amaury Costa, mas ele teve que ir para o Rio, então fiz um teste e fiquei no lugar dele.


P – Como era a gravação?
R – Só havia duas pistas de som, na época: uma de música e efeitos, conhecida como “M.E.”, e outra de voz. Algumas vezes, não vinha a M.E., então as músicas e os efeitos eram recriados em estúdio.


P – Há alguns desenhos animados que, quando entravam as falas, existia uma mesma música de fundo, diferente da original.
R – É, isso acontecia quando mandavam o desenho só com a pista com tudo junto. Então, se reaproveitava alguma parte sem fala para servir de fundo, para encobrir a parte falada em inglês.


P – Quantos microfones eram utilizados no estúdio?
R – Um só, e todos ficavam em volta. Como só havia uma pista de voz, não havia como fazer fala uma em cima da outra. Para fazer fala em primeiro plano e vozerio, colocava-se o dublador em frente ao microfone e os outros ficavam juntos, um pouco afastados.


P – O que você pensa da dublagem de hoje, em que cada ator vai individualmente ao estúdio para gravar?
R – Eu chamo isso de “poleiro”. Colocam o cara lá no estúdio, “encarrapitado” num banquinho, para fazer todas as falas. Eu, quando dublo, peço para ouvir o que já foi dublado para saber a entonação necessária para se dar uma resposta, por exemplo.


P – Na década de 1960, com a Herbert Richers e a AIC como as principais casas de dublagem do país, havia rivalidade entre Rio e São Paulo?
R – Houve uma época de rivalidade por causa de cláusulas de acordo de trabalho, devido à pressão de empresários. No Rio e São Paulo, os dubladores ganham praticamente o mesmo valor, mas há algumas coisas diferentes. Em São Paulo, se você faz 15 ou 20 anéis, você pode dobrar, o que não é permitido no Rio. Neste último acordo, os setores tiveram que lutar em separado. Mas no acordo de 1997, houve uma união da categoria, com uma paralisação que durou 45 dias. Vários trabalhos estavam atrasados, mas os empresários não admitiam ceder. Eu mesmo fui bastante prejudicado. Mesmo depois de cinco meses após o final da greve, eu fiquei sem dublar. Por ter sido um dos líderes do movimento, colocaram-me na “geladeira”

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P – O motivo da maioria das dublagens passarem para o Rio foi por causa da Rede Globo?
R – Principalmente por causa disso. Aliás, essa relação já vem de longa data, já que algumas novelas da Globo eram rodadas nos estúdios da Herbert. Durante algum tempo, a emissora exigia que as produções estrangeiras só poderiam ser dubladas lá. Nesta época, na década de 1970 , a AIC acabou, a Odil Fono Brasil, que fez dublagem um tempo, mas fez pouca coisa conhecida. A empresa era do Ademar de Barros Filho, que a usava para “lavar” o imposto de renda. Nos anos 60, eu cheguei a largar o trabalho de ator para vender enciclopédia de porta em porta. Muitos saíram para fazer televisão, como Flávio Galvão, que estava indo para a TV Tupi, Dênis Carvalho e Osmar Prado, se preparando para ir para a Globo.


P – Na década de 1980, surgiu a Maga.
R – A Maga começou com a TVS, que se tornou o SBT. A emissora queria empresas responsáveis em escalar e pagar os atores para as produções estrangeiras, pois não queria ter vínculo empregatício com os dubladores. Elas eram uma espécie de “intermediárias”. As dublagens eram feitas nos estúdios da TVS. Então, veio a Elenco, a Maga e algumas outras. A Maga era do Marcelo Gastaldi, que as duas primeiras letras de seu nome e sobrenome formavam o nome da empresa. Ele era a voz do Chaves, do seriado mexicano.


P – Por falar nisso, as dublagens das novelas mexicanas eram muito criticadas.
R – Porque eram feitas às pressas. A má qualidade não era culpa de Sílvio Santos, mas das pessoas que ele determinava para os departamentos que ficavam responsáveis por esta parte, pois elas queriam fazer tudo de qualquer jeito para botar “unzinho” no bolso. Quando o SBT acabou com o estúdio de dublagem, a Elenco praticamente fechou. A Maga “sub-existiu”, passando a trabalhar nos estúdios da Marsh Mallow, que alugava um de seus dois estúdios. Depois do falecimento do Marcelo Gastaldi, a Maga acabou. Mas as reclamações que eu ouço agora é que a dublagem das novelas mexicanas no Rio é que é muito ruim.


P – Quando você começou a ser diretor de dublagem? Você teve muitos problemas em aceitar este tipo de esquema de dublagem, individual?
R – A partir de 1972. Não, a gente apenas acompanha as coisas que vão acontecendo. Como a gravação começou a ser em várias pistas, acharam melhor que todos fizessem separadamente sua gravação.
P – O que você tem a falar sobre o “boneco”?
R – Isso é muito desrespeitado no Rio. Toda hora mudam a voz de um ator porque o filme é dublado numa casa onde o dublador não é bem visto, então eles chamam outro.


P – E a distribuidora aceita?
R – Bem, também há o caso de que, se o filme for dublado noutra casa, o dublador pede mais pelo serviço. Então, a empresa comunica à distribuidora que ele está querendo mais pelo serviço.


P – Desde quando trabalha com tradução? Os dubladores levam vantagem sobre os tradutores na hora de adaptar um trabalho audiovisual estrangeiro?
R – Desde 1972. Acho que o dublador possui a noção de ritmo. Muitas vezes, já dentro do estúdio, precisávamos mudar coisas no roteiro porque vinham frases muito longas. Outro problema foi uma vez que ficou um cara de uma distribuidora dentro do estúdio, do meu lado, vendo a dublagem do desenho japonês Cavaleiros do Zodíaco. Ele vinha para nós com falas em espanhol, e roteiro em inglês, e nem sempre os dois batiam, e o desenho vinha em lotes, o que não permitia que a gente conhecesse toda a história. Então, num determinado momento, apareceu o personagem “Unicórnio”, mas o cara da distribuidora mandou mudar para “Capricórnio”, porque só havia boneco para vender nas lojas deste último. Mas era “Unicórnio”, e depois os fãs do desenho, que eram muitos, ligavam para reclamar com a gente. Mas isso era bom, porque muitos nos ajudavam.


P – Você comentou sobre Cavaleiros do Zodíaco. O seu filho, Hermes Baroli, fez o Seiya, um dos personagens principais do desenho. Há vários casos de filhos de dubladores que acabam seguindo pelo mesmo caminho do pai?
R – É porque eles crescem dentro do estúdio com a gente. Mas desde pequeno, o Hermes tinha aptidão para artes cênicas. Quando ele ainda era criança e estava fazendo uma dublagem, eu o estava dirigindo na Álamo. Ele não conseguia fazer algumas reações como riso, e eu ficava atrás dele fazendo cócegas. As crianças, geralmente, possuem dificuldades com essas reações que vêm do peito.


P – Como você desempenha a função de tradutor?
R – Eu uso TV e vídeo. Coloco o filme, traduzo e vejo as falas. O meu processo dura 3 a 4 vezes mais tempo que os tradutores convencionais. Eles não adaptam as falas para a dublagem, e nem fariam isso, porque seria economicamente inviável. A profissão de tradutor é muito mal remunerada. Eu já fiquei bastante tempo sem traduzir por causa disso.


P – O que você acha da situação da dublagem atual em São Paulo?
R – Está melhorando, mas ainda não é o ideal. Pior foi nos últimos quatro meses de 2001, com várias casas com poucos ou nenhum estúdio com trabalho.


P – Quantos estúdios há em São Paulo?
R – São vários. Atualmente, a BKS aluga dois de seus quatro estúdios para a Mastersound. Até o fim do ano passado, gravavam nos antigos estúdios Zankowski, que eram muito usados para o cinema nacional, na época da pornochanchada. A Álamo possui oito, mas apenas três ou quatro funcionando. Há a Sigma, que fez muita coisa da Disney. A Megasom e a Gota Mágica fecharam. O Estúdio Gábia ainda existe, é de propriedade de Ronaldo Gábia. Também existe a Parisi Vídeo, do ex-dublador José Parisi, a Dublavídeo, a Clone, que também faz legenda para filmes. A Centauro, no momento, tem pegado pouquíssimo trabalho, mas eles dublaram o infantil Barney e Seus Amigos.


P – O que é necessário para ser tradutor de produtos audiovisuais estrangeiros? Pelo menos, saber uma outra língua, não é?
R – Na verdade, eu acho que o importante é saber português. Você quer ver uma coisa? Foi algo inusitado e que muita gente não sabe. Havia um anime chamado A Princesa e o Cavaleiro, e aconteceu uma coisa rara com ele. Ele possuía 34 episódios, metade ia ser dublada na Cinecastro, no Rio, e metade em São Paulo, na AIC. Só que o desenho não tinha a pista sonora, nem o roteiro, só a imagem. Aí, perguntaram para mim se eu poderia criar as histórias. Naquela época, eu não podia desperdiçar trabalho algum, então aceitei, mas pedi antes para assistir os 34 capítulos para conhecer os personagens, pegar o fio condutor da história. Isso não é tão difícil. Com 12, 15 anos, queria ser escritor. Lia Machado de Assis e José de Alencar e desejava escrever igual a eles. Se você conhece um autor, você consegue terminar uma obra dele. Por isso, vi todos os episódios do desenho.


P – Ainda existe a dubladora DPN Santos? Ela fazia muita coisa para o Discovery Channel.
R – Sim. A DPN possuía estúdio em Santos, atualmente dois estúdios em São Paulo, no bairro Paraíso. Ela continua fazendo coisas para o Discovery, e está com a nova fase do desenho Dragonball, que passa atualmente na TV por assinatura. O pessoal da empresa dava uma compensação para os dubladores que iam para Santos, mas depois eles viram que isso era inviável e montaram os estúdios em São Paulo. Para quem quer ser dublador, as casas estão no eixo Rio-São Paulo.


P – Como vão as palestras?
R – Há uma conversa para que, no início de fevereiro, eu dê duas palestras sobre dublagem em Belo Horizonte, com atores locais. A Sated/BH me ligou, mas ainda não há confirmação. Quando aparece algum convite, eu faço. O assunto específico a ser abordado varia de acordo com cada lugar, mas eu sempre abro espaço para perguntas depois da palestra. Eu não tenho material escrito, falo tudo de cabeça. E não posso me queixar da recepção. Muitos fãs aparecem, querem saber curiosidades sobre a dublagem, sobre quem fez determinada voz, fazem críticas.


P – O que pensa das críticas em relação à dublagem?
R – Eu acho que isso envolve vários pontos. O primeiro é que existe uma turma interessada em economizar e fala que os filmes devem ser legendados. Outro ponto é que nós precisamos criar uma espécie de ISO, um instituto de qualidade para este tipo de trabalho, para analisar o que está sendo feito. Isso seria importante para que as casas, o distribuidor e a TV tivessem um bom serviço. O meu sonho é que, um dia, os estúdios sejam escolhidos pela qualidade, e não pelo preço baixo. Há umas casas de dublagem que fazem economia nos atores e acabam realizando grandes porcarias. No geral, 50% da dublagem atual são muito mal feitas, 40% poderiam ser muito melhores, e algumas coisas são muito boas, umas até por acaso. Eu vi o DVD de A Fraternidade é Vermelha, cuja versão é feita pela Dublavídeo, que já fez grandes porcarias, mas esta, em particular, saiu boa. Talvez porque o filme só tenha dois atores importantes mesmo. Então, eles devem ter pegado dois bons dubladores, o que não fica tão caro.


P – Você acredita que precisa ter uma experiência em outras áreas de atuação para ser dublador, ou a dublagem seria o caminho inicial para os novos atores?
R – A dublagem é muito diferente, é um trabalho tão específico que alguns atores famosos não conseguem dublar. Não acho que sejam necessárias outras formações artísticas.


P – No início, muitos rádio-atores foram para a dublagem.
R – Na época, havia um boom de novelas radiofônicas. A Rádio São Paulo era o que hoje é a Globo. Mas hoje não há mais rádio-atores, só locutores de rádio com um vozeirão. Na dublagem, não são necessárias grandes vozes, e sim grandes atores.


P – O que acha de artistas famosos fazendo dublagem no Brasil de filmes e desenhos?
R – Acho perfeitamente possível se são grandes atores. Eles ganham o mesmo que um dublador normalmente ganha. Mas para colocar o seu nome é que custa mais. Mas, se os artistas famosos ganhassem um cachê muito alto para dublar, criaria um mal estar muito grande na categoria. Por exemplo, no filme brasileiro feito inteiramente em computação gráfica Cassiopéia, queriam um grande nome para a dublagem. Pensaram, inicialmente, em Jô Soares, mas ele detesta dublagem, fala muito mal dela. Isso é porque ele não consegue dublar. Então, eu sugeri Osmar Prado, que é uma pessoa excelente. Ele aceitou e foi muito bom.


P – Já ouvi outros dubladores falando mal do Jô.
R – Ele possui uma grande capacidade intelectual, mas lhe falta humildade. Nas entrevistas, ele quer ser a estrela. Se o entrevistado está tomando conta do programa, ele corta. Está fazendo o programa errado.


P – Quais são os papéis em que você mais se destacou na dublagem?
R – Bem, qualquer trabalho a gente tenta fazer bem. Sobre os mais conhecidos, eu fui a quarta voz do robô em Perdidos no Espaço. Também fiz a voz do Marshall no seriado O Elo Perdido. Eu encontro com pessoas nas ruas, algumas até telefonam para mim, e pedem para fazer a voz do Saga, do Cavaleiros do Zodíaco.


P – Qual a diferença entre se dublar filme e seriado?
R – Bem, o filme é uma coisa rápida, você termina de dublar em três, quatro dias. Nas séries, por durar mais, é possível ter uma certa continuidade no trabalho. Mas eu fiz muito desenho também.


P – Quais são os dubladores que você considera excelentes?
R – Quando eu entrei no ramo, havia o Waldir Guedes, um grande ator e dublador, o melhor do Brasil na época. Ele fez a voz do segundo Barney no desenho Os Flinstones. Outro excepcional é o Borges de Barros. Ele é muito conhecido pelo Dr. Smith e pelo Moe, mas a dublagem que ele fez do Charles Laughton no filme O Corcunda de Notre Dame, a versão em preto e branco, é realmente fantástica.



**Marco Antônio dos Santos**

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CURIOSIDADE: A PRIMEIRA CRIANÇA NA DUBLAGEM !!!

















***Maria Antonieta Matos Aromatis é filha de José Luiz Aromatis e da talentosa dubladora Aliomar de Matos. Embora Antonieta Matos não tenha dublado no estúdio AIC, trazemos este pequeno depoimento que mostra o seu trabalho em dublagem a partir dos 8 anos de idade até os 18. Na época, as vozes de crianças eram realizadas por dubladoras, portanto Antonieta Matos foi a primeira criança a dublar (o que atualmente é comum!).

Suas dublagens foram realizadas no Rio de Janeiro, no estúdio do MAM (encarregado na época das dublagens dos desenhos Disney) e, principalmente, no estúdio TV Cine Castro no qual realizou diversas dublagens, sendo uma das mais queridas até hoje: Piu-Piu.


Conheça um pouco como era, nas décadas de 1960/70, uma criança dublando conjuntamente com nomes consagrados da dublagem***

1 - Como você descobriu, e com que idade, você começou no universo da dublagem ?

R: Minha mãe já era uma dubladora consagrada (Aliomar de Matos) e me levou p/fazer um teste, na Peri Filmes p/o filme 'A hora e a vez de Augusto Matraga". Eu estava com 8 anos.

2 - Quais dubladores você considera que foram os teus mestres ?

R: Sei que vou esquecer de mencionar alguém mas aí vão alguns nomes:
Domicio Costa, Ênio Santos, Orlando Drumond, Magalhães Graça, Ida Gomes, Selma Lopes, Sonia Moraes, Isaac Bardavid ,Carlos Marques, Norka Smith, Juraciara Diacovo, André Flho, Cleonir dos Santos, Lauro Fabiano, Nilton Valério, Rodney Gomes, Thelmo de Avelar, José Miziara, Ary de Toledo, Ângela Bonatti, Mírian Teresa, Tânia Alves, Waldir Santana, Mara di Carlo, Nair Amorim, Roberto Maya, Paulo Cesar Pereio, Carlos Leão, Luiz Manoel, Pietro Mario, Francisco Millani, Milton Rangel, Jomery Pozzoli, Gloria Ladany, Gualter de Fança, Nely Valverde, Helio Porto, Diana Morel, Carmen Sheila, NatáliaTimberg, Teresa Mayo, Aracy Cardoso, Maria Fernanda, Neuza Tavares, Neide Pavani e tantos outros.

3 - Do que você sente mais saudades daquela época ?



R: Eu era a única criança a dublar e sempe fui tratada com muito carinho, era como se eu fosse a mascote da turma. Todos me acompanharam na transfomação de criança para adolescente. Sinto falta de conviver com tantas pessoas inteligentes, que contribuiram para minha formação pessoal e profissional.

4 - Entre tantas dublagens que você realizou, você foi muito conhecida dublando a Princesa Safire de A Princesa e o Cavaleiro e o Michael Jackson em Jackson Five, na época você tinha noção do sucesso que esses desenhos faziam?



R: Não tinha essa consciência. Eu sabia que fazia sucesso entre meus colegas. Todos achavam o máximo conhecer alguém que fazia algo tão diferente e interessante. Às vezes eu levava algum colega comigo e isso era considerado uma aventura incrível. Até hoje quando comento que fui dubladora, que fiz a voz do Piu-Piu, os amigos pedem que eu diga a famosa frase: "Eu acho que vi um gatinho, vi sim, ora se vi."

5 - Na dublagem de A Princesa e o Cavaleiro, você se lembra dos companheiros que dividiam espaço com você? Como era dublar ao lado desses grandes profissionais?



R: Domicio Costa, Carlos Leão, Paulo Pereira, Mírian Teresa, Sônia Moraes, etc.
Ter ao meu lado pessoas tão talentosas foi um privilégio, nunca esqucerei dessa época.

6 - Quais outros trabalhos em dublagem que você guarda com carinho?



R: Michael Jackson (série Jackson 5), Piu-Piu, Tambor (Bambi), Touluse (Aristogatas), Tom Sawyer (As aventuras de Tom Sawyer) são os que mais marcaram, tenho um carinho especial por esses trabalhos.

7- Em Josie e As Gatinhas e Josie e As Gatinhas no Espaço você dublou a Valéria, como foi dublar essa personagem?



R: Gostei muito, a turma era animada e as histórias eram engraçadas. No início da série quem fazia a Josie era a Tânia Alves, que estava começando a dublar, ela era cantora lírica. Interessante, né?

8 - Na dublagem de Jackson Five, quais eram as pessoas que dublavam com você os irmãos de Michael, Diana Ross, e outros?, Nessa altura você já era adolescente não é?, Até a sua saída da dublagem, com 18 anos, a sua voz ainda era adequada para crianças?



R: A Diana eu não lembro , só ouvindo um dos episódios, assim eu poderia reconhecer a voz. Mas os irmãos eram dublados por Domicio Costa, Carlos Marques, Henrique Ogalla, Paulo Pinheiro.
Minha voz sempre foi fina , por isso dublei personagens infantis mesmo já sendo adolescente e meu tom sempre se encaixava melhor para personagens masculinos.
Tive pouquíssimos personagens femininos, só no seriado da Josie ,Caverna do Dragão e a Princesa e o Cavaleiro .

9 - Qual profissão você desempenhou depois da saída da dublagem?



R: Fiz faculdade de Comunicação e Biblioteconomia, mas nunca exerci. Em função de ter um excelente inglês e espanhol, sempre trabalhei cmo Secretária Executiva Bilingue em grandes empresas.

10 - Deixe uma mensagem para os teus fãs que admiram o teu trabalho até hoje, e que estão felizes por descobrí-la.



R: Quero dizer que tenho orgulho de ter participado dessa época inicial da dublagem, quando ainda se dublava com vários atores na bancada, quando a profissão ainda não era reconhecida. Era uma época onde tudo era feito com muito amor.
O ambiente de trabalho era muito bom, muitas brincadeiras e muita amizade.
Obrigada a todos que reconhecem meu trabalho, sempre fiz com muito carinho e verdade.
Um forte abraço a todos!
***Agradecemos a Antonieta Matos por este depoimento! Muito Obrigado!!**

**Reelembre um episódio do desenho Jackson Five:
**Colaboração: Gerson N. Ferreira
**Marco Antônio dos Santos**












sexta-feira, 30 de outubro de 2009

MEMÓRIA AIC (12): OS MONKEES

OLNEY CAZARRÉ e MARCELO GASTALDI











ÉZIO RAMOS e ORLANDO VIGGIANI











The Monkees era uma série de TV no formato de uma sitcom criada aproveitando o momento histórico e o sucesso que a banda inglesa “The Beatles”, que estourava nos Estados Unidos e fazia sucesso no mundo inteiro. Em vista disso, alguns produtores resolveram produzir um seriado para a televisão que pudesse ao mesmo tempo dar entretenimento e difundir as músicas de uma banda, ainda a ser formada.



Finalmente, chegaram a quatro perfis diferentes compostos por Mike Nesmith, que além de músico era um ótimo compositor, Peter Tork que conseguia tocar vários instrumentos, Davy Jones que já fazia parte do elenco de atores do estúdio e Micky Dolenz, que possui um bom timbre para vocal, além de já ter sido ator quando criança, estrelando a série “O Menino do Circo” e filho de um famoso ator.


Aos poucos, a série foi ganhando respeito e os resultados começaram a aparecer. Suas músicas começaram a ser aclamadas pelo público, assim como os episódios da série que passaram a agradar a todos, devido a sua ingenuidade, juntamente com as suas maluquices, bem ao estilo dos anos 70, com um humor leve e gostoso. O grupo fazia várias turnês e concertos a cada lançamento de um novo disco, angariando ainda mais o número de fãs.


Com o passar do tempo, Mike e Peter resolveram deixar a banda e seguir seus próprios caminhos e foram substituídos pela dupla Boyce & Hart. Pouco tempo depois Peter retornou, mas Mike seguiu seu caminho solo e obteve um grande sucesso dentro da música country. O espetáculo foi apresentado originalmente nos Estados Unidos, pela rede NBC, entre 12 de setembro de 1965 a 19 de agosto de 1968, num total de 58 episódios. Oficialmente a banda acabou em 1971.


A série estreou pela extinta TV Excelsior de São Paulo.

A dublagem de Os Monkees foi realizada pela AIC, e foram escolhidos quatro jovens dubladores:


Davy (Davy Jones): Ézio Ramos

Micky (Micky Dolenz): Olney Cazarré

Mike (Michael Nesmith): Orlando Viggiani

Peter (Peter Tork): Marcelo Gastaldi


Mesmo sendo jovens dubladores, deram o tom certo de comédia e do estilo dos jovens daquela época. Infelizmente, todos já faleceram, com exceção de Orlando Viggiani.


Aqui, temos um trecho dos Monkees dublado e que conta com a participação da dubladora Maria Inês:




**Marco Antônio dos Santos**

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (66): JOÃO ÂNGELO











João Ângelo foi mais um extraordinário dublador que pisou nos estúdios da AIC.




Infelizmente, há anos procuramos a sua biografia antes de iniciar na dublagem, mas não encontramos absolutamente nada!




Pelos registros sonoros, João Ângelo ingressou na AIC por volta de 1967, ano de muitas alterações de dubladores, conforme já comentamos neste blog.




A sua voz e interpretação nos deixam muitas saudades das séries de tv que assistíamos. Ele conseguia ser um terrível mal-feitor, um fora da lei, impiedoso. Em outra séries a comédia era o seu forte como em A Feiticeira e Jeannie é um Gênio.




Há dois trabalhos realizados pelos quais é muito lembrado: a 2ª voz do Dr. Macoy em Jornada nas Estrelas (2ª e 3ª temporadas) e o co-piloto Dan da série Terra de Gigantes.




Muito curioso, que em todos os seus trabalhos a voz era a mesma, mas parecia outro dublador, tamanha integração com o personagem. Sem dúvida, as saudades são bem grandes pela dublagem que realizou em Jornada nas Estrelas, dando um tratamento diferenciado, irônico, algumas vezes em suas discussões com o sr.Spock. Repitimos aqui, o absurdo imperdoável da perda dessa dublagem.




Depois, com o declínio da AIC, ainda verificamos João Ângelo em programas educativos pela TV Cultura de São Paulo e citam uma novela (embora a revista não cite o título) que teria feito um pequeno personagem na extinta TV Tupi no início da década de 1970.








Relacionamos aqui seus personagens fixos em séries de tv, mas lembrando que também participou de dezenas de filmes.




Personagens fixos em séries de tv:




*Dr. Macoy em Jornada nas Estrelas (2ª e 3ª temporadas)**




*Murdoch Lancer (2ª voz), substituindo Carlos Alberto Vaccari**




*Dr. Bombay na série A Feiticeira*




*General Schaeffar na série Jeannie é um Gênio**




*Co-piloto Dan na série Terra de Gigantes**








Como convidados em séries: Daniel Boone, Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço, etc








Há um período, década de 1970, da qual não conseguimos apurar nada! Mas João Ângelo retornou para a dublagem com as séries japonesas e animes, já em meados da década de 1980.




Dublou:




*Hennya em Samurai X**




*Dominantes em SpectremanCicrano na "Parada"


Atualmente, segundo consta, participa como diretor de dublagem no estúdio Dubla Vídeo.





Infelizmente não conseguimos encontrar nehum áudio das séries que dublou na AIC no YTB.




João Ângelo, um nome que deveria constar na categoria de excelente artista brasileiro, porém aqueles que conhecem o seu trabalho, reconhecem o mérito.








**Marco Antônio dos Santos**




domingo, 25 de outubro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (65): DRAUSIO DE OLIVEIRA




capitão Burton








Drausio de Oliveira é mais um nome marcante da AIC e, atualmente, na dublagem.





Segundo informações, fornecidas por ele próprio, seu início foi logo que a AIC efetivamente ganhou o mercado da dublagem.










Em nossos arquivos sonoros, encontramos pontas nos desenhos Os Flintstones, Os Jetsons e Jonny Quest. Entre 1962 e 1965, praticamente só dublava muitas pontas nas séries de tv, filmes e desenhos. Entretanto, fez participações muito marcantes como na série Jornada nas Estrelas.










Mas surge a série Jeannie é Gênio e Drausio ganha o personagem Major Healey. Uma fantástica interpretação para comédia ao lado de um elenco excelente: Líria Marçal, Flávio Galvão, Xandó Batista, etc.










Aqui temos uma declaração de Drausio de Oliveira sobre o personagem Major Healey:










"Olha, foi muito interessante. Era divertido, existia muita afinidade entre eu e o restante do elenco. Dessa forma, a interpretação tinha um ganho - às vezes uma piada que era traduzida ao pé da letra e ficava ruim era adaptada ali na hora. Então, um improvisava a piada e outro a resposta. E tinha que ser desse jeito, pois era uma comédia. Esse trabalho me marcou muito." Fonte: Henshin










Em 1968/69 surge um outro personagem fixo que fez enorme sucesso, aqui já no gênero ficção científica: capitão Burton da série Terra de Gigantes. Nessa época também já exercia a direção de dublagem em algumas ocasiões.










Mas, os seus personagens como convidados especiais em séries de tv sempre foram inesquecíceis, até pelo tom assustador, quando necessário, ou pela interpretação realizada.





Relacionamos:





*alienígena no episódio "Invasores da 5ª dimensão" na 1ª temporada de Perdidos no Espaço.**





*alienígena no episódio "O Homem Sombra" na 3ª temporada de Viagem ao Fundo do Mar.**





*um japonês desequilibrado no episódio "A Morte é um jogo" na série O Túnel do Tempo.**





*participou de dois episódios da 1ª temporada de Jornada nas Estrelas: "As Selvagens", onde dubla o capitão Pike e no episódio "O Senhor de Gothos".










Participou das séries Super Vicki e The Nanny e, atualmente, é diretor do estúdio Centauro em São Paulo.










**Aqui, encontramos as suas duas participações em Jornadas nas Estrelas, dublagem infelizmente desaparecida:



***AS SELVAGENS/PARTE 2:

http://www.youtube.com/watch?v=ojn_zUa8olw



***O SENHOR DE GOTHOS:


**Marco Antônio dos Santos**




sexta-feira, 23 de outubro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (64): FRANCISCO JOSÉ







Francisco José Correa nasceu em agosto de 1940. Ainda bem jovem a carreira artística estava florecendo e procurou diversos caminhos para ser ator. Sua chance viria com a produção da primeira série brasileira para televisão, O Vigilante Rodoviário, em 1962. Apesar de participar de poucos episódios, o jovem ator começava a se dar conta da sua correta escolha para a carreira.






O Vigilante Rodoviário necessitava ter um acabamento sonoro na AIC. Ainda precariamente, eram quase impossíveis de realizar externas com o som direto. Assim, os atores eram chamados para dublarem seus próprios personagens. Na época, segundo consta, Garcia Neto era o responsável, como diretor para a dublagem, e ocorre um fato curioso: apesar do empenho de Francisco José, ele foi aconselhado pelo diretor a que nunca tentasse a carreira de dublador, pois ele tinha vontade, mas não conseguiria por suas dificuldades.






O tempo passou e Garcia Neto se afastou por um período da AIC. Nessa mesma época, a AIC estava procurando novas vozes e Francisco José é aprovado num teste e inicia dublando pequenas pontas e depois personagens convidados em séries e em filmes. Há diversas participações nas séries Daniel Boone, Terra de Gigantes, etc.






Um dia, houve a necessidade de escolher uma outra voz fixa para o personagem Chefe Sharkey da série Viagem ao Fundo do Mar na 4ª temporada. Foi ao teste e reencontra Garcia Neto que foi o diretor de dublagem dessa temporada. Desta feita, Francisco José fora escolhido e teve seu primeiro personagem fixo. O próprio Garcia Neto se divirtia muito com o fato, pois viu que a persistência do jovem dublador demonstrava que ele teria carreira.






E assim a carreira de Francisco José foi se desenrolando. Uma vez com as atividades encerradas da AIC, se transfere para o Rio de Janeiro e dubla durante quase 30 anos no estúdio Herbert Richers. Ali, dublou milhares de convidados em séries, filmes e desenhos. Um de seus personagens mais conhecidos foi Pantro em Thundercats. Mas houve All, a imagem virtual que auxiliava o Dr. Becket na série Contratempos. Já, tendo sido exibida penas pela tv a cabo, dublou o chefe de polícia da série Lei e Ordem. Um de seus últimos trabalhos foi dublar o mesmo chefe de polícia, cujo personagem foi transferido para a série Lei e Ordem: Unidade de Vítimas Especias.






Entretanto, atualmente não estamos ouvindo a sua dublagem, visto que por defender os seus direitos como dublador, não somente os seus , mas também os da classe, foi afastado da dublagem e segue com outro tipo de atividade artística.






Francisco José foi mais um dublador que deu os primeiros passos na AIC e fez uma excelente carreira. Infelizmente, a história de um profissional não é mais levada em conta, somente outros interesses mais escusos!






**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

SINDICATO DE LADRÕES

BORGES DE BARROS ********** ÉZIO RAMOS








Premiado com Oscars de melhor filme, roteiro, direção, fotografia, direção de arte, ator (Brando) e atriz coadjuvante (Eva Marie). Foi indicado a música, coadjuvantes (Lee JCobb, Karl Malden e Rod Steiger).O dramaturgo Arthur Miller se recusou a continuar participando do roteiro, porque brigou com o diretor Kazan quando este delatou seus ex-colegas de Partido Comunista perante a comissão de Inquérito do Congresso Schulberg. O roteirista também foi um dos que delatou os amigos. Por isso, o filme é considerado uma justificativa da delação e, a principio o próprio Brando não quis fazer o papel (e só aceitou porque Kazan foi seu descobridor e já tinham feito duas fitas juntos).








A maior parte dos personagens foi inspirada em pessoas reais: Brando em Anthony Di Vicenzo, Malden no padre John M Corrigan e Lee J Cobb no gangster Albert Anastasia. Muitos estivadores de verdade trabalharam como figurantes. Foi a estréia de Eva Marie e Balsam, além de ter sido a primeira trilha musical composta para o cinema do maestro Leonard Bernstein.








Por mais que se admire o diretor Kazan, não há como negar que aqui ele faz uma justificativa ou apologia da delação. Sua inegável importância é mais devido ao fato de que ele teve grande influência no estilo de representar de toda uma geração, influenciada pelo chamado o "Método" de representação do Actor´s Studio. Foi um filme pesquisado, baseado numa série de reportagens e o autor fez um roteiro exemplar, ficando num meio termo entre documentário e romance. É um filme de denúncia onde certas cenas são admiráveis, assim como a fotografia de Kauffman , em especial na fuga noturna.






A dublagem realizada pela AIC é extraordinária, todos os dubladores participam no mesmo nível
de interpretação, dando ao filme uma característica mais contundente. Borges de Barros foi perfeito para dublar Lee J. Cobb. Mais uma dublagem digna de méritos, assim como Ézio Ramos!






O elenco de dubladores:






Marlon Brando (Terry Malloy): Ézio Ramos



Lee J. Cobb (Johnny Friendly): Borges de Barros



Rod Steiger (Charley Malloy): Francisco José



Eva Marie Saint (Edie Doyle): Lucy Guimarães



Pat Henning (Timothy J ‘Nocaute’ Dugan): Gilberto Baroli



Tami Mauriello (Tullio): José Soares



Outras Vozes: Garcia Neto, Marcos Miranda, Carlos Campanile, João Paulo Ramalho, Sandra Campos.






**Este filme já está disponível em DVD, porém, infelizmente, não traz a dublagem da AIC.






**Marco Antônio dos Santos**

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

JONNY QUEST: UMA DUBLAGEM IMPECÁVEL

SAMUEL LOBO***

***RAFAEL CORTÊZ











É um tanto comum encontrarmos substituições de dubladores, por diferentes razões: séries ou desenhos com muitas temporadas, dubladores que obtiveram um convite para participar em teatro, tv ou cinema.









Jonny Quest, produção de Hanna Barbera (1964-1965), teve apenas 26 episódios, os quais foram dublados no final do ano de 1965 e início de 1966. A escalação do elenco ficou com Amaury Costa, um diretor que primou com este trabalho.









Na realidade, Jonny Quest revolucionava a televisão na época. Um desenho repleto de aventuras para crianças e pré-adolescentes. Seus produtores se inspiraram nos quadrinhos de gibis. A produção do desenho ficou caríssima, pois cada episódio, todos os desenhos que funcionavam como cenários, necessitavam ser totalmente alterados. Os aviões, carros, pessoas tinham sombras. Muito diferente das produções anteriores de Hanna Barbera como Os Flintstones, Os Jetsons e Manda-Chuva, onde o personagem corria e o cenário de fundo era sempre o mesmo. Os mesmos cenários poderiam ser utilizados em diversos episódios. Em Jonny Quest isso era impossível e, apesar do enorme sucesso, o custo da produção não permitiu, na época, mais uma temporada.









A dublagem brasileira da AIC foi uma das mais bem cuidadas para um novo estilo de desenho.




Amaury Costa escalou:




Rafael Cortez Neto para Jonny Quest, Olney Cazarré para Hadji, Dênis Carvalho para Roger Banon e o Dr. Quest ficou com o próprio Amaury Costa. A narração de abertura com Ibrahim Barchini.









O mais curioso da dublagem é que ela trouxe praticamente os mesmos dubladores, dublando os convidados, mas houve o cuidado de em um episódio ser o vilão e, em outro, ser um cientista, um policial, etc. O que gerou a impressão de que houve diversos dubladores participando.









Analisando os episódios, relacionamos os dubladores que atuaram nesse desenho, ora do lado do Mal, ora do Bem. São eles: Waldir Guedes, Luís Orioni, Luís Pini, Older Cazarré, Batista Linardi, Magda Medeiros, Magno Marino, Drausio de Oliveira e, principalmente, Samuel Lobo.









Samuel Lobo era tradutor, porém ficou conhecidíssimo ao dublar Curly em Os 3 Patetas. Aparentemente só teria feito algumas pontas em filmes, mas em Jonny Quest participa de quase todos os episódios, dublando vilões terríveis, serviçais apavorados, chefes de polícia, etc.




Neste desenho, Samuel Lobo demonstra uma capacidade fantástica para a elaboração de diferentes vozes. Este blog já abordou o seu trabalho em "Dublador em Foco (11): Samuel Lobo", no dia 11/09/2008, aqueles que quiserem maiores informações poderão pesquisar.







Assim, Jonny Quest é uma obra-prima em animação, pois muitos americanos cartunistas foram influenciados pelo desenho, e também pela dublagem uniforme, comedida, adequada para um desenho de aventuras, um produto totalmente diverso dos demais desenhos, o qual foi esplendidamente dublado pela AIC e, nos registra as diversas facetas que Samuel Lobo produzia.


"Valeu Samuca"




**Marco Antônio dos Santos**

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O PRIMEIRO DUBLADOR DE PEPE LEGAL




David Neto se chamava David Garófalo Neto. Nasceu em 1929.

Sempre quis ser ator e em 1952 fez o filme: "João Gangorra". Mas queria trabalhar em televisão e apareceu na Televisão TUPI, em 1953. Ali ficou muitos anos. Era diretor de estúdio, função muito importante, quando a televisão era toda feita ao vivo e diretor de estúdio é que tinha o "Script" e a direção na mão. Mas David Neto era também ator.






E fez: "Sangue na Terra"; "As Aventuras de Red Ringo"; "O Falcão Negro"; "Encruzilhada"; "Miguel Strogof"; "O Conde de Monte Cristo". Ao mesmo tempo participou de vários filmes. Atuou em: "O Circo chegou à Cidade"; "O Sobrado"; "Uma História de Ballet". Mas fazia seu trabalho na TV TUPI, como diretor de estúdio e ator.






Fez vários "TVs de Comédia" e "TVs de Vanguarda". Ao mesmo tempo fez os filmes: "Chão Bruto"; "Rei Pelé"; "O Vendedor de Lingüiças".






Bem no início da AIC, David Neto foi o primeiro dublador do personagem Pepe Legal, convidado por Older Cazarré, mas apesar da sua extraordinária caracterização do personagem, David Neto preferiu ir para as novelas que iniciavam com força total por volta de 1963/64 Assim, ele é substituído por Amaury Costa.






Esta informação foi somente revelada nos últimos meses numa entrevista de Roberto Barreiros num programa de rádio, onde afirmou ter dublado Babalu, em diversos episódios do desenho, ao lado de David Neto. Esta informação esclarece categóricamente um equívoco. Em diversos sites, sempre fora atribuída à 1ª voz de Pepe Legal ao ator Lima Duarte, porém nunca concordamos, uma vez que não há nenhum timbre sonoro de sua voz em Pepe Legal.






David Neto fez algumas novelas na TV Excelsior: "A Outra Face de Anita"; "Indomável"; "Ninguém Crê em Mim"; "As Minas de Prata". Nesse tempo fez os filmes: "O Santo Milagroso"; "Cangaceiros de Lampião"; "O Anjo Assassino"; "Vidas Estranhas". Foi então para a TV Record, onde fez: "A Última Testemunha"; "Algemas de Ouro"; "As Púpilas do Senhor Reitor"; "Quarenta Anos Depois"; "Os Deuses estão Mortos"; "O Tempo não Apaga".






Na TV TUPI em: "O Julgamento"; Um Sol Maior". Aí vieram os filmes: "Noites em Chamas"; "A Noite dos Duros"; "Jeca e seu Filho Preto"; "O Outro Lado do Crime". E, por último: "Dama da Zona." Era o ano de 1979. David Neto, com 50 anos, veio a falecer de repente. Em 10 de outubro de 1979.






Apesar de ter dublado somente este personagem, David Neto encantou milhares de crianças durante muitos anos e, atualmente, os adultos.






O nosso Muito Obrigado!!!






Aqui um vídeo do desenho Pepe Legal dublado por David Neto e Roberto Barreiros (Babalu), além da narração de Rogério Márcico:










**Marco Antônio dos Santos***


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

MEMÓRIA AIC (11): QUEM SE LEMBRA DE DENNIS, O PIMENTINHA ?



























Conta-se que o personagem O Pimentinha nasceu num belo dia, quando o desenhista Hank Ketcham escutou a sua mulher gritar para ele "o teu filho é uma ameaça" diante da bagunça que havia provocado no seu quarto, o que inspirou ele a criar em 1951 uma tira denominada Dennis the Menace, que acabou se transformando provavelmente nos últimos 50 anos, numa das melhores tiras cômicas da história que melhor conseguiu captar o "American Way of Life" e imortalizar a época dourada dos anos cinqüenta.


Um ano depois do acontecido em 1952, Dennis the Menace já era apresentado ao público em 16 jornais. Sua popularidade cresceu de forma desmesurada nos anos que se seguiram, sendo adaptada até para a televisão e apresentado originalmente pela CBS entre 1959 até 1963. No Brasil, esta série foi apresentada pela extinta TV Tupi e, posteriormente, pela TV Record com o título de O Pimentinha, tendo sido a sua última exibição no Brasil no dia 31 de março de 1971. Também nessa mesma época circulavam gibis do travesso garoto, admirado por pessoas de diversas idades. A série sempre foi líder de audiência, porém tinha o "grande pecado" de ter sido totalmente produzida em preto e branco e a nossa tv partiu para somente produções coloridas na década de 1970.


A série da televisão mostrava as peripécias de Dennis Michel, filho único de Alice Michel e Henry Michel, uma típica família de classe média dos anos 50 e 60. Dennis era um garotinho agitado, gostava de andar sempre com o estilingue no bolso de trás da calça, mas não era um garoto ruim. Ele adorava de ser prestativo e fazer coisas para os outros, mesmo que não solicitadas, sempre na melhor das intenções. O único problema é que tudo que ele fazia, na maioria das vezes acabava gerando uma série de confusões, principalmente para o irritadiço Sr. Wilson, ou melhor George Wilson.


Sr. Wilson era casado com Marta, uma mulher doce e amável que sempre enxergava as boas intenções do garoto, por isso nunca o recriminava e tentava explicar ao marido para que ele pudesse ficar um pouco mais calmo, depois que Dennis aprontava alguma para cima dele. Eles eram um casal já de bastante idade. A única coisa que George Wilson queria a essa altura da vida era ter uma vida sossegada, cuidar do seu jardim e ler o seu jornal matinal tranqüilamente.


Mas o que geralmente acontecia era sempre o contrário, não tinha um dia sequer que o pimentinha do Dennis não arrumava uma para cima dele, o deixava ele furioso. Ele não via a hora de agarrar aquele garoto e dar umas boas palmadas e ao que Dennis sempre respondia: "Eu só queria brincar!". A série girava praticamente em torno das peripécias de Dennis, que de alguma forma acabavam estourando no colo do Sr. Wilson, que virava uma fera. Em casa, Dennis era considerado um santinho pelo seu pai, que tinha uma paciência danada com ele e compreendia tudo que Dennis fazia, afinal ele só ficava com o filho somente a noite e nos finais de semana quando o garoto estava mais tranqüilo. Henry Mitchel era um engenheiro da aeronáutica e praticamente ficava no trabalho, quase o tempo todo em que o filho aprontava das suas.


A mãe de Dennis, bem que tentava colocar um pouco de juízo na cabeça de seu filho, falando com ele com muita energia, mas mãe é mãe e por mais que o filho fosse um "pestinha" ela tentava compreender e dar carinho ao filho. Quem tinha mesmo paciência com Dennis era a Dona Marta, mulher de George, que sempre tratava o garoto com muito carinho. Talvez enxergasse em Dennis, o neto que ela nunca tivera.


Dennis também contava com sua turminha para fazer as suas brincadeiras. A galera era composta por Joey, Tommy, Margaret e o cachorro Ruff companheiro de todas as horas. Essa turminha sempre participavam do espetáculo, eram o elenco de apoio que dava sustentação as traquinagens de Dennis. Durante a última temporada George e Marta Wilson deixaram o bairro, mas o irmão de George chamado John Wilson (Gale Gordon) veio morar na casa deixada pelo irmão e se tornou a nova vítima de Dennis.



Conta-se que isto aconteceu porque o ator Joseph Kearns (que interpretava George Wilson) não estava bem de saúde e teve de ser afastado, vindo a falecer em 17 de Fevereiro de 1962 de derrame cerebral, o que também pode ter contribuído para o encerramento prematuro da série, pouco tempo depois. Uma outra causa pode ser porque Jay North (Dennis), que já estava com 11 anos de idade, estava começando a crescer demasiadamente e não parecia tanto um garotinho travesso.


A dublagem da série na AIC:





Esta série, apesar de ter terminado em 1963, chega ao Brasil em meados de 1967, sendo exibida pelas emissoras citadas até 1971.





A dublagem deu um brilho especial aos personagens:





Dennis foi espetacularmente dublado por Maria Inês, a qual sempre o cita com carinho.





O pai de Dennis: Wilson Ribeiro.





A vovó Mitchel dublada por Judy Teixeira.





Quanto ao sr George Wilson foi dublado primeiramente por José de Freitas, sendo substituído por Wilson Kiss.










Aqui, temos uma cena desta série dublada pela AIC, para recordarmos:
























**Marco Antônio dos Santos**

AS FASES DA AIC



Uma das tarefas mais complexas é traçarmos as fases bem distintas que a AIC teve em seus quase 14 anos de existência. Praticamente não há documentos que comprovem o seu início, a sua fundação e a data exata da extinção.

No transcorrer desses anos, a AIC foi palco de inúmeros dubladores que por lá passaram, alguns brevemente, esporadicamente. Outros permaneceram na empresa por anos: são aquelas famosas vozes tão conhecidas e lembradas até os dias de hoje.

Baseando-nos, apenas nos arquivos sonoros, e pelas datas das produções dubladas e , principalmente, pelos dubladores que participaram, esboçamos as fases possíveis que a AIC passou. É bom frisar que este esboço é um resultado de pesquisas realizadas no transcorrer do tempo. Evidentemente, o seu resultado não representa 100% das fases da AIC, mas se aproxima o máximo possível. Lembrando que não há documentos sobre o período.

O estúdio Gravasom foi criado em 1958, ainda com pouca produção, consegue dublar desenhos, mas é a partir de 1961 (com a obrigatoriedade da lei da dublagem na tv), que se inicia um processo imenso de filmes e séries de tv para dublagem. Dessa forma, nota-se, sobretudo pela qualidade sonora, que a AIC tenha iniciado o seu trabalho em 1962. Não encontramos a precisão da data, porém já se encontra produções dubladas pela AIC nesse ano. Podemos citar os desenhos Manda-Chuva, Os Jetsons e Os Flintstones.

AS FASES BEM DISTINTAS DA AIC:

1ª FASE - (1962 - 1967): Esta fase é marcada por ser muito radiofônica. Há aqui, claramente, a influência da rádionovela. A maioria de seus dubladores são oriundos do rádio, principalmente a rádio São Paulo, de onde Wolner Camargo convidou diversos. Nesta fase, surgem também dubladores que seguiririam a carreira de ator, alguns se transferem para o Rio de Janeiro com o início da TV Globo.

O ano de 1967 é marcado, notóriamente, pela alteração de dubladores. Há a saída de diversos para a televisão e para outros estúdios de dublagem que iniciavam no Rio de Janeiro. Neste ano há algumas alterações de vozes em diversas séries. Há a saída de Wolner Camargo, porém Older Cazarré assume a direção artística e traz uma nova safra de dubladores, não exclusivamente do rádio, mas de atores que iniciavam nas novelas da época. Assim, são revelados novos nomes e a dublagem perde a influência do rádio.

2ª FASE - (1967 - 1972): Nesse período, a AIC se consolida como o estúdio que mais dublagens realiza para a televisão. O estúdio que já vinha da 1ª fase com grande qualidade e excesso de dublagens, praticamente trabalha quase que 24 horas por dia, sem perder a qualidade. Aqui, como a nossa televisão estava mais popular, o número de filmes e séries de tv aumenta.

3ª FASE - (1972 - 1976): Esta fase já mostra o estúdio em declínio, principalmente a partir de 1974. Aqui, a AIC não consegue competir mais com o estúdio Álamo, recém-inaugurado, e, principalmente com a Herbert Richers, uma vez que houve o declínio financeiro da TV Record e Tupi, a falência da TV Excelsior e a ascenção da TV Globo no Rio de Janeiro. Há uma perda de mercado, muitos dubladores se transferem para o Rio de Janeiro, outros dublam na Álamo. A AIC não consegue sanar as suas enormes dívidas, principalmente com o antigo INPS, e até com dubladores. Assim, ela já era uma massa falida quando um outro grupo a adquire.

Surge assim um novo estúdio, a BKS, no mesmo endereço, porém nunca conseguiu ter a continuação do brilho que o estúdio anterior teve.

Na vida há momentos mágicos, os quais jamais consiguimos repetir, a AIC foi um !!!!!

**Marco Antônio dos Santos**

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (63): JOSÉ MIZIARA



























O ator e diretor José Miziara nasceu em Barretos, SP, em 1935.

José Miziara começou no teatro, como ator, em 1954, ingressando logo após no Circo Piolim.

Na televisão, trabalhou como ator, criador de programas humorísticos, diretor de shows, séries, teleteatros e telenovelas.


Foi diretor artístico nas companhias de dublagem AIC (São Paulo) e Cine-Castro (Rio de Janeiro). Na AIC, teve seu grande desempenho dublando O Besouro Verde ao lado de Ézio Ramos que dublou Bruce Lee. Infelizmente, a série só teve uma temporada com 26 episódios.



Dos cerca de 900 filmes de longa-metragem produzidos no Brasil na década de 1970, aproximadamente 2/3 (ou algo em torno de 600 títulos) eram pornochanchadas. Foi na Boca do Lixo --(região em São Paulo no bairro da Luz -- que a pornochanchada se desenvolveu, dando origem a diversos sub-gêneros, como a própria comédia erótica – à qual o termo é mais comumente associado –, o pornodrama, o porno-horror, o pornopolicial, o pornowestern e mesmo o porno-experimental (de Reichenbach).

José Miziara dirigiu diversos títulos da pornochanchada, em diversos subgêneros, sendo o título mais conhecido hoje "O bem dotado, o homem de Itu" (1977). Ele dirigiu o último episódio - "O Furo", com Jece Valadão e Nádia Lippi - dentro do "Ninguém Segura Essas Mulheres", único filme dos Estúdios Silvio Santos.


Silvio ficou entusiasmado com a direção de José Miziara e o convidou para dirigir sua primeira produção de dramaturgia para TV, a novela "O Espantalho" da autora Ivani Ribeiro. Como diretor de cinema dirigiu dezenas de filmes durante as décadas de 1980/90.

Eventualmente, participa do programa A Praça é Nossa pelo SBT.


José Miziara um artista que demonstrou seu talento em novelas, direção de cinema e também na dublagem, com uma voz sonora, enriqueceu a interpretação de Van Williams na série O Besouro Verde. Mais um artista que fez uma diversificada carreira, e que passou pela AIC.
A série O Besouro Verde pertence ao estúdio Fox, o qual não permite divulgação de imagens de seus arquivos. Assim, encontramos um trecho da novela produzida pela TV Globo Fogo Sobre Terra, de 1974, na qual José Miziara participou. Neste trecho, poderemos recordar as atuações de Dina Sfat e Jardel Filho, além da presença da pequena Rosana Garcia (futura Narizinho).
**Marco Antônio dos Santos**

DUBLADOR EM FOCO (62): GILBERTO BAROLI



























Gilberto Baroli é outro grande exemplo de um artista que seguiu uma extensa carreira na dublagem em São Paulo. Mais um nome que começou na AIC.

Segundo algumas informações, Gilberto Baroli ingressa na AIC como tradutor de italiano e inglês, mas também com uma enorme vontade de tentar a dublagem.

Dessa forma, surgem pequenas pontas em desenhos, porém a sua grande oportunidade viria com a saída de Amaury Costa da AIC.


Ainda durante o rítmo acelerado da dublagem da série Perdidos no Espaço, Baroli é escalado para continuar dublando o robô. Sendo a 4ª voz, ele inicia no episódio nº 74 "Robinson nº 2" indo até o nº 83 "A Enorme Sucata do Espaço", o último da série. Em uma entrevista para fãs, Baroli confessou que "quando estava pegando e gostando da coisa, a série terminou", pois trabalhou pouco tempo ao lado de Borges de Barros, Helena Samara etc.

Também, ainda começando em dublagem afirmou "fui muito feliz em sincronizar a fala com as luzes do robô, mais fáceis do que as bocas dos atores".


Daí em diante, Baroli passou a ser um dublador convidado para diversas séries de tv, filmes. Participou de muitos episódios de Daniel Boone, Batman e Robin, Terra de Gigantes, Jeannie é um Gênio, etc.

E logo chegou à direção de dublagem.


Com o encerramento das atividades da AIC, Baroli continuou na dublagem, participando dos estúdios que começaram a surgir, sobretudo a Álamo, onde desenvolveu diversos trabalhos:



Como dublador:


Satã - A Princesa e o Cavaleiro
Henry - Punky - A Levada da Breca (Desenho)
Sargento Ibuki - Changeman
Aigaman, Zamurai, Silk e Gassami Nº1 - Jaspion
Dokusai (2ª voz)[1] - Jiraya
Chefe Sugata - Maskman
Fantasman (Youki no original) - Spielvan
Alfa Tascan e Beta Dogla - Metalder
Dócrates, Phiton (20 a 22 primeira dublagem) Mouses de Baleia, Babel de Centauro, Capela de Auriga, Algol de Perseu (episódio 36, primeira dublagem), Aiolos de Sagitário (episódio 41, primeira dublagem) Saga de Gêmeos[2], Aioria de Leão (episódio 63), e Kanon de Dragão Marinho/Gêmeos - Os Cavaleiros do Zodíaco
Diavolo (Rajura no original;1ª voz) e Scorpio (Arago no original) - Samurai Warriors
Dunga - Branca de Neve e os sete anões
Narrador e Hudler (2ª voz, substituíndo João Paulo) - Fly: O Pequeno Guerreiro
Dodória - Dragon Ball Z
Doutor Myuu - Dragon Ball GT
Seu Barriga e outros personagens de Edgar Vivar - Chaves (DVDs)
Kilokhan ou Kah Degifu em (Super Human Samurai Syber Squad, Gridman)
Avô em Vandread
Senador Ron Davis em Resident Evil: Degeneration
Participações em Esquadrão Classe A



Direção de Dublagem: Filmes


Ano
Título
1984
Os Caça-Fantasmas


Seriados:
Ano
Título
1988
Samurai Warriors
1988
Jaspion
Referências:
A partir do episódio 17, substituindo Líbero Miguel, devido ao falecimento deste.
Na primeira dublagem a partir do episódio 52, substituindo Walter Breda) e na segunda dublagem em todos os episódios.
Aqui, um exemplo da arte de Gilberto Baroli, em um desenho, demonstrando a grande escola que foi a AIC.
**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (61): JORGEH RAMOS































Jorgeh Ramos possui uma extensa carreira na dublagem. Muito conhecido, nos últimos anos, por narrar a propaganda de um filme para o cinema, esteve também, por um período curto, no estúdio da AIC.





Segundo nossos arquivos sonoros, sua passagem pela AIC data de 1966/67, onde sempre foi muito requisitado para dublar vilões, cientistas obsecados, etc. É dessa época as suas participações em séries como : Missão Impossível, Big Valley e, principalmente, a 2ª temporada de Viagem ao Fundo do Mar onde esteve presente quase em 50% dos episódios. Em todas as suas participações o vilão era dado para ele.





Ao ser lançada no Brasil em dezembro de 1966, a série Perdidos no Espaço trouxe um personagem muito diferente: um robô. Uma das maiores sensações da série para a garotada, Jorgeh Ramos é escalado para dublá-lo a partir do episódio nº 4 (Terra de Gigantes) indo até o episódio nº 19 (O Fantasma do Espaço), sendo a partir daí substituído por Amaury Costa. O curioso é que nessa fase de Perdidos no Espaço, o robô também era meio vilão, uma vez que seguia as ordens do Dr. Smith.





Jorgeh Ramos saiu de Perdidos no Espaço, porque saira também da AIC, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde participa ativamente como dublador e diretor de dublagem no estúdio TV Cine Som. A série Os Invasores reúne, talvez, o maior número de participações, uma vez que o estúdio estava iniciando e possuía um número ainda pequeno de dubladores.





Com o encerramento da TV Cine e Som, Jorgeh Ramos emigra para a Herbert Richers, onde também foi diretor de dublagem e dublou personagens importantes, todos no início da década de 1970. São desse período a dublagem de Lee Majoors na série "O Homem de Seis Milhões de Dólares" (1ª voz), assim como a de Ralph White (John Walton) também a 1ª voz e diversas participações em filmes e outras séries como, por exemplo, Columbo.



Os desenhos não ficaram de fora, assim Jorgeh Ramos dubla Dom Pixote em "A Turma de Zé Colméia", "Carangos e Motocas", "Grande Polegar, detetive particular", etc.



A partir do final da década de 1970, é convidado a ser o narrador para os traillers dos filmes que seriam exibidos no cinema. Trabalho que ainda realiza.



A dublagem volta a pedir vilões para os desenhos Disney. Assim, desde a década de 1990 fez diversos, tais como : Jafar no desenho Aladim, e um dos mais inesquecíveis trabalhos, o leão Scar, em O Rei Leão. Dessa forma, surgiram outros vilões em desenhos para o cinema, como Rasputin em Anastácia.





Aqui, temos uma dublagem realizada na AIC. O seriado realizado para o cinema "Marte invade a Terra", traz Jorgeh Ramos dublando o ator que está de chapéu com a arma e conversa com um invasor marciano. Curiosamente, parece não ser o vilão.







http://www.youtube.com/watch?v=PeiLxTVUkhg

Aqui, encontramos traillers de filmes narrados por Jorgeh Ramos, numa entrevista dada à extinta TV Manchete, em 1993.

http://www.youtube.com/watch?v=zKFORS5_Iyc

**Marco Antônio dos Santos**

sábado, 3 de outubro de 2009

REVENDO A DUBLAGEM DE OS FLINTSTONES

A dublagem do desenho Os Flintstones é muito curiosa e procuramos analisá-la episódio por episódio e encontramos situações, no mínimo, que contradizem muitos sites especializados.



1ª Temporada: Aqui temos a abertura de Fred guiando seu carro com pressa para chegar em casa e ligar a sua tv. Os dubladores são Marthus Mathias (Fred), Rogério Márcico (Barney), Helena Samara(Wilma). Quanto à personagem Bety, Nícia Soares a dubla nos 8 primeiros episódios e, em seguida, é substituída por Laura Cardoso até o final da temporada.



2ª Temporada: Nesta temporada continua a mesma abertura e os mesmos dubladores para Fred, Barney, Wilma e Bety. A curiosidade aqui são as participações de Nícia Soares dublando, eventualmente, alguns personagens que surgem em poucos episódios.



3ª Temporada: Inicialmente com a mesma abertura nos dois primeiros episódios. A partir daí vem a abertura de Fred saindo do seu trabalho e levando Wilma e Dino para o cinema. No final da temporada, após o nascimento de Pedrita, ela é incluída na abertura.

A dublagem aqui se apresenta: Marthus Mathias (Fred), Helena Samara (Wilma), Rogério Márcico (nos dois primeiros episódios), sendo substituído por Waldir Guedes, Laura Cardoso coontinua com Bety e Nícia Soares faz personagens , como uma enfermeira do hospital, no dia de nascimento de Pedrita, mas retorna a dublar Bety no finalzinho da temporada, saindo Laura Cardoso definitivamente.

OBS. Na 2ª e 3ª temporadas o personagem Arnoldo é frequentemente dublado por Garcia Neto, já o sr. Pedregulho temos Waldyr de Oliveira o mais frequente, mas há episódios até dublados por Waldir Guedes na 2ª temporada e Raimundo Duprat.



4ª Temporada: A abertura continua a mesma, porém são incluídos Barney, Bety e Bam-Bam, a partir da sua adoção. Nesta 4ª temporada, temos a impressão de que houve um espaço de tempo maior entre esta e a 3ª temporada para realizar a dublagem, pois há uma grande modificação de dubladores do desenho e daqueles que participam. Aqui já surgem Drausio de Oliveira, Bruno Neto, Carlos Campanile, Older e Olney Cazarré, enquanto nas anteriores temos Luis Orione, Lutero Luis, Rachel Martins e, principalmente, Raimundo Duprat que faz diversas vozes com tons muito diferentes.

Já os dubladores fixos temos a presença de Marthus Mathias apenas nos seis primeiros episódios, sendo substituído por Alceu Silveira, o qual segue nas próximas temporadas. Helena Samara continua dublando Wilma, Bety é dublada inicialmente por Nícia Soares, porém logo é substituída por Aliomar de Matos praticamente no mesmo período em que o dublador de Fred é substituído também. Pedrita fica com Cristina Camargo e Bam-Bam com Older Cazarré.

O fato mais curioso desta temporada é surgir um episódio onde Barney não é dublado por Waldir Guedes e, sim, por Neville George.



**As últimas temporadas: Seguimos com Alceu Silveira (Fred), Helena Samara (Wilma), Aliomar de Matos (Bety e Pedrita), Bam-Bam (Maria Inês), Gazoo (Wilson Ribeiro) e Barney (Neville George).



***Aqui há algo que não sabemos o motivo pelo qual ocorreu a inclusão do nome de Chiquinho Ferrão como sendo a 3ª voz de Barney. Sempre achamos que a voz pertencia a Neville George e perguntamos a 3 dubladores da AIC: Carlos Campanile, Silvio Matos e, principalmente, Aliomar de Matos que teria dublado no mesmo período com Chiquinho Ferrão.

Segundo o dublador Carlos Campanile, ele assistiu ao teste de Neville George para Barney, o qual escolheu como base na dublagem de Rogério Márcico, além de lembrar-se dele também dublando Barney. Nunca conheceu Chiquinho Ferrão.



***Enviamos a nossa dúvida a Aliomar de Matos, pois a sua resposta nos daria a solução do mistério. Silvio Matos, dublador e técnico na AIC, enviou-nos o seguinte e-mail:



"Olá Marco Antonio, a Aliomar e nem eu conhecemos o Chiquinho Ferrão pessoalmente, realmente nessa época quem dublava o Barney era o Neville, e a referencia da voz para ele, Neville, era a do Rogério Marcico, ok?"



Acreditamos que houve um equívoco quanto à inclusão do nome de Chiquinho Ferrão, radialista da Jovem Pan, e não sabemos a origem, porém a palavra de Aliomar de Matos que dublou Bety juntamente com Neville George é categórica e esclarecedora!!!



****Aqui um trecho do episódio "A Máquina do Tempo" de Os Flintstones, onde Barney é dublado por Neville George, ouçam e verifiquem como ele tenta se aproximar de Rogério Márcico.
Além dos dubladores fixos encontramos: Flávio Galvão (cientista), Eleu Salvador (Cristovão Colombo) e Marcelo Gastaldi (marinheiro no tonel e valete no castelo):


http://www.youtube.com/watch?v=0T15_OlwMP0


***AGRADECEMOS A COLABORAÇÂO DOS DUBLADORES: CARLOS CAMPANILE, SILVIO MATOS E, PRINCIPALMENTE, A ALIOMAR DE MATOS***

**MUITO OBRIGADO**

**Marco Antônio dos Santos**

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

IMAGENS FUGIDIAS QUE RETORNAM!!





FOTO DE RITA CLEÓS NO FILME "MACUMBA NA ALTA", AO LADO DA ATRIZ QUE DUBLOU DURANTE TANTO TEMPO: ELIZABETH MONTGOMERY.



Às vezes penso que, com o passar do tempo, vamos perdendo muitas coisas, entre elas, a presença de pessoas queridas que conviveram conosco. Ao mesmo tempo, sinto que presenciei fatos, vi coisas, as quais foram próprias de uma época, de um período de minha vida!


Ao assistir Rita Cleós atuando no filme "Macumba na Alta" de 1958, voltaram em minha mente, como as imagens de um episódio, de forma nítida as suas atuações em novelas a que assisti durante a infância.


A estrela retornou com grande domínio em meu arquivo de artistas, aqueles que nos dão prazer em sempre revê-los. Imediatamente veio a novela O Cara Suja, onde atuava ao lado de Sérgio Cardoso na extinta TV Tupi e, retornaram as suas cenas fazendo-me como que, por um segundo, revê-la à minha frente.


Nossas mentes são incontroláveis e, de repente, também a vi ao lado de Francisco Cuoco na famosa novela Redenção, em Legião dos Esquecidos, Sangue do meu Sangue e fortemente interpretando D. Maria I, a rainha de Portugal, na novela Dez Vidas. Todas na extinta TV Excelsior, palco de artistas de enorme talento que seguiram diversos caminhos.


Talento: essa é a palavra para definirmos a atriz Rita Cleós. Além de iniciar no cinema, fez diferentes personagens em novelas e se demonstrou de forma gigantesca na dublagem.


Já ouvi a atriz Elizabeth Montgomery, a querida Samantha, com sua voz original e sinto que naquele universo de ficção está faltando alguém. Na festa que é assistirmos a série A Feiticeira, Rita Cleós não pode faltar!!!


O curioso é que, ao olhar para o passado percebi que o maior registro que temos é a dublagem de A Feiticeira, pois das novelas citadas nada restou. Agora, surge uma pérola perdida e esquecida no tempo: "Macumba na Alta".


Ao olharmos este filme de 1958, não podemos traçar os mesmos padrões do cinema atual, isso seria irracional, mas convido a todos a observar a leveza, a forma de se posicionar diante de cada ator e das câmeras, sua interpretação com a voz!


Aí veremos a estrela ainda engatinhando, porém tendo pleno domínio de uma atriz com experiência!!


Outo dia, disseram-me que a vida foi injusta com a Rita Cleós, pois a atriz ficou esquecida.


Não! Ela jamais foi esquecida. Ela entrou em milhares de lares com sua voz, sendo a nossa alma brasileira de Samantha, desde o final da década de 1960. Hoje, compramos DVDS para ouví-la! Ela nunca esteve tão próxima de todos nós!


A sua biografia já foi abordada neste blog em 11/09/2008 com o título "Dublador em Foco (04): Rita Cleós". Aqueles que quiserem poderão conhecer maiores detalhes.

**Aqui, através deste link vocês poderão assistir trechos do filme "Macumba na Alta" , onde há a presença de outros atores como: Fábio Cardoso, Jaime Costa, Felipe Carone, etc.

http://www.youtube.com/watch?v=2zbtAvUUhBY

***COLABORAÇÃO: THIAGO MORAES

**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

CURIOSIDADE AIC (22): TRAVESSURAS DE DUBLADORES







Pois, é....essa coisa de ascender as lamparinas da memória pra contar fatos tão passados é um grande exercício,rsrsss



Como estou um pouco sem assunto ( preguiça mesmo) vou contar pra quem não sabe que existe um amigo nosso, especialmente amigo dos dubladores, de todos, que é o Marco Antonio dos Santos, um apaixonado pela história da dublagem.



E hoje eu entrei no blog dele ( http://aiccinematografica.blogspot.com/) e fiquei então olhando a foto da AIC e me perdi no tempo...






Gente, são quarenta anos! É muito tempo!!! É como abrir uma tela onde as imagens vêm em cascatas de flashs aos milhões descarregando memória a baixo.






Tem uma cena sensacional onde eu fui a vítima da brincadeira : eu estava entrando naquele corredor térreo e na outra ponta do corredor, em minha direção, vinha Olney Cazarré, Marcelo Gastaldi, Hugo de Aquino ( que fim deu?) e mais alguém, não me lembro quem. Era uma algazarra só!



Eles vinham falando em um aparelho telefõnico ( aqueles de disco) e quando me viram estenderam o telefone pra mim dizendo que tinha uma ligação pra mim. E, a burra mentecápta aqui, atendeu!!!!






Naquele tempo, nem os fios dos aparelhos eram longos, daí a total impossibilidade do aparelho estar funcionando, claro!Foi tanta gargalhada que acho que fiquei traumatizada. Nunquinha vou me esquecer daquela gozação escandalosa.






Foi muito engraçado mesmo...E eu também ria de mim mesma e não conseguia parar. Entrei no estúdio pra gravar e não parava de rir.Foi o melhor vexame da minha vida, rsrsrsrss






**TEXTO EXTRAÍDO DO BLOG DE JOFERRAZ: http: joferrazfacetoface.blogspot.com






**Marco Antônio dos Santos**

CONVERSANDO COM JOFERRAZ


Sou locutora comercial, sócia fundadora do Clube da Voz. Mas também sou atriz,dubladora,radialista, escultora e artesã. Iniciei carreira profissional em meados de 1967/68 e nunca mais deixei de exercer minha profissão.Mas o exercício da profissão não me bastava...minha criatividade pedia mais, muito mais! Então, paralelamente me dediquei a outras atividades artisticas!



Marco Antonio é um apaixonado pela magia das vozes em dublagem.Então, resolvi entrevistá-lo pra todos vocês ficarem conhecendo mais de perto quem é este homem curioso e fiel depositário de segredos impublicáveis da história tão pouco conhecida da dublagem em São Paulo, desde sua criação.Aí vão alguns trechos de nossa conversa:


- Marco, mas como foi que você se percebeu apaixonado pelas vozes que dublavam?!""Olha, parece incrível , mas tudo começou qdo eu tinha uns 6 anos de idade. Naquela época, a programação de nossa tv era feita só dos famosos "enlatados" e eu assistia tudo. Mas tudo começou mesmo qdo eu assistia o desenho Manda Chuva e Os Flintstones. No Manda-Chuva eu percebia que dois dubladores estavam fazendo tons diferentes de vozes para os personagens...."


"-Poxa, que percepção auditiva incrível!! A gente faz um esforço danado pra modificar a voz quando é necessário fazer uma dobra, rsrsssss ..."


"Eu ficava me perguntando como seriam essas pessoas? Como era feito o processo da dublagem? Assim comecei a me apaixonar por essa arte e dali em diante fui procurando toda informação possível."


"-Imagino que sua família achava, no mínimo estranha essa sua paixão pelas vozes."


"Meu saudoso pai dizia que eu estava ficando maluco com tão pouca idade e procurando dubladores em revistas (na época Intervalo e Revista do Rádio e qdo surgia algum no Almoço com as Estrelas, como o Roberto Barreiros), para mim sempre foi um mundo que me fascinava.Essa curiosidade foi crescendo cada vez mais....


Naquela época, as coisas eram mais complicadas para quem não morava em São Paulo.De uma maneira geral, sinto muito que a internet não existisse há 20 anos atrás, pois poderia talvez ter sido mais útil e ter feito amizade com tanta gente da qual só tinha a voz gravada na mente, durante anos!"


"-Mas como foi que vc chegou tão perto da dublagem a ponto de conhecer todo mundo e até tomar conhecimento de fatos , digamos...hummm, de bastidores, e alguns bastante pessoais, rsrs?"


"Em 1989, eu pertencia a um fã clube de séries de TV em São Paulo, mas na realidade a série principal era Perdidos no Espaço. Decidimos convidar a Helena Samara e o Borges de Barros juntos para um bate-papo, num apartamento. Eles foram e ficamos quase oito horas conversando com eles. Foi uma das maiores emoções para mim: conhecer, conversar com o dublador do Dr. Smith, da Endora...Vi os seres humanos que estavam por trás daquelas vozes que ouvíamos. Ainda tive um novo encontro com a Helena Samara, uma pessoa encantadora!"


"-Era mesmo,,, uma doçura de olhos azuis sempre atenta e prestativa...E, aí?"


"Depois, acabei conhecendo o Emerson Camargo, o Barolli, e fiquei emocionado ao encontrar com o Aldo César, uma pessoa gentil e um grande profissional.E aí vieram outros, como o Marcelo Gastaldi, o Amaury Costa..."


"-Mas eu estou aqui pensando com meus botões e muito curiosa ainda pra saber como foi que tanta informação caiu no seu colo...rsrsss "


"Um dia, vi no jornal local daqui de Santos um anúncio sobre curso de dublagem. claro que liguei e me matriculei. E fiz o curso com mais um profissional de alta qualidade : Silvio Navas. Aprendi tudo com ele, e é lógico mais perguntas sobre a AIC, Cine Castro , Herbert Richers, etc."


"-Haããã...agora entendi, rsrsrsss. Vc não perdia tempo. E como foi que vc teve a idéia de divulgar pelo orkut um pouco da história da AIC?"


"O Silvio Navas dizia que minha voz se encaixava mais para jovens de 25 a 30 anos, mas gostei muito de dublar a velhinha de Os Incríveis. Gostava mais de fazer vozes diferentes, falsetes...Após o curso de dublagem surgiu a ideia de levar a AIC para o Orkut. Jamais poderia pensar que fosse encontrar amigos dubladores da AIC na rede."


"-E o curso, me fala da sua emoção o curso, de se sentir no lugar daquelas vozes que vc sempre admirou""Quando eu fazia a dublagem (hj com mais facilidades técnicas )ficava pensando como os dubladores faziam em 1962/63 ...Era um trabalho maravilhoso, com uma tecnologia precária! Então eu pensava - 'isso não pode ficar no anonimato, esquecido! 'O Silvio Navas dizia que eu sabia mais dos trabalhos de dubladores dos que os próprios."


"-Mas eu soube que vc foi muito incentivado pra pra levar essa idéia a diante e publicar um pouco do nosso trabalho por um dublador muito querido por todos , né?"


"Sem dúvida., Foi o Campanile o primeiro. ele tem uma conduta extraordinária com os fãs, e com todos que o procuram. Depois acabou vindo o querido Arquimedes, o Silvio Matos e a Aliomar, a simpatia do Ronaldo Baptista, o Francisco José, a Dalete, e vc!!!!"


**JOFERRAZ PARTICIPOU TAMBÉM DE UM PERÍODO DA AIC: fez a 2ª voz do computador da Enterprise de Jornada nas Estrelas**


** ESTA CONVERSA FOI PUBLICADA NO BLOG: http: joferrazfacetoface.blogspot.com


**Marco Antônio dos Santos**

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

CURIOSIDADE AIC (21): FOTOS DE ASTROGILDO FILHO


Desde que iniciamos a pesquisa sobre os dubladores da AIC, sempre nos deparamos com a falta de material fotográfico.

Os fãs sempre nos pedem fotos de diversos dubladores, o que talvez chegamos a 50% dos dubladores que deixaram sua contribuição artística na AIC.

Uma das fotografias mais solicitadas, ao lado de algumas outras, foi a do dublador Astrogildo Filho, cuja biografia já foi abordada por este blog no dia 11/09/2008 com o título "Dublador em Foco (03): Astrogildo Filho."

Aqui, recebemos a colaboração de um simpatizante de nosso trabalho, que nos enviou duas fotografias do dublador em momentos diferentes como ator: na série Vigilante Rodoviário e num filme de Mazzaropi de 1963.

Agradecemos a sua colaboração, a qual demonstra que todos são bem-vindos para remontarmos a história da Arte Industrial Cinematográfica.


COLABORAÇÃO: ANTÔNIO CARLOS DIAS MUZELL


**Marco Antônio dos Santos**

domingo, 20 de setembro de 2009

CURIOSIDADE AIC (20): A MOÇA DO TEMPO!!


Aqui, temos algo bem interessante: a dubladora Áurea Maria como "A moça do tempo".

Logo que a TV Cultura de São Paulo iniciou as suas atividades em meados de 1969, era comum a apresentação específica da previsão do tempo.


Ainda bem longe da tecnologia de computadores, a moça do tempo exibia as previsões apenas narrando ou apresentando os desenhos de nuvens, sol, chuvas, etc.


Áurea Maria, nessa época, ainda estava em plena dublagem na AIC, pois dublou Rebecca Boone até a série Daniel Boone findar em 1970.

Esta foto é a mais clara e nítida que consiguimos encontrar desta dubladora que, segundo informações, faleceu ainda jovem.


COLABORAÇÃO: THIAGO MORAES


**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

AGENTE 86 OU BRUNO NETO ?

A Maldição do primo Smith


Tudo começou com o sucesso dos filmes de James Bond na década de 60. Os produtores Leonard Stern e David Susskind, associados a Mel Brooks e Buck Henry, idealizaram uma série de TV
cômica com os mesmos temas: espionagem e Guerra Fria.Don

Adams foi escolhido graças à sua atuação no The Bill Dana Show, no qual fazia um atrapalhado detetive de hotel. Ele se engajou tanto no papel que chegou a sofrer acidentes devido às cenas de ação. Em compensação, ganhou muitos prêmios como ator de comédia. Adams nasceu em 13 de abril de 1923 e faleceu em 25 de setembro de 2005.

Apesar de já contar com todos esses ingredientes cômicos que se tornariam famosos, os executivos de produção da Rede ABC recusaram-se a comprar a série pois, na trama apresentada, a intenção dos vilões era explodir a Estátua da Liberdade.

Os criadores de Smart não se deram por vencidos e foram bater na porta da Rede NBC, que aprovou o projeto e concedeu autorização para iniciar a produção da série, agora totalmente a cores.

A melhor temporada do seriado é provavelmente a primeira, entre 1965 e 1966. Em 1969, a audiência caiu um pouco e a Rede CBS assumiu o programa, encontrando como solução casar os protagonistas, de cuja união nasceram gêmeos. Mas a audiência não se recuperou e, como conseqüência, a série foi cancelada em 1970.

Agente 86 durou cinco temporadas, de 1965 a 1970, ganhando sete prêmios Emmy, dois para seriado cômico e três para Don Adams. Foram produzidos 138 episódios de vinte e quatro minutos. No Brasil, foi exibido primeiro pela TV Record e depois, em reprise, pela TV Bandeirantes.



A dublagem das primeiras temporadas foi realizada pela AIC e o dublador Bruno Neto parecia que tinha uma voz"sósia" de Don Adams, além da sua interpretação do personagem, perfeita.




Personagens Principais/ Dublagem AIC:






AGENTE 86 - Bruno Neto / AGENTE 99 - Aliomar de Matos / CHEFE - Mário Jorge Montini /






Na última temporada, a série foi dublada pelo estúdio Cine Castro, mas contou com Bruno Neto no personagem, uma vez que já havia se afastado da AIC. Mais uma vez, com a vinda da série em DVD e pelo canal a cabo TCM, houve a redublagem, como sempre a resposta é "dublagem perdida". Talvez, não saibamos mais, atualmente, se a palavra é "perdida" ou "ignorada". Esta redublagem contou com Mário Tupinambá Filho, que se esforçou muito para conseguir o tom de Don Adams.

O talento de Don Adams (1923-2005) simplesmente impagável no papel de Maxwell Smart, e não foi por acaso que ele levou o Prêmio EMMYpor 3 anos seguidos como melhor ator principal de série cômica.Este talento todo ainda tornaria mais difícil a tarefa para o dublador no Brasil mas, o falecido Bruno Neto, conseguiu o quase impossível, ser tão bom em português quanto Adams era em inglês.Um terrível e imperdoável desleixo fez com que a dublagem de Bruno se perdesse (só restam uma dúzia de episódios da 1ª temporada e todos da 5ª e última temporada).






Bruno Neto é mais um dublador totalmente esquecido pela mídia. Há anos tentamos encontrar informações, porém nada, nem sequer uma fotografia.



Talvez seus fãs tenham a impressão de que ele só tenha dublado Agente 86, mas fizemos uma pesquisa sonora de séries da mesma época e encontramos quatro registros:



1 - No episódio da 2ª temporada de Perdidos no Espaço "A Maldição do Primo Smith", onde Bruno Neto juntamente com Borges de Barros dublam os primos trapalhões e ambiciosos. Dublagem felizmente preservada!



2 - No episódio da 1ª temporada de Terra de Gigantes "Lavagem Cerebral", onde dubla um cientista nada bonzinho, demonstrando o seu lado não cômico na dublagem. Curiosamente, neste episódio, junto com Bruno Neto está Mário Jorge Montini.












3 - Na série O Túnel do Tempo em dois episódios: "Presente de Grego", onde dubla Paris, o raptor de Helena de Tróia e no episódio "Armadilha Fatal", onde dubla Jeremias obsecado em assassinar o presidente Lincon. Em ambos episódios, também dubla personagens que fogem totalmente da comédia.






Encontramos no YTB uma cena de Agente 86, exibida pelo canal a cabo TCM, mas caseiramente foi colocada a antiga dublagem da AIC. Vale a pena reelembrar:












**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

SANTA DUBLAGEM BATMAN !!!!


Esta série teve uma dublagem curiosa, o que após muitos anos nos deixou com muitas dificuldades para identificar seus dubladores, pois alguns que estavam na AIC, acabaram dublando-a na sua 3ª temporada no estúdio TV Cine e Som no Rio de Janeiro.


Segundo o site da Central Retro Tv, talvez esta série tenha sido a primeira redublagem realizada ainda no final da década de 1960.

Conforme o site, a 1ª temporada foi dublada pelo estúdio Odil Fono Brasil em São Paulo, no qual também participavam alguns dubladores da AIC, porém ninguém sabe com exatidão o motivo que levou a redublagem dessa temporada pela AIC.

Há hipóteses da Fox não ter gostado da tradução ou até desta ter se perdido em algum incêndio de uma emissora (fato também curioso, uma vez que a Fox sempre primou em cuidar do som de suas produções!)


O fato é que, oficialmente, Batman ficou com a 1ª e 2ª temporadas dubladas pela AIC, as quais foram sempre exibidas pelas inúmeras emissoras em que a série esteve.

Outro fato intrigante é a 3ª temporada da série! Ora, se houve a redublagem da 1ªemporada e a dublagem da 2ª temporada pelo mesmo estúdio, o que teria levado a 3ª temporada para o estúdio TV Cine Som/RJ ?

Um estúdio ainda que engatinhava e que, apesar de excelentes dubladores, apresentava um problema técnico sério: o som era mais baixo, abafado, às vezes dava até eco nas vozes, além de não haver uma preocupação com a permanência de um dublador no personagem. Este fato é claramente demonstrado, pois só nessa temporada há personagens que acabaram tendo 2 ou mais vozes!!!

Como nessa temporada o episódio é dividido em partes, há o caso mais conhecido de Robin ter uma voz na 1ª parte, outra na 2ª e depois retorna o primeiro dublador na 3ª.


Problemas à parte, ainda temos a oportunidade de ouvir a tantos dubladores que deram o melhor de si para o público e que estiveram bem distantes dos que decidem sobre os destinos da dublagem de uma série.


Com o auxílio do amigo Gerson, verificamos o máximo possível a lista de dubladores de ambos estúdios, o que não significa uma precisão absoluta.


A dublagem da AIC está colocada entre parênteses ao lado do nome do dublador, a seguir foram as que se sucederam na 3ª temporada pelo estúdio TV Cine e Som.



Adam West (Bruce Wayne / Batman): Gervásio Marques (AIC)/ Nilton Malta (2a. voz) */ Celso Vasconcellos (3a. voz) /Mário Monjardim (4a. voz)

Burt Ward (Richard "Dick" Grayson / Robin): Rodney Gomes (AIC)/ Henrique Ogalla (2a. voz)/ Luís Manoel (3a. voz)

Alan Napier (Alfred Pennyworth): José Vieira (AIC)/ Luiz Carlos de Moraes (2a. voz)/, Waldir Fiori (3ª voz)

Neil Hamilton (Commissário James Gordon): José Carlos Guerra (AIC)/ Ribeiro Santos (2a. voz) / Jorgeh Ramos (3a. voz)

Stafford Repp (Chefe O'Hara): Carlos Leão (AIC) */ Roberto Mendes (2a. voz)

Madge Blake (Tia Harriet Cooper): Dulcemar Vieira (AIC)/ Henriqueta Brieba (2a. voz)

Yvonne Craig (Barbara Gordon / Batgirl): Ilka Pinheiro (este personagem só surge na 3ª temporada)

William Dozier (Narrador): Francisco Borges (AIC)/ Amaury Costa (2a. voz)


VILÕESBurgess Meredith (Pinguim): Borges de Barros (AIC) / Magalhães Graça (2a. voz) / Ary de Toledo (3a. voz)

Cesar Romero (Coringa): Turíbio Ruiz (AIC) / Marcos Miranda (2a. voz)

Julie Newmar (Mulher-Gato): Gessy Fonseca (AIC)/ Sônia de Moraes (2a. voz)/ Ângela Bonatti (3a. voz) *Ertha Kitt (Mulher-Gato): Sônia de Moraes

Frank Gorshin (Charada): Luiz Pini (AIC)

Vincent Price (Cabeça de Ovo): José Soares (AIC)/ Neville Jorge (2a. voz)

Victor Buono (Rei Tut): Eleu Salvador (AIC)

Malachi Throne (Face Falsa): Marcos Miranda


COLABORAÇÃO: Gerson N. Ferreira

**Marco Antônio dos Santos**

terça-feira, 8 de setembro de 2009

MEMÓRIA AIC (10): JAMBO E RUIVÃO









Jambo e Ruivão pode ser considerado como o primeiro desenho animado de televisão produzido pela recém-formada Hanna-Barbera. Foi apresentado originalmente nos Estados Unidos, pela rede NBC, a partir do dia 14 de dezembro de 1957, como um segmento dentro do programa "The Ruff & Reddy Show", dividindo com um outros segmentos, inclusive uma parte em "live-action" com o ator Jimmy Blaine e outras marionetes em comédias teatrais.


Jambo e Ruivão eram uma dupla formada por dois inimigos naturais, um cão e um gato, mas que dentro do desenho se davam muito bem. O gato se chamava Jambo, era muito inteligente e tinha como seu melhor amigo um cão chamado Ruivão, que não era muito esperto, mas sua lealdade e amizade faziam toda a diferença. Em geral suas aventuras de curta duração terminavam com um "cliffhanger" e onde se escutava o narrador dizer: "Conseguirá Jambo escapar das garras do terrível bandido?", pouco tempo depois passava a segunda parte do desenho, onde naturalmente Jambo conseguia escapar, na maioria das vezes graças ao seu amigo Ruivão. Muitas gags ficaram famosas nessa época como "...socorro! Ruivão! socorro!!" ou "já estou indo meu amigo, Jambo".


Eles lutavam contra vários vilões diferentes que iam desde os irmãos cowboys Matador e Maatador; um terrível caçador; um maldoso comandante e outras figuras esquisitas, normalmente para solucionarem algum mistério ou combater forças maléficas. Via de regra eles eram ajudados por um inventor e cientista baixinho, que adorava vestir de fraque e cartola, que viviam inventando coisas malucas.


O desenho foi inicialmente feito em preto e branco e foi apresentado assim até 1959, depois passou a ser produzido a cores e ficou no ar até outubro de 1960. Dois anos depois, retornou novamente em outubro de 1962, com um novo anfitrião e novas atrações e permaneceu até setembro de 1964, quando a NBC decidiu encerrar o espetáculo.

No Brasil, consta que a dublagem deste desenho teria tido um pequeno início ainda no estúdio Gravasom e, praticamente o restante dos episódios pela AIC.




Este desenho é mais uma vítima do descaso absoluto com a dublagem brasileira, pois segundo informações do canal Boomerang, não havia mais a dublagem original, o que teria obrigado a Turner a redublá-lo ainda no final da década de 1990.



A redublagem foi um total desastre, onde os fãs preferiam não assistir a ouvir uma descaracterização total para um desenho com características ainda da década de 1950.




Além disso, notou-se claramente a falta de dubladores que conseguissem compreender o que é um desenho daquela época e seus personagens. Faltou a grande presença de Older Cazarré e Roberto Barreiros, uma dupla imbatível em dublagem dos desenhos de Hanna Barbera no início da década de 1960.








Segue a relação dos dubladores:




JAMBO: Roberto Barreiros(1ª voz) e Gastão Renné (2ª voz)




RUIVÃO: Roberto Barreiros (1ª voz) e Gastão Renné (2ª voz).




PROF. GIZMO: Older Cazarré (1ª voz) e Waldyr de Oliveira (2ª voz).




NARRADOR: Roberto Barreiros.








Estes dubladores foram e serão sempre os que deram a alma brasileira a Jambo e Ruivão!!








***Assista um trecho com a dublagem AIC, encontrada no YTB. Neste trecho temos: Gastão Renné dublando Jambo e Ruivão, Roberto Barreiros como o narrador e voz da nave e Garcia Neto (voz do locutor de rádio):







**Marco Antônio dos Santos**

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (60): EMERSON CAMARGO







Talvez não tivesse existido a AIC sem a direção adequada de Wolner Camargo, pai de Emerson Camargo. Da mesma maneira, podemos dizer que não haveria uma tradução inicial tão boa para Jornada nas Estrelas, onde termos foram adaptados ou até mesmo criados, numa série de ficção científica.






Emerson Camargo, assim como sua irmã Cristina Camargo, também foram para a AIC. Lá tiveram oportunidades de demonstrar todo o seu potencial artístico. Cristina Camargo foi a primeira dubladora de Penny na série Perdidos no Espaço.






Já Emerson Camargo dublou convidados em séries como Cidade Nua, Rota 66 e logo ganhou um personagem: o capitão da série de animação inglesa Fireball XL-5. Em seguida, veio o inesquecível Major Nelson na série Jeannie é um Gênio, onde fez somente a 1ª temporada. Ao mesmo tempo, dublou o marujo Patterson em Viagem ao Fundo do do Mar nas 1ª e 2ª temporadas da série e Kuriaken em Agente da Uncle.






Mas, paralelamente, já era tradutor e admirador de ficção científica, principalmente da obra de Isaac Asimov. Quando a extinta TV Excelsior de São Paulo trouxe Jornada nas Estrelas, ninguém tão interessado como ele em traduzir uma série de ficção científica que abordava temas avançados para a época.






Não podemos esquecer que Emerson Camargo emprestou a voz a um dos heróis mais cultuados até hoje: Nacional Kid. Essa série japonesa fez a alegria da garotada da época. A dublagem da série se perdeu, segundo consta num incêndio da TV Globo, porém na redublagem novamente veio o convite a quem de direito. Uma atitude decente da distribuidora.






Porém, sua paixão era Jornada nas Estrelas, traduziu inicialmente os episódios e escalou um elenco de vozes brilhante: Para o capitão Kirk, ele próprio assumiu o personagem, Neville George como Dr. Macoy, Carlos Campanile como Scott, Helena Samara como Uhura. Revelou um novato que surgia para dublar o sr. Sulu: Eleu Salvador, o qual fez posteriormente uma carreira excelente em dublagem.



Seu maior problema era escalar o dublador para o sr. Spock, o alienígena sem emoções. Assim, pensou num dublador que conseguisse ter a voz mais "retilínea", quase sem demonstrar nada, e a escolha foi perfeita com Rebello Neto.






Entretanto, a história nunca é como gostaríamos que fosse! Emerson Camargo, sua irmã e seu pai se retiram da AIC, antes mesmo que ele terminasse a 1ª temporada da série, sendo substituído por Denis Carvalho.



A história também nos mostra um fato lamentável: a perda da dublagem da série!






Em 1991, a extinta TV Manchete resolveu trazer a série, pois já estava quase 10 anos fora de nossa tv, porém houve a necessidade da redublagem. Aqui, ao contrário de Nacional Kid, esqueram completamente dos pioneiros da AIC. Emerson Camargo deveria ter tido a oportunidade de escolher se gostaria ou não de dublar o capitão Kirk, assim como os demais.






Depois de sua saída da AIC, Emerson Camargo dublou , por um breve período no estúdio TV Cine Som e gerenciou a Cine Castro em São Paulo.






Atualmente, segundo informações, tem a sua própria empresa de dublagem.






Encontramos no YTB, um trecho do episódio "Inimigo Desconhecido", onde o roteiro é claramente inspirado em O Médico e o Monstro. Aqui, o lado do Mal se defronta com o lado do Bem do capitão Kirk, que por um problema técnico no teletransportador, reproduz o segundo capitão.



Uma das mais perfeitas dublagens de Emerson Camargo, inesquecível sob todos os aspectos.



Infelizmente, a dublagem desta série realizada pela AIC, foi uma obra de arte que o descaso privou as gerações atuais de assistirem.






Firme no leme!















**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

DUBLADOR EM FOCO (59): GARCIA NETO








Manoel Garcia Neto nasceu na cidade de Santos, em 1931, litoral de São Paulo, e realizou a dublagem de atores como Charles Bronson, Burt Lancaster, Clark Gable e Gregory Peck. Começou bem no início da AIC, já por volta de 1962 podemos ouví-lo em participações em desenhos como Os Jetsons e , principalmente, Os Flintstones, onde algumas vezes fez a voz do garoto Arnoldo, o qual atormentava Fred, é bom frisar que esse personagem foi bem esporádico.








Logo também, além de participar da dublagem em filmes e como convidado em séries de tv, Garcia Neto também era diretor de dublagem. Consta que muitos episódios da série Vigilante Rodoviário foram dirigidos na dublagem por ele.




Por questões trabalhistas se afastou da AIC por um breve período, porém sendo reconduzido pela Justiça do Trabalho, retorna e assume praticamente a direção de dublagem da série Viagem ao Fundo do Mar em sua 3ª e 4ª temporadas.








Paralelamente dublava filmes e fez alguns personagens fixos:
1 - Ben Cartwright na série Bonanza (fase dublada pela AIC)
2 - o garoto jornaleiro Arnoldo na 2ª e 3ª temporadas de Os Flintstones.


3 - dublou o personagem sr. Baxter (patrão de Hazel na série homônima).


4- Walter Carisson na série O Homem Invisível de 1974/75.
5 - foi por um período o narrador das aventuras no desenho O Pica-Pau (estúdio BKS).



Em 1980 se transfere para o Rio de Janeiro, indo para o estúdio Herbert Richers, onde ficou cerca de 16 anos, dublando e dirigindo. Um de seus trabalhos mais lembrados foi dublar o sr. Spock nos filmes da década de 1980.




Era pai do também dublador Garcia Júnior, o qual é sempre lembrado por ter dublado He-Man e Magyver.




Garcia Neto faleceu em 27 de dezembro de 1996, de câncer, aos 65 anos de idade. Os seus últimos trabalhos foram a direção de dublagem de Toy Story e Corcunda de Notre Dame. Como dublador, ainda participa um pouco da 1ª temporada da série Lei e Ordem.

Lista de trabalhos
Narrador e personagens secundários do Pica-Pau
Spock em (Star Trek)- Filmes
Jaga em Thundercats;
Homem-Fera em He-Man;
Max Ray em Os Centurions;
Sr. Miyagi no desenho animado Karatê Kid e no filme Karatê Kid
Rei de Chifres em O Caldeirão Mágico
Chefe Apache e Samurai em Superamigos;
Os atores Burt Lancaster, Charles Bronson, Pat Morita e Gregory Peck;
Stargazer em Silverhawks;
Arnoldo (entregador de jornal) em Os Flintstones;
Falcama em Visionários - Os Guerreiros da Luz Mágica;
Sr. Crisp (James Coburn) em Mudança de Hábito 2
Vovô Mori Tanaka (Victor Wong) em 3 Ninjas
Professor Hart(1ª voz) em VR Troopers
Willie o Gigante, no papel de Fantasma do Natal Presente, em O conto de Natal do Mickey.
Ratchet,Ômega supremo e Unicron em Transformers.
Xerife Rosco P Coltraine Os Gatões
Várias pontas no seriado Chips (BKS).
Diretor de dublagem de Viagem ao fundo do mar. (3ª e 4ª temporadas)








Para aqueles que não se recordam da voz de Garcia Neto, encontramos um episódio do desenho O Pica-Pau narrado por ele no YTB.






**Marco Antônio dos Santos**

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

DUBLADOR EM FOCO (58): ZEZINHO CÚTOLO




As Aventuras de Rin Tin Tin era uma série sobre um cão que acompanhava uma unidade da cavalaria dos EUA. O melhor amigo de Rin Tin Tin era o Cabo Rusty, um garoto que perdeu os pais em um ataque dos índios e foi adotado pela corporação, se tornando uma espécie de mascote. Sempre que havia algum problema e Rusty necessitava da ajuda de seu amigo canino ele griitava ("Yo ho Rinty!"). Todos viviam em um forte apache, no Arizona.




O canal de TV ABC estreou em 1959 a série com o personagem que ficou no ar até 1961 e outro canal, a CBS, retonou com a mesma série em 1962, mantendo-a no ar até setembro de 1964. O veterano ator James L. Brown (não confundir com o cantor de soul) foi convocado em 1976 para fazer as aberturas da série em que havia participado nos anos 50. A série voltou ao ar mais uma vez com sucesso de público.




Nas décadas de 1980 e 1990 uma grande quantidades de filmes foram feitos, todos inspirados no primeiro grande cão ator da TV americana, Rin Tin Tin. Surgiram os filmes da série K9 (Canine) e K9 Cop entre outros.






No Brasil, a dublagem do cabo Rusty ficou a cargo de Zezinho Cútolo, que o fez magnificamente, com interpretações difíceis em momentos de muita emoção com o seu Rin -Tin-Tin.



A série também contou com Ronaldo Baptista dublando o tenente Rip Masters.






Após o término da série, Zezinho Cútolo continuou na AIC e ficava com os pré-adolescentes e adolescentes. Dessa forma, substituiu Maria Inês na dublagem de Israel Boone nas duas últimas temporadas da série Daniel Boone.



Aliás, aqueles que quiserem assistir Zezinho Cútolo e Maria Inês dublando juntos, procurem o episódio da 1ªtemporada da série Terra de Gigantes "A Noite de Thrombeldimbar", onde ambos dublam dois órfãos. Aqueles que assistirem verão um espetáculo de dois gênios na dublagem para crianças e adolescentes.






Zezinho Cútolo continuou dublando após o encerramento da AIC e sendo escalado para os adolescentes, assim na década de 1980 dubla o menino indiano Hadji na segunda versão de Jonny Quest, pelo estúdio BKS.






Um dos nomes mais queridos entre os seus colegas de profissão, o qual deveria atualmente ser convidado com frequência para as dublagens atuais!






Aqui, um trecho de As Aventuras de Rin-Tin-Tin com Zezinho Cútolo, Ronaldo Baptista e Arakén Saldanha dublando o médico:












***Marco Antônio dos Santos***

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

SERIADOS DE CINEMA DUBLADOS PELA AIC



O mocinho luta com o bandido perto de um precipício. Os dois acabam caindo e mergulhando rumo à morte. A tela escurece e aparece a mensagem anunciando o episódio seguinte, na próxima semana, “neste mesmo cinema”.
Esse era o formato dos famosos seriados que fizeram sucesso durante as décadas de 1930 e 1940. Embora para as audiências modernas seriado ou série sejam sinônimos de TV, esse tipo de filme apareceu primeiro no cinema e só na na década de 1950 foi para a televisão.



Com uma média de 15 episódios, com tempo variando entre 15 e 20 minutos, boa parte dos seriados se inspiravam em heróis de histórias em quadrinhos, como Flash Gordon, Mandrake e Dick Tracy. Em geral, traziam um enredo para a temporada, focado no conflito do herói com o vilão ou alguma organização criminosa.



Não se deve confundir esses seriados, que possuíam um cronograma de argumento pré-estabelecido, com produções como Tarzan, Sherlock Holmes e Charlie Chan, em que vários filmes independentes foram realizados ao longo dos anos.



Para dar suspense, prender a atenção do público e fazer com que as pessoas voltassem ao cinema na próxima semana, perto do fim do capítulo, o herói era colocado em alguma situação de perigo, com desfecho anunciado para o episódio seguinte. No início do próximo filme, letreiros resumiam o capítulo anterior e eram exibidas fotos dos personagens para relembrar o ocorrido ou informar quem estivesse assistindo pela primeira vez (as séries Perdidos no Espaço e O Túnel do Tempo adotaram esse sistema também).



A exemplo do Tarzan Johnny Weissmuller, o norte-americano Buster Crabbe também se destacou nos esportes como medalhista olímpico de natação e protagonizou o Rei das Selvas. No entanto, foi como Flash Gordon que Crabbe se imortalizou no cinema, encarnando o herói futurista criado por Alex Raymond em 1934.
Buster interpretou Flash pela primeira vez em 1936, na série Flash Gordon no Planeta Mongo, em que se confronta com seu arquiinimigo Ming, o Impiedoso. O loiro ainda viveu Gordon em dois seriados, um em 1938 e outro em 1940. Sete décadas depois, essas películas viraram Cult pela mistura de elementos da ficção científica com visuais medievais e do Império Romano.
Para muitos pode parecer ridículo ver naves espaciais soltando fogo e pistolas de raios ou monstros toscos. Porém, essa estética influenciou por décadas a ficção científica no cinema e na TV.




Em 1937, surge um estrondoso sucesso "Império Submarino" estrelado por Ray Corrigan. Uma ficção científica caríssima para a época. Assim, durante duas décadas dezenas de seriados foram produzidos para o cinema.




Na década de 1960, a nossa televisão necessitava preencher muito o seu horário vespertino, pois a produção de seus próprios programas era ainda muito precária. Dessa forma, por volta de 1968, a extinta Tv Excelsior de São Paulo adquiriu um lote imenso desses seriados, quase que totalmente dublados pela AIC e exibidos durante às tardes.




Infelizmente, esses seriados com o decorrer do tempo foram totalmente esquecidos, até pelas tv a cabo e, praticamente só Flash Gordon foi exibido pelo canal Multishow, com legendas.


O paradeiro desses seriados é confuso, não se sabe ao certo, mas muitos colecionadores ainda possuem cópias dubladas pela AIC da época.




Aqui, encontramos no YTB um pequeno trecho de Império Submarino com a sua dublagem original da AIC. A narração de abertura foi realizada por Ibrahim Barchini:
***Marco Antônio dos Santos***

terça-feira, 18 de agosto de 2009

CURIOSIDADE AIC (19): HELENA SAMARA DUBLANDO SRA. KRAVITZ




A nossa saudosa Helena Samara ficou para sempre como a voz oficial de Endora na série A Feiticeira. Entretanto, conforme já foi dito aqui, ela assumiu o personagem a partir da 3ª temporada.






Nas duas primeiras temporadas, Helena Samara dublava diversos convidados.



Há um fato curioso sobre a dublagem da sra. Kravitz, a fofoqueira implacável. Na 1ª temporada ela é dublada por Isaura Gomes, porém na 2ª temporada Isaura Gomes foi substituída por Helena Samara.



Isaura Gomes retornaria dublando magistralmente a sra. Kavitz a partir da 3ª temporada até o final da série.






O que teria ocorrido para haver essa alteração ?






Segundo palavras da própria Helena Samara, ela se recorda que Isaura Gomes necessitou se afastar da dublagem por um breve período, não sabendo o motivo exato.



Assim, temos mais uma faceta dessa extraordinária dubladora, interpretando a excêntrica fofoqueira somente na 2ª temporada de A Feiticeira.






Para recordarmos, temos um trecho , no qual estão presentes: Helena Samara, Rita Cleós, Gervásio Marques, Xandó Batista e o primo da sra. Kravitz dublado por Older Cazarré.

***UM GRANDE MOMENTO DA AIC***

***COLABORAÇÃO: THIAGO MORAES***


**MARCO ANTÔNIO DOS SANTOS**

terça-feira, 11 de agosto de 2009

ENTREVISTA COM ALDO CÉSAR


**ESTE PEQUENO DEPOIMENTO DE ALDO CÉSAR NOS FOI PROPORCIONADO DE MANEIRA INFORMAL, EM 15/03/1993 , NAS DEPENDÊNCIAS DO EXTINTO ESTÚDIO MEGASOM NA CIDADE DE SÃO PAULO.**

**PROCURAMOS, NA MEDIDA DO POSSÍVEL, RETIRAR A ORALIDADE DO TEXTO**



1 - Aldo, como você descobriu que ser dublador e ator seria o teu caminho ?

R: Isso já faz muito tempo, rs,rs,rs. Eu nem tinha completado eu acho os meus 18 anos e já estava bebislhotando algumas rádios, porque eu queria muito ser alguma coisa no rádio, ainda estava sem saber bem o quê. Na rádio Mayrinck Veiga já me conheciam e um dia pediram para eu tentar narrar os nomes dos atores de uma rádionovela. Gostaram da minha voz e fiquei. Fui ficando tendo mais espaço. Aí , posteriormente passei por outras rádios também como locutor e, algumas vezes, até como rádio-ator.


2 - E a televisão veio junto com a dublagem ?

R: De certa forma sim. Eu fui participar de uns capítulos da novela Redenção na extinta TV Excelsior, acho que em 1966, e lá havia muitos atores que participavam da dublagem e diversos colegas diziam que devia tentar devido à minha voz e interpretação.


3 - Você se lembra qual foi o seu primeiro trabalho em dublagem na AIC ?

R: Olha, eu me lembro porque foi curioso. Eu fui até à AIC, como sugeriram os colegas. Lá eu procurei o saudoso amigo Older Cazarré e ele olhou bem para mim e disse: "Você leva jeito para fazer vilão, vejo isso pela sua fisionomia". Ele então me explicou como era o processo da dublagem e me deu um soldado nazista em um filme. Eram pouquíssimas falas, mas ele era muito terrível. Quando terminei, ele disse para mim: "Pronto já está gravado, ficou ótimo". O que era um teste ficou dublado oficialmente, fiz uuns diálogos com o querido amigo que já partiu Astrogildo Filho.


4 - Você foi um dos dubladores da AIC mais escalados para os vilões ?

R: Um pouco devido ao soldado nazista. Aí quando tinha aqueles bandidões nos filmes, sempre se lembravam de mim.


5 - Ao mesmo tempo, sua voz também sempre caía muito bem para os homens refinados, muito educados. O que você preferia ?

R: Ambos, porque eram exercícios diferentes de interpretação com a voz e isso é ótimo para um dublador.


6 - Você praticamente não teve personagens fixos em séries de tv, com exceção do Jason Bolt na série E as Noivas Chegaram, por quê ?

R: Na realidade, eu acho que a dublagem que eu fazia era mais adequada para diferentes personagens, foi o que realmente ocorreu. Para mim, isso era muito bom, porque, além de você ser sempre escalado, rs,rs,rs, eu sempre tinha um desafio. Puxa! Não me lembrava mais que tinha dublado nessa série!


7 - Os fãs das dublagens da AIC, sempre disseram que a sua voz era perfeita para o ator Rex Harisson. Você concorda ?

R: Não sei se era a mais adequada, mas eu tenho como os meus melhores momentos dublar esse grande ator. Adequar a interpretação dele, seu tom de voz, foi algo muito gratificante, porque acabei sempre o dublando, mesmo fora da AIC.


8 - Do que você sente mais saudades daquela época na AIC ?

R: Rs,rs,rs, dos amigos. Das reuniões de lazer que fazíamos, daqueles que tinham paciência comigo quando tropeçava na dublagem de um anel e tínhamos que retornar a fazer. Lá, eu só fiz amigos....


9 - E a sua carreira na televisão, quais foram para você o seu grande momento até agora ?

R: Bem, depois de Redenção, eu me dediquei mais à dublagem e só retornei no início dos anos 70 na Tupi. Lá fiz diversos trabalhos, mas a novela O Profeta da Ivani Ribeiro, foi maravilhosa. Agora, com um personagem totalmente oposto, fiquei muito honrado com o convite do Paulo José para participar da minisérie O Tempo e o Vento. Um clássico extraordinário da nossa literatura! Foi inesquecível esse trabalho!


10 - Deixe uma mensagem para os inúmeros fãs que acompanham o teu trabalho, inclusive os jovens, devido às dublagens de produções japonesas.

R: Primeiramente, agradeço muito e creio que não mereço tanto, porque foi um trabalho que sempre fiz com muita dedicação. Digo a todos que, seja qual for a profissão que exerçam, que sempre tenham ética. Essa palavrinha esta, infelizmente, um pouco esquecida no Brasil. A você Marco Antônio que me procurou com tanta ênfase, eu agradeço esta oportunidade de contar um pouco da carreira de ator e dublador. Muito Obrigado!


**Aldo César faleceu em 05 de janeiro de 2001**


**Agradecemos a esse artista que nos acolheu com tamanha paciência e simpatia. Certamente, seu trabalho é inesquecível para todos os fãs da boa dublagem**


**Marco Antônio dos Santos**

domingo, 9 de agosto de 2009

MEMÓRIA AIC (9): CARLOS CAMPANILE EM CHAPARRAL























Chaparral foi criado em 1967, tendo 4 temporadas, com um total de 98 episódios.





O enredo gira em torno de uma família vivendo em um rancho chamado High Chaparral. O líder dessa fabulosa família era John Cannon (Big John), junto com sua esposa Victoria, o irmão Buck, o filho Bleau e de um mexicano muito engraçado chamado Manolito. Victória Montóia era a segunda esposa de John Cannon e filha do dono do rancho Montóia, vizinho do rancho High Caparral. Manolito Montóia era irmão de Victória e cunhado de John.






No Brasil, a série obteve grande sucesso, sendo exibida pela TV Excelsior e TV Record. Sua última exibição, em canal aberto, também foi na TV Record em 1986/87. Infelizmente, esta série também foi mais uma redublada pela VTI Rio, tendo sido exibida pelo canal a cabo TCM.






Aqui temos a abertura de Chaparral na voz de Carlos Campanile, o episódio inclusive traz a sua participação. Esta série não teve a abertura narrada por Carlos Alberto Vaccari.






A título de reelembrarmos, segue a lista dos dubladores de Chaparral na AIC:






John Cannon dublado por Astrogildo Filho (já falecido).



Blue dublado por Marcelo Gastaldi (já falecido).



Buck dublado por Flávio Galvão.



Victoria dublada por Líria Marçal (já falecida).



Manolo(Manuelito) dublado por Wilson Ribeiro.



Veja a abertura de Chaparral na voz Carlos Campanile:
MARCO ANTÔNIO DOS SANTOS

sábado, 8 de agosto de 2009

DUBLADOR EM FOCO (57): HÉLIO PORTO







Por incrível que pareça, não encontramos quase dados sobre Hélio Porto, um dos nomes mais importantes para o sucesso de muitas séries de tv dubladas pela AIC na década de 1960. A própria internet não oferece praticamente nada, sequer uma fotografia sua não é encontrada.



O que abordaremos aqui é fruto de observação e, principalmente, das informações fornecidas a nós, em 1989, pelo saudoso Borges de Barros que teve um contato bem estreito com Hélio Porto na dublagem.






Pelo que consta, Hélio Porto chegou à AIC por volta de 1964, onde iniciou o seu trabalho como tradutor de filmes e séries, logo indo para a direção de dublagem também. É a ele que devemos as traduções de diversas séries clássicas da época: Os 3 Patetas, Perdidos no Espaço, A Feiticeira, Viagem ao Fundo do Mar, tiveram o seu direcionamento inicial.






Como dublador participou pouco, mas fez personagens inesquecíveis, como Larry de Os 3 Patetas, onde faz uma voz absolutamente adequada ao personagem (algumas vezes, por algum motivo foi substituído por Flávio Galvão, afinal foram 190 episódios dublados!). Em Viagem ao Fundo do Mar, além da tradução inicial, dublou o capitão Lee Crane na 1ª e 2ª temporadas, sendo substituído por Osmiro Campos nas temporadas seguintes.






Às vezes, fazia pontas em episódios de alguma série e ficou sendo o dublador "oficial" do ator James Stewart em diversos filmes. Aqui, é bom lembrar que ele apenas dublou os filmes que chegaram na AIC, porém ainda dublou o grande ator no estúdio BKS.






Em fins de 1967, quando sai da AIC, se transfere para o Rio de Janeiro, onde diversifica suas atuações, produzindo inclusive alguns filmes e participando dos estúdios TV Cine e Som e Cine Castro. No final da década de 1970, volta a dublar um personagem fixo na série Esquadrão Classe A, porém por pouco tempo. Fez ainda diversas participações em outros estúdios de São Paulo. Consta, para nós, que a sua última atuação em dublagem seria no filme Festim Diabólico, onde mais uma vez, dublou James Stewart no final da década de 1990, vindo a falecer por volta de 2000/2001.






Como curiosidade há o fato de ter sido casado com a dubladora Gessy Fonseca e também ser primo do dublador Rebello Neto.






Veja o que Borges de Barros declarou-nos sobre Hélio Porto:






"Eu tenho quase certeza que se não tivesse havido a mão do Hélio Porto em Perdidos no Espaço, a série teria perdido muita coisa. Era um extraordinário tradutor, não vejo atualmente, ninguém assim. Quando chegavam os filmes, os episódios das séries, ele sentava em frente à máquina de escrever, com um fone nos ouvidos, e assim que ouvia já datilografava para o português, porém pensando na sincronia de determinadas palavras para se dublar. Todas as minhas improvisações tiveram a sua autorização. Quando dublei o Moe, o texto dizia "seu cabeça de marmelo", isso foi o que o Hélio criou, porque não havia o correspondente para a nossa língua, mas aí na hora, mudei para "seu cabeça de pudim", achei que seria mais engraçado. No final daquele dia ele me disse: "esse cabeça de pudim fica perfeito para o Moe, será o jargão dele". Em Perdidos no Espaço houve a mesma coisa com "lata de sardinha" e aí fui alterando às vezes para "lata enferrujada", "lata velha", para não ser sempre a mesma, porque o Dr. Smith xingava o robô sempre. Todas as alterações foram autorizadas e dirigidas por ele no início dessas duas séries."






(Declaração de Borges de Barros dada a nós em 1989)









Infelizmente, poderíamos oferecer muito mais informações sobre Hélio Porto, porém está completamente esquecido pela mídia, esse grande profissional que impulsionou a AIC.






MARCO ANTÔNIO DOS SANTOS

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

DUBLADOR EM FOCO (56): ÁUREA MARIA



Falar sobre seres humanos é muito difícil; falar sobre anjos...!!!









Os estúdios da A.I.C., palco de indescritíveis espetáculos da sétima arte - nas telas da TV e fora delas - presenciaram e aplaudiram uma das mais brilhantes estrelas que por ali passaram: Áurea Maria.






Expressão máxima do carinho, da simpatia, do amor ao próximo, da capacidade de sentir e do brilho na interpretação dos personagens que encarnava frente à tela de dublagem, essa moça deu verdadeiros shows de interpretação, de humanidade, de coleguismo e de amizade!



Uma das mais belas vozes femininas do maior cast de dublagem do Brasil, mesmo em comparação com os dias atuais, ao lado de Líria Marçal, Sandra Campos e Elaine Cristina, era ela quem dava o tom do sensualismo doce, meigo e respeitoso, quando o tema era romance.




Áurea Maria tinha o dom de emocionar, dentro e fora dos estúdios; era única!




Mas não foi só no velho Templo de Dublagens que o brilho mágico da voz de Áurea Maria acariciou os tímpanos do grande público; na Odil Fono Brasil, na Rádio Mulher, em estúdios de rádio-teatro e em inúmeros estúdios de agências publicitárias onde eram gravados comerciais importantes, para a televisão, Áurea era presença obrigatória no cadastro de profissionais preferenciais.




Rebeca - mulher de Daniel Boone - foi um dos grandes trabalhos da atriz que, com seu virtuosismo agigantou o trabalho originalmente singelo desempenhado pela atriz Patrícia Blair; mas foram tantos os momentos importantes de Áurea Maria emprestando voz e talento a atrizes famosas de todo o mundo, que seria impossível enumerá-los todos.



No entanto, quem curtiu há de lembrar muito bem das suas brilhantes participações em Daniel Boone, Chaparral, I Love Lucy, Perdidos no Espaço, As Noivas Chegaram, Terra de Gigantes, Lancer, Jornada nas Estrelas, Big Valley e... um sem número de atrizes convidadas, em grandes produções do cinema.




Na vida pessoal, longe dos microfones e das telas, Áurea Maria mantinha – naturalmente – o mesmo perfil, o mesmo bom humor, a boa índole e o hábito de dar, sempre, ótimos exemplos; arrimo de família, fazia dessa missão um preito de amor incondicional à sua mãe e à sua irmã e quem a conheceu jamais a viu reclamar ou desistir da luta; talvez por esse motivo e por essa determinação de entrega total à missão recebida do Alto, jamais tenha se casado.




Áurea Maria deve figurar com destaque na galeria das grandes personalidades da arte de interpretar dublando.




Por mais que algumas das grandes distribuidoras insistam nesse anonimato maroto que têm imposto aos atores de dublagem no Brasil, Áurea Maria não cabe no espaço pequeno, insalubre e mesquinho que elas têm procurado designar a quem tem dado alma aos seus grandes lucros na mídia.


A bênção, Áurea Maria!






***Texto de Arquimedes Pires Estrázulas**** Muito Obrigado pela colaboração!






*****ALGUNS ESCLARECIMENTOS:



**Áurea Maria dublou Lucy no estúdio Cine Castro.



**Na AIC, além das inúmeras participações citadas, teve como personagens fixos:



Rebecca Boone / Judy Robinson (2ª voz) a partir do final da 2ª temporada de Perdidos no Espaço / Na série Big Valley dublou a personagem de Linda Evans (2ª voz) /Foi sempre escalada para dublar os convidados de diversas séries da época e filmes.



**Não encontramos registros da data de seu falecimento.






***MARCO ANTÔNIO DOS SANTOS***

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

DUBLADOR EM FOCO (55): ARY DE TOLEDO










Assim como a maioria dos dubladores da década de 1960, Ary de Toledo também veio do rádio, onde fora locutor. Assim, sua ida para a AIC foi uma consequência natural daqueles que tinham já um desempenho grande com a voz. Seu nome, até hoje, é confundido com o humorista Ari Toledo, onde às vezes, há informações nas quais se confundem ambos.






Ary de Toledo ficou eternizado na dublagem do Major West da série Perdidos no Espaço. Também, durante a série, já dirigia alguns episódios, alternando com Hélio Porto e outros.




Além desse personagem, foi o dublador de Greg Morris (Barney) nas três primeiras temporadas da série Missão Impossível e personificou maravilhosamente o gato Bacamarte, o qual perseguia o rato Chumbinho (dublado por Older Cazarré). Como Bacamarte ele fez uma voz muito adequada ao personagem que vivia numa fazenda. Outro personagem fixo foi o chefe Sharkey de Viagem ao Fundo do Mar, entretanto, não ficou até o término da série.



Um de seus últimos trabalhos na AIC, por volta de 1968, é no episódio "Destino: Terra" da série Terra de Gigantes, onde dubla um cientista. Nessa época, Ary de Toledo se transfere para o Rio de Janeiro, onde faz algumas participações nas dublagens da TV Cine e Som.



Nesse estúdio participou pouco tempo, pois na Cine Castro surge um amplo trabalho na dublagem e como diretor também. Assim, eis que surgem: Pernalonga e Kung Fu.


No Brasil, o Pernalonga inicialmente teve cerca de dois dubladores (conhecidos) nas dublagens da Cine Castro feita nos anos 60 e no início dos anos 70, foram eles: Ary de Toledo (1ª voz) e Cauê Filho (2ª voz). Já Mário Monjardim (3ª voz) que se tornou mais conhecido por dublar Pernalonga durante mais tempo, e por ter sido o dublador oficial do personagem por mais de 20 anos, dublando no estúdio Herbert Richers.





Em 1973, na série Kung Fu, Ary de Toledo dirigia alguns episódios, porém , infelizmente, durante a dublagem veio a falecer, segundo consta em 1974, vítima de complicações de uma cirurgia de hérnia.


Um grande artista da voz, da interpretação que marcou uma geração nos estúdios de dublagem que integrou.




Para reelembrarmos um de seus melhores trabalhos na AIC, temos um episódio do desenho de Hanna Barbera: Bacamarte e Chumbinho.




http://www.youtube.com/watch?v=spQ9Ln6yGtM






**Marco Antônio dos Santos**

quinta-feira, 16 de julho de 2009

MEMÓRIA AIC (8): A NOVIÇA VOADORA


Marcelo Gastaldi e Aliomar de Matos









A irmã Bertrille era a noviça mais aprontona, e sempre dava um jeito de atrapalhar as iniciativas amorosas do galã Carlos Ramiro, dono do cassino em Porto Rico, muitos imaginavam sempre, que no episódio seguinte ela desistiria de viver no convento de Santaco e seria a esposa do Carlos!!! Mas não acontecia...












Aqui, vamos recordar dois grandes nomes da AIC: Aliomar de Matos dublando Irmã Betrille e Marcelo Gastaldi dublando Carlos Ramiro.





Segundo a própria Aliomar de Matos, um de seus melhores trabalhos na AIC.


Quem se lembra ???







***COLABORAÇÃO DO VÍDEO: THIAGO MORAES***



***Marco Antônio dos Santos***

DUBLADOR EM FOCO (54): MÁRIO JORGE MONTINI




Com um vozeirão perfeito para vilões, Mário Jorge Montini fez alguns e também senhores ainda nas antigas rádio-novelas. A dublagem veio naturalmente , devido ao seu talento.



Assim, já a partir da Gravasom ele começa a integrar o elenco do estúdio que iniciava uma nova arte: dublagem. Já na AIC, suas escalações para filmes e séries de tv, sempre tendiam para os homens mais fortes, bandidos em westerns.



Mas, eis que surge a série Agente 86, e foi escolhido para dublar o Chefe de Max. Nesta série, Mário Jorge Montini também demonstrou a arte do humor com o vozeirão. Infelizmente, as temporadas dubladas pela AIC estão desaparecidas ou "perdidas", pois a série foi totalmente redublada.


Participou de diversos filmes e fez vários convidados especiais em Terra de Gigantes, Daniel Boone, A Feiticeira, onde eventualmente dublava o pai de James.



Um de seus melhores trabalhos é no desenho João Grandão, ao lado do saudoso Nelson Baptista, como o cãozinho Espirro, fizeram a alegria da garotada no início da década de 1970.


Após o encerramento das atividades da AIC, Mário Jorge Montini continuou em outros estúdios e, atualmente, está aposentado, com cerca de 82 anos de idade e quase 50 dedicados à dublagem.


Segue uma pequena lista de seus trabalhos na dublagem

João Grandão em João Grandão (Dublagem AIC)
Chefe (Edward Platt) em Agente 86 (Dublagem AIC)
Arthur Bicudo (George Gaynes) em Punky - A Levada da Breca
vendedor de tortas de maça azeda em Ursinhos Carinhosos
Feodor Chaliapin Jr. (Jorge de Burgos) em O Nome da Rosa
Shima (do episodio 1 ao 16) e varios monstros em Changeman
Fluffi em Os Seis Biônicos
Fuher em Cybercops
Chefe em Inspetor Bugiganga
Tartaruga do Mestre Kame em Dragon Ball (Gota Mágica) e Dragon Ball (Álamo)
Muri o novo patriarca de Namekusei em Dragon Ball Z - O Retorno de Coola (Filme)
Brutus em Popeye (Anos 80 - Álamo)
Grande Sábio(Wiseman) em Sailor Moon R
Quimera com marreta subordinado do Ganância em Fullmetal Alchemist
Avô de Junior em O Pestinha


Vamos recordar Mário Jorge Montini ao lado de Nelson Baptista no desenho João Grandão:






***Marco Antônio dos Santos***

DUBLADOR EM FOCO (53): OSMAR PRADO




Osmar Prado nasceu na capital paulista, em 18 de agosto de 1947. Seu nome verdadeiro é Osmar do Amaral Barbosa. Aparentava sempre menos idade.Estava com 10 anos quando começou como ator mirim na TV Paulista, segunda emissora a ser inaugurada em São Paulo. Na época a emissora pertencia a Organização Victor Costa. E Osmar Prado atuou nos principais teleteatros e novelas do Canal 5, que era a Paulista. Estrelou teleteatro infantil, com adaptações das histórias de Charles Dickens, com produção e direção de Líbero Miguel. O menino fazia sucesso.


Quando a emissora foi adquirida pela TV Globo, o garoto permaneceu lá. Participou então de:"As Grandes Esperanças", na TV Globo. E em várias outras novelas, como: "Mateus Falcone"; "A Herdeira de Ferleac"; "A Loja das Antigüidades";"Tortura DÄlma"; "Ilusões Perdidas".


Foi quando Osmar Prado transferiu-se para a TV Excelsior. Estava já com 20 anos e percebia a importância da nova emissora de São Paulo. Ali participou de novelas de muito sucesso. Fez::" A Muralha"; "Os 'Estranhos"; "Dez Vidas".

Justamente nesse período em que esteve na extinta TV Excelsior, Osmar Prado participou da AIC em diversos trabalhos. Dublou alguns convidados especiais em séries: Jornada nas Estrelas , Perdidos no Espaço e, principalmente, O Túnel do Tempo.




Mas foi na 2ª temporada de Viagem ao Fundo do Mar que Osmar Prado ganhou um personagem fixo: o marujo Rilley, que ficou apenas nessa temporada, pois foi se alistar para combater na guerra do Vietnã.




Voz bem clara, demonstrando uma interpretação muito consistente, o seu ideal em ser ator, começa quando recebe um convite da TV Globo para integrar a novela "Assim na Terra Como no Céu", deixando São Paulo e também a dublagem na AIC.



Fez uma longa carreira em novelas na TV Globo, mas passou também por outras emissoras. No início da década de 1970, ainda participa um pouco da dublagem no estúdio Herbert Richers, embora eventualmente.



Osmar Prado é hoje um nome conhecido nacionalmente , que também deu seus primeiros passos na AIC.

Pela proibição da distribuidora Fox, não podemos ilustrar sua dublagem como Rilley em Viagem ao Fundo do Mar, tampouco como o garoto que está dentro do espelho na 1ª temporada de `Perdidos no Espaço, assim encontramos uma cena do episódio "A Galáxia", onde ele dubla o oficial com a camiseta amarela ao lado de Rebello Neto e Carlos Alberto Vaccari.











***Marco Antônio dos Santos***

sexta-feira, 10 de julho de 2009

MEMÓRIA AIC (7): ROBERTO BARREIROS DUBLANDO BABALU





O fiel companheiro de Pepel Legal sempre estava com ele e também passava pelas suas enrrascadas, o porquinho mexicano Babalu.



Coube a Roberto Barreiros fazer a sua dublagem e o fez dando um sotaque espanhol, que era mais um "portinhol" para que as crianças da época o compreendessem muito bem.



Babalu sempre era uma espécie de consciência de Pepe Legal, muito afoito em ser o herói. Um desenho do início da década de 1960, magistralmente dublado por Roberto Barreiros. Se a dublagem fosse realizada atualmente, Babalu falaria: "Calma aí meu, porque cê tá assim ô Pepe ?"



Se acreditam que estamos exagerando é só dar uma olhadinha na redublagem de Chaparral!!!!


Neste desenho, ainda do início da AIC, temos como o narrador Rogério Márcico e Lima Duarte fazendo a 1ª voz de Pepe Legal, que juntamente com Roberto Barreiros dão todo um tom diferente ao desenho.


Apesar de Roberto Barreiros ter se afastado da dublagem, magoado com os direitos autorais, o nosso muito obrigado por um Babalu maravilhosamente dublado!

Revejam:





***Marco Antônio dos Santos***

quinta-feira, 9 de julho de 2009

DUBLADOR EM FOCO (52): OSMIRO CAMPOS







Por suas entrevistas pela mídia, sabemos que Osmiro Campos começou a dublar filmes nacionais por volta de 1951. Naquela época, a captação do som para a realização de um filme apresentava enormes problemas e, os nossos técnicos recorriam à dublagem para melhorar a qualidade sonora.










Com a obrigatoriedade da dublagem para filmes que fossem exibidos em nossa tv, Osmiro Campos encontrou um enorme campo no estúdio Gravasom. Ali, já demonstrou o excelente dublador em episódios da série Além da Imaginação. Há um, especificamente, onde praticamente ele está sozinho: "O Homem Nervoso", onde o personagem conversa com o seu outro ego através de um espelho. Um é fraco, tímido e inseguro, enquanto que o outro é dominador, tirano e até assassino. Uma belíssima aula de dublagem, onde ele mantém o diálogo dos personagens.










Com a extinção da Gravasom e a chegada da AIC, Osmiro Campos teve sempre personagens diversos para dublar: do drama à comédia, do herói ao vilão, sempre conseguiu dublar com extrema perfeição. Foi um dos dubladores sempre escalados nas séries Rota 66 e Cidade Nua, ainda no inicio da AIC.










Devido ao seu timbre de voz, observamos que sempre foi mais lembrado para os vilões, mas também personagens leves conseguia fazê-los muito bem.










Um dado curioso é que Osmiro Campos participou de duas séries de Irwin Allen onde numa foi o herói, noutra um vilão sem alma:





***Capitão Crane de Viagem ao Fundo do Mar na 3ª e 4ª temporadas, substituindo Hélio Porto.





***Inspetor Kobick em Terra de Gigantes fazendo um personagem muito mais temido por todos.










Paralelamente sempre foi convidado nas séries Daniel Boone, Jeannie é um Gênio e A Feiticeira. Aqui, nesta última série ele já participa de episódios e demonstra o seu lado de humor como no episódio "Verdadeira Palhaçada", onde faz um palhaço que acaba sendo enfeitiçado para adorar Tábata.





Assim, quando houve a necessidade da troca de Dick York, por motivos de doença, para Dicy Sargent, Osmiro Campos passa a dublar o marido de Samantha.










Seguindo na carreira sempre, chegamos ao início da década de 1980 e Osmiro Campos ganha o personagem Professor Girafales do seriado Chaves. Aqui, segundo suas declarações, o personagem inicialmente era realizado por Potiguara Lopes, mas como também traduzia a série, preferiu ficar só com a tradução e Osmiro assumiu maravilhosamente o Professor , um pouco galanteador.










Aqui vamos registrar alguns momentos de Osmiro Campos para todos se lembrarem:










***No filme, José e seus irmãos, produção de 1965, onde participa na cena o dublador Mário Jorge Montini***


















***Na série Cidade Nua dublando o ator convidado Dick York.








http://www.youtube.com/watch?v=aeqmIx-DlI4










***Apesar da dublagem não ter sido realizada na AIC, quase todos os profissionais participaram da AIC e isso trouxe muita qualidade ao seriado Chaves, pela experiência dos dubladores. Aqui uma cena de Osmiro Campos dublando o Professor Girafales, acompanhado de Carlos Seidl e Marcelo Gastaldi.







http://www.youtube.com/watch?v=fwAKNINy1Bk









***Marco Antônio dos Santos***




segunda-feira, 6 de julho de 2009

DUBLADOR EM FOCO (51): WILSON RIBEIRO







Durante toda a década de 1960, Wilson Ribeiro foi um dublador praticamente presente em quase todas as séries de TV, desenhos ou filmes. Sua performace era tão extraordinária que obteve personagens fixos em diversas séries, além de ser um dos dubladores mais convocados para dublar os convidados especiais.










Infelizmente, por mais que tenhamos tentado não conseguimos descobrir a sua biografia antes de chegar à AIC. Entretanto, pouco importa, pois foi justamente neste estúdio que ele demonstrou toda a sua qualidade de trabalho. Heróis ou terríveis vilões se transformavam completamente com sua voz e interpretação.










Para que possam ter idéia de quantos personagens Wilson Ribeiro deu a alma, fizemos uma relação, porém talvez possamos ter esquecido algum. Relacionamos aqui os seus personagens fixos, mas também algumas participações especiais dublando um ator convidado.










***PERSONAGENS FIXOS:





** Robert Stack em Os Intocáveis**





** James Drury em O Homem de Virgínia**





** Detetive Adam em Cidade Nua""





** Ratinho Faro Fino no desenho Olho Vivo e Faro Fino**




**Steven Hill na 1ª temporada de Missão Impossível**




**A voz no gravador de Missão Impossível na 3ª e 4ª temporada**




**Napoleon Solo em O Agente da UNCLE**



** Sr. Morton em Viagem ao Fundo do Mar**



** Scott Lancer na série Lancer**





** Manuelito (Manolo) em Chaparral**





Em todos esses personagens, Wilson Ribeiro foi fantástico na interpretação, mas aqui devemos destacar o personagem Manuelito em Chaparral, onde com um sotaque espanhol deu uma característica toda especial ao personagem sem o tornar caricato. Um trabalho primoroso , o qual infelizmente desapareceu.


Mas também, como convidado especial, parecia que fazia parte do elenco fixo da série. Vamos listar alguns, pois foram inúmeros:





**Adônis no episódio "Lamento por Adônis" de Jornada nas Estrelas"





**O alienígena no episódio "A Voz do Espírito" em Perdidos no Espaço, uma de suas melhores atuações***





** Vários convidados na série O Túnel do Tempo, como Robin Hood e mais uma dezena de participações**





** Em Terra de Gigantes nos episódios "Terror" e "Sabotagem"**







Enfim, sua colaboração para a boa dublagem da AIC foi enorme. Infelizmente, a Fox não permite exemplos de vídeo, assim postamos três momentos de Wilson Ribeiro, os quais pudemos encontrar:





O ratinho Faro Fino no desenho Olho Vivo e Faro Fino. Aqui, o gato Olho Vivo é realizado por outro mestre da voz: Waldir Guedes.









Como o detetive Adam na série Cidade Nua.

















Como o cientista que faz uma cópia do capitão Kirk no episódio "As Meninas" de Jornada nas Estrelas, aqui ao lado de Emerson Camargo.












Wilson Ribeiro abandonou a carreira artística para se dedicar a outro tipo de atividade. Apesar de estar afastado há muitos anos da dublagem, um dublador dessa qualidade faz muita falta atualmente!






**Marco Antônio dos Santos**

sexta-feira, 3 de julho de 2009

MEMÓRIA AIC (6): WALDYR DE OLIVEIRA DUBLANDO CHOPPER






Poucas vezes vimos o dublador Waldyr de Oliveira dublando outros personagens. Ficou muito conhecido sendo o sr.Spacelly de Os Jetsons, nas duas versões da série, além de participar ativamente em boa parte de Os Flintstones como sr. Pedregulho e também na direção de dublagem.




São raras as participações que ainda temos em séries de tv como convidado especial.



Para mostrarmos todo o seu potencial de dublador, encontramos um personagem (não muito famoso como sr. Spacelly), que Waldyr de
Oliveira dublou com características tão diferentes que nem parece o mesmo profissional: o cão Chopper no desenho O Patinho Duke , produção de Hanna Barbera do início da década de 1960.

Para aqueles que nunca assistiram a esse desenho: Chopper é um grande cão, muito amigo e protetor do patinho Duke (dublado por Gastão Renné , já falecido). O curioso, neste pequeno exemplo, é que o proprietário de Chopper quer levá-lo para uma caçada aos patos e Chopper tem que dar um jeito para não machucar o seu amiguinho.


Uma raridade com a voz de Waldyr de Oliveira, visto que, infelizmente, este desenho teve alguns episódios redublados na década de 1990.
Acessem o URL do YTB e percebam a qualidade da dublagem de Gastão Renné e, principalmente, de Waldyr de Oliveira.

**Atualmente, segundo informações, consta que Waldyr de Oliveira está afastado das dublagens. Seus últimos trabalhos foram no estúdio Mashemelow**

**Marco Antônio dos Santos***

terça-feira, 30 de junho de 2009

MEMÓRIA AIC (5): NACIONAL KID




National Kid se escondia atrás da pessoa do professor Massao Hata, que originalmente tinha o nome de Riusako Hata, mas foi mudado, pois na língua portuguesa podiam determinar estranhas interpretações . Eles foram protagonizados por dois diferentes atores.


Na primeira e segunda aventura o professor e National Kid foram interpretados por Ichiro Kojima e por motivo de saúde, o restante das outras aventuras passaram a ser interpretados por Tatsume Shiutaro.


Depois da aventura com os "Incas Venusianos", o super-herói National Kid enfrentou "Os Seres Abissais", um povo vindo das profundezas do Reino Abissal, governados pelo terrível Nelkon, que navegava os sete mares a bordo de um imenso submarino com formato de um Celacanto ou Guilton.


Depois vieram outras aventuras como "O Império Subterrâneo", "Os Zarrocos do Espaço" e finalmente "O Mistério do Garoto Espacial", onde após todas essas aventuras, o professor revela ao mundo sua identidade secreta e retorna para Andrômeda, deixando uma mensagem de paz e fraternidade para todos os humanos.


Infelizmente, apesar do grande sucesso no Brasil, muitas poucas informações são obtidas a respeito deste seriado. Dados técnicos como o nome do elenco completo, nomes dos episódios e o elenco de cada um deles, fotos de boa qualidade, som e vídeo, são bastante escassas e, na maioria das vezes, repetitivas, nas diversas páginas da Internet.

Letra da música.


Será nuvem, tempestade ou raio?...Lutando pela paz do mundo...Levantando alto as duas mãos...Voando pelo cosmo o nosso herói...Oh! O seu nome é Kid!!!Hey! National Kid!Ele é o nosso herói, Kid!!!National Kid


National Kid teve duas dublagens no Brasil. A primeira, realizada pela AIC/SP e a segunda, do início dos anos 90, pelo estúdio de Emerson Camargo, dublador de Massao Hata (protagonista da série). Estavam sendo preparadas as fitas VHS a serem lançadas pela Sato Company no Brasil e a dublagem original havia se perdido em um incêndio na Rede Globo, infelizmente.

Abaixo, estão relacionados os nomes da maioria dos responsáveis pela dublagem original da série, fornecidas pelo próprio Emerson Camargo.

National Kid foi o seu primeiro trabalho como dublador do titular.
Elenco de vozes da dublagem original:

Massao Hata: Emerson Camargo
Thiako: Cristina Camargo
Goro: Maria Inês
Kurazo: Magaly Sanches
Tomohiro: Rafael Marques

Yukio: Sônia Regina
Dr. Mizuno: Osmano Cardoso (já falecido)
Direção de dublagem: Amaury Costa (já falecido)


***FONTES BIBLIOGRÁFICAS: CENTRAL RETRÔ TV***

***PARA AQUELES QUE QUISEREM RECORDAR, ENCONTRAMOS NO YTB, A ABERTURA ORIGINAL DA SÉRIE, NARRADA POR WOLNER CAMARGO (pai de Emerson Camargo)***

http://www.youtube.com/watch?v=7GPjITJz3F0

***Marco Antônio dos Santos***

domingo, 28 de junho de 2009

DEPOIMENTO DE LUCIANO LOBO


SAMUEL LOBO

Meu pai faleceu em 1972 e minha mãe no ano passado. Eles ficariam contentes em saber da homenagem.Os dois eram fluentes em inglês, e aprenderam sozinhos, tipo autodidata e eu sempre me impressionei com isso.




Eu me lembro muito bem pois meu pai me explicou como funcionava o esquema da tradução e dublagem naquela época.Os filmes chegavam em rolos e num equipamento chamado moviola ele era cortado em pedaços para facilitar a dublagem. Cada pedaço ficava enroladinho lembrando um grande anel, e era desta forma que os profissionais se referiam aos filmes: filmes de longa metragem podiam chegar a ter 300, 400 anéis ou até mais.




Os tradutores recebiam o script em inglês contendo as falas dos personagens, entretanto meu pai e minha mãe assistiam o filme, pois muitos termos e expressões só podiam ser entendidas no contexto do filme. Além disso levavam um gravador da marca “Geloso” italiano e me lembro muito bem pois nas horas vagas eu brincava de gravações com o equipamento. Este gravador facilitava o entendimento juntamente com a trilha sonora em frases de difícil compreensão no script.




Minha mãe escutava cada trecho, lia no texto em inglês e depois datilografava, em sua Olivetti Lettera 22 (que está comigo)com cópia carbonada num papel amarelo as frases em português que depois era compartilhado com os dubladores.O processo de dublagem era mais ou menos o seguinte: dentro do estúdio, a prova de som o técnico passava um dos anéis que mencionei que normalmente tinha duração de 1 ou 2 minutos com o filme em inglês para os dubladores terem tempo de fixar o “timing” da fala. Depois passavam uma segunda vez para falarem em português em cima da fala em inglês para ver se encaixava. Depois, silêncio total, acendia a luz vermelha indicando que ninguém podia sair/entrar do estúdio e aí a dublagem começava. Imagine um filme com 280 anéis quanto tempo tomava dos dubladores.




Além deles ficava também dentro do estúdio o diretor técnico da dublagem que coordenava todo o trabalho e dava o ok para cada anel dublado. Era esse cara que indicava quem ia dublar o que antes do início do filme.Ao final da dublagem os anéis eram religados e os técnicos da moviola preparavam o filme para ser entregue as emissoras de TV.Era mais ou menos assim




Luciano Lobo ***filho do tradutor Samuel Lobo e dublador de Curly em Os 3 Patetas***



***Agradecemos ao Luciano Lobo pelas suas palavras a respeito do trabalho grandioso de seus pais****



***COLABORAÇÃO: Muito obrigado a Rawlinson Furtado por ter nos enviado este depoimento****







***Marco Antônio dos Santos***

quinta-feira, 25 de junho de 2009

2ª ENTREVISTA COM HELENA SAMARA (FINAL)


**ESTA ENTREVISTA FOI UMA CONVERSA INFORMAL, REALIZADA NA CIDADE DE SÃO PAULO, NO DIA 28/10/1991.PROCURAMOS, NA MEDIDA DO POSSÍVEL RETIRAR A ORALIDADE DO TEXTO***




**PARA EFEITO DE TEMAS, DECIDIMOS DIVIDIR EM DOIS BLOCOS O DEPOIMENTO DE HELENA SAMARA> AQUI ESTÁ O BLOCO FINAL.**




1 - Helena, você também dublou a tenente Uhura na série Jornada nas Estrelas, o que você pensa da redublagem dessa série ?


R; Eu não coloco nenhum desmérito ao trabalho dos colegas mais novos. O que eu penso é que houve dois descasos conosco que fizemos a 1ª dublagem. O primeiro creio que vem , não sei, se do país ou de quem responsável pelo desaparecimento da dublagem, acho isso um verdadeiro crime contra o trabalho de diversos profissionais que não dispunhamos das mesmas condições de trabalho, isso deveria ter se perpetuado. O segundo descaso veio, também não sei dizer de quem, de nenhum dublador da 1ª dublagem ter sido convidado para participar de pelo menos um episódio sequer. Eu sei que hoje eu não poderia , com esta voz, dublar a Uhura, mas uma outra personagem convidada talvez. Esse fato creio que deixou a nós que participamos de Jornada nas Estrelas, muito entristecidos com o meio da dublagem. Eu , fiquei muito magoada e imagino como ficou o Emerson Camargo que iniciou a tradução da série.




2 - Houve algum personagem em filme ou como convidada em série que te deixou uma boa recordação, ou seja, você sentiu que fez um ótimo trabalho ?


R: Olha, Marco Antônio, esta pergunta quase nunca existiu, devido aos personagens marcantes que fiz. Mas , certa vez eu fui escalada para dublar uma convidada numa série de faroeste (não me lembro o nome, sei que era um pai e dois filhos).


M.A.: Se chama Lancer essa série!


H: Nossa, que memória, rs, rs, rs, é essa mesmo. Então, eu fui dublar uma mulher madura, mas ela era chefe de uma quadrilha e ninguém fazia nada sem o comando dela. Mas o interessante da personagem é que ela tinha uma filha que voltaria para morar com ela, então ela desfaz a quadrilha. Aí que achei interessante, porque ela arrumou uma casa, a filha chegou e eu tive que alterar totalmente a interpretação na voz. Mas a quadrilha não desistia dela, até que não me lembro ela é assassinada por acaso. Eu gostei muito dessa personagem, pois nesse episódio eu me coloquei no lugar daquela mulher, e creio que foi uma das minhas melhores dublagens.


OBS> O episódio a que Helena Samara se refere se chama "Tentativa Impossível" da série Lancer.




3 - Esse tipo de personagem a que você se referiu são os melhores para um dublador ?


R: De certa forma sim, pois você acaba sendo um pouco vilã e ao mesmo tempo há todo um lado humano. Eu creio que essa foi a grande fonte que jorrou para o Borges de Barros com o Dr. Smith, pois ele podia fazer muita coisa, mas havia também todo o lado de apego às crianças e o Borges trabalhou muito bem isso!




4 - Então, Helena, partindo desse principio, você enquadra também a Endora ?


R: Sem dúvida! A Endora me deu oportunidades maravilhosas do exercício da voz e interpretação. Para mim foi um grande desafio dublar a Endora sem que ela fosse somente a bruxa malvada, rs,rs,rs




5 - Mas você disse que a Wilma Flintstone teria sido o seu personagem mais marcante. Você é mais Wilma ou Endora ?


R; Rs,rs,rs,rs Ah! Marco Antônio, você não esquece de nada! A Wilma Flintstone eu tenho um carinho por ela porque me deu a oportunidade de trabalho muito difícil e diferente e, também , por ser desenho. Adorava quando ela ficava brava e dizia : "Fred Flintstone saia já dessa cama!"


A Endora, por não ser desenho, me deu oportunidades das alterações vocais, até pelo olhar dela. Ah! Tinha horas que ela super meiga, quase que exclusivamente com a neta! rs,rs,rs,rs




6 - Por quais personagens você gostaria de ser lembrada ?


R: Por todos, amei fazê-las, fiz de coração, porque a Maureen de Perdidos no Espaço era uma mãe maravilhosa, adorei, a Wilma Flintstone, a Endora e , infelizmente, a tenente Uhura se perdeu, mas gostei muito das mensagens que a série trazia.




7 - A Maureen , na sua opinião, não era muito condescente com o Dr. Smith ?


R: Ela era o equilíbrio da família. Então, quando o Dr. Smith aprontava muito, ela sempre o via como um ser humano que possui defeitos, como todos, e eu vejo que ela era uma espécie de uma consciência mais humana e menos ciência da família.
8 - Qual a mensagem que você deixa para os teus fãs da Wilma Flintstone e a Endora ?
R: Primeiro, quero agradecer a você Marco Antônio, por esta conversa tão agradável e espero que você consiga um dia, quem sabe, até escrever algo sobre tudo da AIC. A minha mensagem para os fãs é que pensem sempre que tudo foi feito com muito amor e dedicação. Quando assistirem pensem nisso, porque nós sempre pensávamos no público, principalmente, o infantil.
Um beijo para todos de coração!

**OBS> Repetimos a última pergunta já editada anteriormente, a fim de finalizarmos as palavras de Helena Samara**



***Helena Samara faleceu no dia 08 de novembro de 2007, mas continuará sempre a brilhar, onde quer que esteja o nosso MUITO OBRIGADO!******


***Marco Antônio dos Santos***

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O SOM DAS DUBLAGENS DA AIC


Se analisarmos com muito critério, não levando em consideração o descaso de muitas distribuidoras com a conservação da dublagem daquela época, notamos que os DVDS que trazem o som em português da AIC é bem nítido, claro, se entende perfeitamente, mesmo com mais de 40 anos de existência.


Isso ocorreu devido a alguns fatores:

a) a qualidade dos técnicos que mixavam, editavam toda a dublagem, fazendo com que o som não superasse a voz dos dubladores. Esse tópico já foi tratado aqui com todos os detalhes.

b) a AIC também, primava por ter condições técnicas das melhores possíveis, segundo reportagem da revista do rádio de novembro de 1965.


Hoje, comprovamos essa preocupação com o som, pois os estúdios de dublagem concorrentes na década de 1960, não conseguiam ter a mesma qualidade sonora. Por favor, estamos nos referindo à tecnologia e, não aos dubladores, pois eles dublavam em várias casas de dublagem.


Reparem que não sobrou quase nada de estúdios como Dublasom Guanabara, TV Cine e Som, Odil Fono Brasil e pouca coisa da Cine Castro RJ e SP. Um exemplo, é que o som , na época já era diferente, mais baixo, um pouco incubado e, com o passar dos anos tudo foi piorando.


Quem possui a série Os Monstros, dublada pela Dublasom Guanabara, vê que houve a necessidade da redublagem para DVD, embora pudesse vir também com a opção da primeira dublagem para os fãs.


Nas diversas conversas com o saudoso Borges de Barros, muitas vezes ele citava esse problema, o que gerava a consequência das emissoras só quererem dublar na AIC. Muitas vezes, a pedido da emissora, era comprado um microfone recém lançado no mercado para a dublagem de uma série. Isso ocorreu com a extinta Tv Tupi que solicitou um cuidado especial com o som para a dublagem da série O Túnel do Tempo, lançada por ela.

Percebam que a dublagem desta série parece que foi realizada ontem: há uma qualidade excepcional, mesmo a série tendo sido dublada por volta de 1967 e ter sido exibida em quase todas as emissoras.


Segundo informações, esse microfone passou a ser utilizado para filmes e séries quando a emissora solicitasse. Evidentemente, este aparelho está ultrapassado pelo decorrer dos anos, mas infelizmente, atualmente com o som digital surgem dublagens, onde a música está num nível mais alto do que a voz dos dubladores, às vezes não conseguimos compreender uma frase, pois parece som abafado, o que não ocorria com a AIC.


Assim, resta-nos uma indagação: Há mais de 40 anos, sem computador, sem som digital, a AIC conseguia essas façanhas. E hoje, porque às vezes não temos um som límpido?


Seria um problema técnico ou de ordem profissional ??



***Marco Antônio dos Santos***

terça-feira, 16 de junho de 2009

TRIBUTO A MÁRIO AUDRÁ


Nem todos os louros do planeta seriam bastante para coroar os grandes vultos da história humana; porque nem todos os que assim têm se autodenominado, ao longo da própria história, foram ou são, realmente, grandes.
Independentemente de a que área da atividade humana nos refiramos, sempre haverá alguém digno da honraria.
Nosso foco, neste momento, é a "sétima arte;" ou, talvez, a parte mais rica desse conjunto magnífico de pessoas e imagens em movimento que, nascido da abreviação do termo francês "cinématographe" nos faz conhecê-lo como... cinema; nosso foco é, portanto, a dublagem.
Desde que os Irmãos Lumière, lá pelos idos de 1895, nos porões do Grand Café, em Paris, projetaram seus dez filmes com duração de 40 a 50 segundos, cada um, o cinema tem passado por irreprimível evolução; do cinema mudo, passando pelo CinemaScope e pelas grandes salas de cinema surround, com exceção da primeira categoria, por razões óbvias, a dublagem sempre esteve – e continua – presente.
Grandes astros do cinema, a exemplo de Rock Hudson, nos Estados Unidos e David Cardoso, no Brasil, por padrão de voz ou por dificuldades de inflexão na interpretação de cenas específicas, eram sempre dublados por outros atores; boa parte do grande público desconhece esse fato.
Sem a participação de um ator dublador, em suas carreiras, nenhum nem outro teriam tido – muito provavelmente – espaço, reconhecimento, sucesso e fama; em ambos os casos o cinema teria perdido grandes expoentes.
O Brasil, que ainda hoje detém a vergonhosa posição de 14º no ranking de países com mais analfabetos e concentrador de mais de um terço de todos os analfabetos da América Latina, segundo dados da Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação - Clade, poderia compor uma platéia diferente, dentre aquela que vê filmes; no cinema ou na TV.
Muitos nem vão ao cinema, porque não teriam nenhuma condição de acompanhar legendas.
Dados recentes dão conta de que cerca de oitenta milhões de brasileiros assistem filmes estrangeiros e apenas dez milhões – mais ou menos – assistem filmes nacionais; estatística que poderia sofrer uma rotação de 180 graus, em sua polaridade, houvesse uma indústria de dublagem estruturada para fazer frente à demanda desse mercado; com amplo apoio governamental, claro!
Por volta de 1950 ou 1951, um paulistano de sangue roxo, apaixonado por cinema e empreendedor por natureza, resolveu enfrentar um dos grandes desafios de sua carreira e fundou a Cinematográfica Maristela, produtora de cinema que ganhou o carinhoso apelido de "a prima pobre da Vera Cruz;" Era Mário Audrá Júnior que deixava os negócios da família para seguir sua saga em defesa do cinema brasileiro.
Após uma boa temporada na Itália, Mário Audrá colocou as mãos na massa para produzir, na Maristela, filmes com poucas senas de estúdio, nos moldes do "Neo-realismo Italiano," então em moda; o que mostrava em relevo as qualidades de diretors, atores e equipes técnicas.
"Presença de Anita", "Suzana e o Presidente" e "O Comprador de Fazendas," os primeiros filmes, levaram para as telas nomes quase lendários, como Procópio Ferreira, Tônia Carrero, Madame Henriette Morineau, Hélio Souto, Sérgio Brito e tantos outros.
O cinema internacional inicia sua marcha demolidora e a indústria brasileira da "sétima arte" é sufocada ainda em seus mais belos e pujantes anos; sucumbe a grande Vera Cruz e, inevitavelmente, como era de se esperar, a Maristela.
Em 1958 surge a Gravassom, um dos primeiros estúdios de dublagem do Brasil; sediado em São Paulo o estúdio tinha por objetivo dublar filmes e desenhos animados, para a TV.
Em 1962, encabeçando um grupo de empreendedores, Mário Audrá, o Marinho, compra a Gravassom e nasce aí o maior e mais querido estúdio de dublagem de filmes para TV e Cinema, do Brasil: A Arte Industrial Cinematográfica – A.I.C.
O Brasil que vê TV ainda hoje lamenta a ausência - em seus refúgios domésticos e em seus espaços de descanso - daquelas maravilhosas vozes que ao longo de tantos anos e incontáveis séries e filmes avulsos deram vida à arte desfilada pelos mais diversos elencos presentes em suas telinhas.
Em 1975 a crise instalada no mercado de filmes virgens, a grande concorrência com as telenovelas e a inexistência de apoio governamental para as artes em geral, o que continua sendo lamentável em nosso País, a A.I.C. São Paulo, notabilizada pela bravura de Mário Audrá e pelo porte profissional do elenco e equipe técnica que lhe dão corpo e alma há tantos anos, fecha as portas.
Nas palavras de Luciano Ramos, sociólogo e jornalista, "Mário Audrá Júnior foi um herói do cinema brasileiro."
E nós que, nos estúdios da Arte Industrial Cinematográfica e em conjunto com os últimos bastiões da dublagem nacional, tivemos o privilégio de dublar algumas centenas de filmes exibidos nas telinhas e nas grandes telas do Brasil, certamente nos sentimos mais felizes e menos decepcionados pelo descaso que da arte têm feito os governos que transitam em nossa história, nesta oportunidade que temos, de depositar – virtualmente - uma coroa de louros na tumba onde jaz o corpo que até o ano de 2004 deu expressão ao aguerrido espírito do Brasileiro de São Paulo, cineasta e literato, soldado e comandante, Mário Audrá!
Versão brasileira... A.I.C. - São Paulo!

**TEXTO DE AUTORIA DO DUBLADOR ARQUIMEDES PIRES***

**MUITO OBRIGADO***

**MARCO ANTÔNIO DOS SANTOS***

sexta-feira, 12 de junho de 2009

CURIOSIDADE AIC (18): MÁRIO AUDRÁ NA REVISTA VEJA

***CLIQUE NA FIGURA PARA AUMENTAR O SEU TAMANHO***



***COLABORAÇÃO: THIAGO MORAES ***

*** MARCO ANTONIO DOS SANTOS ***

segunda-feira, 8 de junho de 2009

CURIOSIDADE AIC (17): A 1ª SÉRIE DUBLADA PELA AIC


Há algum tempo atrás, ainda quando dispunhamos da comunidade, veio a baila qual teria sido a 1ª série dublada totalmente pela AIC.

Segundo o dublador Carlos Campanile, teria sido a série Lanceiros de Bengala.

Isso nos gerou uma grande dúvida e fomos pesquisar em nossos arquivos sonoros e encontramos a seguinte situação:


1 - Há séries que foram totalmente dubladas ainda pelo estúdio Gravasom, um exemplo é a série Além da Imaginação e Aventura Submarina.

2 - Há séries que tiveram boa parte de sua dublagem realizada pela Gravasom e o restante já pela AIC: nesse caso situam-se as séries Papai Sabe Tudo, Lanceiros de Bengala, As Aventuras de Rin-Tin-Tin e mais algumas.

3 - Procurando os registros de exibição da série e ouvindo já a diferença da nitidez do som, encontramos a série Hong Kong estrelada por Rod Taylor, além do fato do ator ser dublado por Wolner Camargo que assumira a direção artística da AIC.

Portanto, para nós, até o momento, Hog Kong foi a 1ª série dublada desde o seu início pela AIC.


Aqui vai um pequeno resumo da série, a qual muitos nunca ouviram falar:


Hong Kong era uma série de TV norte-americana da 20th Century Fox, criado por Robert Buckner e também produzido por Herbert Hirschmann e Art Wallacey Fletcher Markle, em preto em branco, apresentada pela primeira vez entre 28 de setembro de 1960 a 29 de março de 1961, às 19:30horas, pela rede de televisão ABC, nos Estados Unidos.


Esta série contava a vida de um correspondente norte-americano chamado Glenn Evans que além de repórter, combatia o crime na ex-colônia britânica de Hong Kong (na época, hoje pertence novamente a China). Foi estrelado pelo ator Rod Taylor, no papel do correspondente no Oriente do jornal World Wide News.


Evans apesar de repórter era um perito em resolver crimes, falcatruas e envolver-se em diversos romances e confusões. Se de um lado ele vivia metendo-se com chantagistas, contrabandistas, seqüestradores e assassinos, por outro lado ele também conseguia passar horas bastante agradáveis, dentro do seu paletó branco, entretendo-se com adoráveis senhoras na boate Dragão Dourada.



O espetáculo tinha um grande senso de lugar e de aventura, com Evans aproximando no seu carro conversível, tendo a baia de Hong Kong como fundo. As cenas também eram ajudadas com a espetacular música composta por Lionel Newman.


Os atores principais eram Rod Taylor, no papel de Glenn Evans e Lloyd Bochner como o Chefe de Polícia Neil Campbell. Os papéis menores eram interpretados por Jack kruschen como Tully, dono do Tullys Bar, Harold Fong como Ahting, o mordomo de Evans, Gerald Jann como Mr. Ling, o assistente do Chefe de Polícia Neil Campbell, e Mai Tai Sing no papel de Ching mei, a camareira do "The Golden Dragon Cafe"


O ator Rod Taylor havia recusado a participar em mais uma dezena de séries quando finalmente acertou fazer o papel de Glenn Evans. Para interpretar este personagens, Rod recebeu um dos mais elevados salários até então pago por um ator naquela época, ele recebeu cerca de 3.750 dólares por capítulo, mais quinze porcento pela propriedade da série.


Mas pelo que aparentemente decidiu Taylor de aceitar o papel, segundo declaração de uma entrevista para a revista TV Radio Mirror, em janeiro de 1961, foi o caráter do personagem "senti que o caráter de Glenn Evans vinculava muito bem com Rod Taylor". Acredite quem quiser. Infelizmente, a ABC e a 20th Century Fox decidiram apresentar a série num horário das 19:30 horas, um horário muito cedo para apresentação de um programa considerado inapropriado para menores.


Além disso cometeu o grande erro de ser apresentado no mesmo horário da concorrente NBC que tinha um grande êxito, "Wagon Train" (no Brasil apresentado como Caravana) neste horário. Enquanto Wagon Train conseguia 34,5 pontos de audiência, Hong Hong oscilava em 10,6 a 12,7 pontos.


A série foi encerrada com apenas uma temporada de 26 capítulos, mais o piloto. O estúdio ainda tentou lançar novamente a série Hong Kong com um novo título "Dateline", com Glenn Evans na cidade de São Francisco, mas nunca a série nunca passou do programa piloto.
***Marco Antônio dos Santos***

domingo, 7 de junho de 2009

CURIOSIDADE AIC (16): ATORES QUE PASSARAM PELA AIC








Hoje, ao assistirmos as novelas de nossa televisão, nem imaginamos que alguns atores passaram pelos estúdios da rua Tibério, que estavam iniciando a sua carreira artística.

Alguns, ficaram um período mais longo, como Denis Carvalho, o qual já abordamos especificamente. Osmar Prado também permaneceu um pouco mais e ainda iremos abordar alguns de seus trabalhos.

Aqui, temos: Tony Ramos, Elaine Cristina e Cláudio Marzo.
Segundo registros de entrevistas com os atores na extinta revista Amiga, no início da década de 1970, eles mencionaram sua passagem pela AIC, apesar de serem bem curtas, segundo eles próprios.

**Tony Ramos: segundo menciona, foi convidado por Ribeiro Filho, que viu o seu potencial, porém ainda na extinta Tv Tupi, não tinha o espaço necessário e o viam como um simples figurante. Assim, para sobreviver foi dublar na AIC e conseguiu ganhar até um personagem fixo na série A Escuna do Diabo, um marinheiro que falava sem muitas complicações (segundo ele menciona). Mas, coube ao diretor Geraldo Vietri descobrir o seu talento e absorvê-lo totalmente nas novelas. Por isso, conforme a revista ele não ficou mais do que um ano na AIC.

**Elaine Cristina: Sua história artística também se parece com a de Tony Ramos, ambos na Tupi. O falecido diretor Geraldo Vietri viu a possibilidade de um novo par romântico, uma vez que, a extinta Tv Excelsior era líder de audiência em novelas na época. Porém, Elaine Cristina deixou seu registro de voz em somente filmes, muitos dos quais já foram redublados. Sua interpretação e voz serviam para as moças meigas e ingênuas (segundo ela menciona).

**Cláudio Marzo: Este excelente ator já vinha de teatro amador, algumas pontas em filmes e diversas pontas no TV de Vanguarda da Tv Tupi. Ele acreditava no seu potencial e sempre aguardou o momento certo. Com o golpe militar, em 1964, o teatro e o cinema praticamente paralisaram e Cláudio Marzo foi parar também na AIC. Porém, ele confessa que foi um período muito enriquecedor para a sua carreira, mas o seu grande objetivo era ser ator. A oportunidade veio com a inauguração da Tv Globo, em 1965, onde Cláudio Marzo foi o galã de diversas novelas. Também não houve um personagem fixo dublado por ele.

Assim, registramos aqui, como a AIC foi também uma grande escola para atores que viriam a desenvolver a carreira artística durante os anos seguintes.


**Marco Antônio dos Santos***




quinta-feira, 4 de junho de 2009

DUBLADOR EM FOCO (50): LÍRIA MARÇAL

LÍRIA MARÇAL




Líria Marçal foi uma das dubladoras mais atuantes da AIC, por outro lado, há anos tentamos localizar uma fotografia sua e , recentemente, foi nos enviada, através de um colaborador de nosso trabalho. Obtivemos, certa vez, a sua descrição física, que revela ter sido uma mulher muito bela: cabelos escuros, longos e olhos claros.
Nasceu em 6 de junho de 1935 na cidade de Lins/SP.


Também consta de que já havia participado de algumas rádio-novelas, pois sua voz e interpretação são inesquecíveis.


Sua personagem mais conhecida é Jeannie, onde dublou as cinco temporadas da série. No início, a personagem é um pouco mais séria, mas a partir da 2ª temporada ela vai mais para a comédia e Líria Marçal foi perfeita para personagem.


Geralmente em filmes, ficava com as mulheres mais sedutoras, mais charmosas. Dona de uma voz "macia", conseguia dar o tom exato da personagem.

O interessante é que Líria Marçal também conseguia colocar a sua voz e interpretação até para senhoras. Na série Big Valley, ela substitui Gessy Fonseca na dublagem da atriz Barbara Stamwick (Vitória Barkley), a matriarca da família que vivia com seus filhos num rancho. Outra série de enorme sucesso no final da década de 1960. Também, no final da década , dublou a atriz Linda Cristal (Vitória) na série Chaparral.

Paralelamente, consiguimos descobrir a sua participação em três novelas:



**Em 1965/66 na novela "O Ébrio" na Tv Globo.



**Em 1968 na novela "Nunca é tarde demais" na Tv Bandeirantes.



**Em 1970 na novela "As asas são para voar" na Tv Bandeirantes.



Evidentemente, os tapes dessas novelas foram destruídos nos incêndios que a Tv Bandeirantes e Tv Globo sofreram.
Em 1973, voltou a dublar Jeannie na versão animada produzida por Hanna Barbera.

Depois da dublagem desse desenho não conseguimos obter nenhuma informação a seu respeito!
Faleceu no dia 8 de julho de 1996, segundo consta vítima de câncer, aos 61 anos de idade.

Líria Marçal foi uma excelente dubladora e atriz que caiu no imenso anonimato desse nosso Brasil. Porém, os fãs de Jeannie podem ouví-la, atualmente, em DVD. Uma obra para a eternidade!


***Para homenageá-la e demonstrar a sua interpretação com a voz, postamos um vídeo dublando Jeannie, ao lado de Emerson Camargo na 1ª temporada da série




**Aqui, apesar de o vídeo estar telecinado, há um trecho da série Big Valley, onde dubla Vitória Barkley. Para nossa felicidade, seu diálogo é com o saudoso Borges de Barros. Reparem a dublagem realizada por ambos.




**Esta era a dublagem realizada pela Arte Industrial Cinematográfica São Paulo ou AIC/ SP**




**COLABORAÇÃO: Thiago Moraes**







***Marco Antônio dos Santos***

segunda-feira, 1 de junho de 2009

DUBLADOR EM FOCO (49): MAGNO MARINO







Da biografia deste dublador tão ativo, da década de 1960, sabemos muito pouco. Pesquisamos ao máximo sua presença nos estúdios da época e conseguimos esboçar um pequeno trajeto.





Nosso primeiro registro sonoro de Magno Marino é ainda no estúdio Gravasom, onde narrava as aberturas da série Além da Imaginação e dublava Rod Serling no resumo daquilo que o episódio iria apresentar.





Aqui, é bom frisar que Magno Marino fora substituído, algumas vezes, por Waldir Guedes e por Ronaldo Baptista.




Na AIC, sua carreira continua bem marcante, fazendo algumas participações em desenhos da época, mas teve um personagem fixo, o qual fez a sua 1ª voz, "Chuvisco", sendo ,posteriormente substituído por Arakén Saldanha. Aliás, nesse desenho, temos o maravilhoso trio: Older Cazarré, Gastão Renné e Magno Marino, onde Chuvisco sempre acabava se dando mal para pegar "esses roedores". Também foi o dublador de Catatau, sendo substituído, eventualmente, por Roberto Barreiros.




Seguindo a experiência de Além da Imaginação, também foi o introdutor do enredo na série Cidade Nua.




Fez a 2ª voz do General Peterson em Jeannie é um Gênio, a partir da 2ª temporada.




Também foi diretor de dublagem e surgia esporadicamente em Viagem ao Fundo do Mar, A Feiticeira, Perdidos no Espaço, Terra de Gigantes, Jornada nas Estrelas, etc.



Em meados de 1968, Magno Marino se transfere para o Rio de Janeiro, onde foi participar do novo estúdio TV Cine Som, onde dirigiu e dublou algumas séries. Ao término do estúdio, ainda teve uma rápida passagem pela Peri Filmes.



Em 1976, participou na Tv Globo da novela Vejo a Lua no Céu, porém com o nome artístico de Magno Egydio. Seu personagem era o tio de Norma Blum. Nessa época, já apresentava estar com idade avançada.




Sua filha, Magda Medeiros, também dublou na AIC. Quem tiver o episódio Cyborg de Viagem ao Fundo do Mar, ouvirá a sua voz dublando a andróide que salva o almirante Nelson.




Não conseguimos nenhum registro mais de suas atividades, mas fica aqui documentado o grande talento desse dublador de voz firme e pausada.




Para aqueles que quiserem recordar cliquem o URL:





***Magno Marino narrando a abertura de Além da Imaginação (Gravasom):






***Magno Marino introduzindo o enredo de Cidade Nua: ttp://www.youtube.com/watch?v=LWTgy2ZmTaA







***Magno Marino dublando Chuvisco (aqui temos também a participação de Waldir Guedes dublando o gatinho). Vale a pena rever essas vozes e suas interpretações:















***Marco Antônio dos Santos***

sexta-feira, 29 de maio de 2009

2ª ENTREVISTA COM HELENA SAMARA


**ESTA ENTREVISTA FOI UMA CONVERSA INFORMAL, REALIZADA NA CIDADE DE SÃO PAULO, NO DIA 28/10/1991.PROCURAMOS, NA MEDIDA DO POSSÍVEL RETIRAR A ORALIDADE DO TEXTO***


M.A: Depois de mais de 2 anos é muito bom encontrar com você novamente! Hoje, estamos sem o Borges que tinha já um compromisso!

H: Não tem problema Marco Antônio, é muito gostoso conversar com você, que se lembra até de coisas que já se apagaram da minha memória.

MA: Hoje, eu gostaria de deixar a Maureen de Perdidos no Espaço e abordarmos a Wilma Flintstone e a Endora. Tudo bem ?

H: Você é que "manda" !



1 - Como você começou a dublar ?

R: Aí, é algo muito curioso! Eu trabalhava na Gravasom, no departamento técnico, e separava ou cortava os anéis dos filmes que iriam ser dublados. Eu era muito jovem, magrinha e um dia havia uma convidada especial na série Papai Sabe Tudo. Mas o diretor não encontrava uma voz adequada, até que me olhou no corredor e disse: "você é fisicamente muito parecida com ela". Faz um teste para dublar essa personagem". Fiz, acertei e amei. Mesmo assim, eu continuei na área técnica e fui dublar somente quando já ai era AIC.



2 - Qual foi o seu primeiro trabalho na AIC ?

R: Aí, foi novamente o mesmo motivo! Precisavam de alguém para fazer aquela vozinha da Wilma e de imediato fui chamada. Essa personagem eu tenho um enorme carinho por ela, porque eu fui a única dubladora durante toda a série. Então, quando saía um dublador, o que entrava sempre me perguntava como era, porque eu sempre achei que era uma responsabilidade imensa dublar esse desenho. Até quando o Alceu Silveira veio substituir o Marthus Mathias, ele estava receoso, mas o ser humano Older Cazarré, que foi um dos diretores da série, sempre nos orientava e disse um dia para mim: "Helena, crie, faça o que quiser, você já é a Wilma Flintstone!. Foi maravilhosa essa frase, nunca esqueci!



3 - Sempre foi o Older Cazarré o diretor dos Flintstones ?

R: Não, no início foi o Waldyr de Oliveira, depois eles se alternavam um pouco, mas já no final era só o Older Cazarré.



4 - E aquela amada sogra Endora ? Por que você não a dublou desde o início ?

R: Bem, quando A Feiticeira chegou para a dublagem, nos disseram que a emissora tinha muita pressa em colocar no ar. Aí, o Amaury Costa não teve muito tempo e colocou as vozes mais famosas na época, por isso foi a Márcia Real e depois a Gessy Fonseca. Também ninguém imaginava que aquela série durasse tanto tempo. Participei de alguns episódios e me lembro que, às vezes, íamos até às 2h. da manhã para entregar logo para a emissora. Não me lembro qual!



5 - Bem, e quando você virou a sogra de James ?

R: Aí, um houve um período que a série não apareceu para dublagem, e quando retornou, muitos dubladores originais não estavam na AIC, foi o caso da Gessy Fonseca. Foi aí que, novamente, o Older Cazarré me escolheu para a Endora, e ele me disse: "essa bruxa é da pesada", não é a Wilminha Flintstone".



6 - Como foi o processo de criação seu com a Endora ?

R: Eu pedi para ouví-la falar em inglês, várias vezes, e me parecia que a atriz dava um tom arrogante para a voz. Eu preferi dar um tom de superioridade, mas ao mesmo tempo de comédia. E deu certo!



7 - E o elenco de dubladores de A Feiticeira ?

R: Foi outra família que tive, muitas saudades da minha inesquecível Rita Cleós, já éramos até como duas irmãs, e recentemente me abalou profundamente a partida do Olney Cazarré. Ele era divertidíssimo, dublávamos as brigas com ele e depois nós mesmos ríamos do que fazíamos e improvisávamos.



8 - Quem foi o diretor de dublagem de A Feiticeira ?

R: Foram vários, porque a série parecia nunca terminar. O Older Cazarré estabeleceu essa nova fase de vozes escolhendo a mim e ao irmão, mas para os episódios, muitos diretores se alternavam. O Olney Cazarré era tão capaz em dublagem, que a partir já do final da série, ele praticamente era o diretor de quase todos os episódios, mesmo dublando o James.



9 - Na série original, o marido de Samantha se chama Darriw, você sabe porque alteraram na tradução ?

R: Não faço a mínima idéia, parece que quem foi o tradutor inicial foi o Hélio Porto, não sei o motivo da alteração, que depois deu uma certa confusão quando ela o chamava de Dumbo.



10 - Do que você sente saudades da Endora ?

R: De tudo! rs,rs,rs, Porque eu nunca a vi como uma bruxa má. Eu a via como uma mãe que se desentendia sempre com o genro e tinha a facilidade do poder mágico para isso. Mas há muitas sogras por aí, que não tem a feitiçaria, mas são mais terríveis do que a Endora. No final, ela sempre se arrependia, qual a sogra que se arrepende tão facilmente? rs,rs,rs.

Eu me divertia muito e saía da dublagem leve, porque não era um personagem que me exigisse um grande preparo na dramaticidade, o que sempre me desgastou mais.



11 - Helena, qual a mensagem que você deixa para os teus fãs da Wilma Flintstone e a Endora ?

R: Primeiro, quero agradecer a você Marco Antônio, por esta conversa tão agradável e espero que você consiga um dia, quem sabe, até escrever algo sobre tudo da AIC. A minha mensagem para os fãs é que pensem sempre que tudo foi feito com muito amor e dedicação. Quando assistirem pensem nisso, porque nós sempre pensávamos no público, principalmente, o infantil.

Um beijo para todos de coração!


***Helena Samara faleceu em novembro de 2007, mas continuará sempre a brilhar, onde quer que esteja o nosso MUITO OBRIGADO!******


Para reelembrarmos um pouco, temos aqui uma cena dos três grandes dubladores : Helena Samara, Rita Cleós e Olney Cazarré numa pequena e calorosa discussão em família na série A Feiticeira.




***Marco Antônio dos Santos***

sexta-feira, 22 de maio de 2009

DUBLADOR EM FOCO (48): LÍDIA COSTA



(São Paulo em 08/12/1932 - São Paulo em 2002).

Bem jovem e dona de uma voz forte e clara ela arrumou emprego como radioatriz nas Emissoras Associadas e se tornou uma das atrizes mais atuantes no início da TV brasileira.


Começou na Tupi na metade da década de 50 e depois passou pela Excelsior, Record, Globo e SBT.

Fez sucesso no elenco da "TV de Comédia" e participou do elenco da primeira novela diária da TV, "2-5499 Ocupado", além de viver o principal personagem feminino da novela "Os Quatro Filhos", em 1965.na TV Excelsior.

Suas principais novelas, além das já citadas foram: "As Minas de Prata"; "Os Fantoches"; "Vitoria Bonelli"; "Saramandaia" e "Espantalho".


Justamente por ser dona de uma voz forte e devido à sua experiência no rádio, Lídia Costa esteve algum tempo também na AIC.

Seus personagens, geralmente eram vilãs ou mulheres com personalidade forte, sem externar os sentimentos.

Lídia Costa fazia esse tipo de personagem muito bem já na televisão.


Assim, sua maior participação em dublagem foi em filmes, entre 1964 a 1966, aproximadamente.

Sua participação em séries de tv, praticamente não houve, mas pesquisando encontramos a dublagem de um anel na 1ª temporada da série Perdidos no Espaço, episódio "Volta à Terra", onde ela dubla uma telefonista.


Uma grande atriz, esquecida pela mídia que participou também da AIC.


***Marco Antônio dos Santos***

DUBLADOR EM FOCO (47): GILMARA SANCHES


Gilmara Sanches nasceu em 15 de junho de 1948, em São Paulo. Começou sua vida artística com onze anos de idade dublando uma das crianças da série “Papai Sabe Tudo” no estúdio Gravasom.


Na mesma época, trabalhou na TV Record em “A Turma do Sete”, “Fiorela” e ”Mandraque”. Cresceu fazendo novelas na rádio São Paulo e dublando, já agora na AIC, onde as adolescentes, as mocinhas eram sempre entregues a ela.


Na época que as séries japonesas surgiram na nossa televisão ela era garota e adorava o “Nacional Kid”. Anos depois seu talento como dubladora foi reconhecido pela sua atuação em outro sucesso japonês, o anime “Cavaleiros do Zodíaco”.

Vieram outros seriados e ela acabou se especializando nesse segmento e, hoje, além de atuar nas dublagens também dirige esses trabalhos.


Entre 1965 e 1975 fez novelas em São Paulo: "Turbilhão", “Os Diabólicos”, “Sangue do Meu Sangue”, “A Menina do Veleiro Azul” e “Meu Rico Português”. No cinema esteve na paródia de Mazzaropi “Betão Ronca Ferro”. É irmã da atriz Elaine Cristina, além de ter sido casada com o dublador Ézio Ramos (já falecido).


Um grande talento da dublagem que deu os seus primeiros passos na Gravasom, aprendeu e desenvolveu a arte de dublar na AIC, e hoje é um nome reconhecido e respeitada pela sua capacidade.


***Marco Antônio dos Santos***

quinta-feira, 21 de maio de 2009

MEMÓRIA AIC (4): E AS NOIVAS CHEGARAM



A História se passa no ano de 1870, quando os irmãos Bolt estavam em perigo de perder sua montanha,"Véu de Noiva"pois seus lenhadores estavam sentindo falta de mulheres em Seattle.


Jason teve uma idéia brilhante. Usando dinheiro pedido junto ao seu rival Aaron Stempel, viajou para New Bedford, Massachusetts para trazer mulheres para Seattle. Lá ele encontra 100 mulheres interessadas em se casarem. As mulheres, conduzidas pela doce Candie Pruitt, retornam com Jason a bordo do navio do capitão Clancey. Mas se uma das 100 mulheres voltarem para casa antes de 1 ano, os irmãos Bolt perderiam suas terras para Aaron Stempel.A série passou no Brasil também como nome de Os Aventureiros. Com um total de 52 episódios.

A série estreou em meados de 1969 na extinta TV Excelsior de São Paulo, mas logo viria a falência e, assim, em 1970 já estava na TV Tupi, onde ficou durante algum tempo exibindo na íntegra.

Consta que por volta de 1978 a 1980, a TV Gazeta de São Paulo também exibiu a série.

Ela retornaria somente em 1988 pela TV Record, onde todos os episódios foram exibidos até 1990, quando a emissora foi vendida para o atual grupo.

Segue abaixo a lista de dubladores:

**Jason Bolt: Aldo César / Joshua Bolt: Ézio Ramos (1ª voz) e Olney Cazarré (2ª voz) / Jeremias Bolt: Marcelo Gastaldi / Candy Print: Sandra Campos / Aaron Stampel: Luiz Pini / Biddi Clom: Aliomar de Matos /Capitão Francis: Borges de Barros / Lottie Hardifield: 1ª voz (??) , Helena Samara (2ª voz) /

Para aqueles que querem recordar a série cliquem no URL do Youtube para assistir a um trecho dublado com a participação de Gilberto Baroli, dublando o rapaz que sofre o acidente.
***Marco Antônio dos Santos***

terça-feira, 19 de maio de 2009

DUBLADOR EM FOCO (46): IBRAHIM BARCHINI


"O QUE ACONTECERÁ COM OS NOSSOS COLONIZADORES DO ESPAÇO ?


NÃO DEIXEM DE VER, NA PRÓXIMA SEMANA, MAIS UM EPISÓDIO DA SÉRIE PERDIDOS NO ESPAÇO!!"




A 1ª e 2ª temporadas de Perdidos do Espaço foram estruturadas como um seriado de cinema, onde sempre terminava o episódio com a parada de cena, com algum perigo, levando-nos a querer assistir ao próximo episódio.


No episódio seguinte tínhamos: "NA SEMANA PASSADA COMO BEM RECORDAM, DEIXAMOS O MAJOR WEST E JUDDY, SEM SABER QUE UM TERRÍVEL TERREMOTO ESTARIA CHEGANDO".




Essa voz que levou a emoção a tantas crianças e adolescentes da época era de Ibrahim Barchini, o narrador oficial da AIC na época.


Segundo nosso banco de dados, os estúdios de dublagem não mencionavam onde era dublado o filme, desenho ou série. Com o crescimento dos estúdios, a AIC decidiu trazer a sua marca registrada.


No início: "Versão Brasileira da Arte Industrial Cinematográfica São Paulo" e, posteriormente AIC/SP.




Consta que a primeira série a ganhar um narrador foi Os 3 Patetas, em meados de 1964. Ibrahim Barchini já havia passado como locutor por algumas rádios e é convidado para integrar o elenco da AIC. Assim, ele também era a voz de manchetes de jornal em filmes, placas e locutor de rádio quando a série exigisse.




Dono de uma voz clara e potente, foi o narrador de Os 3 Patetas, A Feiticeira (1ª e 2ª temporadas), O Túnel do Tempo, Big Valley, Viagem ao Fundo do Mar (1ª e 2ª temporadas) e, principalmente, Perdidos no Espaço pela característica do seriado.




Formado em Direito, também atuava na AIC até o início de 1968 ,quando é aprovado num concurso para Oficial de Justiça, abandonando de vez a carreira artística. A AIC o substituiu por Carlos Alberto Vaccari que pela sua voz carregada de emoção marcou uma época! Assim, já a abertura da 3ª temporada de Perdidos no Espaço coube a Vaccari.




Ibrahim Barchini faleceu jovem, com apenas 48 anos de idade, no dia 12 de dezembro de 1992, vítima de um acidente de automóvel na cidade de São Paulo.




Aqui, para aqueles que desconhecem a sua voz, ou não se lembram, colocamos duas aberturas narradas por ele.


Uma grande voz da Arte Industrial Cinematográfica!!!!




Os 3 Patetas





Big Valley (1ª temporada)


http://www.youtube.com/watch?v=gCMPPA9Ey_c



***Marco Antônio dos Santos***


OBS> Agradecemos aos seus familiares pelas informações obtidas***

segunda-feira, 18 de maio de 2009

CURIOSIDADE AIC (15): AS SÉRIES MAIS CURTAS DUBLADAS PELA AIC

O HOMEM INVISÍVEL






Assim como pesquisamos as séries mais longas dubladas pela AIC, a título de curiosidade, também procuramos as cinco séries mais curtas dubladas integralmente nos estúdios da Arte Industrial Cinematográfica.




O motivo de terem sido tão pequenas, foi o baixo ibope nos Estados Unidos, embora algumas tenham tido sucesso no Brasil e, hoje, algumas até viraram cults.







Assim temos:







1º O Homem Invisível (1975/76): 13 episódios, produzida pela Universal.


2º O Prisioneiro (série inglesa da década de 1960): 17 episódios.


3º Kolchack e os Demônios da Noite: 20 episódios. É bom lembrar que esta série teve dois pilotos e, alguns consideram como episódios. Série produzida pela Universal (1973/74).
**Esta série virou cult por inspirar Cris Carter para a produção da série Arquivo X em 1993


4º A Família Robinson (1975/76): 21 episódios. Aqui também há uma divergência devido ao piloto da série. Esta série foi produzida por Irwin Allen, mas não alcançou o sucesso esperado.
***Segundo consta, teria sido a última série dublada pela AIC.


5º O Besouro Verde(1967/68) : 26 episódios. Produzida pela Fox e pelo mesmo criador de Batman e Robin, a série só conseguiu ter uma temporada, porém atualmente é uma série muito reverenciada, principalmente pela participação de Bruce Lee.





Embora já tenhamos postado, segue os nomes dos dubladores da série O Homem Invisível, que possuía apenas três personagens fixos:



***Dr. Daniel Weston: Gervásio Marques / Mary Anderson: Isaura Gomes / Walter Carisson: Garcia Neto.

***Marco Antônio dos Santos***

terça-feira, 12 de maio de 2009

MEMÓRIA AIC (3): ISAURA GOMES E MARCELO PONCE


Mais um momento grandioso da dublagem da AIC!
Aqui, temos uma cena da série A Feiticeira, onde através de sua mágica, Samantha faz com que Abner e Gladys Kravitz se reconciliem , através de um sonho

Neste sonho, Abner pede a mão de Gladys em casamento.A cena foi retirada do episódio da 1ª temporada: " O Ideal de meus Sonhos" e nos mostra a dubladora Isaura Gomes em uma de suas melhores personagens. Um trablaho primoroso sem sombra de dúvida, onde consegue o tom vocal adequado para uma vizinha fofoqueira.

Mas, sempre nos surgia uma dúvida quanto ao primeiro dublador de Abner, nas duas primeiras temporadas. Sem informações algumas a respeito, apenas pelo quadro sinótico do caminho do dubladores da AIC que temos, notamos que Marcelo Ponce teve praticamente esse único personagem fixo.Entretanto, por motivos desconhecidos, ao final da 2ª temporada, ele fora substituído por Xandó Batista, o qual realizou também um excelente desempenho.Nesse período, não sabemos os motivos de seu afastamento da AIC, mas depois de poucos anos, ele retorna dublando convidados especiais em séries como Terra de Gigantes e Daniel Boone e outras.

Aqui, temos uma verdadeira relíquia, onde encontramos dois grandes dubladores, numa cena específica para eles, demonstrando a capacidade e a qualidade de ambos para os personagens.Infelizmente, o dublador Marcelo Ponce já é falecido, pelas informações de seus colegas da época, mas a talentosa Isaura Gomes ainda está conosco, uma estrela que brilha

Parabéns Isaura Gomes e Marcelo Ponce pelo legado dessa dublagem!
***Quero agradecer do fundo do coração ao amigo, colaborador e co-proprietário da comunidade Versão Brasileira AIC SP, Thiago Moraes, pela idéia brilhante e sua execução com o vídeo! Parabéns Thiago!

Aqui segue o URL do YOUTUBE, aproveitem para reelembrar ou conhecê-los:


***Marco Antônio dos Santos***

segunda-feira, 11 de maio de 2009

DUBLADOR EM FOCO (45): WILSON KISS




Praticamente, o dublador Wilson Kiss é desconhecido dos fãs da AIC, mas seu trabalho contribuiu muito em filmes e séries de tv da década de 1960.




As informações obtidas que consiguimos são pouquíssimas, uma vez que o dublador não teve um personagem fixo em série que o levasse à identificação pela mídia.




Baseados , por um acaso, em uma Revista do Rádio, de meados da década de 1960, há uma pequena menção sobre Wilson Kiss, o qual segundo a revista, teria sido comentarista esportivo de rádio na década de 1950 e, eventualmente, também rádio-ator no interior e depois em São Paulo.




Fez inúmeros convidados especiais em série, sua voz se enquadrava bem para pessoas maduras, bandidos em western, médicos. Sua participação na dublagem das séries de Irwin Allen foi bem ativa, entretanto, não podemos exibir cenas de autoria da Fox.




Assim, aqueles que tiverem boa memória ou os episódios gravados, vamos citar alguns personagens dublados por ele, com o objetivo de o identificarem:


A) Em Perdidos no Espaço, episódio "O Desafio" da 1ª temporada, onde dubla o ator Michael Ansara.


B) Em O Túnel do Tempo dubla o pirata no episódio "Os Piratas da Ilha do Morto".


C) Em Terra de Gigantes dubla o médico que auxilia os pequeninos em dois episódios: "Apêndice Inoportuno" e "A Pedra Mortal".


D)Em Viagem ao Fundo do Mar, na 4ª temporada, nos episódios finais foi o dublador fixo do médico do Seaview.




Além dessas participações, dublou também muitos caciques em Daniel Boone, clientes de James em A Feiticeira, bandidos em Lancer, alienígenas em Jornada nas Estrelas, etc.




Participou do time AIC Futebol Clube, tema já abordado, cuja fotografia mostra como um jogador da equipe.




Por depoimentos de outros dubladores, sabemos que Wilson Kiss já é falecido, não temos a data. Aqui, importa ressaltar que o seu trabalho, além da qualidade que demonstrou, fixou em séries de tv que até hoje são assistidas por muitos e, mais uma vez, temos um dublador no anonimato.




O nosso muito obrigado!!!






***Marco Antônio dos Santos***

domingo, 10 de maio de 2009

DUBLADOR EM FOCO (44): NEVILLE GEORGE














Um dos dubladores mais atuantes na fase áurea da AIC.





Foi representante comercial e ingressou nas rádios, como locutor de notícias. Sua família sendo de origem estrangeira, falava correntemente a língua inglesa, o que lhe facilitou muito para a carreira.










Na AIC, seu ingresso foi fazendo participações especiais, muitos vilões principalmente. Assim, surge na 1ª temporada de Missão Impossível e, principalmente, na 2ª temporada de Viagem ao Fundo do Mar, onde praticamente participou de quase metade da temporada, sempre com os vilões.





Nessa série, há um fato curioso. No episódio "O Homem Mecânico" ele dubla o ator James Darrew, o qual já estava contrato pela Fox para estrear a série O Túnel do Tempo em 1966.










Mas, quando a série chegou ao Brasil, Wolner Camargo optou por escolher o dublador Carlos Campanile para dublar James Darrew, como o Dr. Tony Newman e a Neville George coube a dublagem de Robert Colbert como o Dr. Douglas Philips. Uma das séries mais bem dubladas da AIC por diversas razões: o entrosamento de todos os dubladores fixos e convidados e uma uniformização na dublagem de uma série com apenas 30 episódios, além de uma direção de dublagem extremamente cuidadosa.










Por ser profundo conhecedor da língua inglesa, conseguia adaptar com rapidez a interpretação e sincronia. Neville George fora também escolhido por Emerson Camargo para dublar o Dr. Macoy e o fez na 1ª temporada da série. Até em Perdidos no Espaço podemos ouví-lo no episódio da 3ª temporada: "O Ataque dos Homens-Relógio". Um de seus últimos personagens foi a 3ª voz de Barney Rouble no desenho Os Flintstones.










Entretanto, por volta de fins de 1967, início de 1968, alguns dubladores se dirigem para o Rio de Janeiro, onde surgia um novo estúdio de dublagem: TV Cine Som.










Nesse estúdio, Neville George ganhou mais um personagem que o imortalizou, além dos já citados: James West, além de ser o narrador do desenho Corrida Maluca, a abertura dos episódios de 50 minutos de Além da Imaginação, da série Enigma.










A série James West teve uma dublagem curiosa: passou por diversos estúdios, mas Neville George acompanhou o personagem quase até o final da série. Se prestarmos atenção, em sua fase colorida, temos TV Cine Som, Dublasom Guanabara e depois Herbert Richers que já havia incorporado as demais.










Outro personagem inesquecível foi o comandante Hogan, na série Guerra , Sombra e Água Fresca, onde exercitou o seu lado humorístico.










No início da década de 1970, abandona um pouco a dublagem e surge como locutor num jornal diário da TV Tupi de São Paulo, onde fica algum tempo.










Após esse período, Neville George teve uma agência de publicidade por muitos anos.





Reapareceu quando a Rede TV foi inaugurada, sendo o seu locutor oficial, porém veio a falecer no dia 19 de outubro de 2002, vítima de câncer no pâncreas.










Gostaríamos de postar sua participação em O Túnel do Tempo, juntamente com Carlos Campanile, entretanto a Fox está retirando qualquer vídeo do qual ela possua direitos autorais.










Assim, encontramos uma cena do episódio "A Armadilha" de Jornada nas Estrelas, onde temos a honra de encontrarmos: Emerson Camargo, o saudoso Aldo César e Neville George.




















**Como locutor da Rede Tv, chamando para as séries A Feiticeira e Jeannie:
















***Marco Antônio dos Santos***










quarta-feira, 6 de maio de 2009

MEMÓRIA AIC (2): JORNADA NAS ESTRELAS


Talvez, uma das dublagens mais saudosas, que os fãs tem da AIC, seja a da série Jornada nas Estrelas, por diversas razões as quais já foram exauridas em comentários.


Aqui temos um pequeno trecho do episódio "A Galáxia", onde temos a participação de Rebello Neto como sr. Spock, o ator Don Marshal dublado por Carlos Alberto Vaccari e o iniciante Osmar Prado dublando o oficial com a camiseta amarela.


Parabéns a todos os dubladores que participaram desta série.





***Marco Antônio dos Santos***

terça-feira, 5 de maio de 2009

MEMÓRIA AIC (1): VOCÊ SE LEMBRA DE LANCER ?




Lancer é uma série de TV, americana, produzida entre 1968 e 1970, em duas temporadas, pela 20th Century Fox Television, sendo composta por 51 episódios de 60 minutos cada.



Nos Estados Unidos a série passou na CBS. A série Lancer foi produzida uma pouco à imagem da série Bonanza que já há anos fazia sucesso na concorrente NBC. Por conseguinte, a estrutura da trama tem muitos pontos em comum.



A história de Lancer centra-se num típico rancho da região de San Joaquin Valley, na Califórnia, propriedade do viúvo Murdoch Lancer. A região está assolada por bandidos e um clima de violência e anarquia no sentido de fazer com que os rancheiros abandonem a região para assim se apossarem das terras. Murdoch Lancer vê partir parte dos seus vaqueiros, ficando reduzido a pouco mais de uma dezena de seguidores mas pretende resistir no seu rancho pelo que se vê na necessidade de mandar chamar os seus dois filhos, de diferentes mulheres, há muito fora de casa.



Dublada pela AIC, a série teve como dubladores: Murdoch Lancer: Carlos Alberto Vaccari (1ª voz) e João Angelo (2ª voz) / Scott Lancer: Wilson Ribeiro / Jonny Madrid : Sérgio Galvão / Capataz Jelly: Xandó Batista.






Aqui para você recordar temos a abertura da série com o saudoso Carlos Alberto Vaccari e uma cena da série com uma convidada muito especial: Agnes Mooreeadh.



ABERTURA DA SÉRIE DUBLADA


TRECHOS DA SÉRIE DUBLADA:
***Marco Antônio dos Santos***

segunda-feira, 4 de maio de 2009

CONVERSA COM RODNEY GOMES


ESTA CONVERSA FOI REALIZADA POR TELEFONE, NO DIA 22/11/1994, A QUAL SE INICIOU POR VOLTA DAS 22h15 E TERMINOU POR VOLTA DAS 23h45.

DEVIDO À PERSONALIDADE DE RODNEY GOMES, IA DE UM ASSUNTO A OUTRO, PROCURAMOS ALINHAR COMO SE FOSSE UM PEQUENO DEPOIMENTO.

POR SE TRATAR DE UMA CONVERSA POR TELEFONE, PROCURAMOS EXIBIR O MAIS FIEL POSSÍVEL.


1 - Rodney , tudo bem com você, sou o Marco Antônio lembra ?

R: Ah, sim, você anda atrás de mim um tempão né ? Pode falar o que você quer saber dos meus feitos na dublagem!


2 - Como você foi parar na 1ª dublagem de Bonanza, foi o seu primeiro trabalho ?

R: Foi e não foi rs, rs, rs, Profissionalmente falando sim, juntávamos num estúdio abafado e pequeno com o Isaac Bardavid, Ribeiro Neto e Luis Mota e mandávamos ver. Naquela época, creio que foi em 1962, a dublagem era uma tarefa da idade da pedra, ninguém sabia o que ia fazer, mas acabava saindo bom, porque nós tínhamos experiência com o microfone, eu era calouro, mas quem estava comigo me ensinou muito. Mas aí a TV Tupi do Rio só adquiriu umas três temporadas e paramos de dublar Bonanza, gostava muito da série e do Michael Landon como ator.
Isso foi no Rio de Janeiro, não me lembro nem do nome do estúdio, logo fechou.

3 - E aí o que você fez ?

R: Bom, eu sempre procurei trabalho nessa área, creio que dublei em tantos estúdios que já perdi a conta. Como no Rio de Janeiro a coisa ficou parada, fui para São Paulo, pois a AIC estava toda poderosa.

4 - Como foi a sua chegada na AIC ?

R: Eu sempre tive sorte, acabei de me apresentar ao estúdio e estavam fazendo testes para a série Batman, acho que foi em 67, deram o teste do Robin e fui aprovado de imediato.

5 - Como foi dublar o Robin ?

R: Maravilhoso, primeiro porque o elenco era muito bom, tínhamos sempre convidados especiais e, depois porque fui criando umas expressões para o personagem que os diretores gostaram: "Santo Sapato Batman", era muito divertido., às vezes, eu saía do texto e o Gervásio Marques ficava meio perdido como Batman.

6 - Você fez o Robin também em desenho, não é ?

R: Foi uma produção da Filmation.

7 - Batman e Robin não tiveram a sua 3ª temporada dublada na AIC, isso te chateou ?

R: Olha, Marco Antônio, um pouco, mas eu sempre dei tanta sorte nessa profissão maluca que pensei estar desempregado de novo, mas aí a TV Tupi de São Paulo adquiriu mais duas temporadas de Bonanza e foi para a AIC dublar. Como eu já havia feito o Little Joe, me deram na hora e os demais personagens foram alterados.

8 - Você saiu da AIC depois de Bonanza ?

R: Sabe, eu sempre procurei coisas novas e o meu saudoso Dionísio Azevedo me convidou para participar da novela "A Pequena Órfã" na TV Excelsior. Fiz, mas sei que fui um desastre. Nunca mais quis saber de atuar em frente às câmeras.

9 - E qual rumo você tomou?

R: Bem, agora o Rio de Janeiro estava melhor, aí passei pela Peri Filmes (fiquei pouco tempo, mas já dirigia um pouco), depois fui para a Herbert Richers e aí, acharam que eu era perfeito para dublar O Roddy Macdowell nos quatro filmes do Planeta dos Macacos (acho que foi porque sempre pulei de galho em galho profissionalmente). E todo mundo gostou! Ao mesmo tempo eu dublei um desenho que tenho muito carinho que foi A Formiga Atômica. Puxa, quando ia às ruas , as mães reconheciam a minha voz e falavam para a criançada, foi muito gratificante ser um herói em desenho animado! Muitas saudades.

10 - E depois ?

R: Bom, aí, ainda nesse meio tempo, a crise na AIC ficou feia, por volta de 71, muitos dubladores sairam e eu recebi um convite para ajudar num seriado novo "Glen Ford é a Lei", e lá fui eu, o Carlos Campanile, um amigo a toda prova, fazia o Glen Ford e eu acho que era seu ajudante, não me lembro mais, a memória engana.

11 - Você também fez o Gallen na série O Planeta dos Macacos, como foi ?

R: Aí já não foi na Herbert Richers, foi na Tcnisom Rio de Janeiro, mas foi ótimo, porque conhecia todo o elenco: Pietro Mário, Ioney Silva, Antonio Patiño, só feras!

12 - Você atuou em filmes também ?

R: Sim, fazia até algumas pontas, mas estive na Telecine, onde se dublava mais filmes, alguns dirigi.

13 - Alguma mágoa da profissão ?

R: Nenhuma, sempre conquistei, com suor é lógico, tudo que pretendia nessa profissão, repito maluca. Agradeço a você, Marco Antônio, pelo interesse em montar a história da dublagem no Brasil. Abraço apertado!


***O dublador Rodney Gomes faleceu no dia 15/09/2006 vítima de complicações de diabetes.

Agradecemos pela sua forma espontânea em conversar com um fã desconhecido, por telefone******



***Marco Antônio dos Santos****

segunda-feira, 27 de abril de 2009

CURIOSIDADE AIC (14): O DUBLADOR DE ZÉ DO CAIXÃO




Parece inacreditável para os dias que vivemos, mas na década de 1960, diversos filmes nacionais necessitavam serem dublados, por diversas razões: nitidez de som nas externas e até realçar uma melhor interpretação. Algumas vezes o próprio ator dublava o seu personagem, mas em outras ocasiões necessitava de um profissional qualificado para um melhor desempenho.




Zé do Caixão, em seus filmes da época, necessitava ser dublado e, talvez, a voz que tenha melhor se enquadrada ao ator, foi a do dublador João Paulo Ramalho.




O dublador João Paulo Ramalho dublou muitos convidados especiais em séries e filmes, porém sua voz é muito lembrada por dublar o personagem Mark Wilson da série Terra de Gigantes.




Antes de chegar à AIC, ele também já havia passado pelas rádio-novelas e, atuou como ator em muitos filmes do saudoso Mazzaropi. Mas, esteve de volta à dublagem na década de 1980, quando as séries japonesas ganharam espaço em nossa televisão.




Infelizmente, segundo informações de alguns dubladores, João Paulo Ramalho teria falecido em 2005 ou 2006. A data não é precisa, uma vez que estava um pouco afastado da dublagem nessa época.




Mais um dublador que deixou sua qualidade de trabalho registrada na AIC.




***Marco Antônio dos Santos***

sábado, 25 de abril de 2009

CURIOSIDADE AIC (13): HENRIQUE MARTINS DUBLANDO O SUPER-HOMEM







A primeira série para a televisão, "As Aventuras do Super-Homem", foi estrelada pelo ator George Reeves na década de 1950.



A série teve 5 temporadas, sendo as duas primeiras em preto e branco e as demais coloridas.



O sucesso foi muito grande nos Estados Unidos e no Brasil, onde a TV Globo exibiu muito, logo a partir do seu primeiro ano de vida.






A série teria mais algumas temporadas, porém o ator George Reeves suicidou-se no dia 16 de junho de 1959.






Trouxemos aqui, através da colaboração do amigo Edimar Pereira, um trecho dublado pela AIC, onde encontramos além de Henrique Martins dublando o Super-Homem, os dubladores: Luiz Orione, Xandó Batista e Neuza Maria dublando Noel Neil.






Para recordar e compararmos com o que temos atualmente!!!



Parabéns AIC e a todos os dubladores que participaram da série!













***Marco Antônio dos Santos***




quarta-feira, 22 de abril de 2009

CURIOSIDADE AIC (12): A SÉRIE MAIS LONGA DUBLADA


Com a sugestão de nosso amigo Thiago Moraes, a fim de fornecer uma curiosidade sobre a AIC, fizemos uma pesquisa para saber quais seriam as séries mais longas dubladas pela AIC.



É bom lembrar que utilizamos o critério de que a série foi totalmente dublada pela AIC, pois sabemos que houve outras séries, extensas , mas algumas foram dubladas também por outro estúdio de dublagem.




Sendo assim, conseguimos encontrar as cinco séries mais longas dubladas totalmente pela Arte Industrial Cinematográfica.



O resultado final foi:




1º A FEITICEIRA - com 254 episódios.




2º OS TRÊS PATETAS - com 190 episódios.




3º DANIEL BOONE - com 165 episódios.




4º JEANNIE É UM GÊNIO - com 139 episódios.




5º VIAGEM AO FUNDO DO MAR - com 110 episódios.




Lembrando que a série A Feiticeira teve 8 temporadas, o que significa ser muito querida pelo público, não só americano, como o brasileiro, pois as nossas emissoras da época investiram na dublagem tão extensa (algo que não se verifica mais atualmente).




Evidentemente com tantos anos no ar, houve uma série de alterações de dubladores, por diferentes razões, mas sempre primorando pela qualidade.



Embora já tenhamos publicado, segue a lista completa de dubladores de A Feiticeira, a série mais extensa que a AIC dublou.




*SAMANTHA: Nícia Soares na 1ª temporada até parte da 2ª e Rita Cléos a partir da 2ª temporada até o final da série. / JAMES: *DICK YORK:: Sérgio Galvão na 1ª temporada – Gervásio Marques na 2ª – Olney Cazarré na 3ª, 4ª e 5ª temporadas.*DICK SARGENT:: Osmiro Campos: na 6ª temporada e Olney Cazarré na 6ª, 7ª e 8ª temporadas. / ENDORA: Márcia Real na 1ª temporada - Lia Saldanha em cerca de 5 episódios da 2ª temporada – Gessy Fonseca na 2ª temporada – Helena Samara da 3ª à última temporada. / TÁBATHA: Aliomar de Matos. / TIA CLARA: Gessy Fonseca na 1ª e 2ª temporadas – Rachel Martins na 2ª temporada – Dulcemar Vieira na 3ª temporada – Maria Inês na 4ª temporada /.*OBS: Rachel Martins somente dublou tia Clara quando no episódio surgia Endora, pois estava sendo dublada por Gessy Fonseca./ TIO ARTHUR: Ari de Toledo na 2ª temporada – Sílvio de Matos da 3ª temporada ao final da série./ MAURICE: Amaury Costa na 1ª e 2ª temporadas – João Ângelo na 3ª e 4ª temporadas – Sílvio Navas na 5ª e início da 6ª temporada – Flávio Galvão na 6ª temporada – Borges de Barros nas 2 últimas temporadas./ ABNER: Marcelo Ponce na 1ª e 2ª temporadas – Xandó Batista da 3ª à 6ª temporada – José Soares a partir do final da 6ª temporada./GLADYS: Isaura Gomes na 1ª temporada – Helena Samara na 2ª temporada – Isaura Gomes da 3ª temporada ao final da série./LARRY: José de Freitas no início da 1ª temporada – Waldir Guedes na 1ª e 2ª temporadas – Raimundo Duprat na 3ª temporada – Waldir Guedes na 4ª, 5ª e 6ª temporadas – Xandó Batista a partir do final da 6ª temporada/ .LOUISE: Judy Teixeira/ESMERALDA: Sandra Campos. / DR. BOMBAY: João Ângelo./ OS PAIS DE JAMES: Na 1ª e 2ª temporadas temos Amaury Costa e Rachel Martins. A partir da fase colorida, a mãe de James é dublada por Isaura Gomes até o final. Quanto ao pai, não teve uma voz fixa, pois aparecia pouco. Seus dubladores mais freqüentes foram Turíbio Ruiz e Mario Jorge Montini.



Mais uma vez, parabéns à AIC por ter nos deixado uma dublagem maravilhosa para esta série que possui uma infinidade de fãs pelo Brasil.




**Marco Antônio dos Santos**

terça-feira, 21 de abril de 2009

DUBLADOR EM FOCO (43): JUDY TEIXEIRA




Mais uma grande dubladora, praticamente no esquecimento. Não há registros de sua biografia e nem fotografias. O que conseguimos apurar, conversando com alguns dubladores, é que também paricipou de rádio-novelas e também de algumas novelas na extinta TV Paulista.


Sua novela de maior sucesso foi Ídolo de Pano, em 1974, na Tv Tupi.




Judy Teixeira possuía uma voz macia, tipo aveludada e se encaixava muito para mulheres mais calmas e tranquilas. Desde o início da série A Feiticeira dublou as duas atrizes que interpretavam a personagem Louise Tate, além da Dra. Ann de O Túnel do Tempo em 25 episódios, sendo substituída, no final da temporada, por Gessy Fonseca.
Também dublou a Reverenda Madre na série A Noviça Voadora.




Além desses três personagens mais marcantes, participou em diversos filmes e séries de tv , dublando atrizes convidadas em Perdidos no Espaço, Terra de Gigantes, Daniel Boone, Lancer e muitas outras.




Sua postura de voz e interpretação sempre foram de alta qualidade. Nos estúdios da AIC era tão respeitada pelos colegas que sempre foi chamada de Dona Judy. Ao lado do dublador Xandó Batista formavam os dubladores admirados por seus amigos de bancada.




Infelizmente, como sempre no Brasil, a dubladora faleceu no anonimato, onde não temos informações alguma sobre a causa e a data.




Judy Teixeira estará presente sempre entre nós, pois algumas dublagens estão aí em DVD, comprovando o seu talento. Nós fãs, te agradecemos pelo teu trabalho.




***Marco Antônio dos Santos***

segunda-feira, 20 de abril de 2009

DUBLADOR EM FOCO (42): BATISTA LINARDI


Um dos dubladores mais atuantes da fase de ouro da AIC. Dublou dois personagens das séries de Irwin Allen: Viagem ao Fundo do Mar : Kowalski e o General Kirk em O Túnel do Tempo.Segundo consta, Batista Linardi teria vindo da rádio Tupi e participou em diversas séries da época e filmes.




Ainda, na década de 1980, participa na dublagem de séries japonesas, como Jaspion e Changeman.




Infelizmente, não encontra-se uma biografia desse grande dublador e sequer uma fotografia.Segundo o dublador Carlos Campanile, Batista Linardi já é falecido.




Fica aqui a nossa homenagem, embora pequena.Para aqueles que quiserem ouví-lo, dublando Kowalski, cliquem no link abaixo.








***Marco Antônio dos Santos***

sábado, 18 de abril de 2009

A LÁGRIMA DE UM DUBLADOR



O dublador iniciante já sabe que terá de enfrentar enormes dificuldades até que consiga se afirmar dentro do mercado de trabalho. São diversos os obstáculos que virão, mas aí dependerá da perseverança de cada um.



Aqui, gostaria de abordar sobre os dubladores da geração que iniciou a dublagem no Brasil, numa época que ser dublador ainda nem profissão era legalizada, onde a tecnologia era muito precária e dependia muito da sua qualidade de interpretação, sincronia e não errar muito, para não atrasar as gravações, uma vez que todos dublavam juntos um anel.


Quanto aos direitos autorais, é uma questão que se iniciou de forma equivocada e persistirá ainda por algum tempo, até que a união de todos comece a transformá-la.


Mesmo com tudo isso que citamos, em nossa opinião, para os dubladores de 40 anos atrás, a sua lágrima escondida surge quando o seu trabalho desaparece, sem explicações convincentes.A lágrima simboliza o descaso de toda uma sociedade por um trabalho artístico de alto nível.



A lágrima surge quando Scott de Jornada nas Estrelas não é mais a voz de Carlos Campanile, quando a voz de Manuelito de Chaparral não é de Wilson Ribeiro, quando a agente 99 não tem a voz de Aliomar de Matos, quando desaparece a alma brasileira de Dom Pixote e Zé Colméia substituindo o mestre Older Cazarré.


É dessa forma que , bem pequena a lágrima se une ao olhar do dublador para o passado e se sente um enorme desconhecido.Aqui estamos para, simbolicamente, entregarmos um lenço a ele e dizer: "Você foi e continua sendo muito importante para a nossa cultura, para as nossas vidas que participamos juntos, mesmo só assistindo pela televisão, pois sabíamos que vocês respeitavam o público".


Se a lágrima vier, transforme-a na alegria de saber que vocês jamais serão esquecidos por nós.


**Marco Antônio dos Santos***

sexta-feira, 17 de abril de 2009

ENTREVISTA COM MARCELO GASTALDI


***ESTE PEQUENO DEPOIMENTO FOI REALIZADO DE MANEIRA INFORMAL, NO ESPAÇO CULTURAL VERGUEIRO NA CIDADE DE SÃO PAULO, NO DIA 15/10/1990****

***PROCURAMOS, NA MEDIDA DO POSSÍVEL RETIRAR A ORALIDADE DO TEXTO***


1 - Você começou a sua carreira de dublador bem jovem. Como foi esse início.

R: Sim! Eu quando era criança gostava de ouvir as rádio-novelas, as vozes que não sabíamos os rostos e quando eu tinha uns 15 anos eu já andava procurando algo em estúdios de rádio. Nessa época, conheci Ribeiro Filho que viu o meu entusiasmo e me levou até a Gravasom para fazer um teste. Gostaram e fiquei dublando o jovem filho na série Papai Sabe Tudo, até a série chegar na AIC.


2 - E depois na AIC ?

R: Eu deveria ter uns 18 anos e ainda só sobravam os adolescentes, os que falavam pouco, mas não desisti, fui fazendo os convidados, muitos só tinham um anel na história.


3 - Houve 4 séries , onde você conseguiu um personagem fixo: A Noviça Voadora, Os Monkeys , E as Noivas Chegaram e Chaparral. Qual te traz grandes recordações ?

R: O Carlos foi gratificante trabalhar ao lado da Aliomar de Matos (aprendi muito com ela), parecia que tínhamos conseguido uma certa magia entre nós, o que se repetiu no desenho Bam-Bam e Pedrita. Já Os Monkeys foi interessante para a época. Na minha opinião, o Carlos e o Bam-Bam adolescente foram os mais marcantes. Quanto ao Jeremias, ele era muito apagadinho...O Blue de Chaparral, creio que foi a grande oportunidade de dublar um personagem problemático.


4 - Como você vê a experiência do sucesso de Chaves e Chapolin até hoje?

R: Creio que foram vários fatores: os personagens se identificaram com diversas gerações. Pelo aspecto artístico foi e continua sendo maravilhoso, mas quanto aos direitos autorais é muito triste!


5 - Você mencionou o aspecto artístico. Como foi esse processo ?

R: Parecíamos que estávamos na AIC novamente, só que com mais recursos técnicos. Reunir talentos como Nelsinho Machado, Helena Samara, Mário Vilela, Osmiro Campos e os demais foi muito enriquecedor, pena que a proposta original não tenha vingado.


6 - Qual foi a proposta original ?

R: Bem! Marco Antônio, peço desculpas, mas não gostaria de tratar desse assunto tão, digamos, stressante.


7 - Do que você sente saudades dos tempos da AIC ?

R: Olha, sem medo de ter falsa modéstia, mas dos colegas com que convivi, aquilo era uma casa como tantas: alegrias, aborrecimentos e escola. Aprendi muito com grandes diretores de dublagem, como o José Soares.


8 - Algum fato curioso que você se recorde ?

R: Bom! Quando ainda fazia muitos convidados, eu tinha um anel com a saudosa Rita Cléos. Era pequeno, mas eu errei duas vezes chamando-a de Rita e não de Samantha,rs,rs,rs,


9 - Como você vê o universo da dublagem atualmente ?

R: Com otimismo, porque projetos todos temos, mas também com um olhar de muita cautela.


10 - Deixe uma mensagem para os teus fãs que te acompanham nos seriados até hoje .

R: Agradeço a lembrança de todos! Tenham a certeza de que nós sempre tentamos fazer o melhor, quando nos deixam! Muito obrigado a você Marco Antônio, que vejo como um "dinossauro tentando resgatar a pré-história da dublagem!"


OBS** Marcelo Gastaldi faleceu em 1995, aos 50 anos de idade.


***Marco Antônio dos Santos***

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

DUBLADOR EM FOCO (41): DANTE RUY



O ator Dante Ruy atuou no cinema e na TV.


Principais trabalhos na TV:"Rabo-de-Saia" (1984) (minissérie) "

Meus Filhos, Minha Vida" (1984) "

Acorrentada" (1983) TV series "Paiol Velho" (1982) TV series

"As Cinco Panelas de Ouro" (1982)

Teleteatro"Partidas Dobradas" (1981) "Vento do Mar Aberto" (1981)

"Os Imigrantes" (1981) "O Meu Pé de Laranja Lima" (1980) "O Direito de Nascer" (1978) "O Julgamento" (1976) "Xeque-Mate" (1976) "Ovelha Negra" (1975) "A Grande Mentira" (1969) "Marcados pelo Amor" (1964)



Principais trabalhos no cinema:Made In Brazil (1985)Mulher... Sexo... Veneno (1984) O Escândalo na Sociedade (1983) Pecado Horizontal (1982) As Aventuras de Mário Fofoca (1982) Os Rapazes da Difícil Vida Fácil (1980) A Noite dos Duros (1978) Jecão... Um Fofoqueiro no Céu (1977)



Entre seus papéis mais marcantes estão o Agenor na primeira versão da novela “A Viagem”, na TV Tupi, e Caetano, de “Meu Pé de Laranja Lima”, na década de 1980 , na Bandeirantes. Seu último trabalho na TV foi na minissérie “Rabo de Saia”, na Globo, em 1984.

Dante Ruy atuou em novelas como “Meus Filhos, Minha Vida”, “O Direito de Nascer”, “Acorrentada” e “Os Imigrantes”.

No cinema, esteve em diversas produções. Entre elas, “As Aventuras de Mário Fofoca” e “Mulher…Sexo…Veneno”.


Na AIC, esteve muito presente dublando personagens truculentos, vilões, traidores, etc. Sua voz e sua interpretação funcionavam muito bem para dublar esses personagens. Assim, participou de diversas séries na época: Missão Impossível, Perdidos no Espaço, O Túnel do Tempo, Terra de Gigantes, etc.

Para aqueles que queiram reconhecer a voz de Dante Ruy, assistam ao episódio da série O Túnel do Tempo, onde ele dubla o ator Torin Tacher, o cientista inglês muito teimoso, no episódio "O Dia do ´Juízo Final", ou o episódio de Perdidos no Espaço da 2ª temporada "O Circo do Espaço", onde faz o proprietário do circo.


Dante Ruy faleceu no dia 21 de fevereiro de 2008, aos 82 anos, de infecção pulmonar.O ator deixou três filhos.
**Marco Antônio dos Santos**

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

CURIOSIDADE AIC (11): UMA DE SUAS PRIMEIRAS DUBLAGENS

ELENCO DA SÉRIE CIDADE NUA


Aqui, temos um vídeo da série Cidade Nua, uma das primeiras séries a serem dubladas pela AIC por volta de 1962/63.

Nesta cena, podemos ouvir alguns dubladores daquela época que nos deixam uma enorme reflexão sobre dublagem.


Aqui temos o início do episódio "Munição custa Demasiado" e as vozes de:

* Magno Marino (o narrador do início do episódio)*

* Wilson Ribeiro como o detetive Adam*

* A senhora que conversa com o detetive: Laura Cardoso*

* O senhor bêbado: Gastão Renné*

* A voz do assaltante: Henrique Martins*

* O bar-man, numa ponta, a voz fantástica de Wolner Camargo*


Se possível, em breve, colocaremos outras vozes pioneiras que participam deste episódio.


URL DO YOUTUBE:


*Marco Antônio dos Santos*

sábado, 13 de dezembro de 2008

NOSSO ETERNO AMIGO: BORGES DE BARROS


Há 20 anos pesquiso sobre a história da AIC. Tive a honra de conversar com Borges de Barros. Com os diversos dubladores com os quais conversei nunca ouvi uma pequena palavra, a qual desmerecesse a sua postura como profissional ou ser humano.


Faz exatamente um ano que o nosso inesquecível amigo foi levar alegria, profissionalismo e dignidade para um outro local que, provavelmente estivesse precisando dele.


Lendo um livro de mensagens, de autores desconhecidos, vi uma a qual se enquadra muito bem para o relacionamento de Borges com todos os seus fãs.


SEMEANDO AMIZADES



Amigo é assim. Não há caminhos divergentes, tampouco dimensões capazes de separar as grandes amizades.
Amigo é coração batendo em uníssono por um mesmo ideal.

É sentir a dor do outro no seu próprio coração.
É abdicar de pequenos valores, sentimentos ou coisas, para que o companheiro seja feliz, consiga se realizar.

Deus abençoe o amigo. Ele é o filho que já entendeu um pouquinho da linguagem do Pai. De que modo?
Semeando amizades, plantando amigos...
Reflorestar amizade é missão de todo filho pródigo.
Amigo é constância do Amor em movimento.


Em toda a sua vida, Borges de Barros fez exatamente isso, semeou amigos através do Brasil inteiro!

Um grande abraço NOSSO AMIGO!


**Marco Antônio dos Santos**

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

DUBLADOR EM FOCO (40): FLÁVIO GALVÃO







Flávio Galvão nasceu na capital paulista, num dia 30 de junho . Em 1971, apareceu na TV TUPI e seu primeiro papel foi em “Hospital”, novela de Benjamim Cattan. Nessa novela trabalhava também Elaine Cristina, com quem namorou e que veio a ser sua esposa. Depois disso fez ainda “O Preço de um Homem”, para a TV TUPI, mas depois passou para a TV Globo, no seriado importante da época: “Vila Sésamo”. Era o ano de 1972. A seguir, voltou para a TUPI, que estava numa fase de grandes e variados trabalhos. Essa fase durou toda a década. E o casal foi super valorizado. Flávio Galvão fez: “A Volta de Beto Rocfeller”; “Divinas e Maravilhosas”; “O Machão”; “Meu Rico Português”; “Um Dia, o Amor”; “Éramos Seis”; “Salário Mínimo”; “Dinheiro Vivo”.




Passou então para a TV Bandeirantes, para a TV Cultura, e para o S.B.T. Além disso atuou em filmes, pois Flávio Galvão é um bom ator. Fez os filmes: “Senhora”; “Excitação” ; “Gabriela”; “Além da Paixão”.




Em 1984, Flávio Galvão foi para a TV Globo e conheceu o verdadeiro sucesso. Fez: “Amor com Amor se Paga”; “Corpo a Corpo”; “Cambalacho”; “O Outro”; “Olho por Outro”; “Tieta do Agreste”; “Araponga”; “Escrava Anastácia”; “Grande Pai”, “Sonho Meu”; “Irmãos Coragem”; “Quem é Você”; A Indomada; “Corpo Dourado”; “Força de um Desejo”; “Porto dos Milagres”; “Quintos dos Infernos”.



Flávio Galvão sempre fez papeis de galã. Mas foi diferente na novela: "Dinheiro Vivo", em que ele fez um vilão e gostou. Foi Walter Avancini quem o viu em uma peça de teatro e o chamou para a TV, em 1971.



Antes de chegar à televisão, Flávio Galvão teve uma enorme participação na AIC. Fez: dublagens de desenhos, vilões, heróis, comédias e ganhou personagens fixos:



*Maguila, o gorila*



*Major Nelson - 2ª voz - da 2ª temporada até o final da série Jeannie é um Gênio*



*Maurice (o pai de Samantha) em 2 episódios*




*Buck Cannon na série Chaparral*



*Inúmeras participações em Os 3 Patetas, O Túnel do Tempo, Terra de Gigantes, Missão Impossível, Perdidos no Espaço, etc.*



*Participou ativamente fazendo diversas vozes nas últimas temporadas de Os Flintstones*



*Foi diretor de dublagem*



Um de seus vilões mais fantásticos, foi no episódio da 3ª temporada de Perdidos no Espaço "As Criaturas da Névoa", onde dá um ar sinistro e até fantasmagórico à criatura que se alimenta do medo.



Flávio Galvão, hoje dedicado à televisão, porém seu início na arte de interpretação está bem registrada nas dublagens que realizou na AIC.






*Marco Antonio dos Santos*

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

CARLOS ALBERTO VACCARI: A VOZ SÍMBOLO DA AIC




*Vaccari na F.A.B.*
*Vaccari com seu neto (Década de 1990)*

Dia 22 de novembro de 2008: a voz símbolo da AIC, Carlos Alberto Vaccari parte também para se reunir com outras estrelas! Um dos dubladores mais conhecidos, pois nas aberturas quem não se lembra da emoção nos nomes dos seriados, atores e, principalmente: "Versão Brasileira AIC São Paulo"
Antes de Ibrahim Barchini sair da AIC, Vaccari só dublava e fez dezenas de participações, assim como teve personagens fixos:
*Mingo, o índio companheiro de Daniel Boone*
*Sr. Phelps (Peter Graves) de Missão Impossível*
*Batfino no desenho Batfino e Karatê*
*Murdoch Lancer (1ª voz)*
Mas a sua marca registrada foram as aberturas que realizou. Para nós, seus eternos fãs, sua voz está arquivada como herói ou vilão, mas sabemos sempre que quando assistirmos algo e ouvirmos Vaccari narrando a abertura significa: emoção, qualidade, boa dublagem que iremos ouvir.
Sua voz fala por si, não há palavras para expressarmos os nossos sentimentos, que serão de muita alegria ao ouví-lo.
Muito Obrigado Vaccari por ter feito parte da nossa infância e adolescência!
Aqui vão alguns URL do YOUTUBE onde poderão sempre ouví-lo:
**2ª Abertura da série Big Valley**
**Marco Antônio dos Santos**

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

CURIOSIDADE AIC (10): ESCALA DE DUBLADORES

TABELA DE ESCALAÇÕES - 25/02/1970


Aqui, temos algo inédito! Uma tabela de escalações para a dublagem no dia 25 de fevereiro de 1970, no período noturno. Como o máximo de ampliação conseguida da imagem foi esta, vamos reproduzir os nomes dos escalados, hora e o número do estúdio da AIC.

ESTÚDIO 3 - direção Flávio Galvão
Marcelo Duran 19h.
Silvio Navas 19h.
Antonio Cardoso 19h.
Arquimedes Pires 19h20
Wilson Kiss 19h30
Aliomar de Matos 19h30
Lucy Guimarães 20h.
Xandó Batista 20h30

ESTÚDIO 4 - direçao: Drausio de Oliveira
Carlos Campanile 19h.
José Parisi 19h.
Francisco Borges 19h20
Sandra Campos 19h40
Mário Jorge Montini 19h40
Waldir Guedes 19h45
Potiguara Lopes 20h.
Maria Inês 20h.
Maralise 20h.
Ézio Ramos 20h10
Helena Samara 20h20
Eleu Salvador 20h20

Estúdio 5 - direção Olney Cazarré
Carlos Alberto Vaccari 19h.
João Angelo 19h.
Wilson Ribeiro 19h25
Isaura Gomes 20h.
Silvio Navas 20h20
Aliomar de Matos 21h.
Sandra Campos 21h,

Podemos observar que os dubladores escalados pelo diretor para aquela determinada dublagem, entravam de acordo com o horário do anel a ser dublado, com o seu companheiro de trabalho.
Assim, Silvio Navas estava escalado para duas dublagens: no estúdio 3 às 19h e no estúdio 5 já às 20h20 para realizar outro anel, de outro filme.

**Coloaboração do dublador Silvio Navas**

**Marco Antônio dos Santos**

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

IMITAR NÃO É DUBLAR !


Saibam que todo dublador,por força de lei, deve possuir um registro profissional de "ator", sendo assim todo dublador é um ator (e na maioria das vezes, dos bons) , seja de teatro, TV ou cinema, sendo assim um dublador, ao contrário do que os leigos no assunto pensam, não tem dificuldade nenhuma em atuar em qualquer trabalho que requeira interpretação, ao contrário dos atores famosos de TV que sofrem para executar um trabalho satisfatório de dublagem, pois saibam que todo dublador é ator, mas nem todo ator é dublador pois dublar bem é difícil demais!


Dubladores não “IMITAM”, e sim “INTERPRETAM COM A VOZ” tal como os atores originais, eles põe sua alma em seus personagens, mas com a desvantagem de atuarem sobre uma marcação pré-definida. E ao contrário do que dizem, há uma verdadeira legião de fãs de dublagem , pois a reconhecem como pura arte interpretativa, é claro que existem dublagens ruins, bem como existem séries, novelas, filmes ou peças de teatros ruins, (e até legendas ruins), mas não julguem o todo pela exceção.


Os atores brasileiros que dublam bem, na ampla maioria das vezes não traduzem, fazem uma versão brasileira, aproximam o público da trama e fazendo-os imergir na história os conecta de forma muito mais completa, traduzindo não as palavras, mas as emoções implícitas e transpondo os significados regionalizados de seus paises de origem para a nossa realidade.


Acreditamos que a falta de sensibilidade venha de uma pequena elite, a qual só pensa em si mesma. Antes de degradar os profissionais tão capacitados e respeitáveis desta lindíssima profissão, visitem um estúdio de dublagem para se informar melhor sobre este trabalho tão valoroso para nossa cultura e tão desvalorizado por boa parte do nosso próprio povo.
**Marco Antônio dos Santos**

CURIOSIDADE AIC (9): MÚSICA ITALIANA

Ioney Silva



Aqui, temos além de algo muito curioso, a demonstração de um dote artístico de Ioney Silva.
Atrás de uma folha de escalações de dubladores para gravação, ele escreveu a letra de uma música em italiano.
Esse fato data do início do ano de 1970 e, acidentalmente, o dublador Silvio Navas o encontrou!

**Marco Antônio dos Santos**

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

DUBLADOR EM FOCO (39): JOSÉ PARISI




José Parisi nasceu em São Paulo, capital, em 1917, no bairro do Brás. Descendente de italianos, falavam todos um português italianado, com sotaque forte, pois os mais velhos preferiam só falar italiano. José Parisi estudou, trabalhou e descobriu sua vocação artística. Nisso foi influenciado pelo pai, que tinha amor por livros. Assim comprava-os e pedia ao filho que os lesse em voz alta para ele, e para uma pequena platéia familiar. Ele fez com que o menino fosse soltando a voz, aprimorando a dicção.



Além disso José Parisi acompanhava um tio do interior, quando vinha à capital, em passeios por teatros e cinemas. Assim, embora tivesse como profissão ser classificador de grãos, na Bolsa de Cereais, um dia apresentou-se para um teste com Maria Della Costa, grande estrela da época. E ganhou o papel para fazer: “Depois da Queda”, peça que fez muito sucesso. Entre o público, já na estréia, estava Dermival Costalima, diretor geral das Emissoras Associadas, que gostou do rapaz, de sua postura, pois ele era alto, elegante, como de sua voz.



Isso foi em 1946, e Parisi foi contratado para o rádio e anos depois, para a televisão, que chegava. Mas Parisi preferiu ficar no rádio , o que foi bem apreciado por Costalima, porém isso durou pouco. Sua figura, seu porte, o induziam a fazer televisão. E assim ele fez Grandes Teatros, Tvs de Vanguarda e inclusive participou da primeira novela da TV: “Sua Vida me Pertence”, de Walter Forster.Fez papeis maravilhosos, sempre se aprimorando mais.



Mas sua grande chance apareceu, quando Péricles Leal lançou o “Falcão Negro”, herói de capa e espada, que transformou o jovem Parisi no herói da garotada. Mas ele levava tão à sério as lutas e as cenas da televisão, que várias vezes, ele e os parceiros, terminaram suas noites no Hospital das Clínicas, onde tinham que ir, para os curativos finais. O “Falcão Negro “era um herói medieval, que defendia os pobres e oprimidos. E o ator não aceitava dublê para nada. Era tudo feito por ele mesmo. . Nem o próprio Parisi estava preparado para tanta fama. O seriado “Falcão Negro” ficou mais de 8 anos no ar. José Parisi como profissional tinha como sua principal característica a honestidade , a gratidão e o sentido de união com os colegas. Trabalhou em muitas peças teatrais e no filme: “O Sobrado”, que foi um enorme sucesso.


Devido a sua dicção perfeita e voz bem sonora esteve presente na AIC, dublando muitos personagens em filmes, mas até hoje ficou conhecido por ter sido a voz de Jim das Selvas, seriado da década de 1940, que foi exibido pela TV Excelsior de São Paulo. Aliás, José Parisi dublou diversos seriados , que foram produzidos para o cinema, e exibidos por volta de 1967/68 durante as tardes para a garotada da época, como: O Homem Foguete, Império Submarino, Flash Gordon e tantos outros.


José Parisi faleceu em São Paulo em 1993.


**Marco Antônio dos Santos**

sábado, 29 de novembro de 2008

"OS SONS TEM ALMA"


No depoimento de Lima Duarte, ele termina com a frase "Os sons tem alma".

Para os fãs da boa dublagem sempre sentimos isso ao assistirmos qualquer tipo de programa. Em se tratando da AIC, há uma legião de fãs que não conseguem assistir a um programa redublado, pois aquele dublador original não está lá, ou seja, não deu a sua alma àquele som, àquela dublagem.

Isso é algo muito peculiar de cada ser humano, de cada fã, porém, pelo que temos presenciado, cada vez mais concordamos com a frase de Lima Duarte, extraordinário ator brasileiro.

Algumas séries e desenhos, com o decorrer do tempo, necessitaram ser redubladas e aí se cria um vazio imenso dentro da expectativa do fã do programa e da voz que surgirá.

Assistimos já à algumas redublagens e nos fizemos as seguintes indagações:

1 - Onde está a alma do Agente 86 ? Resposta: com Bruno Neto exemplarmente magnífico.

2 - Onde está a alma da Agente 99 ? Resposta: com Aliomar de Matos.

3 - Onde está alma da série Chaparral? Com: Astrogildo Filho, Marcelo Gastaldi, Flávio Galvão, Wilson Ribeiro e Líria Marçal.

4 - E Jornada nas Estrelas ? A resposta é sempre a mesma.


Não temos nada contra esses profissionais que realizaram as redublagens, mas para aqueles que assistiram a 1ª dublagem, fica faltando exatamente isso: "o som de suas almas"

A ausência das dublagens originais já se discutiu muito, mas aqui é bom lembrar que, em nosso pais tudo é possível, portanto como cada um de nós veria redublado os seguintes personagens ?

Jeannie, Samantha, Dr. Smith, Dr. Tony Newman, Almirante Nelson, Fred Flintstone, Wilma Flintstone, etc

Como no Brasil tudo pode ocorrer, e se redublarem personagens das décadas de 1970 e 80, como assistiríamos ALF, realizado excepcionalmente por Orlando Drummond, Papai Smurf realizado por Silvio Navas, a pantera Sabrina por Sumára Louise ??? E tantos outros....

A expressão "Os sons tem alma", sabiamente dita, nos serve de um grande alerta, pois a cada dia ficamos sabendo de alguma dublagem que se foi e, com ela vai aquele profissional que deu alma brasileira para que pudéssemos assistir a um desenho ou série de tv com o jeito da nossa fala brasileira.

**Marco Antônio dos Santos**

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

DEPOIMENTO DE LIMA DUARTE SOBRE A DUBLAGEM DA AIC

NESTE DEPOIMENTO FOI REALIZADA UMA ADAPTAÇÂO E ATUALIZAÇÃO DO QUE LIMA DUARTE DEU AO SITE OFICIAL DE HANNA-BARBERA EM 2001.

1 - Como era o processo de dublagem naquele naquele tempo tempo? Há 45 anos atrás. Era mais feeling ou técnica?


R: Bem, era um misto, mas era mais feeling. A técnica, aliás, você sabe muito bem, trabalhava contra nós. Sofríamos muito com a técnica. As dublagens antigas, até mesmo as do Manda-Chuva, não eram perfeitas no sincronismo. Elas eram muito mais de interpretação mesmo. Nós interpretávamos melhor os personagens, esperando assim compensar as falhas técnicas. Eram retirados trechos dos desenhos, com mais ou menos 1 minuto cada. Depois eram remontados já dublados. Eram chamados anéis de gravação. Minha cabeça quase explodia com o som das pancadas que serviam para sinalizar que estava sendo gravado o som. Eu lia o papel, com uma lâmpada muito precária, e ao mesmo tempo tentava sincronizar minha voz com o movimento da boca do personagem. Eu ficava muito atento, pois o desenho não é um ser humano. É uma carinha com dois olhos e um risco chamado boca. Quando este risco ficava redondo, tinha que sair um som. Significava que ele estava falando. É o meu martírio até hoje, quando , Manda-Chuva, subia no caixote naquele beco, para fazer um discurso para seus amigos. Na época, o meu diretor de dublagem era o Older Cazarré, "um amor de pessoa". Quando ele falava que tinha alguma coisa fora aqui, que é aquele negócio ali pelo meio, um "tiquinho ali", faltou um pouco de intensidade, outra vez, ok? Era tudo outra vez.Isso era o dia inteiro até acertar. Uma coisa medieval! E assim tudo era feito. O que hoje é feito tecnologicamente, eletronicamente, maravilha, sem nenhum problema, eu é que tinha que fazer.



2 -Por que temos a impressão de que as dublagens nos anos 60 ficavam muito mais realistas do que as atuais?


R: Essa impressão advem do fato que as dublagens eram mais intensas, mais bem interpretadas. Hoje o dublador trabalha muito . Quanto mais horas ele dublar mais ele ganha. Então ele quer ir rapidinho.Naquele tempo a